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domingo, 21 de fevereiro de 2010

CASO VARGINHA

1996 - O Caso Varginha

Às 08:00hs da manhã do dia 20 de janeiro de 1996, o corpo de bombeiros de Varginha, em Minas Gerais, recebia uma chamada telefônica anônima. A pessoa pedia aos bombeiros que investigassem uma estranha criatura vista em um parque no norte do distrito Jardim Andere.

Duas horas depois, os bombeiros chegavam ao Jardim Andere para fazerem a busca no parque. Como esperavam encontrar um animal selvagem, levaram equipamentos apropriados como jaulas e redes.

Segundo os jornalistas, que entrevistaram várias testemunhas oculares, os bombeiros subiram por uma encosta íngreme até as áreas mais arborizadas do parque, onde ficaram estupefatos diante de uma extraordinária visão.

Diante deles murmurava um bípede de um metro e meio de altura, com olhos vermelhos e pele oleosa e marrom. As testemunhas disseram que a criatura possuía 3 protuberâncias na testa e uma pequena abertura em seu rosto parecida com à uma boca. Disseram também que produzia um estranho som semelhante ao zumbido de abelhas e parecia estar ferida.

General LimaEnquanto os bombeiros capturavam a criatura o chefe do grupo entrou em contato com a base militar, que fica perto do local. O comandante da base, o general Sérgio Coelho Lima, rapidamente enviou as suas tropas para isolarem o parque. Um homem, o operário de construção Henrique José, testemunhou todo o incidente do terraço de uma casa vizinha ao parque e mais tarde, contou aos investigadores que quatro bombeiros encurralaram a criatura com suas redes, aprisionaram-na em uma caixa de madeira e depois a entregaram aos militares. Se o general Lima ficou satisfeito com a eficiência da operação, muito em breve ficaria decepcionado. Mais tarde, no mesmo dia, o pesquisador de OVNIs Ubirajara Franco Rodrigues, que desconhecia o primeiro incidente, foi informado de uma outra estranha ocorrência.

As meninas que viram uma das criaturas as 15h00Uma série de chamadas telefônicas levaram Rodrigues a entrevistar 3 meninas que diziam ter visto, por volta das 15:00hs, uma criatura encolhida perto de um prédio do Jardim Andere (perto do local onde a primeira criatura foi capturada). As meninas disseram a Ubirajara que a criatura tinha 3 protuberâncias na testa e que se parecia "com o demônio". Depois do encontro correram aterrorizadas para casa e contaram o que ocorrera à mãe de duas delas. Enquanto isso, os bombeiros e militares tinham sido avisados pelos assustados vizinhos sobre a Segunda criatura, que como a outra, parecia ferida. A rua ficou cheia de uma multidão que viu como os bombeiros e militares capturaram o ser para logo desaparecerem.

Victorio Pacaccini e Ubirajara F. RodriguesFoi apenas uma questão de tempo para que os caminhos de Ubirajara e Pacaccini, um colega ufólogo, se cruzassem. Pacaccini estava investigando os acontecimentos da manhã do dia 20 sem saber do segundo incidente. Os dois ufólogos logo perceberam que estavam investigando dois casos distintos. Unindo forças, lançaram uma campanha solicitando entrevistas com mais testemunhas.

Os boatos sobre a captura de dois extraterrestres difundiram-se muito rápido e foram notícia em diversas revista do país. Os ufólogos do Brasil inteiro foram à Varginha para averiguar com exatidão o que tinha acontecido. Foram feitas reuniões, a imprensa local foi notificada e em seguida mais de sessenta testemunhas puseram-se em contato com os pesquisadores.

Ubirajara F. RodriguesDiferente de grande maioria dos casos de OVNIs, várias dessas testemunhas eram militares. Muitas famílias de Varginha têm parentes que servem nas forças armadas e muitos deles comentaram sobre o incidente do dia 20 de janeiro nas suas casas. As testemunhas informaram aos pesquisadores que o irmão ou marido de alguém tinha sido testemunha ou tinha intervindo em um dos casos. Forneceram-lhes seus nomes e funções e os pesquisadores não tardaram em procurá-los.

Vista aérea do Jardim AndereNão havia dúvidas de que os incidentes ocorreram no dia 20 de janeiro no distrito de Jardim Andere, porém, os pesquisadores desejavam saber o que tinha acontecido depois disso. À medida que as testemunhas prestavam seus depoimentos, um quadro mais claro ia surgindo.

Aparentemente, a primeira criatura capturada no Sábado de manhã, foi levada para a Escola de Sargentos de Três Corações, ao sudeste de Varginha. Contudo, nenhuma das autoridades que intervinham no caso revelaram o que ocorreu depois. Sabe-se apenas que um policial que esteve presente no incidente do Sábado de manhã tinha sido ferido pela criatura.

(*) Marco Eli Chereze, o militar que tocou no criatura e morreu estranhamente dias depois.Dois dias depois, o policial morria no hospital local. Oficialmente a casa da sua morte foi pneumonia, porém, quando a sua família pediu mais informações, as autoridades médicas negaram-se a fornecê-las.

Pacaccini e Ubirajara averiguaram que a segunda criatura fora internada no hospital regional de Varginha na últimas horas da tarde.

No mesmo dia ou manhã seguinte, a criatura, que como a outra estava ferida, era transferida para o hospital Humanitas de Varginha, situado a 1,5km de distância do outro hospital. O Humanitas, segundo fontes médicas, teria mais recursos para tratar de seus ferimentos.

Testemunhas do hospital Humanitas disseram que a criatura não resistiu e que foi declarada morta às 18:00hs daquela tarde do dia 22 de janeiro. Logo em seguida, pelo menos 15 médicos, vários oficiais militares, policiais e bombeiros entraram no quarto onde jazia a criatura em um ataúde de madeira. Parece que um dos médicos introduziu uma pinça cirúrgica dentro da diminuta boca da criatura e retirou lentamente uma língua branca. Em seguida, ao abrir a pinça, a língua retraiu-se de imediato.

