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terça-feira, 30 de março de 2010

Aborto e Obsessão

TEXTO EXTRAÍDO DA COLEÇÃO DE LIVROS PSICOGRAFADOS POR CHICO XAVIER E WALDO VIEIRA – AUTORIA ESPIRITUAL DE ANDRÉ LUIZ.

Caso relatado por André Luiz, onde uma doente, uma jovem grávida, apesar dos apelos da sua genitora desencarnada, pratica o aborto:

... A genitora da enferma adiantou-se e informou-nos: A situação é muito grave! ajudem-na, por piedade! Minha presença aqui se limita a impedir o acesso de elementos perturbadores que prosseguem, implacáveis, em ronda sinistra.

        O Assistente inclinou-se para a doente, calmo e atencioso, e recomendou-me cooperar no exame particular do quadro fisiológico.

        A paisagem orgânica era das mais comoventes. A compaixão fraterna dispensar-nos-á da triste narrativa referente ao embrião prestes a ser expulso.

        Circunscrito à tese de medicação a mentes alucinadas, cabe-nos apenas dizer que a situação da jovem era impressionante e deplorável.

  • Todos os centros endócrinos estavam em desordem, e os órgãos autônomos trabalhavam aceleradamente.

  • O coração acusava estranha arritmia, e debalde as glândulas sudoríparas se esforçavam por expulsar as toxinas em verdadeira torrente invasora.

  • Nos lobos frontais, a sombra era completa;

  • no córtex encefálico, a perturbação era manifesta;

  • somente nos gânglios basais havia suprema concentração de energias mentais, fazendo-me perceber que a infeliz criatura se recolhera no campo mais baixo do ser, dominada pelos impulsos desintegradores dos próprios sentimentos, transviados e incultos.

  • Dos gânglios basais, onde se aglomeravam as mais fortes irradiações da mente alucinada, desciam estiletes escuros, que assaltavam as trompas e os ovários, penetrando a câmara vital quais tenuíssimos venábulos de treva e incidindo sobre a organização embrionária de quatro meses.

        O quadro era horrível de ver-se.

        Buscando sintonizar-me com a enferma, ouvia-lhe as afirmativas cruéis, no campo do pensamento:

— Odeio!.., odeio este filho intruso que não pedi à vida!... Expulsá-lo-ei!.., expulsá-lo-ei!...

        A mente do filhinho, em processo de reencarnação, como se fora violentada num sono brando, suplicava, chorosa: Poupa-me! poupa-me! quero acordar no trabalho! quero viver e reajustar o destino.., ajuda-me! resgatarei minha dívida!.., pagar-te-ei com amor..., não me expulses! tem caridade!...

        — Nunca! nunca! amaldiçoado sejas! — dizia a desventurada, mentalmente —; prefiro morrer a receber-te nos braços! Envenenas-me a vida, perturbas-me a estrada! detesto-te! morrerás!...

        E os raios trevosos continuavam descendo, a jacto contínuo...

        ...Nunca supus que a mente desequilibrada pudesse infligir tamanho mal ao próprio patrimônio.

        A desordem do cosmo fisiológico acentuou-se, instante a instante.

        Penosamente surpreendido, prossegui no exame da situação, verificando com espanto que o embrião reagia ao ser violentado, como que aderindo, desesperadamente, às paredes placentárias.

        A mente do filhinho imaturo começou a despertar à medida que aumentava o esforço de extração. Os raios escuros não partiam agora só do encéfalo materno; eram igualmente emitidos pela organização embrionária, estabelecendo maior desarmonia.

        Depois de longo e laborioso trabalho, o entezinho foi retirado afinal...

        Assombrado, reparei, todavia, que a ginecologista improvisada subtraia ao vaso feminino somente pequena porção de carne inânime, porque a entidade reencarnante, como se a mantivessem atraída ao corpo materno forças vigorosas e indefiníveis, oferecia condições especialíssimas, adesa ao campo celular que a expulsava. Semidesperta, num pesadelo de sofrimento, refletia extremo desespero; lamentava-se com gritos aflitivos; expedia vibrações mortíferas; balbuciava frases desconexas.

        Não estaríamos, ali, perante duas feras terrivelmente algemadas uma à outra? O filhinho que não chegara a nascer transformara-se em perigoso verdugo do psiquismo materno. Premindo com impulsos involuntários o ninho de vasos do útero, precisamente na região onde se efetua a permuta dos sangues materno e fetal, provocou ele o processo hemorrágico, violento e abundante.

Observei mais.

        Deslocado indebitamente e mantido ali por forças incoercíveis, o organismo perispirítico da entidade, que não chegara a renascer, alcançou em movimentos espontâneos a zona do coração. Envolvendo os nódulos da aurícula direita, perturbou as vias do estimulo, determinando choques tremendos no sistema nervoso central.

