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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Anna Bolena - ainda assombra


Anna Bolena

FONTE: BERNAUW, Patrick. The ghost of Anne Boleyn
publicado em 17/02/2009 ─Trad., adapt. & pesquisa Ligia Cabus
[http://socyberty.com/paranormal/the-traveling-ghost-of-the-headless-witch-anne-boleyn/]

Esq.: O começo: tudo é romance e promessa. Esq.: O fim ─ Anne Boleyn in the Tower, 1835.

Edouard Cibot [1799-1877]. Musée Rolin ─ Autun, France.

Era ainda uma adolescente quando foi para a corte francesa; e ali deparou-se com uma sociedade imoral. Na Inglaterra, sua irmã, Mary, veterana cortesã, era amante do rei. Anna achou que podia fazer melhor: ela queria ser a esposa. Por seis anos durou o jogo de sedução entre Anna e o monarca. Jogo sutil que ela aprendeu em Paris. Quando a rainha, Catarina de Aragão falhou em gerar um herdeiro, um varão, Henrique achou que era um momento oportuno. Momento para fazer de Anna Bolena a próxima rainha da Inglaterra, a segunda esposa de Henrique VIII.

Ela causava problemas: é um fato. Ciumenta ao extremo, sempre cometendo suas impropriedades. Porém, não merecia ser acusada daqueles crimes tão abomináveis: traição, adultério [com quatro homens], incesto [com seu irmão George, Lord Rochford], bruxaria. Mas quando o assunto era se livrar de uma esposa Henrique VIII fazia qualquer negócio.

Para casar com Anna, Henrique rompeu com a Igreja Católica Romana e adotou o Protestantismo na Inglaterra. Por conta disso, os historiadores católicos jamais a perdoaram, culparam-na ─ e a ela atribuíram as mais abomináveis perversões da moral, da ordem e dos bons costumes.

Em 1536, o bispo Fisher foi decapitado por recusar-se a reconhecer Henrique como chefe da Igreja. Na ocasião, correram boatos de que Anna mandou que levassem para ela a cabeça do bispo em prato e, tendo a horrenda peça diante de si, transpassou a língua do morto com um estilete de prata. Também diziam que, quando ainda era concubina, tentou envenenar a rainha Catarina e a princesa Mary. Finalmente, muitos acreditavam que Anna Bolena era uma bruxa praticante dos mais indecorosos atos do diabolismo.

Mas o único e verdadeiro crime de Anna Bolena foi o mesmo cometido por Catarina de Aragão: não gerar o ansiado filho varão de Henrique VIII. O rei desgostou-se com a segunda mulher tal como aconteceu com a primeira. Mal suspeitava ele, que a filha concebida com Anna Bolena tornar-se-ia Elizabeth I [1533-1603, chamada a Rainha Virgem], considerada a mais admirável das rainhas da Inglaterra.

Em abril de 1536 cinco homens foram presos sob a acusação de serem amantes da rainha. Entre eles, o irmão dela. Antes de serem torturados, todos afirmaram a inocência da rainha. Mas depois da tortura, um, e somente um deles, o músico holandês Mark Smeaton, acusou-a de infidelidade conjugal. Anna foi presa junto com o irmão. Todos foram encarcerados na Torre de Londres.

Seis Dedos, Três mamilos ─ Em sua pressa de livrar-se dela, o rei declarou que tinha sido enfeitiçado pela mulher. A essa altura, era amplamente aceito como fato que Ana tinha três mamilos, seis dedos na mão esquerda desde a infância sentia uma significativa aversão ao dobrar dos sinos das igrejas, o que era comum nas bruxas. Estava claro! Anna Bolena tinha feito um pacto com o Diabo e o rei tinha sido vítima da maldade de uma feiticeira.

Em 17 de maio [1536] os cinco homens foram executados e, dois dias depois, Anna Bolena foi decapitada. Vestia uma manto leve sobre um traje vermelha. Sua magnífica cabeleira negra estava meio encoberta pelo capuz adornado com pérolas. Quando subiu ao cadafalso, os olhos brilhando, parecia zombar da morte e brincou com o carrasco mencionando seu pescoço pequeno, apelando para habilidade do executor.

Sua bravura fez com que o Governador da Torre escrevesse: Essa senhora morreu com extrema elegância [ou, em tradução literal:Essa senhora teve muito prazer em morrer]. Muitos interpretaram esse comportamento como satisfação de bruxa: porque ia encontrar seu verdadeiro consorte, o Príncipe da Escuridão. Na Torre, ela escreveu um poema:


Morte
Acalenta meu adormecer
Permita-me um repouso tranqüilo
Deixa passar meu espírito
completamente inocente

Lá fora tocam os sinos
dos maus presságios
Lúgubres
Deixe-os tocar
anunciando minha morte
Por que eu preciso morrer

Assombração ─ Apesar do apelo poético, o espírito dela não descansou [nem descansa]. Ela foi vista em muitos lugares, particularmente naqueles onde viveu, uma vez; muitas vezes, aparece em seu coche fantasma conduzido por cavalos sem cabeça, um elemento mítico muito associado à bruxaria e demonolatria.

No castelo de Blickling Hall, Norfolk, todos os anos ela faz uma aparição espetacular no aniversário de sua morte: em seu coche, os cavalos fantasmas galopando na avenida guiados por um cocheiro igualmente sem cabeça.


