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sexta-feira, 22 de junho de 2012

ESPIRITISMO - O QUE NÃO É E O QUE É !

Alamar Régis Carvalho - alamarregis@redevisao.net

MAIS QUE ESCLARECEDOR, NÃO DEIXE DE LER.

Carta aos Jornalistas

Para: Jornalistas em Geral / Toda a Imprensa Brasileira

Senhores Jornalistas:

Partindo do princípio que o objetivo de todo jornalística ético e sensato é o de informar bem, com coerência, honestidade, dignidade e imparcialidade, preocupando-se sempre com o indispensável conhecimento da causa que leva a reportar, venho apresentar-lhes uma contribuição em cima de um assunto que muitos profissionais do jornalismo, embora bem intencionados, terminam cometendo equívocos lamentáveis, por uma inexplicável ignorância que compromete os seus nomes bem como o dos veículos por onde vinculam as suas matérias ou reportagens.

Falo com respeito ao assunto Espiritismo, tema este que invariavelmente é visto apenas no campo religioso, o que na verdade não é, e sobretudo, o que é mais lamentável, sempre enfocado com afirmativas de conceitos absurdos, oriundos do "achismo" e também de uma cultura criada na cabeça das pessoas, pela intolerância e a desonestidade religiosa.

Não objetivo aqui defender crença ou fé nenhuma, porque não é isto que está em questão. Só quero mesmo prestar contribuição ao gigantesco segmento honesto do jornalismo acerca de uma coisa, como ela realmente é, para que ele esteja melhor informado, sem a menor pretensão de querer fazer com que nenhum profissional o aceite, concorde com os seus postulados e, muito menos, se converta.

Vamos aos assuntos:

 

Espiritismo não é igreja

Em princípio corrijam a conceituação inicial: Espiritismo não é simplesmente religião. Ele não veio ao mundo com objetivo nenhum de ser religião. Trata-se de uma doutrina filosófica, com base calcada na racionalidade, na lógica e na razão, apenas com conseqüências religiosas, haja vista que os seus adeptos ficam livres da submissão a qualquer religião, por não serem obrigados a coisa nenhuma e nem serem proibidos de nada. Há centros espíritas que se portam como se fossem igrejas, mas isto é produto da concepção equivocada dos seus dirigentes, que ainda sentem a necessidade da rezação, em que pese o Espiritismo ser algo muito acima disto.

Não existe "Kardecismo", existe "Espiritismo"

O jornalista equivocado costuma utilizar-se da expressão "kardecismo", para identificar algo que ele imagina ser uma "ramificação" do Espiritismo, achando que Espiritismo é um "montão de coisas" que existe por aí, quando na realidade não é.

A palavra "Espiritismo" foi criada, ou inventada, como queiram, pelo senhor Allan Kardec, exclusivamente, para denominar a doutrina nova que foi trazida ao mundo, por iniciativa de Espíritos, e que tem os seus postulados próprios.

Portanto, qualquer crença ou prática religiosa que utiliza-se da denominação "Espiritismo", fora desta que se enquadre nos seus postulados, está utilizando-se indevidamente de uma denominação, mergulhando no campo da fraude. Daí a verdade que o nome disto que vocês chamam de "kardecismo", verdadeiramente é "Espiritismo".

Apenas para clarear o campo de conhecimento dos que ainda têm dúvidas, em achar que Candomblé, Cartomancia, Necromancia, Umbanda e outras práticas espiritualistas é Espiritismo, vai aqui uma pequena tabela, exemplificando algumas práticas de alguns segmentos, para apreciação daqueles que consideram relevante o uso da inteligência e do bom senso, a fim de um discernimento mais coerente e responsável.

Veja quem adota e quem não adota o quê.

 

Procedimento, prática ou ritual

Umbanda

Catolicismo

Espiritismo

1

Uso de altares

Sim

Sim

Não

2

Uso de imagens

Sim

Sim

Não

3

Uso de velas

Sim

Sim

Não

4

Uso de incensos e defumações

Sim

Sim

Não

5

Vestimentas e paramentos especiais

Sim

Sim

Não

6

Obrigações aos seus praticantes

Sim

Sim

Não

7

Proibições aos seus praticantes

Sim

Sim

Não

8

Ajoelhar-se, sentar-se e levantar-se em seus cultos

Sim

Sim

Não

9

Bebidas alcoólicas em seus cultos

Sim

Sim

Não

10

Sacerdócio organizado

Sim

Sim

Não

11

Sacramentos

Sim

Sim

Não

12

Casamento religioso e batizados

Sim

Sim

Não

13

Amuletos, patuás, escapulários e penduricalhos

Sim

Sim

Não

14

Hinos e cantarolas nos cultos

Sim

Sim

Não

15

Crença na existência de satanás

Sim

Sim

Não


Como pode, então, um profissional que tem a obrigação de estar bem informado, poder afirmar que Espiritismo e Umbanda são a mesma coisa? Não seria mais coerente dizer que tem mais semelhanças com o Catolicismo, embora não seja também a mesma coisa?

O espírita não tem a menor pretensão de diminuir ou desvalorizar o adepto da Umbanda que, por sua vez, tem também a sua denominação própria que é Umbanda, e não Espiritismo, apenas quer deixar claro que Espiritismo é Espiritismo e Umbanda é Umbanda, assim como Catolicismo é Catolicismo, Protestantismo é Protestantismo.

A afirmativa que alguns fazem, em dizer que tudo é a mesma coisa, com a diferença de que na Umbanda se reúnem negros e pobres e no tal "Kardecismo" se reúnem o que chamam de elites, é extremamente leviana, desonesta e irresponsável. O Espiritismo não faz qualquer discriminação de raças, cor ou padrão social, já que em seu movimento existem inúmeros negros, mulatos, brancos e de todas as etnias.