As mesmas testemunhas também disseram que a criatura tinha 3 dedos e, novamente, 3 protuberâncias na testa. Não possuía órgãos sexuais, mamilos e umbigo. Parecia ter articulações nas pernas, que estavam feridas e enrugadas e sua pele coincidia com as primeiras descrições: de cor marrom e textura oleosa.

A criatura foi embalada numa caixa de madeira e enviada para a UNICAMP.Em seguida, a tampa do ataúde foi aparafusada e dois militares com máscaras e luvas envolveram-no em um invólucro de plástico negro antes de guardá-lo em um caminhão estacionado do lado de fora. Bem cedo na manhã, um comboio de caminhões militares saiu de Varginha. Acredita-se que a criatura tenha sido transportada para a Unicamp, a 320km ao sul de Varinha.

Durante suas investigações, Pacaccini entrevistara um operador de radar do exército aéreo brasileiro. Esse operador revelou que os EUA entraram em contato com o exército brasileiro e avisaram que estavam seguindo o rastro de um OVNI que entrava no espaço aéreo brasileiro. O alerta chegou completo, com as coordenadas de longitude e latitude, porém, os norte-americanos, não puderam dizer se o OVNI aterrissaria sem se acidentar.

Pacaccini também averiguou que em Varginha haviam ocorrido várias aparições nos dias anteriores aos incidentes. O fazendeiro Eurico de Freitas contou como ele e sua esposa tinham saltado da cama ao ouvirem seus animais assustados. Olhando pela janela de seu quarto viram um objeto de cor cinza que emitia "uma espécie de fumaça" e movia-se silenciosamente sobre os campos a cerca de 5m do chão. Depois, desapareceu na escuridão.

(**) Pacaccini também considerou a possibilidade das duas criaturas cativas possuírem uma origem humana, possivelmente, o resultado de uma experiência falha do exército. Se não for o caso, poderiam realmente ser extraterrestres, cuja nave acidentada nas proximidades do distrito de Jardim Andere, onde as criaturas foram encontradas.

Porém, se ocorreu um acidente, qual foi o local do impacto? Pacaccini acredita que seus destroços estão sendo minados pelos militares e diz que há um acobertamento oficial. Pacaccini tem recebido incontáveis ameaças de morte através de telefonemas anônimos e soube que os militares que mencionarem o seu nome estão arriscando-se a uma detenção de dez dias.

Fala-se também que o general Coelho Lima emitiu uma ordem proibindo os militares de falarem ou entrarem em contato com qualquer ufólogo brasileiro. Porém essas medidas não impedirão que os outros detalhes chegassem aos pesquisadores.

Essa informação sugere que há envolvimento do governo ou do exército dos EUA no caso. Acredita-se que um norte-americano esteve presente na manhã do dia 20 de janeiro, quando a criatura foi capturada. Na última hora daquele dia, um avião de transporte C-5 ou C-17 da USAF foi visto no aeroporto de São Paulo. Dois dias depois, no aeroporto de Campinas, perto da Universidade, para onde supõe-se que a Segunda criatura tenha sido levada, o mesmo avião apareceu. As duas criaturas, uma morta e outra viva, teriam sido levadas para os EUA?

Lincoln Azul 94Existem mais evidências do envolvimento dos EUA. Em abril de 1996, Luíza Silva, mãe de duas das meninas que viram a Segunda criatura, disse que 4 estrangeiros a visitaram em sua casa. Os homens, ofereceram-lhe uma "grande soma" para que convencesse suas filhas a mentirem sobre o episódio. Quando a Sra. Silva se negou a fazê-lo, os homens prometeram voltar e forma embora em um Lincoln azul de 1994.

Novos acontecimentos indicam que no acidente havia uma terceira criatura. Em fevereiro de 1996, quando um motorista fazia uma curva na estrada, os faróis de seu furgão iluminaram uma estranha criatura a 50m de distância. Quando o assustado motorista freou, viu que a criatura levantava a mão para proteger os olhos, "de cor vermelho-sangue", da luz para depois se perder no meio da noite. O motorista disse também que o ser tinha 3 ou 4 dedos em cada mão.

Não há dúvidas de que algo extraordinário aconteceu no dia 20 de janeiro de 1996, porém muitas perguntas ainda continuam sem resposta. O que terá acontecido à primeira criatura? Quais foram os resultados da autópsia realizada na segunda? A investigação sobre o episódio de Varginha está longe de ser concluída.


(*) O soldado Marco Eli Chereze, 23 anos de idade, 4 anos como militar, um P2, do Serviço de Inteligência da Polícia Militar de Varginha, juntamente com um companheiro de trabalho, em 20/01/96, por volta das 20:00 horas, participou da captura de uma estranha criatura no bairro de Jardim Andere, em Varginha, conforme já mencionado.

Apesar da PM dizer que Marco não estava trabalhando aquele dia, a família desmente dizendo que naquele dia ele trabalhou até às 02:00 horas da madrugada do dia seguinte. Logo depois do grande temporal que abateu a cidade, com chuva de granizo, Marco passou na casa da sua mãe para trocar de roupa, pois estava todo molhado. Marco também pediu para avisar sua esposa que estava em um trabalho de emergência e iria chegar tarde. Na captura que ocorreu pela manhã, na mesma região, os bombeiros estavam usando luvas. Nessa captura noturna, não sabemos se o Marco estava usando luvas ou se chegou a tocar na estranha criatura.

Depois desse dia, Marco passou a ter um comportamento diferente. Quando as primeiras notícias foram para o ar, sobre as capturas das estranhas criaturas, em Varginha, seu pai chegou a dizer que achava isso tudo uma mentira, foi quando o Marco disse "não é mentira não pai, isso é muito sério e vai dar muito o que falar". No dia que a televisão passava um programa falando sobre essas capturas, Marco levantou e desligou a TV, dizendo que tal assunto confundia a cabeça das pessoas. No dia 06/02/96, ou seja, 17 dias depois que participou da captura, Marco percebeu que tinha uma pequena inflamação debaixo do braço esquerdo, na axila.

