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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

As Personalidades Múltiplas

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"Personalidade múltipla é o estado em que o médium representa o papel de duas ou mais personalidades, isto é, em que age mediunicamente sob a ação, em transes diferentes, de duas ou mais entidades espirituais."

Pedro Franco Barbosa

A personalidade representa, essencialmente, a noção de unidade integrativa de um ser humano, pelo que inclui todo o conjunto de suas características (atributos) diferenciais permanentes (constituição, temperamento, inteligência e caráter) e suas modalidades específicas de comportamento (V. Dicionário de Psicologia, de Henri Piéron).

Em cada vida ou encarnação, o Espírito, isto é, a individualidade passa por uma série de vivências, experiências, incorporando valores intelectuais, estéticos, morais, religiosos etc. As muitas personalidades, que encarna nessas vivências, somam-se numa síntese integral, formando uma unidade em torno do Eu, o centro de gravitação, responsável por toda a atividade psíquica do Homem.

Quando o indivíduo apresenta comportamentos diferentes (dois, três ou mais), isto é, age como se fosse portador de várias personalidades, na mesma existência, a Ciência chama ao fato de estados intermediários, personalidades secundárias, "desintegrações", alterações e dissociações da personalidade, fugas, múltiplas personalidades.

Léon Denis, em O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR, assim se expressa quanto aos casos de dupla personalidade:

"Em certos casos, vê-se aparecer em nós um ser muito diferente do ser normal, possuindo não só conhecimentos e aptidões mais extensas que as da personalidade comum, mas, além disso, dotado de modos de percepção mais poderosos e variados. As vezes mesmo, nos fenômenos de segunda personalidade, o caráter se modifica e difere por tal forma do caráter-habitual, que tem havido observadores que se julgaram na presença de um outro indivíduo".

Depois de citar o caso de Félida, estudado pelo Dr. Azam, conclui o notável estudioso do Espiritismo: "Vê-se que não há aí em jogo várias personalidades, mas simplesmente vários estados da mesma consciência".

O caso de Félida, é tradicional. A moça nasceu em Bordéus, em 1843, de pais sadios, mas começou, aos 14 anos, a cair em estados de extrema prostração, após os quais se mostrava outra, completamente diferente. Foi observada e tratada pelo Dr. Azam que relata ser a moça de pele morena, robusta, inteligente, melancólica, discreta, falando pouco, devotada ao trabalho. Tem crises, com violentas dores de cabeça e parece dormir, porque nada a desperta, mas, de repente, levanta-se e se mostra alegre, sorridente, falando muito, cantarolando, jovial e dando-se a passeios. Nesse segundo estado, lembra-se de sua existência normal, mas Félida nada sabe da segunda personalidade ou do que ela faz.

Gabriel Delanne escreve "que não se legitima aqui a presunção de duas individualidades distintas, antes nos parece mais verossímel e racional a manifestação de dois aspectos diferentes da mesma individualidade" - A EVOLUÇÃO ANÍMICA:

O fenômeno se identifica com a possessão, segundo o ensino da Doutrina Espírita; todavia, pelo menos em certos casos, não se poderia atribuir os fatos a. vivência de personalidades passadas, de encarnações pretéritas, quando a Alma, liberta por uma espécie de transe (as personalidades diferentes surgem depois de crises das pessoas predispostas), colocar-se-ia em condições de reviver o que fora, em outras vidas?

As cronicas registram numerosos casos de múltiplas personalidades, quando duas ou mais pessoas "vivem" simultaneamente no mesmo corpo, por períodos curtos ou longos. Foram estudados por pesquisadores idôneos, médicos em geral:

Miss Beauchamps foi observada pelo Dr. Morton Prince, que anotou suas diversas personalidades, chamando-as de B1, B2, B3, B4, B5.

B1 (Miss Beauchamps em estado normal) é séria, reservada escrupulosa; B2 é muito desembaraçada; B4 é travessa, esperta, misteriosa, mundana, fútil, irascível. B1 tinha a saúde fraca, B4 era robusta e enérgica; a primeira era religiosa, a outra, não. B4 ria do idealismo e do gosto pela leitura, manifestado por B1, e esta achava B4 egoísta e má.

O aparecimento de Sally, ou seja B3, infantil, irresponsável, fantasista, tornou ainda mais complicado o problema. B3 não gostava de B4 e vice-versa.

O Dr. Morton conseguiu fundir as personalidades B1 e B4 e, aos poucos, Sally foi deixando B1 livre, até desaparecer. Daí por diante, Miss Beauchamps (B1) passou a viver normalmente. O Dr. Morton explicou que houve dissociação da personalidade de B1, cuja integridade ele conseguiu refazer. Comenta Léon Denis que Sally era um Espírito que se apossava do organismo de B1 para se manifestar.