Allan Kardec não inventou o Espiritismo

Allan Kardec não inventou, ou criou, Espiritismo nenhum. A proposta veio de Espíritos, através de manifestações espontâneas, consideradas como fenômenos, na época, e ele, que nada tinha a ver com aquilo, foi convidado por alguns amigos para examinar e analisar os tais fenômenos, em suas casas, oportunidade em que foi convidado, pelos Espíritos, pela sua condição de pedagogo e educador criterioso, a organizar aqueles ensinamentos em livros e disponibilizar para a humanidade.

Ele foi tão honesto e consciente de que a obra não era de sua autoria, que evitou colocar o seu nome famoso na Europa antiga (Denizard Rivail) como autor dos livros e preferiu utilizar-se de um pseudônimo. É bom que se saiba que o tal professor Rivail era autor famoso de livros didáticos e que tudo o que aparecia com seu nome vendia muito, não apenas na França como em toda a Europa.

Atentem para o detalhe: Os Espíritos optaram por um pedagogo, um professor, e não por um padre, um religioso, o que nos convida a entender que o Espiritismo é escola e não igreja.

Sobre a reencarnação

Não é patrimônio exclusivo do Espiritismo e não foi inventada pelo Espiritismo, posto que é algo conhecido pela maior parte da humanidade, por milênios, muito antes do Espiritismo, que tem apenas 151 anos de idade.

O espírita, depois de estudar a reencarnação, não crê na reencarnação, ele passa a SABER a reencarnação, o que é diferente. Exemplificando: Você crê que a Lua existe ou você sabe que ela existe? Afinal, você pode vê-la e comprovar, inclusive cientificamente? É isto aí.

Portanto a afirmativa de que os espíritas crêem na reencarnação é infantil e sem sentido.

Sobre a mediunidade

Também não é patrimônio exclusivo e nem foi inventada pelo Espiritismo. É uma faculdade humana normal e independe de crença religiosa, já que a pessoa pode possuí-la, com maior ou menor intensidade, acredite ou não. O Espiritismo apenas se dispõe a estudá-la, educar e disciplinar as pessoas que a possuem, para que o seu uso possa ser benéfico a elas e aos outros, absolutamente dentro dos elementares padrões de moralidade. Segundo os postulados espíritas ela não deve ser comercializada, nunca, e deve ser utilizada gratuitamente; todavia é praticada comercialmente em alguns lugares do mundo, por pessoas que são médiuns, inclusive honestas, mas nada sabem sobre Espiritismo, numa comprovação de que ela existe fora do meio espírita.

Qualquer afirmativa do tipo que "alguém tem mediunidade e precisa desenvolver" é vinda de pessoas inconseqüentes, mesmo algumas que se auto rotulam espíritas, posto que o Espiritismo propõe que a faculdade deve ser educada e não desenvolvida.

Sobre o caráter do centro espírita

É um local que deve atuar como escola e não como igreja. A sua proposta é de estudos, sobretudo da matéria que trata da reforma íntima das pessoas, dando ciência do papel de cada um de nós na terra, da nossa razão de existir enquanto criaturas úteis ao nosso próximo, esclarecimento da nossa condição espiritual no presente e no futuro e, principalmente, a nossa conduta moral.

Recomenda a prática da Caridade, sim, mas de forma ampla no sentido de orientar e informar aos outros sobre os meios de libertações dos conflitos, das amarguras, das incompreensões e do sofrimento em si e não esse entendimento estreito de que Caridade se resume apenas a dar prato de sopa ou roupas usadas para pobres, para qualificar o doador como bonzinho.

Adota Jesus, sim, inclusive como o maior modelo e guia que temos para seguir, concebendo o seu Evangelho como a bula coerente a nos conduzir, e não como sendo ele o próprio Deus.

Enfim. O centro espírita é um local de estudo e não de rezação.

Sobre quem é reencarnação de quem

Recentemente vimos um jornalista afirmar, nas páginas da VEJA, que os espíritas juram que Fulano é reencarnação de Ciclano, o que se constitui em um absurdo. Em princípio espírita não adota jura nenhuma. Segundo, que não consta da atividade espírita a preocupação de quem é reencarnação de quem, uma vez que esta discussão é irrelevante, não tem razão nenhuma, não acrescenta absolutamente nada na proposta espírita para a criatura humana, em que pese alguns espíritas, apenas alguns, (nem todos entendem bem a proposta da doutrina) se ocuparem com esse tipo de discussão.

Falar em quem é ou talvez possa ser reencarnação de quem, é conversa amena de momentos de descontração de espíritas, apenas em nível de curiosidade ou especulação, jamais tema de estudo sério da casa espírita.

Ainda que possa existir, em alguns locais de estudos mais profundos e pesquisas espíritas, interesses em trabalhar as questões da reencarnação, os estudiosos apenas sugerem que fulano possa ser a reencarnação de alguém, mas nunca afirmam, apesar de evidências marcantes e inquestionáveis, quando a condução da pesquisa é séria e criteriosa.

Quem anda dizendo que é a reencarnação de reis, de rainhas e de personagens poderosas do passado não são os espíritas, são apenas alguns bobos que estão no Espiritismo sem consciência do seu papel.

Apologia ao sofrimento

Matérias de revistas e jornais, dentro deste equívoco que nos referimos, chegaram a afirmar, diversas vezes, que o Espiritismo ensina as pessoas a serem acomodadas em relação ao sofrimento e até chegarem a dizer que o sofrimento é bom.

Não condiz com o coerente ensinamento do Espiritismo. Se algum espírita chega a dizer isto, certamente é vítima do masoquismo e, provavelmente, deve praticar um ritual em sua casa, quando, talvez uma vez por semana, colocar a mão sobre uma mesa e dar uma martelada em seu dedo.