Depois de passar pela enfermaria do quartel, no dia seguinte, o tenente médico Dr. Robson Ferreira Melo fez uma micro cirurgia em Marco, que nos dias seguintes passou a ter febre e fortes dores em todo o corpo. Marco foi internado no hospital Bom Pastor, em Varginha, porque o seu quadro clínico estava piorando.

Logo pela manhã. o Marco foi transferido para a CTI (Centro de Terapia Intensiva) do hospital Regional, local onde veio a morrer no mesmo dia, por volta dos 12:00 horas. À pedido dos médicos, alegando que a doença dele era grave, queriam que ele fosse enterrado de imediato, mas a família não concordou. Muito estranho. Na certidão de óbito consta que Marco morreu por insuficiência respiratória aguda, septicemia e pneumonia bacteriana.

A família, através da sua irmã Marta Antonia Tavares, pediu a abertura de inquérito policial, na 4ª Delegacia Seccional de Polícia de Varginha, alegando erro médico. O processo já foi encerrado. Nenhum médico foi condenado. Desde julho/96, à pedido do Delegado de Polícia Dr. João Pedro da Silva Filho, o IML (Instituto Médico Legal) vinha negando apresentar o laudo de necropsia.

A morte de Marco Eli Chereze é muito estranha. Ele era um verdadeiro atleta. Meses antes de participar da captura da estranha criatura, ele fez exames para cabo e em seguida para sargento. Foi aprovado em tudo, inclusive nos exames médicos. Ora, se estava com a saúde perfeita, como teve uma morte tão rápida? Teria sido um erro médico? Será que Marco foi contaminado por algum vírus ou bactérias provenientes da estranha criatura? Não sabemos. Certamente os militares sabem muito bem, mas os parentes do Marco e a humanidade não ficarão sabendo.

Estariam os militares escondendo que as estranhas criaturas capturadas em Varginha são portadoras de vírus ou bactéria que matam mais rápido do que o Ébola? Isso poderia gerar algum pânico na população? A verdade pode ser mais triste e assustadora do que imaginamos.

Fonte
http://www.infa.com.br/o_caso_varginha04.html


(**)
Na pista de uma das "explicações" dadas pelo Exército para a criatura de cor marron, olhos vermelhos e grandes e cabeça desproporcional ao corpo testemunhada pelas três meninas em Varginha, Pacaccini localizou um morador da cidade vulgarmente conhecido como "Mudinho". "Em seus últimos depoimentos à imprensa, a ESA [Escola de Sargentos das Armas de Três Corações] tem insistido em dizer que as três meninas viram na realidade: 'um ser humano deformado'. Eu tive a oportunidade de localizar a família deste 'ser humano deformado', bem como a ele próprio. Eu diria que compará-lo ao que as meninas viram é até uma ofensa à nossa inteligência", garante o pesquisador.

L. A. de P. [seu nome será preservado por questões éticas] tem 34 anos, é surdo e mudo. Ele realmente mora em Varginha, onde é bastante conhecido, e embora tenha problemas mentais, não tem deformidades físicas. Mora junto à família no Jardim Andere, bem próximo, de fato, ao local onde as meninas avistaram a suposta criatura. Perambula pelas ruas durante o dia mas volta para casa no horário das refeições e para dormir.

Aposentado por invalidez, L. já era conhecido também das meninas, que estavam acostumadas a encontrá-lo em seu trajeto. Houve oportunidade em que ofereceram doces e até um cigarro, como o fazem ainda hoje outros moradores do bairro.

Fonte

ESPIRITISMO - EFEITOS FÍSICOS

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Espiritismo e Religião

Antes de discorrer sobre o espiritismo e a religião, devemos nos perguntar o que é religião. Segundo o dicionário Aurélio (1999) religião é: 1. Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adoradas(s) e obedecida(s). 2. A manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem em geral, preceitos éticos.Como se vê, na definição clássica de religião transparece uma dualidade que envolve uma crença num ser superior, e um aspecto de culto institucionalizado.

Para Allan Kardec o que é a Doutrina Espírita? No livro O Que é o Espiritismo (2003/1864, p. 12), no seu preâmbulo afirma: “O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações”. Também afirma: “O Espiritismo sendo independente de toda forma de culto, não prescreve nenhum deles, e não se ocupa de dogmas particulares, não é uma religião especial, porque não tem nem seus sacerdotes e nem seus templos” (id. Ibid, p.190). Explica ainda: “Eis porque sem ser, em si mesmo, uma religião, ele (o Espiritismo) leva essencialmente às idéias religiosas, as desenvolve naqueles que não as têm e as fortifica naqueles em que elas são hesitantes” (id. Ibid, p.107).

Na Revista Espírita, Kardec (Discurso de 1/11/1868, Revista Espírita, Vol.11, apud: Rizzini, 1987, p.95) também diz: “No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos ufanamos disso, porque ele é a Doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as mais sólidas bases: as leis da Natureza. Por que então declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Por isso: só temos uma palavra para exprimir duas idéias diferentes e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da idéia de culto; revela exclusivamente uma idéia de forma e o Espiritismo não é isso”.

Conclui-se destas passagens que para Allan Kardec, o Espiritismo é uma doutrina científica e filosófica de conseqüências morais, e deixa o título de religião para os cultos dogmáticos, com hierarquia sacerdotal e templos instalados para a adoração, mas reconhece num sentido filosófico que o Espiritismo é religião, porque de uma certa forma a religião serve de laço que une as pessoas em uma “comunhão de sentimentos, princípios e crenças” (Herculano Pires, apud: Rizzini, 1987, p. 99).

Podemos citar também Carlos Imbassahy (apud: Rizzini, 1987, p. 100): “O espiritismo tem, pois, um lado religioso, visto que nele se ensina e prega o que pregam as outras religiões...”.