Na época do Natal, o fantasma vai a Kent, outra residência da família, ela desfilar em seu coche macabro na avenida do Hever Castle. Naquela edificação do século XIII, à sombra de um frondoso carvalho, Henrique cortejou, primeiro Mary, a irmã mais velha; mais tarde, Anna. Ainda durante o Natal, ela durante doze noites ela assombra Rochford, distrito de Essex, onde viveu quando era criança. Nessas ocasiões, assume as feições de uma mulher sem cabeça trajando ricas vestes de seda.

Também é freqüente que seja vista uma certa janela do castelo de Windsor porém, o local preferido dessa alma penada é a Torre, onde ficou presa, morreu decapitada e onde está sepultada. Seu corpo jaz na igreja de Saint Peter ad Vincular [São Pedro Acorrentado], situada dentro da própria Torre. Muitos anos depois da morte, seu caixão foi aberto; ela foi identificada pelo seu infame sexto dedo.

A pequena igreja de São Pedro Acorrentado naturalmente, também é assombrada. Nos anos de 1880, um oficial da guarda percebeu uma luz brilhando dentro da capela. Perguntou ao sentinela o que era aquilo mas o soldado disse que não sabia nem tinha vontade de saber. Curioso, o oficial providenciou uma escada para alcançar a altura necessária e, assim, pôde espreitar pela janela. Viu a igreja iluminada por uma luminosidade mortiça e uma procissão de pessoas usando roupas da época elisabetana movia-se entre os bancos. Guiando a procissão, estava a mulher: em trajes esplendorosos, adornada com jóias. Seu rosto lembrou ao oficial um retrato de Anna Bolena. Subitamente, a procissão desapareceu e igreja mergulhou em escuridão.

Todavia, as aparições de Anna Bolena na Torre não são sempre inofensivas. Ao contrário, em geral, são horripilantes. Em 1817, um sentinela simplesmente teve uma parada cardíaca e morreu ao deparar-se com ela em uma escada.

Em 1864, um soldado foi levado à corte marcial. Tinha sido encontrado adormecido em serviço. \Mas ele negou que dormia; antes, estava desmaiado depois de encontrar a figura pálida de uma mulher que usava um estranho chapéu; mas não havia cabeça sustentando o chapéu. Ele bradou: Quem vem lá?! E avançou; a mulher também se adiantou até que foi transpassada pela baioneta. Mas era como se o sentinela tivesse golpeado o nada, mas um nada ardente que provocou-lhe um choque.

Muitas testemunhas afirmaram diante da corte que também tinham visto aquela mesma mulher sem cabeça, naquela mesma noite próxima ao Lieutenant's Lodgings [alojamento dos militares]; e um oficial da Torre declarou que tinha ouvido o brado do sentinela e visto que ele avançava com sua baioneta. Também viu o espectro atravessar não só a baioneta mas passar através do sentinela também. A corte declarou o réu inocente.


Moça de Família

Os relatos sobre as cortesãs européias podem suscitar a idéia de que de todas faziam parte de uma mesma casta de aventureiras. Mas não era assim. Muitos jovens, moças e rapazes debom nome, de famílias ricas, aristocratas, mal saíam da infância, iam ou eram mandados para a corte: uma etapa normal em um processo de desenvolvimento.

Na época das grandes monarquias absolutas, freqüentar as melhores cortes européias fazia parte da educação. Nos salões reais se aprendia o trato ou traquejo social, travavam-se relações de conveniência política e econômica, contratavam-se os casamentos.

Anne Boleyn [1501/1507-1536], filha de Sir Thomas Boleyn, diplomata [primeiro conde de Wiltshire] e Lady Elizabeth Howard [filha do 2º duque de Norfolk, era Marquesa de Pembroke. Sua família era uma das mais respeitadas da aristocracia inglesa.


Anne Boleyn, pintura do século XVII atribuída a Marcus Gheeraerts, o Jovem

Aos doze era dama de honra da condessa Margareth, governante da Holanda, filha do rei Maximiliano I, Áustria. Ela tinha boas maneiras, era estudiosa. Na primavera de 1513 estava na França a serviço da irmã de Henrique VIII, Mary Tudor que ia se casar com Luis XII [da França] no ano seguinte[09/10/1514]. Luis XII morreu logo, em janeiro 1515. Subiu ao trono Francis I.

Anna continuou na corte francesa onde desenvolveu o interesse pela moda, filosofia religiosa, poesia e literatura; aprendeu cultura francesa e os mais refinados princípios de etiqueta.

O historiador e biógrafo Eric Ives, conjetura sobre uma aproximação entre Anna Bolena e a irmã do rei Francis I. Marguerite of Anglouleme [ou Margaret of Navarre, 1492-1549], benfeitora e simpatizante dos humanistas e reformistas [adeptos da Reforma Protestante].

Intelectual, Margaret escreveu sobre misticismo cristão e reforma religiosa e, se não fosse a proteção do irmão monarca, por muito pouco poderia ser acusada de heresia. Anna fazia parte do círculo social de Margaret.

Em 1522, Anna Bolena estava de volta à Inglaterra. O estágio na França mostrou sua utilidade. Apareceu pela primeira vez na sociedade inglesa no Chateu Vert [Green Castle] em uma cerimônia em honra de embaixadores imperiais. Neste dia ela dançou com a irmã mais nova do rei.

A historiadora norte-americana Retha M. Warnicke escreveu: [Anna] era uma perfeita cortesã. Graciosa, com suas roupas francesas. Dançava bem, cantava bem, tocava alaúde e vários outros instrumentos musicais, falava francês fluentemente.

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