Sofrimento não é condição fundamental para a evolução de ninguém, embora entendemos que, ao passar por ele, muitas pessoas terminam acordando para a realidade da vida e mudando de conduta, sobretudo no campo do orgulho, do egoísmo e da presunção.

Mesa branca

Não existe espiritismo mesa branca, alto espiritismo, baixo espiritismo ou qualquer ramificação do Espiritismo, que é um só. O hábito de forrar mesas com toalhas de cor branca, na maioria dos centros espíritas, nada mais é que um hábito de alguns espíritas, de certa forma até equivocados também, uns talvez achando que a cor branca da toalha ou das roupas das pessoas tem algum significado virtuoso, quando na verdade não existe esta orientação no Espiritismo. Muito pelo contrário, seria preferível utilizar toalhas (por que tem sempre que ter toalhas nas mesas?) de outras cores, posto que tecidos em cor branca tem maior facilidade de sujar.

Portanto a citação de "espiritismo mesa branca" é mais uma expressão da ignorância popular, o que não se admite nos jornalistas.

Terapia de vidas passadas

Não é procedimento espírita, em que pese ser recomendável em alguns casos, porém em consultórios de profissionais especializados, geralmente psicólogos ou médicos. É fato, existe, é comprovado, tem resultados cientificamente respaldados, mas não é prática espírita.

Cromoterapia, piramidologia etc…

Se alguém usa uma dessas práticas no espaço físico de uma casa espírita, é por pura deliberação da direção da casa, que se considera livre para fazer o que quiser, até mesmo dar aulas de arte culinária, corte e costura, curso de inglês, informática ou o que quiser, que são atividades úteis, sem dúvidas. Mas não tem a ver diretamente com o Espiritismo.

Sucessor de Chico Xavier

Isto nunca existiu no Espiritismo, em que pese vários jornalistas terem colocado em matérias diversas, quando o Chico Xavier "morreu", e ainda repetem, talvez querendo estabelecer alguma comparação do Espiritismo (que vêem apenas como religião) com a Igreja Católica, que tem sucessores dos papas, quando morrem. Chico Xavier nunca foi uma espécie de papa, de cardeal ou de qualquer autoridade eclesiástica dentro do movimento espírita.

Divaldo Pereira Franco nunca foi sucessor do Chico, nunca teve essa pretensão, ninguém no movimento espírita fala nisto, que é coisa apenas de páginas de revistas desinformadas sobre o que verdadeiramente é o Espiritismo.

A sua relação com a Ciência

Faz parte da formação espírita a seguinte recomendação: "Se algum dia a Ciência comprovar que o Espiritismo está errado em algum ponto, cumpre aos espíritas abandonarem imediatamente o ponto equivocado e seguirem a orientação da Ciência".

Mas isto não quer dizer que o que afirma determinadas criaturas, como o padre Quevedo, que se apresenta presunçosamente como cientista, deva ser entendido como Ciência, já que ele não é unanimidade e nem ao menos aceito pela maioria dos cientistas coisa nenhuma. Ele é padre, nada mais do que padre, com um tipo de postura que não aceita nem pela maioria do seio católico, quanto mais pelo científico.

Não é à pseudo-ciência ou a opiniões pessoais de um ou outro elemento, que se diz de Ciência, que o Espiritismo se submete, com esta recomendação, é a Ciência, como um todo, em descobertas inquestionáveis.

Até agora a Ciência não conseguiu apontar e muito menos comprovar erro em um ensinamento espírita, sequer.

Se alguém exige, por exemplo, querer provas por parte dos que afirmam que existe vida fora da Terra, por questão de bom senso deve ter também provas de que não existe. Será que tem?

Medicina e Espiritualidade

Alguns médicos, tradicionalmente, sempre afirmaram que os problemas de saúde das pessoas nada tem a ver com problemas espirituais, porque estes se resumem a crendices. Hoje existe um curso de "Medicina e Espiritualidade", oficial, dentro da USP (Universidade de São Paulo), a maior Universidade do País, onde são estudados estes questionamentos que alguns continuam a dizer que são crendices. Em nível de informação, sugerimos que os jornalistas se interessem em reportar sobre este assunto, sem que vá aqui a menor intenção de querer converter ninguém. Não se trata de questão religiosa, trata-se de questão científica.

Diante de todo o exposto sugerimos que os grandes veículos de comunicação de massa, obviamente comprometidos com a credibilidade dos seus nomes, repassem estes esclarecimentos aos seus profissionais de jornalismo, não necessariamente para que eles sejam simpáticos à idéia espírita, já que ninguém é obrigado a aceitar coisa nenhuma, mas para, pelo menos, não comprometerem as suas honorabilidades dizendo mentiras, leviandades e até se expondo ao ridículo reportando sobre um assunto que não entendem.

 

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

DISCIPLINA

 DISCIPLINA

 

Nos fins de 1931, Chico, à tardinha, orava sob uma árvore junto ao Açude, pitoresco local na saída de Pedro Leopoldo para o norte, quando viu, à pequena distância uma grande cruz luminosa.

A fines de 1931, Chico, en la tarde, oraba bajo un árbol  junto al dique, pitoresco local a la salida de Pedro Leopoldo para el norte, cuando vio, a pequeña distancia una gran cruz luminosa.

Pouco a pouco, dentre os raios que formava, surgiu alguém.

Poco a poco, entre los rayos que formaba, surgió alguien.

Era um espírito simpático, envergando túnica semelhante à dos sacerdotes, que lhe dirigiu a palavra com carinho.

Era un espírito simpático, vistiendo una túnica semejante a la de los sacerdotes, que le dirigió la palabra con cariño.