Ou citar também Carlos Toledo Rizzini (1987, p. 103): “O fundador do Espiritismo, Allan Kardec, evitou aplicar à dita doutrina o termo religião, notando que, no sentido usual, tal palavra não exprime a real natureza dela. Mostrou que há dois conceitos diferentes e uma única voz para designá-los. Achava, portanto, que o Espiritismo é religião somente em certo sentido. Considerando o sentimento religioso (ou necessidade) um estado íntimo individual, presente mesmo nos povos primitivos – parece mais consentâneo com sua índole declarar o Espiritismo uma religião interior”. A religião interior, segundo Rizzini, refere-se à natureza íntima e pessoal do sentimento religioso, onde os atos exteriores de culto e adoração perdem a significação. É neste sentido que se pode compreender a afirmação da FEB no II Congresso Espírita Internacional Panamericano: “No Brasil a Doutrina Espírita, sem prejuízos nos seus aspectos científicos e filosóficos, é fundamentada no Evangelho de Cristo, certo de ser o Consolador Prometido de que nos falam aqueles mesmos Evangelhos. Por isso é que nós outros, que vivemos no Brasil ligados à doutrina espírita, consideramo-la a religião”.

Jorge Cordeiro

Bibliografia:

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda(1999).Novo Aurélio Século XXI: Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª ed.,Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Kardec, Allan (2003/1864). O que é o Espiritismo, 52ªed., Araras: IDE

Kloppenburg, Boa Ventura(1997). Espiritismo, 6ªed., São Paulo: Edições Loyola

Rizzini, Carlos Toledo(1987). Fronteiras do Espiritismo e da ciência, São Paulo: LAKE

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Espiritismo e Filosofia

O nome filosofia vem do grego e significa “amor à sabedoria”. A Filosofia, segundo o novo Dicionário Aurélio, “é um estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade (...)”.

O filósofo era na antiguidade o representante da busca pelo saber. E o que ele estudava? No entender dos filósofos: “tudo”. A Filosofia é um estudo que tem por finalidade ampliar o nosso conhecimento da realidade, e tem por objeto de estudo o homem e o universo. A diferença entre a Filosofia e a Ciência é que enquanto a Ciência busca conhecer muito sobre um tema específico, a Filosofia avalia toda uma vastidão de conhecimentos para encontrar uma síntese desses fenômenos. A Filosofia pode também ser diferenciada pelo instrumento de pesquisa, pelo método e pela finalidade.

Enquanto a Ciência utiliza-se dos mais variados instrumentos, como, telescópios, microscópios, computadores, etc. A Filosofia utiliza basicamente a razão, o raciocínio puro, como instrumento de pesquisa da verdade.

O método em sua essência se utiliza da indução e da dedução. O primeiro, através dos fatos, descobre os princípios primeiros; o segundo ilumina os fatos com os princípios primeiros, para compreendê-los melhor.

A Filosofia não está voltada para fins práticos como a Ciência. Ela tem como único objetivo o conhecimento e por extensão, a verdade em si mesma.

Apesar de todas as coisas serem suscetíveis de pesquisa filosófica, alguns problemas são de preferência, estudadas pela Filosofia: a Lógica (se ocupa do problema da exatidão do raciocínio); a Epistemologia (o valor do conhecimento); a Metafísica (do fundamento último das coisas em geral); a Ética (a origem e natureza da lei moral, da virtude e da felicidade); A Teologia (da existência e natureza de Deus e das relações com os homens); a Estética (do problema do belo e da natureza e função da arte); e a Axiologia (o problema dos valores); Cosmologia (a constituição essencial das coisas materiais, da sua origem e de seu devir).

As teses fundamentais que integram a Doutrina Espírita encontram-se no “O Livro dos Espíritos”, as quais podem ser identificadas com as principais categorias filosóficas.

A Filosofia Espírita apesar de se encaixar dentro dessas categorias, não é propriamente um saber clássico. Em muitas de suas facetas ela é um assunto novo e vibrante. Primeiramente, o Espiritismo aborda um Universo dual, com um componente material e outro espiritual. Com isto se abre diante de nós toda uma gama de possibilidades de estudo. Neste Universo espiritual habitam espíritos, que são criados simples e puros, para evoluírem e aprenderem com seus próprios erros e experiências, trilhando um longo caminho até compreender a relação entre Deus e o Homem, alcançando uma harmonia entre o conhecimento, a moral e a inteligência. O espírito e o espiritual, certamente não fazem parte desta filosofia tradicional, por isso podemos falar de uma nova filosofia que se nos mostra: “a Filosofia Espírita”, possuidora de uma cosmologia, uma metafísica e uma ética próprias, apesar de baseada na ética cristã.

Para Jon Aizpúrua (2000) o Espiritismo é:

  • Uma filosofia deísta, porque reconhece a existência de Deus como força inteligente e causa primária de todas as coisas;
  • Uma filosofia espiritualista, porque afirma a existência do espírito como princípio independente da matéria, assim como sua sobrevivência após a morte;
  • Uma filosofia evolucionista, porque admite que a evolução é a lei que rege o Universo, presidindo todas as transformações, tanto de ordem física como de ordem espiritual;
  • Uma filosofia científica, uma filosofia racionalista e humanista, porque coloca o ser humano e as suas necessidades no centro de suas atenções.

Devemos nos lembrar que a Filosofia Espírita não é um alimento somente para o intelecto, mas também para a alma que sente e sofre, que presencia a alegria mas às vezes sucumbe à tristeza. Lembremos o que disse Kardec (1995, p.483):

“Mesmo os que nenhum fenômeno têm testemunhado, dizem: à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que NENHUMA OUTRA me havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, firmeza, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Ao lado de tudo isto, secundária se torna a questão dos fatos materiais.”

                                                                     Jorge Cordeiro

Bibliografia:

Aizpúra, Jon (2000). Os fundamentos do espiritismo. São Paulo, CEJB.

Ferreira, Aurélio (1999). Novo Aurélio – século XXI. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.

Kardec, Allan (1995). O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, FEB.

Mondin, B. (1987). Introdução à Filosofia. São Paulo, Edições Paulinas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

RAMATIS


É um Espírito que há muito se infiltrou no movimento espírita brasileiro com a cumplicidade do médium paranaense Hercílio Maes. Juntos, Espírito e médium escreveram várias obras, que deixam muito a desejar quanto a pureza doutrinária. Eis algumas delas: "Fisiologia da Alma", "O Evangelho à luz do Cosmo", "Elucidações do Além", "Magia de Redenção", "Mediunismo", "Mediunidade de Cura", "Missão do Espiritismo" e outras.

