Programa Câmera Manchete exibido em 16.Jul.1996 dedicado a Chico Xavier, que na época, aos 87 anos de idade, e já se encontrava com a saúde bastante debilitada. Arquivos de propriedade da antiga TV Manchete www.redemanchete.net - Todos os direitos reservados.
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O humilde médium escolhido como O MINEIRO DO SÉCULO em concurso realizado pela Revista Istoé. Concorreu com inventores, cientistas, escritores, políticos e atletas, figuras mundialmente famosas. Pelé, por exemplo. Chico teve seu nome incluído como uma das cem personalidades brasileiras do Século XX, na categoria de filosofia, teologia e religião.
Wikipedia - A enciclopédia livre da Internet
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Francisco Cândido Xavier (Pedro Leopoldo, 2 de Abril de 1910 — Uberaba, 30 de Junho de 2002), mais conhecido popularmente por Chico Xavier, notabilizou-se como médium e célebre divulgador do Espiritismo no Brasil. (matéria completa no endereço acima).
Universo Espírita - Links para informações sobre Chico Xavier
www.universoespirita.org.br/chicoxavier/chico_gde_homenagem_2pagok.htm
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Revista Época - Edição 434 11.Set.2006
http://revistaepoca.globo.com/Revista...
Chico Xavier - O senhor dos espíritos.
O mineiro que dizia se comunicar com os mortos é o único brasileiro que se tornou figura central de uma crença religiosa. (matéria completa no endereço acima)
Revista Istoé Edição 1.972 15.Ago.2008
http://www.terra.com.br/istoe/
Reportagem de Capa: Espiritismo Os sinais secretos de Chico Xavier
DIVISOR DE ÁGUAS. O mineiro Chico Xavier foi fundamental para a difusão do Espiritismo pela via literária - foram 418 obras psicografadas - e pelo atendimento mediúnico.
Nessa edição: - O Espiritismo cinco anos depois da morte de CHICO XAVIER. - População Espírita. - Leitura em alta. - Obras do mestre seguem em UBERABA. - O código XAVIER. (matéria completa no endereço acima)
Revista Planeta na Web 18.Jan.2001
http://www.terra.com.br/planetanaweb/...
Chico Xavier - O Santo Espírita. Divisor de águas no espiritismo brasileiro e cultuado por pessoas de inúmeras religiões, Chico Xavier morreu aos 92 anos, em 30 de junho de 2002, em Uberaba, MG. Foi uma parada cardíaca que terminou a carreira deste grande médium, que completava 75 anos de serviço ao próximo. Fora os males do coração e algumas pneumonias, Chico estava praticamente cego do olho esquerdo. Para se locomover, o maior médium brasileiro precisava do apoio de outras pessoas. Apesar da saúde frágil, mantinha-se totalmente lúcido. (matéria completa no endereço acima).
Revista Época - Edição 261 - 19/05/2003
http://revistaepoca.globo.com/Epoca
A literatura espírita é o mais novo fenômeno editorial no país. Tradicionalmente vendidos nos redutos Kardecistas, os livros psicografados - escritos por pessoas que se dizem conectadas com almas que enviam mensagens do Além - agora chegam às livrarias e despertam a atenção de grandes editoras. (...) Se os espíritas não são tão ruidosos como os evangélicos, eles lêem mais. No site Submarino, o leitor espírita responde por mais da metade das encomendas de livros religiosos e compra 15% mais que os outros. (...) Mas cada vez mais o interesse pelas obras psicografadas extrapola a religião. (matéria completa no link acima).
A Batalha do Armagedon, Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, e a Besta - cujo número é 666. Os três são mencionados na Bíblia. Mas será que o Livro do Apocalipse realmente tem o poder de predizer o futuro? Uma nova teoria afirma que todas as profecias mencionadas já aconteceram.
Por que os antigos egípcios acreditavam que um cometa chamado "O Destruidor" causaria desastres inimagináveis no ano de 2012? Teriam por acaso as profecias escritas na Grande Pirâmide previsto que o mundo entraria em uma nova espiral de destruição a partir de setembro de 2001? Que papéis tiveram os maçons na preservação e difusão destas profecias? Novas investigações e modernos gráficos computadorizados nos dão pistas sobre o futuro.
Através do médium Hercílio Maes, o Espírito Ramatis escreveu várias obras que seriam úteis para um melhor conhecimento do Mundo Espiritual e da passagem de Jesus pela Terra, não fossem determinadas revelações e profecias. Essas obras se desenvolvem em forma de perguntas e respostas, estas desnecessariamente longas, se comparadas com a objetividade com que Emmanuel respondeu as perguntas contidas em “O Consolador”. Para melhor compreensão, veja-se em “O Livro dos Espíritos”, 2ª Parte, cap. I, item 104, que trata de “Espíritos pseudo-sábios”.