Não se sabe o que teriam conversado naquele crepúsculo, mas conta o Médium que foi esse o seu primeiro encontro com Emma­nuel, na vida presente. E acentua que em certo ponto do entendimento, o orientador espiritual perguntou-lhe:

No se sabe lo que habrían conversado en aquel crepúsculo, pero cuenta el Médium que fue ese su primer encuentro con Emma­nuel, en la vida presente. Y acentúa que en cierto punto del entendimiento, el orientador espiritual le preguntó:

—Está você realmente está disposto a trabalhar na mediunidade com o Evangelho de Jesus?

— ¿Está usted realmente dispuesto a trabajar en la mediumnidad con el Evangelio de Jesús?

 

—Sim, se os bons Espíritos não me abandonarem... — res­pondeu o Médium.

—Sí, si los buenos  Espíritus no me abandonen... — res­pondió el Médium.

—Não será você desamparado, — disse-lhe Emmanuel — mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.

—No será usted desamparado, — le dijo Emmanuel — pero para eso es preciso que usted trabaje, estudie y se esfuerce en el bien.

—E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o com­promisso? — tornou o Chico.

—¿Y usted cree que estoy en condiciones de aceptar el com­promiso? — tomo a Chico.

—Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pon­tos básicos para o serviço.

—Perfectamente, desde que usted busque respetar los tres pun­tos básicos para el servicio.

Porque o protetor se calasse, o rapaz perguntou:

Porque el protector se callase, el joven preguntó:

— Qual é o primeiro?

— ¿Cuál es el primero?

A resposta veio firme:

La respuesta vino firme:

— Disciplina.

— Disciplina.

 

— E o segundo?

— ¿Y el segundo?

— Disciplina.

— Disciplina.

— E o terceiro?

— ¿Y el tercero?

— Disciplina.

— Disciplina.

O Espírito amigo despediu-se e o Médium teve consciência de que para ele ia começar uma nova tarefa.

El Espíritu amigo se despedió y el Médium tuvo consciencia de que para él iba a comenzar una nueva tarea.

 

Do livro LINDOS CASOS DE CHICO XAVIER, de Ramiro Gama

Nas fronteiras da epilepsia

Especial

Autor: Nubor Facure (Tradução para o idioma inglês: Renata Rinaldini.)

Edição 253 – 25 de março de 2012

Edición 253 – 25 de marzo del 2012

 

Nas fronteiras da epilepsia

En las fronteras de la epilepsia

 

Dostoievski e Machado de Assis, portadores de epilepsia, utilizaram-se de protagonistas de seus romances para descreverem suas próprias crises. Vultos ilustres da História tiveram epilepsia, mas, para o homem comum, é na sarjeta das ruas que ele costuma tomar contato e se amedrontar com a violência da crise convulsiva.

Dostoievski y Machado de Assis, portadores de epilepsia, utilizaron los protagonistas de sus romances para describir sus propias crisis. Personajes ilustres de la Historia tuvieron epilepsia, pero, para el hombre común, es en la alcantarillas de las calles que él acostumbra a tomar contacto y se asusta con la violencia de la crisis convulsiva.

Embora Hipócrates tenha feito em seus escritos uma brilhante descrição da crise do Grande Mal, indicando o cérebro como o responsável por toda essa sintomatologia, a epilepsia foi tida como uma doença mental pelos séculos afora e só depois do surgimento da Neurologia, no século passado, é que a Epilepsia passou a ser compreendida como uma síndrome decorrente de uma lesão orgânica no cérebro.

Aunque Hipócrates haya hecho en sus escritos una brillante descripción de la crisis del Gran Mal, indicando el cerebro como el responsable por toda esa sintomatología, la epilepsia fue tenida como una enfermedad mental por los siglos pasados y sólo tras el surgimiento de la Neurología, el siglo pasado, es que la Epilepsia pasó a ser comprendida como un síndrome derivado de una lesión orgánica en el cerebro.

 

(inserir aqui a Figura 1)

 

Hoje entende-se a epilepsia como uma descarga elétrica desorganizada que atinge os neurônios cerebrais, provocando sintomas correlacionados com a área cerebral afetada.

Hoy se entiende la epilepsia como una descarga eléctrica desorganizada que alcanza las neuronas cerebrales, provocando síntomas correlacionados con el área cerebral afectada.

Embora os relatos mediúnicos do porte de No Mundo Maior  e Nos Domínios da Mediunidade, ditados pelo Espírito André Luiz, façam descrições inconfundíveis de sintomatologia epiléptica em seus protagonistas, submissos à interferência espiritual francamente obsessora, a medicina de hoje rejeita qualquer presença espiritual na gênese de crises epilépticas, especialmente pelo temor de ver ressurgir a nefasta participação de "demônios" dos antigos textos bíblicos, versão da qual a Idade Média e a Inquisição souberam tirar proveito.

Aunque los relatos mediúmnicos del porte de En el Mundo Mayor  y En los Dominios de la Mediumnidad, dictados por el Espíritu André Luiz, hagan descripciones inconfundibles de sintomatología epiléptica en sus protagonistas, sumisos a la interferencia espiritual francamente obsesora, la medicina de hoy rechaza cualquier presencia espiritual en la génesis de crisis epilépticas, especialmente por el temor de ver resurgir la nefasta participación de “demonios” de los antiguos textos bíblicos, versión de la cual la Edad Media y la Inquisición supieron sacar provecho.

 

(inserir aqui a Figura 2)

 

Os exames sofisticados de hoje identificam os traumas, as infecções, os tumores e as degenerações entre diversas outras causas de natureza orgânica para a etiologia da epilepsia; entretanto, nenhum desses exames está apropriado para detectar as vibrações do plano espiritual que nos fariam compreender mais profundamente a natureza essencial do problema da epilepsia.

Los exámenes sofisticados de hoy identifican los traumas, las infecciones, los tumores y las degeneraciones entre diversas otras causas de naturaleza orgánica para la etiología de la epilepsia; sin embargo, ninguno de esos exámenes está apropiado para detectar las vibraciones del plano espiritual que nos harían comprender más profundamente la naturaleza esencial del problema de la epilepsia.