O REFORMADOR de abril de 1958 estampa interessante artigo de Lino Teixeira, comentando o filme AS TRÊS MASCARAS DE EVA, cujo conteúdo é um caso de múltipla personalidade, observado pelo Dr. Corbett.

Eva White era casada, tinha uma filha e vivia para o seu lar. Depois de forte dor de cabeça, transformava-se, dizendo chamar-se Eva Black. Esta, vaidosa, bebia, fumava, entregava-se aos marinheiros, chamava o marido de idiota e tentou matar a filha, menina de 3 anos.

Passada a crise, Eva White de nada se lembrava, mas o marido dela se divorciou, levando-a a tentar o suicídio que Eva Black impediu.

Uma terceira personagem se manifesta depois: é Jane, jovem bem educada e casta.

O caso parece mesmo inexplicável, a não ser que consideremos Eva Black um espírito intruso, desregrado, materialista que se apossa do corpo de Eva White e o domina completamente. Jane poderia ser outro Espírito, ou mesmo uma faceta da personalidade de Eva White e isto porque ambas tinham qualidades semelhantes.

O caso mais extraordinário que se conhece de múltipla personalidade, está admiravelmente narrado em REFORMADOR de março de 1974, por Hermínio C. Miranda segundo o qual, nada menos de 16 Espíritos tomam de assalto o corpo de Sybil Isabel Dosett, constituindo o que o autor do artigo chama, com muita felicidade, de "condomínio espiritual".

Eis o caso, em resumo:

Sybil era bastante inteligente e sofrera muito na infância; filha de pais de gênios antagônicos, ele sem energia, a mãe dominadora, desiquilibrada, era tímida, contraída e perdia completamente a memória, quando, então, sofria estranhas "ausências" de dias ou anos e vivia personalidades diferentes, nada menos que 16, sendo duas masculinas: era "Vicky, loura, atraente, sofisticada", Márcia Lynn que tinha sotaque inglês, Vanessa, dramática e atraente, Mike e Sid Dorsett, carpinteiros, Mary, de espírito simples e prático, Clara, profundamente religiosa, Nancy, com interesses políticos.

Outra das personalidades vividas por Sybil é Peggy Baldwin, dinâmica, resolvida, que vai a uma festa e dá um show, imitando o Professor de arte da Faculdade, diante do espanto dos colegas da moça.

Certo dia, a Dra. Cornélia Wilbur, psiquiatra de Sybil, recebe-a no consultório e ela lhe diz:

-"Sou Vicky. Sybil está doente. Eu vim em lugar dela".

Vicky é culta, sofisticada, observado e fala francês; conta a estória de sua família que vive em Paris e quanto a Sibyl diz que "ela não está sozinha no seu próprio corpo" Quando a médica se refere a Sibyl, dizendo ela, Vicky retruca, irônica:

- Ela, doutora? O pronome não deveria ser nós?

Essa observação está de acordo com a tese espírita da possessão, domínio do corpo somático do obsidiado pelo obsessor.

Quando Sibyl Ann, outra personalidade, assumia o controle do corpo de sua hospedeira, o corpo de Sibyl parecia diminuir de tamanho, pois os vestidos que a moça punha se tornavam largos, desajustados. O fenômeno de diminuição ou aumento do corpo do médium é bem conhecido do Espiritismo.

A Dra. Wilbur procura explicar os fenômenos, apontando-lhes causas que, chama de naturais, tentando mostrar a Sibyl que as "personalidades" que vive são criações suas, da moça, não se tratando de Invasões de fora, de Espíritos atuantes. E com isso, em verdade, nada consegue, pois, Sibyl não se deixa convencer, diante da evidência dos fatos.

Há, realmente, uma comunidade de Espíritos a gravitar em torno de Sibyl, médium de grande sensibilidade, sem dúvida, levando Hermínio C. Miranda, como dissemos, a chamar o fenômeno de "condomínio espiritual": "Mary incumbe-se dos afazeres domésticos, faz bolos e biscoitos que Sibyl aprecia muito. As duas Peggy se divertem, Vicky tem amigos sofisticados como ela própria, Mike e Sid se encarregam da manutenção eletromecânica do apartamento e assim por diante."

Sibyl é completamente dominada pelos "condôminos" que utilizam seu corpo somático, a ponto de impedi-Ia até de suicidar-se como o fez Vicky.

Como disse a Dra. Wilbur, nos casos de personalidades múltiplas, cada uma reage como pessoa diferente, em completa Independência, o que demonstra a tese espírita que as considera individualidades, isto é, Espíritos. Trata-se, assim, de possessões.

Enciclopedia de Parapsicologia, Metapsiquica e Espiritismo, de João Teixeira de Paula
Revista Internacional de Espiritismo – Janeiro de 1976

http://www.sitiodapaz.org.br

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