        Tal situação agravou o fluxo hemorrágico, que assumiu intensidade imprevista, compelindo a enfermeira a pedir socorros imediatos, depois de delir, como pôde, os vestígios de sua falta.

        Odeio-o! odeio-o! — clamava a mente materna em delírio, sentindo ainda a presença do filho na intimidade orgânica. — Nunca embalarei um intruso que me lançaria à vergonha!

        Ambos, mãe e filho, pareciam agora, por dizer mais exatamente, sintonizados na onda de ódio, porque a mente dele, exibindo estranha forma de apresentação aos meus olhos, respondia, no auge da ira:

        — Vingar-me-ei! Pagarás ceitil por ceitil! não te perdoarei!... Não me deixaste retomar a luta terrena, onde a dor, que nos seria comum, me ensinaria a desculpar-te pelo passado delituoso e a esquecer minhas cruciantes mágoas... Renegaste a prova que nos conduziria ao altar da reconciliação. Cerraste-me as portas da oportunidade redentora; entretanto, o maléfico poder, que impera em ti, habita igualmente minhalma... Trouxeste à tona de minha razão o Iodo da perversidade que dormia dentro em mim. Negas-me o recurso da purificação, mas estamos agora novamente unidos e arrastar-te-ei para o abismo... Condenaste-me à morte, e, por isso, minha sentença é igual. Não me deste o descanso, impediste meu retorno à paz da consciência, mas não ficarás por mais tempo na Terra... Não me quiseste para o serviço do amor.... Portanto, serás novamente minha para a satisfação do ódio. Vingar-me-ei! Seguirás comigo!

        Os raios mentais destruidores cruzavam-se, em horrendo quadro, de espírito a espírito.

        Enquanto observava a intensificação das toxinas, ao longo de toda a trama celular, Calderaro orava, em silêncio, invocando o auxilio exterior, ao que me pareceu.  Efetivamente, daí a instantes, pequena turma de trabalhadores espirituais penetrou o recinto. O orientador ministrou instruções. Deveriam ajudar a desventurada mãe, que permaneceria junto da filha infeliz, até à consumação da experiência...

        ... Consumou-se para ambos doloroso processo de obsessão recíproca, de amargas conseqüências no espaço e no tempo, e cuja extensão nenhum de nós pode prever.

André Luiz

...Ama pobre criatura, por duas vezes sucessivas, provocou o aborto inconsciente pelo excesso de leviandades e, atualmente, será vitima das próprias irreflexões pela terceira vez, segundo parece. Debalde temos oferecido o socorro de que podemos dispor. A infeliz deixou-se empolgar pela idéia de gozar a vida e irmanou-se a entidades desencarnadas da pior espécie, que, para acentuar seus planos sombrios, separaram-na do próprio companheiro, ansiosas por lhe precipitarem o coração na esfera das emoções baixas.

        ... No sétimo mês de gestação da nova forma física, Espíritos colaboradores ficaram nas imediações, em serviço ativo, no sentido de evitar certas extravagâncias da futura mãe, projetadas para o dia; entretanto, não creio sejamos por ela obedecidos. A organização fetal não se encontra em condições de suportar novos desequilíbrios, e, se a pobrezinha não despertar para o dever, abrirá, ainda hoje, uma terceira falência.

     ...— Não sei — comentou um daqueles perversos inimigos do bem — por que arte infernal vem resistindo o intruso. Despejá-lo-emos na primeira oportunidade.

        — Quando isto ocorre — disse outro — é que há “mãos de anjos” trabalhando por trás.

        — Pois que vão para o inferno! — exclamou o que parecia mais cruel. — Veremos quem pode mais. Cesarina já nos pertence noventa por cento. Atende perfeitamente aos nossos propósitos. Por que um filho intrujão em nossos planos? É preciso combater até ao fim.

        — No entanto — considerou o terceiro, que, até então, se mantinha em silêncio —, há mais de seis meses estamos trabalhando em vão por alijá-lo!

André Luiz

TEXTO EXTRAÍDO DA COLEÇÃO DE LIVROS PSICOGRAFADOS POR CHICO XAVIER E WALDO VIEIRA – AUTORIA ESPIRITUAL DE ANDRÉ LUIZ.

(SÃO 16 LIVROS COMEÇANDO COM A FAMOSA OBRA: “NOSSO LAR”

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QUE ESTARÃO DESTA MANEIRA = VALE A PENA

I NOSSO LAR

II OS MENSAGEIROS

III MISSIONÁRIOS DA LUZ

IV OBREIROS DA VIDA ETERNA

V NO MUNDO MAIOR

VI AGENDA CRISTÃ

VII LIBERTAÇÃO

VIII ENTRE A TERRA E O CÉU

IX NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE

X AÇÃO E REAÇÃO

XI EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS

XII NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE

XIII CONDUTA ESPÍRITA

XIV SEXO E DESTINO

XV DESOBSESSÃO

XVI E A VIDA CONTINUA

Evolução e Sexo

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APARECIMENTO DO SEXO

Dobadas longas faixas de tempo, em que bactérias e células são experimentadas em reprodução agâmica, eis que determinado grupo apresenta no imo da própria constituição qualidades magnéticas positivas e negativas que lhe são desfechadas pelos orientadores Espirituais encarregados do progresso devido ao Planeta.