Nem sequer de longe pretendemos excluir a gênese cerebral da manifestação epiléptica, mas a visão exclusivamente materialista da Medicina tradicional a envolve de um obscurantismo estúpido que não lhe permite identificar um outro universo de interferência situado na dimensão espiritual que, como causa ou como agravante, interfere na frequência e na constelação de sintomas que o epiléptico manifesta.

Ni siquiera de lejos pretendemos excluir la génesis cerebral de la manifestación epiléptica, pero la visión exclusivamente materialista de la Medicina tradicional la envuelve de un oscurantismo estúpido que no le permite identificar otro universo de interferencia situado en la dimensión espiritual que, como causa o como agravante, interfiere en la frecuencia y en la constelación de síntomas que el epiléptico manifiesta.

Negando a interferência do Espírito, a Medicina não consegue enxergar que, através do próprio estudo da epilepsia, ela teria muito o que aprender, por exemplo, com o que os pacientes epilépticos vivenciam durante as chamadas "crises psíquicas", nas quais observa-se uma riqueza de expressão clínica cognitiva, que o simples desarranjo de neurônios em "curto-circuito" não oferece argumentos para justificar.

Negando la interferencia del Espíritu, la Medicina no consigue entrever que, a través del propio estudio de la epilepsia, ella tendría mucho que aprender, por ejemplo, con lo que los pacientes epilépticos viven durante las llamadas "crisis psíquicas", en las cuales se observa una riqueza de expresión clínica cognitiva, que el simple desarreglo de neuronas en “corto circuito” no ofrece argumentos para justificar.

Na classificação das crises epilépticas, a Neurologia destaca um tipo de crise chamada Crise Focal ou Parcial em que não há comprometimento da consciência e a sintomatologia será decorrente do local no cérebro afetado pela descarga neuronal desorganizada. Na área motora, o paciente irá apresentar contrações musculares na mão, no braço, na perna ou em qualquer outra parte do corpo correspondente à região motora do cérebro afetado.

En la clasificación de las crisis epilépticas, la Neurología destaca un tipo de crisis llamada Crisis Focal o Parcial en que no hay compromisos de la conciencia y la sintomatología será decurrente del lugar en el cerebro afectado por la descarga neuronal desorganizada. En el área motora, el paciente irá a presentar contracciones musculares en la mano, en el brazo, en la pierna o en cualquier otra parte del cuerpo correspondiente a la región motora del cerebro afectado.

Numa área sensitiva, os sintomas serão referidos como adormecimentos, sensações estranhas ou deformações no membro atingido.

En un área sensitiva, los síntomas serán referidos como adormecimientos, sensaciones extrañas o deformaciones en el miembro alcanzado.

No grupo das crises focais é que estão incluídas as crises psíquicas nas quais o paciente relata sensações subjetivas que experimenta espontaneamente, podendo ter duração de minutos, horas ou dias.

En el grupo de las crisis focales es que están incluidas las crisis psíquicas en las cuales el paciente relata sensaciones subjetivas que experimenta espontáneamente, pudiendo tener duración de minutos, horas o días.

As descrições clássicas das crises psíquicas fazem referência mais comumente às crises de "Dejá vú" e de"Jamais Vú". Esses dois quadros são reconhecidos como decorrentes de lesões na base do cérebro na região dos lobos temporais.

Las descripciones clásicas de las crisis psíquicas hacen referencia más comúnmente a la crisis de “Dejá vú" y de “Jamás Vú". Esos dos cuadros son reconocidos como decurrentes de lesiones en la base del cerebro en la región de los lóbulos temporales.

 

O epiléptico manifesta, às vezes, sensação de estranheza em lugares conhecidos

El epiléptico manifiesta, a veces, sensación de extrañeza en lugares conocidos.

 

No "Dejá vú" (já visto), o paciente relata uma sensação de familiaridade com o ambiente ou com as pessoas, mesmo que lhe sejam estranhas e que ele as esteja vendo pela primeira vez. Num local que lhe seja completamente desconhecido, o paciente, ao ter sua crise, sente uma forte impressão de que já conhece ou já esteve naquele lugar.

En el "Dejá vú" (ya visto), el paciente relata una sensación de familiaridad con el ambiente o con las personas, aunque le sean extrañas y que él las esté viendo por primera vez. En un lugar que le sea completamente desconocido, el paciente, al tener su crisis, siente una fuerte impresión de que ya conoce o ya estuve en aquel lugar.

Na crise do "Jamais vú" (jamais visto), o paciente manifesta sensação de estranheza em lugares conhecidos ou por pessoas da sua convivência.

En la crisis del "Jamás vú" (jamás visto), el paciente manifiesta sensación de extrañeza en lugares conocidos o por personas de su convivencia.

Ambas as situações que descrevemos podem ocorrer ocasionalmente com qualquer pessoa normal, mas, no epiléptico, essas sensações são comumente repetitivas e duradouras.

Ambas situaciones que describimos pueden ocurrir ocasionalmente con cualquier persona normal, pero, en el epiléptico, esas sensaciones son comúnmente repetitivas y duraderas.

Muitos epilépticos apresentam crises psíquicas frequentes que têm, no entanto, merecido pouco destaque por parecerem corriqueiras, como as mudanças súbitas de humor, um entristecimento súbito ou uma agressividade imotivada e desproporcional que pode beirar a violência.

Muchos epilépticos presentan crisis psíquicas frecuentes que tienen, sin embargo, merecido poca importancia por parecer corrientes, como los cambios súbitos de humor, un entristecimiento súbito o una agresividad  no motivada y desproporcionada que puede llevar a la violencia.