Se, à época em que essas obras surgiram, já pareciam fantasiosas, o que dizer agora, com o não cumprimento das profecias nelas contidas?
Na obra “Mensagens do Astral”, é afirmada a existência de um planeta visitante, que deveria sugar os Espíritos que não mais permaneceriam na Terra, mediante uma aproximação física, que deveria provocar a verticalização do eixo da Terra.
Em “A Gênese” (cap. XVII, item 63), e em “A Caminho da Luz” (cap. III), há o relato do exílio de Espíritos rebeldes, que perturbavam o progresso de um planeta do Sistema Cabra ou Capela. Esses Espíritos foram encaminhados aqui para a Terra, há muitos milênios. Não há nenhuma notícia que a Terra se tenha deslocado para lá, a fim de “sugar” esses Espíritos. Entretanto, qualquer pessoa que tenha estudado a Doutrina Espírita sabe que há uma transmigração contínua de Espíritos no Universo, sem que haja necessidade de os planetas se deslocarem, a fim de recebê-los. São os Espíritos que se mudam – ou são mudados – e não os planetas que se deslocam à semelhança de ônibus ou aviões a buscarem passageiros.
Analisemos algumas afirmativas, à luz da Ciência e da Doutrina Espírita:
“A verticalização, quando for percebida, será incondicionalmente atribuída à periodicidade espontânea dos movimentos naturais do orbe. Dificilmente a vossa ciência haverá de aceitar a “absurda” notícia da aproximação de um planeta desconhecido nas cartas astronômicas.”
“A partir do próximo ano de 1950, manifestar-se-á, junto à aura da Terra a primeira vibração sensível desse astro intruso, mas ainda de maneira profundamente magnética; será uma expansão endógena, isto é, de dentro para fora; uma ação astro-etérea pois, na realidade, o fenômeno terá início na esfera interior do vosso orbe. A princípio, dar-se-á um acasalamento de forças íntimas da Terra com as energias agressivas e primárias do planeta visitante, por cujo motivo os cientistas – que estão na dependência de instrumentos materiais – só poderão assinalar o fenômeno quando ele aflorar à superfície dos cinco sentidos humanos.” (pág. 81)
Qualquer pessoa dotada de um mínimo de bom-senso refutará essa afirmativa, pois sabemos que a lua, que é 49 vezes menor do que a Terra, quando se aproxima um pouco provoca o fenômeno das marés. Imaginemos então o que produziria a aproximação de um astro 3.200 vezes maior do que a Terra! Haveria uma perturbação geral no Sistema Solar. Esses argumentos serviriam para rebater as afirmativas perturbadoras de Ramatis à época em que o livro foi publicado, porque hoje os argumentos contrários são outros, de vez que nada disso aconteceu! Todas as suas profecias foram desmentidas com o passar do tempo!
Nenhum geofísico se pronunciou até agora – passados quase 60 anos dessas absurdas predições, que atemorizaram tanta gente à época e, que infelizmente, ainda encantam encarnados que se recusam ver a verdade, raciocinar e rejeitar esses absurdos. É realmente de estarrecer que ainda existam grupos que se dizem espíritas e tenham esse Espírito como guia ou mentor. Que houvesse aqueles que se encantaram com suas “revelações”, àquela época, é até admissível. Mas, agora, depois de passado todo o tempo previsto, sem que suas predições se tenham concretizado, e pessoas continuem a se organizar em torno desse Espírito, isso só pode ser explicado como um processo de fascinação.
A ser verdade a “profecia” abaixo, a população da Terra, agora, deveria estar reduzida a um terço:
“Até o final deste século, libertar-se-ão da matéria dois terços da humanidade, através de comoções sísmicas, inundações, maremotos, furacões, terremotos, catástrofes, hecatombes, guerras e epidemias estranhas.” (pág. 190).
Para explicar tanto absurdo, só o velho adágio: “O falso tem mais brilho do que o verdadeiro.” Será que essas pessoas que se apoiam em Ramatis, dizendo-se espíritas, já estudaram a Codificação? Será que conhecem Kardec?
E não é só esta obra de Ramatis passível de refutação. Todos os seus livros contém absurdos, escritos de forma pomposa, em linguagem pretensamente erudita, numa verbosidade impressionante, bem própria dos Espíritos pseudo sábios, conforme classificação de Kardec.