Não se pode negar que Ramatis é bastante inteligente e muito sagaz e, portanto, sabe disfarçar seu desconhecimento doutrinário, ou incoerência consciente doutrinária. Logo ganhou adeptos fervorosos e seus livros invadiram o nosso meio. Suas obras não só apresentam senões doutrinários, mas também fortes pitadas de orientalismo, verdadeiros enxertos inconvenientes à Doutrina Espírita. Mas sendo sagaz como é, não deixa de expressar aqui e ali pensamentos razoáveis, com pretensão estudada de confundir o público leigo. Desde sua estréia no movimento espírita nacional a crítica o tem sob sua mira, mas a coisa ficou feia mesmo foi quando veio à lume "Vida no Planeta Marte", em que ele foi longe demais e desvelou suas fantasias. A crítica especializada desceu-lhe o porrete, mas nessa altura esse Espírito já tinha feito escola por aqui e até hoje há espíritas (ou melhor, pretensos espíritas) que se arrepiam ante qualquer análise desfavorável à obra ramatisiana. No meu conceito Ramatis é espiritualista, mas não espírita.

Rizzini descreve Ramatis, sem meias palavras


Jorge Toledo Rizzini (1924 - 2008), escritor consagrado, jornalista profissional, polemista dos melhores, desde cedo mostrou-se grande defensor dos postulados doutrinários e do Espiritismo bem estudado e entendido, além de detentor de elevadas aptidões mediúnicas em favor do Bem geral. São de sua autoria os excelentes "Escritores e Fantasmas", "Materializações de Uberaba", "Caso Arigó" e outros, escritos via mediúnica.

Amigo pessoal de José Herculano Pires e de Chico Xavier, não se furtou de comentar sobre o espírito Ramatis, que tanta confusão semeou e ainda semeia com seus livros repletos de informações desencontradas e fantasiosas, sem qualquer amparo na Ciência e na Doutrina Espírita.

Artigo: "RAMATIS E O PLANETA MARTE"

A NAVE DE RAMATIS – QUE ESTÁ SEMPRE LOTADA DE ANALFABETOS ESPÍRITAS.

"O Espírito Ramatis sabe jogar com rara habilidade com fantasias e verdades. E, por não desprezar a verdade, conseguiu ludibriar até mesmo alguns que se julgavam conhecedores da Doutrina Espírita. Mas não é exatamente mau. O problema é que ele convulsiona o Movimento Espírita com suas fantasias, através de um estilo austero, professoral, às vezes dramático.

Sua palavra é a última sobre qualquer assunto. Não há pergunta que o deixe embaraçado, seja sobre química ou física nuclear, botânica ou astronomia, pintura ou medicina, etc. Mas, entre os temas de sua predileção um há que o deixa enternecido e sobre o qual chegou a escrever um livro com mais de quatrocentas páginas e que tem o sugestivo título de “A Vida no Planeta Marte” (e os Discos Voadores). A obra foi publicada em 1956, mas é atualíssima, pois os cientistas da Terra estão pesquisando aquele planeta.

Enquanto Ramatis, com seu estilo doutoral, com sua imaginação indomável, nos diz a respeito de Marte que:

* Já tem aproximadamente,um bilhão e meio de habitantes;
* O Espírito reencarnante marciano vive no casulo materno sob condições análogas às terrenas;
* Estamos em relação aos marcianos, com relação a eletrônica, quatrocentos anos atrasados, e, moralmente, um milênio;
* Todos os sistemas religiosos do planeta são reencarnacionistas e entram em contato com os Espíritos desencarnados.


Estas e outras informações são de Ramatis, autor que fascinou os leitores e os fez sonhar com o planeta Marte. Sua capacidade de narrar é singular, e sua imaginação ardente, se não supera pelo menos se iguala a dos fantásticos criadores de estórias em quadrinhos. Impossível não realçar essas qualidades, que lhe granjearam, logo ao ser publicado o seu primeiro livro, os aplausos do público em geral e, particularmente, de milhares de espiritistas incautos, que nele viram uma sumidade do Além.

Ramatis é um espírito enfermo - trata-se, evidentemente, de um caso de megalomania, enfermidade mental. E não de maldade deliberada, já que suas mistificações, por estranho que pareça, sempre visam enlevar o público. Que a enfermidade atingiu o mais alto grau, não há dúvida, pois Ramatis se comove quando fala do Evangelho, como quando fala da "civilização marciana". Ele mistura verdade e mentira na mesma emoção. Ao invés de recriminações, Ramatis merece compreensão e preces.

Os que merecem mesmo cuidados especiais são os “espíritas” que ainda estão radiantes com a leitura de livros de Ramatis. Esses sim são detentores de um potencial capaz de deturpar o Movimento Espírita."

"Jornal Espírita", São Paulo-SP, fevereiro de 1977.

Fonte: Blog Ramatis, Sábio ou Pseudosábio?

Espiritismo e Ciência

Jorge Cordeiro

O que é uma Ciência?

A visão clássica da Ciência assume que uma disciplina é uma ciência quando adota um método específico chamado de método científico. Um ramo da Filosofia denominado de Filosofia da Ciência trata da explicação, compreensão e elaboração do método científico. De acordo com esta visão, uma ciência é criada a partir de um longo processo de coleta de informações, através da observação de fenômenos (ou objetos) a serem estudados. As informações colhidas dariam origem a leis, e a junção de várias leis formariam as teorias científicas que seriam responsáveis por explicar os fenômenos observados e prever novos acontecimentos. O ápice desta visão ocorreu durante as décadas de 20 e 40 do século passado e ficou conhecido como positivismo lógico. Ao longo das décadas seguintes, questões importantes foram levantadas contra esta concepção filosófica, fazendo-se restrições variadas. Dentre estes críticos destacam-se Karl Popper, Thomas Kuhn, Imre Lakatos, Paul Feyrabend e Willard Quine. Uma visão mais atual da Filosofia da Ciência, não compartilhada ainda por todos os cientistas, define que na atividade científica, a observação dos fatos e as teorias desenvolvem-se juntas numa ampla experimentação de hipóteses, apoiadas numa ampla discussão em torno de novos fatos, e ao contrário do que defendia o positivismo, as teorias poderiam ser de caráter metafísico, sendo mais importantes a capacidade destas teorias de explicarem os fenômenos adequadamente, fazer previsões empíricas e ter a virtude da simplicidade e abrangência. Resumidamente: uma ciência completa possui um núcleo teórico principal formado por leis fundamentais, um grupo de hipóteses auxiliares que servem de conexão com o grupo de fatos. Eventuais discordâncias entre a teoria e os fatos, seriam resolvidas por ajustes nas hipóteses auxiliares.