Neste artigo, estou interessado em relatar outros tipos de crises psíquicas, relativamente raras, em que os próprios pacientes têm muita dificuldade em achar termos adequados para descrevê-las. Elas merecem, a meu ver, um estudo meticuloso, procurando-se valorizar as verdadeiras sensações dessas experiências subjetivas, que os pacientes procuram nos passar, sentindo até mesmo, com frequência, a incredulidade que a maioria dos médicos manifesta ao ouvi-los.

En este artículo, estoy interesado en relatar otros tipos de crisis psíquicas, relativamente raras, en que los propios pacientes tienen mucha dificultad en hallar términos adecuados para describirlas. Ellas merecen, a mi ver, un estudio meticuloso, buscando valorar las verdaderas sensaciones de esas experiencias subjetivas, que los pacientes buscan  pasarnos, sintiendo incluso, con frecuencia, la incredulidad que la mayoría de los médicos manifiesta al oírlos.

Os relatos dessas crises, à primeira vista, parecem inconsistentes, inverossímeis, superficiais, misturando-se com os sintomas da própria ansiedade com que os pacientes convivem quando vítimas desse tipo de crise. Elas podem ser muito demoradas e não têm o caráter de subitaneidade das crises convulsivas. Não há uma afetação da consciência, mas sim da percepção de funções complexas como da noção de tempo, de espaço, da realidade, do movimento, da noção do Eu e até do pensamento.

Los relatos de esas crisis, a la primera vista, parecen inconsistentes, inverosímiles, superficiales, mezclándose con los síntomas de la propia ansiedad con que los pacientes conviven cuando son víctimas de ese tipo de crisis. Ellas pueden ser muy demoradas y no tienen el carácter de súbito de las crisis convulsivas. No hay una afectación de la conciencia, pero sí de la percepción de funciones complejas como de la noción de tiempo, de espacio, de la realidad, del movimiento, de la noción del Yo y hasta del pensamiento.

Essas várias sensações no nível de vivência psíquica do indivíduo a mim parecem fornecer preciosa observação da fronteira entre as experiências vividas física ou espiritualmente por esses pacientes.

Esas varias sensaciones en el nivel de vivencia psíquica del individuo a mi me parecen suministrar preciosa observación de la frontera entre las experiencias vividas física o espiritualmente por esos pacientes.

 

Há casos em que o paciente tem a sensação constante de estar vivendo um sonho

Hay casos en que el paciente tiene la sensación constante de estar viviendo un sueño

 

Uns poucos relatos que fizeram esses pacientes ajudaram-me a confirmar que o mundo mental de cada um de nós transita numa dimensão espiritual que transcende a experiência física.

Unos pocos relatos que hicieron esos pacientes me ayudaron a confirmar que el mundo mental de cada uno de nosotros transita en una dimensión espiritual que transciende la experiencia física.

Um deles é médico, frequenta meu consultório desde garoto, por ter convulsões decorrentes de neurocisticercose e, recentemente, procurou-me, acompanhado da esposa, com uma certa inquietação, tentando relatar que, nos últimos dois dias, tinha perdido a capacidade de acompanhar a passagem do tempo. Não era a identificação do tempo, das horas ou do dia e da noite. Ele dizia ser uma perda da "noção do tempo". Os acontecimentos processavam-se na sua mente e, quando ele se dava conta, esses acontecimentos já tinham acabado de ocorrer. Ao dirigir-se para seu consultório, conduzindo seu carro pela estrada, fazia as curvas, mas sempre com a ideia de que isso não lhe tomava tempo, porque ocorria na sua mente, literalmente falando, antes de acontecerem fisicamente. O que tinha em mente, do trajeto que percorria, não era uma imaginação, era o próprio acontecimento. Dizia que não lhe fazia sentido o antes ou o depois, porque tudo o que ocorria em sequência ele vivenciava ocorrendo simultaneamente. Sua esposa o auxiliava como auxiliar de anestesia e na entrevista me contava que, apesar de permanecer o tempo todo com essas sensações que descrevia, ele procedia normalmente enquanto anestesiava seus pacientes, apenas dizia que toda atitude que tomava já lhe parecia ter ocorrido não como uma premonição, mas como um acontecimento "já feito", se assim podemos dizer, por ele, e, ao terminar a anestesia, para sua mente, os fatos lhe pareciam continuar acontecendo.

Uno de ellos es médico, frecuenta mi consultorio desde chico, por tener convulsiones decurrentes de neurocisticercosi y, recientemente, me buscó, acompañado de la esposa, con una cierta inquietud, intentando relatar que, en los últimos dos días, había perdido la capacidad de acompañar el paso del tiempo. No era la identificación del tiempo, de las horas o del día y de la noche. Él decía ser una pérdida de la "noción del tiempo". Los acontecimientos se procesaban en su mente y, cuando él se daba cuenta, esos acontecimientos ya habían acabado de ocurrir. Al dirigirse para su consultorio, conduciendo su coche por la carretera, hacía las curvas, pero siempre con la idea de que eso no le tomaba tiempo, porque ocurría en su mente, literalmente hablando, antes de ocurrir físicamente. Lo que tenía en mente, del trayecto que recorría, no era una imaginación, era el propio acontecimiento. Decía que no le había sentido el antes o el después, porque todo lo que ocurría en secuencia él lo vivía ocurriendo simultáneamente. Su esposa lo auxiliaba como auxiliar de anestesia y en la entrevista me contaba que, a pesar de permanecer todo el tiempo con esas sensaciones que describía, él procedía normalmente mientras anestesiaba a sus pacientes, sólo decía que toda actitud que tomaba ya le parecía haber ocurrido no como una premonición, sino como un acontecimiento "ya hecho", si así podemos decir, por él, y, al terminar la anestesia, para su mente, los hechos le parecían continuar ocurriendo.

