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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

UTILIZAÇÃO DE FETOS NA INDÚSTRIA DE ESTÉTICA

  As "biofábricas"

Mulheres vendem fetos abortados para
clínicas de estética na Rússia, que oferecem
tratamentos com células-tronco.

Paula Neiva

Mikhail Metzel/AP

Centro de beleza em Moscou: há também terapias com injeções de células-tronco extraídas da medula óssea

A abertura econômica proporcionou uma explosão no mercado dos produtos e serviços de beleza na Rússia. Mercado que inclui bizarrices como um tratamento antienvelhecimento à base de injeções de células-tronco extraídas de fetos. Quatro sessões, ao custo total de 50.000 dólares, seriam capazes de eliminar rugas, aumentar a disposição, evitar a calvície e manter a libido a mil. Tudo balela. Não bastasse a falta de comprovação da eficácia e segurança da terapia, as clínicas de estética que a oferecem se valem do comércio ilegal de fetos abortados como fonte dessas células-tronco. Mulheres jovens e pobres, em sua maioria, são incentivadas a interromper a gravidez por volta do terceiro mês e a vender o feto. O preço: 200 dólares cada um. Para ganharem um dinheiro extra, algumas delas engravidam apenas para abortar. A essas mulheres, inclusive, foi dado o apelido de "biofábricas". A procura pelas injeções de células-tronco é tão grande que já se formou até uma rede internacional de tráfico de fetos abortados entre a Rússia e ex-repúblicas soviéticas, sobretudo a Ucrânia. Em abril passado, um homem com 25 fetos congelados, escondidos em aspiradores de pó, foi preso na fronteira entre os dois países.

Terapias com células-tronco são uma das grandes apostas da medicina. Como têm a capacidade de se transformar em qualquer célula do corpo humano, elas poderão ser usadas, acredita-se, no tratamento de doenças degenerativas graves, como o câncer e o diabetes. As principais fontes de células-tronco são os embriões, os fetos, o sangue do cordão umbilical e a medula óssea. Enquanto os cientistas do Ocidente ainda tentam entender o seu funcionamento, a Rússia já as utiliza em tratamentos antiidade faz algum tempo, embora não haja nenhuma prova de sua eficiência. Há até mesmo uma lei que prevê o uso em clínicas de estética de células-tronco extraídas da medula óssea. Só em Moscou cinqüenta centros oferecem a terapia – a maioria deles com fila de espera.

Desde que foi divulgado que as células fetais podem ser mais potentes do que as de medula, clínicas russas passaram a recorrer às "biofábricas" para obtê-las. Tratamentos estéticos com essa matéria-prima são arriscados também porque não se conhecem os seus efeitos a longo prazo. Além disso, como se trata de uma atividade ilegal, a higiene e a segurança do material não são controladas. "Abre-se a possibilidade de contaminação por uma série de vírus, como os das hepatites", diz o geneticista russo Alexandre Kerkis. Um dos fatores que mais contribuem para a proliferação dos tratamentos com células-tronco fetais na Rússia é a facilidade com que se consegue um feto por lá. O número anual de abortos, o principal método de controle da natalidade naquele país, chega a 2 milhões – o que corresponde a 60% das gestações. E, agora, há as mulheres que abortam por encomenda.

http://veja.abril.com.br/310805/p_103.html

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