O Método Espírita

Kardec presenciou os fenômenos das mesas girantes, e por ter uma personalidade curiosa e investigativa, tomou para si um propósito de explicar o que estava acontecendo. Kardec tinha uma profunda base científica e filosófica, e usando destas resolveu se debruçar sobre estes fenômenos, como o astrônomo que diante das estrelas procura conhecer os seus segredos. A princípio cético e sem nenhuma pressuposição, passou a freqüentar mais assiduamente às sessões mediúnicas, cujo desenrolar e conteúdo logo o levaram a aprofundar sua pesquisa. Com seu espírito observador, passou a aplicar o método da observação experimental nos fenômenos que se manifestavam. Ele estudou as mensagens transmitidas pelos médiuns tão friamente e racionalmente, como estudou os próprios médiuns, avaliando seu linguajar, sua educação ou sua cultura geral, e concluiu que eles não poderiam de forma alguma tecer comentários tão profundos e superiores como das pessoas mais sábias que pisaram o planeta, ou tão banais e simplórios como de qualquer pessoa sem estudo, muito aquém do nível destes médiuns. Algumas mensagens eram de conhecimento muito íntimo de pessoas já falecidas, que de nenhuma forma eram do conhecimento geral, e outras muito racionais para uma personalidade poética, ou muito poética para uma personalidade prática. Ouviu explicações variadas de temas importantes, como Deus, o homem, a natureza ou o sentido da vida. Não tinha outra explicação plausível: os mortos se manifestavam por esses médiuns e toda uma nova filosofia nascia, toda uma nova série de fenômenos se apresentava, era chegado o momento de revelar ao mundo a doutrina dos espíritos. Ele acreditava na manifestação dos espíritos pela profundidade e pela lógica do que se discutia e se apresentava, não pela manifestação em si, ou pelas mudanças apresentadas pelos médiuns, seja na voz ou na postura ou por algum efeito físico concomitante como materializações ou levitação de objetos. A beleza, a simplicidade, a coerência e a unidade de visão do que os espíritos falavam era que tornava convincente esta realidade.

Ele usou o que hoje se poderia nomear na filosofia fenomenológica de redução eidética. Ele fez múltiplas perguntas a vários médiuns diferentes e de vários níveis de cultura, e coletou uma série de respostas sobre os mais diversos temas. Destas respostas ele procurou uma unidade, procurou retirar o que era imutável, retirar a sua essência e disto surgiu o que representava o pensamento dos espíritos de escol para a humanidade, e nos foi dada a Ciência dos Espíritos.

O Espiritismo como Ciência

Vimos portanto que o método empregado por Kardec para a fundamentação da Doutrina Espírita foi o método da observação experimental e se ajusta perfeitamente ao que se faz em ciência para descobrir as leis que regem os fenômenos investigados. A partir dos dados coletados e avaliados, Kardec provou a existência do espírito, que é a sua essência, o seu Eu que sobrevive à morte e que é a sede das emoções e do pensamento, pois esse Eu retornara do túmulo e através da mediunidade “de efeitos intelectuais”, apresentava uma personalidade que era reconhecida por amigos, parentes, conhecidos ou por uma avaliação da cultura que apresentava, por suas idéias particulares ou sua moral. Era como uma impressão digital insubstituível, uma característica que era própria ou uma lembrança que era particularmente sua. E estas características ou lembranças servem para comprovar a identidade de uma pessoa, como também a sobrevivência desta pessoa à morte, como tantas vezes se apresentou na história do Espiritismo. Não se pode dizer que a Ciência Espírita, seja uma ciência tradicional nos moldes da Biologia, da Química ou da Física. Não temos para apresentar ao mundo o peso de um espírito, ou sua composição química, ou um molde de seus órgãos internos, pois o Espiritismo não é do domínio da ciência tradicional, mas é uma ciência por seu método científico de investigação e uma Filosofia moral por suas implicações. Como disse Kardec (1857/2003):

“As ciências ordinárias repousam sobre as propriedades da matéria que se pode experimentar e manipular à vontade; os fenômenos espíritas repousam sobre a ação de inteligências que têm a sua própria vontade e nos provam a cada instante que elas não estão à disposição dos nossos caprichos. As observações, portanto, não podem ser feitas da mesma maneira; elas requerem condições especiais e um outro ponto de partida; querer submetê-las aos nossos processos ordinários de investigação, é estabelecer analogias que não existem. A Ciência, propriamente dita, como ciência, portanto, é incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se ocupar com isso e seu julgamento, qualquer que seja, favorável ou não, não poderia ter nenhuma importância. (p. 23-4)

Donde se conclui que o Espiritismo não necessita da Ciência Materialista ou de seus cientistas, pois nem a Ciência nada tem a oferecer ao Espiritismo em sua fundamentação nem os cientistas podem explicar os fenômenos espíritas mais coerentemente que seus estudiosos. Não devemos pois incorrer no erro dos grupos de estudos que surgiram após a doutrina espírita como a Metapsíquica de Charles Richet, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas inglesa ou americana ou a própria Parapsicologia que tenta estudar entre outras coisas a existência do espírito ou a sobrevivência do mesmo à morte, usando de fundamentos positivistas (o que é uma incoerência, pois o positivismo exclui a metafísica).