A neurologia descreve, também, um estado de crise psíquica em que o paciente tem a sensação constante de estar vivendo um sonho. É chamado de "Dreamy States" pelos clássicos.

La neurología describe, también, un estado de crisis psíquica en que el paciente tiene la sensación constante de estar viviendo un sueño. Es llamado de “Dreamy States" por los clásicos.

Tivemos dois pacientes que nos relataram episódios em que sentiam uma alteração no que eles chamavam de "realidade". Uma jovem senhora referia que essas sensações a perturbavam fazia anos, principalmente à noite e se estivesse perto de muitas pessoas. Isto a deixava insegura. Parecia fazer as coisas por instinto. Insistia em dizer que nas crises tinha a sensação de estar vivendo em um "estágio antes da realidade".

Tuvimos dos pacientes que nos relataron episodios en que sentían una alteración en el que ellos llamaban de “realidad". Una joven señora refería que esas sensaciones la perturbaban hacía años, principalmente por la noche y si estaba cerca de muchas personas. Esto la dejaba insegura. Parecía hacer las cosas por instinto. Insistía en decir que en las crisis tenía la sensación de estar viviendo en un “estado antes de la realidad”.

 

Há pacientes que se sentem fora do corpo, a que a Neurologia dá o nome de "despersonalização"

Hay pacientes que se sienten fuera del cuerpo, que la Neurología da el nombre de “despersonalización”

 

Um outro paciente com crises semelhantes acrescentava que também tinha a impressão de "não estar vivendo a realidade" e tudo que fazia, para ele, "não tinha conteúdo emocional".

Duas crianças e dois adultos jovens, que já acompanhávamos por antecedentes de convulsões, nos relataram episódios de percepção alterada no movimento dos objetos e do próprio pensamento. Ouvi deles expressões do tipo: "os movimentos das coisas e das pessoas parecem aceleradas"; "quando estendo as mãos para pegar um objeto, parece que meus gestos são muito rápidos"; “as pessoas atravessam a rua muito depressa"; "fica difícil atravessar a rua com os carros todos correndo"; "tudo ao redor parece estar acelerado"; "as pessoas parecem falar muito rápido". Um dos garotos dizia ser acordado pela crise. Para um deles, o seu próprio pensamento, quando em crise, parecia acelerado.

Otro paciente con crisis semejantes añadía que también tenía la impresión de no "estar viviendo la realidad" y todo lo que hacía, para él, "no tenía contenido emocional". Dos niños y dos adultos jóvenes, que ya acompañábamos por antecedentes de convulsiones, nos relataron episodios de percepción alterada en el movimiento de los objetos y del propio pensamiento. Oí de ellos expresiones del tipo: "los movimientos de las cosas y de las personas parecen aceleradas"; "cuando extiendo las manos para coger un objeto, parece que mis gestos son muy rápidos"; “las personas atraviesan la calle muy deprisa"; "queda difícil atravesar la calle con los coches todos corriendo"; "todo alrededor parece estar acelerado"; "las personas parecen hablar muy rápido". Uno de los chicos decía ser despertado por la crisis. Para uno de ellos, su propio pensamiento, cuando estaba en crisis, parecía acelerado.

Nessas horas ele evitava o diálogo com receio de demonstrar aos outros alguma perturbação. Um desses pacientes, com 23 anos, é pintor e dizia que nas crises sentia que tudo passava lentamente, seus próprios gestos ao lidar com o pincel lhe pareciam ser feito em câmara lenta, embora seus colegas não confirmassem essa vagareza. Ele sentia-se assim por mais de uma semana seguida, entrando e saindo das crises sem qualquer motivo aparente.

En esas horas él evitaba el diálogo con recelo de demostrar a los otros alguna perturbación. Uno de esos pacientes, con 23 años, es pintor y decía que en las crisis sentía que todo pasaba lentamente, sus propios gestos al lidiar con el pincel le parecían ser hecho en cámara lenta, aunque sus compañeros no confirmasen esa lentitud. Él se sentía así por más de una semana seguida, entrando y saliendo de las crisis sin ningún motivo aparente.

Uma senhora que também acompanhávamos por ter desmaios tinha um eletrencéfalo com alterações focais no hemisfério esquerdo e uma tomografia cerebral típica de neurocisticercose. Ela contava que vinha tendo episódios em que parecia se deslocar, sentia-se estar muito longe, "como se num outro mundo", "ocupando um outro espaço". Esses episódios duravam 20 minutos e, a seguir, mantendo-se sempre muito lúcida, ela sentia a cabeça vazia, ficava pálida e ofegante. Outros quadros, mais complexos e às vezes muito elaborados, têm sido rotulados como alucinatórios e comumente relacionados com as disritmias do lobo temporal ou as patologias do sono.

Una señora que también acompañábamos por tener desmayos tenía un electroencéfalo con alteraciones focales en el hemisferio izquierdo y una tomografía cerebral típica de neurocisticercose. Ella contaba que venía teniendo episodios en que parecía desplazarse, se sentía estar muy lejos, "como en otro mundo", "ocupando otro espacio". Esos episodios duraban 20 minutos y, a continuación, manteniéndose siempre muy lúcida, ella sentía la cabeza vacía, quedaba pálida y ansiosa. Otros cuadros, más complejos y a veces muy elaborados, han sido rotulados como alucinatorios y comúnmente relacionados con las arritmias del lóbulo temporal o las patologías del sueño.

Alguns pacientes dizem sentir-se fora do corpo, sensação que a neurologia chama de "despersonalização". Para outros, os objetos que veem ou os sons que ouvem estão aumentados, diminuídos ou distorcidos. Às vezes há uma concentração de cenas e episódios memorizados e o paciente, num relance, recapitula toda a sua existência. Dá-se o nome de "visão panorâmica" da vida.