A respeito de Jesus, há afirmativas que merecem destaque pelo absurdo gritante:
“Sob a inspiração e pedagogia dos Essênios amigos da família e que reconheciam em Jesus um homem incomum, ele desenvolveu suas forças ocultas sob rigorosa disciplina e aprendizado terapêutico pois, embora curando até pela sua simples presença junto aos enfermos, não podia tangenciar as leis naturais que determinam as direções, intensificações e dispersões fluídicas. (...) Submisso e fiel ao mecanismo natural da vida humana criada por Deus, sabia curar com a simples imposição de mãos, como aprendera com os Essênios, e usava uma terapêutica afim com o seu tipo psico-físico e temperamento espiritual.” (pág. 458)
Só para exemplificar o falar do pseudo sábio, verifique-se o que quer ele dizer com a frase: não podia tangenciar as leis naturais que determinam as direções, intensificações e dispersões fluídicas.
Além do mais, se agia curando até pela sua simples presença junto aos enfermos, por que precisaria ir aprender alguma coisa com os essênios?
Dando cores próprias, Ramatis repetiu afirmativas que já haviam sido feitas sobre uma pretensa preparação de Jesus, entre os Essênios, para o cumprimento de sua missão. Dezoito anos antes, Emmanuel, na obra citada, no cap. 12, contesta de forma clara e veemente a freqüência do Mestre, como discípulo, em qualquer grupo religioso:
“Muitos séculos depois da sua exemplificação incompreendida, há quem o veja entre os essênios, aprendendo as suas doutrinas, antes do seu messianismo de amor e de redenção. As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.
O Mestre, porém, não obstante a elevada cultura das escolas essênias, não necessitou da sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.”
Ramatis afirmou que o planeta intruso é 3.200 vezes maior do que a Terra. Ao ser-lhe apresentada contestação da parte de alguns encarnados, com base nas perturbações que ocorreriam no Sistema Solar diante da sua aproximação, responde:
“É que ao captardes o nosso pensamento confundistes o volume áurico do planeta com o seu volume material. Esse volume 3.200 vezes maior do que a Terra não é referente à massa rígida daquele orbe, cujo núcleo resfriado é um pouco maior que a crosta terráquea. Estamos tratando do seu campo radiante e radioativo, que é o acontecimento principal de todos os acontecimentos no “fim dos tempos”. É o volume do seu conteúdo energético, inacessível à percepção da instrumentação astronômica terrestre, mas conhecido e fotografado pelos observatórios de Marte, de Júpiter e de Saturno, cujas cartas sidérias registram principalmente a natureza e o volume das auras dos mundos observados.” (pág. 228)
“Verdadeiramente, o astro intruso é maior do que a Terra, em seu núcleo rígido ou a sua matéria resfriada, mas não há correspondência aritmética entre os núcleos e auras de ambos. O volume etérico do primeiro é mais extenso ou expansivo, porque também é mais radioativo, no sentido de energia degradada, e mais radiante no sentido de interceptação de energia pura ou livre. Embora seja um mundo oriundo da “massa virgem” do Cosmo, com que também se forjou o globo terrestre, ele se situa como um tipo especial a parte, comparado ao vosso orbe e que variou desde o tempo de coesão molecular, resfriamento, volume e distância com que circunavega no seu campo constelatório.” (pág. 229)
Diante desse palavrório sem nexo, será possível se acredite na seguinte “revelação”?
“Já que quereis saber a verdade, dir-vos-emos que o corpo de Jesus foi transferido, altas horas da noite, por Pedro e José de Arimatéia, para um jazigo de propriedade deste último, que era devotadíssimo ao Mestre, e que, assim, evitavam que os sacerdotes incentivassem os fanáticos a depredarem o túmulo do Messias, a quem não queriam reconhecer como líder espiritual.” (pág. 419)
José Passini
Juiz de Fora mg
passinijose@yahoo.com.br
Nas bancas, a revista SUPERINTERESSANTE com a reportagem de capa:
Superinteressante ed. 277
abril/2010
Chico Xavier - Uma investigação
Quem foi o homem que fez milhões de brasileiros acreditar em espíritos?
O grifo é nosso... Tendenciosa a manchete? Imagine o conteúdo...
Mas não percamos tempo em ler a matéria. Melhor que isto é a carta que Richard Simonetti encaminhou à redação, de cujo teor se deduz o material tendencioso e chulo da revista da Abril Cultural.
Para quem não sabe, Richard Simonetti é autor de mais de 40 livros espíritas de elevada qualidade, coerência doutrinária e confiabilidade.
Senhor Sérgio Gwercman
Diretor de redação da revista Super Interessante
Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.
Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium.
Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.
Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.
Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.
De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”
Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.
A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”
Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.
Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.
Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.
Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.
Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.
E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?
Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.
Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.
Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.
A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.
Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?
Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.
E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.
Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.
Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.
Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.
Outras “pérolas” da reportagem:
Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.
Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?
Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto.
Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.
Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imbassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.
Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.
Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou- se em “polo do Espiritismo”.
Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.
Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?
Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.
Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!
Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.
A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”
E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.
Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:
O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo.
Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010.