Nas palavras de Aécio P. Chagas (1995):

Muitos estudiosos têm se envolvido numa determinada linha de pesquisa, que remonta à época das mesas girantes, e que tem por objetivo provar a existência do Espírito através de métodos físicos. Apesar de não estar só, em minha obscura opinião, esta linha não chegou e nem chegará a nada, pois os métodos físicos são adequados para estudar a matéria (foram feitos para isto). Caso alguém evidencie a presença do Espírito através de um método físico, cabe sempre um questionamento metodológico, e daí não se chega a parte alguma. Por outro lado, muitos confrades poderiam ainda argumentar com o fato de Kardec, em suas obras, mencionar várias vezes que o Espiritismo e a Ciência marchariam lado a lado. Estas afirmações poderiam causar (e causam) em muitos leitores a impressão de que Kardec falava das ciências da matéria. Creio que Kardec tinha em mente a Ciência Espírita, que ele acreditava com toda a certeza, que ainda estava no começo e que iria crescer...”

A este respeito também comenta Sílvio S. Chibeni (1988):

“... é preciso cautela no entendimento da progressividade do Espiritismo...ela deve ocorrer...sem recurso a elementos estranhos, venham de onde vierem, sob o risco de este perder sua consistência...a harmonia com as conquistas da Ciência não deve ser buscada irrestritamente e a qualquer preço, visto estar ela, em suas proposições abstratas, constantemente sujeita a enganos e retificações...aparentemente, os que em nossos dias advogam a tese do ”ajuste à Ciência” ainda não se deram conta desse fato, nem perceberam que...em A Gênese, Kardec deixou clara uma ressalva, ao falar desse ajuste...”

A passagem comentada por Chibeni em “A Gênese” de Kardec (1868/2002) é a seguinte:

O Espiritismo não coloca, pois, como princípio absoluto, senão o que está demonstrado como evidência, ou que ressalta logicamente da observação. Tocando em todos os ramos da economia social, às quais presta o apoio de suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas , de qualquer ordem que sejam, chegadas ao estado de verdades práticas, e saídas do domínio da utopia; sem isso se suicidaria; cessando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial” (p. 40).

Como vimos, o Espiritismo e a Ciência Positivista são de domínios diferentes, e portanto, estudos que visam desvendar características materiais, usando aparelhos para captar manifestações que são intimamente de outra ordem, são esforços desperdiçados e de pouca utilidade pois a existência do espírito para o espírita já é uma realidade objetiva nas mesas mediúnicas. Quando na verdade, deveríamos estar aumentando nosso conhecimento sobre a mediunidade e seu desenvolvimento, o plano espiritual, as conseqüências de nossos atos, ou melhorando-nos moral e eticamente, pois a finalidade da vida revelada pelos espíritos é o aperfeiçoamento da alma e a eliminação de nossas deficiências, desenvolvendo um espírito de caridade e amor por nossos semelhantes.

Jorge Cordeiro

Notas:

[1] – “A Redução Eidética (em grego, éidos significa essência ou idéia, no sentido platônico) é o momento em que a consciência deve tornar-se capaz de perceber que, para além da coisa, com o seu conjunto de dados sensíveis ou psíquicos, há um sentido nela latente. O sujeito do conhecimento deve tornar-se capaz de perceber esse sentido para além da coisa. É preciso perceber que as aparências encobrem o sentido que deve ser desvelado. Nesse momento, a consciência torna-se segura de que há um "interior", uma essência, para além das aparências”. Em: http://www.filosofiaclinica-ce.com.br/rotas/fernaocapelo.html# (Rota 003 - Viagem pela Fenomenologia - Fenomenologia: Informações Elementares, em 15/11/2003)

Fontes:

Chagas, Aécio Pereira (1987). As provas científicas. Artigo publicado em Reformador, agosto de 1987, pp. 232-33.

__________________ (1995). A Ciência confirma o Espiritismo? Artigo publicado em Reformador, julho de 1995, pp. 208-11.

Chibeni, Silvio Seno (1988). A excelência metodológica do Espiritismo. Artigo publicado em Reformador, novembro de 1988, pp. 328-33 e dezembro de 1988, pp.373-78.

_________________ (1991). Ciência espírita. Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo, março de 1991, pp. 45-52.

_________________ (1994). O paradigma espírita. Artigo publicado em Reformador, junho de 1994.

_________________ (2003). O Espiritismo em seu tríplice aspecto: científico, filosófico e religioso. Texto elaborado para o XII Congresso Estadual de Espiritismo (USE) – Tema 4.10 Campinas, 17 a 20/04/2003.

Guiot, Alain e Gisèle (1999). A verdade revelada por Allan Kardec – a atualidade do ensinamento kardecista. São Paulo: Madras.

Kardec, Allan (1857/2003). O livro dos espíritos. Araras, SP: IDE.

__________ (1868/2002). A gênese. Araras, SP: IDE.

Os Espíritos da Codificação e o Vácuo Quântico

Título original: Os Espíritos sábios que ditaram a Doutrina Espírita a Kardec já conheciam o vácuo quântico em 1857?
Por Wladimyr Sanchez