Algunos pacientes dicen sentirse fuera del cuerpo, sensación que la neurología llama de despersonalización "". Para otros, los objetos que ven o los sonidos que oyen están aumentados, disminuidos o distorsionados. A veces hay una concentración de escenas y episodios memorizados y el paciente, en un relance, recapitula toda su existencia. Se da el nombre de “visión panorámica” de la vida.

 

Os quadros descritos não surpreenderiam o neurologista habituado a atender epilépticos

Los cuadros descritos no sorprendieron al neurólogo habituado a atender epilépticos

 

Tivemos, entre muitos outros, o caso de uma garota de nove anos que nos consultava devido a manifestações comuns de epilepsia.

Tuvimos, entre muchos otros, el caso de una chica de nueve años que nos consultaba debido a manifestaciones comunes de epilepsia.

Ela nos relatou que por algumas ocasiões, estando absolutamente desperta, se sente saindo do seu corpo em completa lucidez. Numa dessas últimas crises estava sentada no sofá, assistindo a um programa de televisão quando, subitamente, se viu, ao lado do corpo físico. Questionei sobres seus medos nessa hora e qual sua atitude ao se ver nessa duplicidade. Ela respondeu-nos com muita simplicidade que, assustada, procurou se dirigir para perto da televisão para ver se o seu corpo ali sentado a acompanhava.

Ella nos relató que por algunas ocasiones, estando absolutamente despierta, se siente saliendo de su cuerpo en completa lucidez. En una de esas últimas crisis estaba sentada en el sofá, asistiendo a un programa de televisión cuando, súbitamente, se vio, al lado del cuerpo físico. Cuestioné sobres sus miedos en esa hora y cual su actitud al verse en esa duplicidad. Ella nos respondió con mucha simplicidad que, asustada, buscó dirigirse para cerca de la televisión para ver si su cuerpo allí sentado a acompañaba.

Os quadros que descrevemos não surpreenderiam qualquer neurologista habituado a atender a casos de epilepsia. Seguramente serão atribuídos à presença de distúrbios da atividade neuronal, especialmente do lobo temporal, e a maioria deles vai se ver livre dessas crises com medicação disponível para atuar especificamente nas disritmias dessa região.

Los cuadros que describimos no sorprenderían a cualquier neurólogo habituado a atender a casos de epilepsia. Seguramente serán atribuidos a la presencia de disturbios de la actividad neuronal, especialmente del lobo temporal, y la mayoría de ellos va a verse libre de esas crisis con medicación disponible para actuar específicamente en las arritmias de esa región.

É curioso, entretanto, que essas descrições, os relatos de como esses pacientes vivenciam ou "decodificam" a noção do sentido do tempo, da apreensão da realidade, da relação espaço-tempo no deslocamento dos objetos, da síntese e projeção do pensamento, nos permite despretensiosamente conjeturar uma série de semelhanças com certas descrições não acadêmicas na literatura espiritualista.

ES curioso, sin embargo, que esas descripciones, los relatos de como esos pacientes viven o “decodifican” la noción del sentido del tiempo, de la aprehensión de la realidad, de la relación espacio-tiempo en el desplazamiento de los objetos, de la síntesis y proyección del pensamiento, nos permite sin pretensiones conjeturar una serie de semejanzas con ciertas descripciones no académicas en la literatura espiritualista.

Os textos especializados em descrições sobre técnicas de meditação, por exemplo, revelam que os "grandes mestres" e "místicos" que atingem os graus mais profundos de interiorização da consciência fazem interessantes descrições em relação ao sentido do tempo, ao espaço ocupado pela matéria, à velocidade das partículas de matéria/energia que sintonizam, bem como o turbilhão do fluxo do pensamento, descrições estas que, a meu ver, têm correspondência muito provocativa com as dos epilépticos que aqui registramos.

Para nós, espíritas, os conceitos de tempo no mundo espiritual, de espaço na dimensão extrafísica, de projeções do pensamento, de deslocamento do corpo espiritual podem ser facilmente reconhecidos nessa série de histórias que registramos. As lesões objetivas que a massa cerebral evidencia nesses quadros são, para mim, nada mais que portas de intercessões entre as duas dimensões, a expressão física de uma realidade que o corpo nos permite palpar e a percepção espiritual que vivenciamos sem os sentidos perceberem.

Los textos especializados en descripciones sobre técnicas de meditación, por ejemplo, revelan que los "grandes maestros" y místicos "" que alcanzan los grados más profundos de interiorización de la conciencia hacen interesantes descripciones en relación al sentido del tiempo, al espacio ocupado por la materia, a la velocidad de las partículas de materia/energía que sintonizan, así como el torbellino del flujo del pensamiento, descripciones estas que, a mío ver, tienen correspondencia muy provocativa con las de los epilépticos que aquí registramos. Para nosotros, espíritas, los conceptos de tiempo en el mundo espiritual, de espacio en la dimensión extrafísica, de proyecciones del pensamiento, de desplazamiento del cuerpo espiritual pueden ser fácilmente reconocidos en esa serie de historias que registramos. Las lesiones objetivas que la masa cerebral evidencia en esos cuadros son, para mí, nada más que puertas de intercesiones entre las dos dimensiones, la expresión física de una realidad que el cuerpo nos permite palpar y la percepción espiritual que vivimos sin los sentidos percibirlos.

 

 

Nubor Orlando Facure é médico neurocirurgião e diretor do Instituto do Cérebro de Campinas-SP. Ex-professor catedrático de Neurocirurgia na Unicamp (Universidade de Campinas), é escritor e expositor espírita.

Nubor Orlando Facure es médico neurocirujano y director del Instituto del Cerebro de Campinas-SP. Ex-profesor catedrático de Neurocirugía en la Unicamp (Universidad de Campinas), es escritor y expositor espírita.

 

 

Mensaje traducido por Isabel  Porras-España-Excelente! En 12/06/2012