A primeira edição de "O Livro dos Espíritos" publicada em 18 de abril de 1857, em Paris, por Allan Kardec, foi produto de ditados que ele obteve de uma plêiade de Espíritos Sábios iniciados em maio de 1855 e encerrados em abril de 1856. Desta data até fevereiro de 1857, ou seja, durante dez meses, esses ditados foram colocados na forma de uma brochura, analisados e revisados pela própria plêiade que os ditou, porque Kardec havia produzido algumas desconformidades ao interpretar os princípios da Doutrina, que eram novos, em sua maioria. A autorização para que Kardec os publicasse, na forma de livro, foi dada pelos próprios autores da obra.
Depois de receber o sinal verde para publicar o "O Livro dos Espíritos", Kardec tratou de convencer um editor a fazê-lo, fato que ocorreu no início de março de 1857. Desta forma, em 18 de abril de 1857, a primeira edição de "O Livro dos Espíritos" foi colocada a venda para o público parisiense, depois de uma pequena mas fulminante publicidade a respeito, fato que despertou muita curiosidade pela obra, não só pelo público em geral mas também pela classe dos cientistas, filósofos e religiosos. No seu frontispício trás a legenda: LE LIVRE DES ESPRITS, contenant LE PRINCIPLES DE LA DOCTRINE SPIRITE, sur la nature des esprits, leur manifestation e leurs rapports avec les hommes; les lois morales, la vie presente, la vie future, e l'avenir de l'humanité; ECRIT SOUS LA DICTÉE ET PUBLIÉ PAR L'ORDE D'ESPRITS SUPÉRIEURS, PAR ALLAN KARDEC. A tradução para o português é: O LIVRO DOS ESPÍRITOS, contendo OS PRINCÍPIOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, sobre a natureza dos Espíritos, suas manifestações e suas relações com os homens; as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade; escrito sob o ditado e publicado por ordem de Espíritos Superiores, por Allan Kardec.
Assim é que na questão 16 da primeira edição de "O Livro dos Espíritos", de 18 de abril de 1857, os Espíritos Sábios comunicantes assim se expressam a Kardec, sobre o espaço universal: "O espaço universal é infinito, dir-se-ia sem bordas. Se supusermos um limite para o espaço, qualquer distância que o pensamento possa conceber, a razão dirá sempre que além desse limite haverá alguma coisa e assim sucessivamente, de lugar em lugar, até o infinito; então essa qualquer coisa mesmo que se chamasse vácuo absoluto seria ainda espaço".
Até pouco tempo a Física considerava vácuo como sendo um espaço, imaginário ou real, não ocupado por coisa alguma, vazio, onde a pressão era inferior a uma unidade chamada atmosfera, que mede a pressão exercida por uma camada gasosa.
Com o desenvolvimento da Mecânica Quântica, nos últimos 20 anos, concluiu-se sobre como o processo da inflação cósmica explica de modo natural porque o nosso Universo é tão grande e tão uniforme, como atualmente o observamos. A inflação cósmica também achatou a geometria do espaço-tempo até o grau que hoje observamos no cosmo. A idéia básica a inflação cósmica é simples: no início da história do Universo, logo após o Big-Bang, de repente ele se expandiu imensamente em tamanho, daí o nome de inflação, por analogia ao sentido que essa palavra tem na economia. Para evoluir até um Universo semelhante ao nosso, com as propriedades que vemos, o Universo primordial teve que se expandir pelo menos umas 1028 vezes (significa o número 1 seguido de 28 zeros). Para se ter uma idéia da vastidão desse número, convém notar que o tamanho do Universo atualmente observável é de aproximadamente 1028 centímetros. Portanto, a inflação cósmica foi como inflar um pequeno pedregulho até o tamanho de todo o nosso Universo observável, ou até mais, e tudo numa minúscula fração de segundo. Essa expansão extremamente rápida ocorreu quando a densidade energética do Universo (também chamada fluído cósmico universal, pelos Espíritos) foi dominada pela densidade de energia do vácuo. Quando a densidade energética do Universo é dominada pela energia do vácuo, a pressão negativa impõe um ritmo de expansão cada vez maior. Essa expansão acelerada pode inflar o nosso Universo na enorme medida necessária para explicar não apenas as suas propriedades, mas também como os Espíritos puderam habitá-lo.
À primeira vista, o conceito de densidade de energia do vácuo parece uma contradição. Costumávamos pensar no vácuo como sendo completamente vazio. Como pode uma coisa supostamente vazia ter energia, e muito menos dominar a densidade energética de todo o Universo? No nível fundamental, o vácuo tem que obedecer a uma descrição quântica, significando com isso que, afinal, o vácuo não é realmente vazio. O vácuo é regido pelo chamado Princípio da Incerteza de Heisenberg, que atua sobre a natureza ondulatória da realidade física nas pequenas escalas dimensionais e levou à possibilidade da energia do vácuo.
Considere um elétron, por exemplo. O Princípio da Incerteza de Heisenberg mostra que não podemos medir simultaneamente o momentum da partícula (seu movimento) e a posição que ela ocupa no espaço, com o mesmo grau de exatidão. Assim, esse Princípio da Incerteza acaba tendo conseqüências importantes para o conceito de vácuo. Do ponto de vista da Mecânica Quântica, o vácuo não pode ser realmente vazio. Imaginemos uma região do espaço universal vazia, como nos exemplifica a questão 16 de "O Livro dos Espíritos", primeira edição de 1857. Em virtude do Princípio da Incerteza, esse espaço, aparentemente vazio é repleto de partículas, que pulsam brevemente, ao ganhar vida e morrer. A energia necessária para criar essas partículas é tomada de empréstimo do vácuo e prontamente devolvida a ele, quando as partículas se aniquilam e, em seguida, tornam a desaparecer no "nada". Elas são chamadas de partículas virtuais porque não possuem vida real. Vivem de um tempo emprestado e sempre se aniquilam logo depois de seu aparecimento espontâneo no vácuo. Por causa dessa criação espontânea, o espaço que corresponde ao vácuo, que deveria ser deserto, fica repleto dessas partículas virtuais de matéria, como se fossem fantasmas que aparecem e desaparecem, repentinamente. E, essas partículas virtuais podem dotar o vácuo de uma densidade energética efetiva que, de outro modo, ele não a possuiria. Portanto, a Mecânica Quântica leva-nos, naturalmente, ao conceito de que o espaço vazio possui, na realidade, densidade energética, confirmando o que os Espíritos comunicaram inicialmente a Kardec, e que se encontra reforçado na questão 36, da segunda edição de "O Livro dos Espíritos", publicada em 18 de março de 1860, a saber:
P. 36 - "O vazio absoluto existe em alguma parte do espaço universal"?
- "Não, nada é vazio; o que te parece vazio está ocupado por uma matéria que te escapa aos teus sentidos e instrumentos."

(*) WLADIMYR SANCHEZ, é físico formado pela USP, engenheiro mecânico formado pela Universidade Mackenzie, engenheiro nuclear, formado em Oak Ridge, USA, engenheiro civil, pela UNESP. É Mestre e Doutor em Ciências, pela USP e PhD em Gerenciamento de Recursos Hídricos, pelo MIT, USA, Presidente do Instituto de Pesquisa e Ensino da Cultura Espírita - IPECE.