Pressente-se a evolução animal em vésperas de nascer...

André Luiz  (Uberaba, 2 de Fevereiro de 1958)

BACTÉRIA DIFERENCIADA

          De todas as espécies de bactérias já formadas, uma se destaca nos imensos depósitos de água doce sobre o leito pétreo do algonquiano.

É diferenciada de quantas se estiram sobre a Crosta Terrestre.

Não tem a característica absolutamente amebóide. Mostra configuração elipsoidal, como se fora microscópico bastonete ou girino, a que não falta leve radícula à feição de cauda.

É o leptótrix, que, em miríades de individuações, permanece por milhares de séculos nas rochas antigas, nutrindo-se simplesmente de ferro.

Quando se desvencilha da minúscula carapaça ferrosa em que se esconde, é instintivamente obrigado a nadar, até que outra carapaça semelhante o envolva.

Os Instrutores Espirituais valem-se da medida para impulsioná-lo à transformação.

         Perdendo os diminutos envoltórios metálicos e constrangidas a edificar abrigos idênticos que lhes atendam à necessidade de proteção, essas bactérias, que exprimem figura importante de junção no trabalho evolutivo da Natureza, são compelidas ao movimento, em que não apenas se atraem umas às outras, nos prelúdios iniciais da reprodução sexuada, mas em que conhecem, por acidente, a morte em massa, da qual ressurgem nos mesmos tratos de vida em que se encontram, sob a criteriosa atenção dos Condutores da Terra, para renascerem, após longo tempo de novas experimentações, na forma das algas verdes, inaugurando a comunhão sexual sobre o mundo.

André Luiz  (Uberaba, 2 de 1958)

( Ver: Eletricidade globular )

AS ALGAS VERDES  (Ver: Era geológica)

        Os biologistas dos últimos tempos costumam perguntar sem resposta se as algas verdes, proprietárias de estrutura particular, descendem das primitivas cianofíceas, de tessitura mais simples, nas quais a ficocianina, associada à clorofila, é o pigmento azulado de sua composição fundamental. O hiato existente, de que dá conta Hugo De Vries, ao desenvolver o mutacionismo, foi preenchido pelas atividades dos Servidores da Organogênese Terrestre, que submeteram a família do leptótrix a profundas alterações nos campos do espírito, transmutando-lhe os indivíduos mais completos, que reapareceram metamorfoseados nas algas referidas, a invadirem luxuriantemente as águas, instalando novo ciclo de progresso e renovação...

André Luiz  (Uberaba, 2 de 1958)

(Ver: Formação das algas )

CONCENTRAÇÕES FLUÍDICO-MAGNÉTICAS

          Ao toque dos Operários Divinos, a matéria_elementar fora no princípio transubstanciada em massa astronômica de eletrões e protões, que teceram o largo berço da vida humana em plena Vida Cósmica.  E ainda sob a inteligência deles, com a supervisão do Cristo de Deus, ...

  • semelhantes recursos baseiam a formação dos átomos em elementos,

  • combinam-se os elementos em conjuntos químicos,

  • abrem os conjuntos químicos lugar aos colóides,

  • mesclam-se os colóides em misturas substanciais, oferecendo ao princípio inteligente, oriundo da amplidão celeste, o ninho propício ao desenvolvimento.

          Eras imensas transcorreram; e esse princípio inteligente, destinado a crescer para a glória da vida, em dois planos distintos de experiência, quando se mostra ativado em constituição mais complexa, recebe desses mesmos Arquitetos da Sabedoria Divina os dons da reprodução mais complexa nos cromossomas, ou concentrações fluídico-magnéticas especiais, a se retratarem, através do tempo, pela reflexão constante, no campo celular, concentrações essas que, por falta de terminologia adequada no dicionário humano, baratearemos, quanto possível, comparando-as aos moldes fabricados para o serviço de fundição na oficina tipográfica.

          Os cromossomas, estruturados em grânulos infinitesimais de natureza fisiopsicossomática, partilham...

          E como acontece aos moldes tipográficos, que são formados de linhas para que se lhes expresse o sentido, também eles são constituídos pelos elementos chamados genes, o que lhes dá, tanto quanto ocorre ao alfabeto humano, a característica de imortalidade nas células que se renovam transmitindo às sucessoras as suas particulares disposições, nas mesmas circunstâncias em que, num texto tipográfico, as letras e os moldes podem viver, indefinidamente, no material destrutível e renovável, por intermédio do qual se conservam e se exprimem na memória das gerações.

Com o tempo, diferenciam-se os cromossomas nas províncias da evolução, segundo as espécies, como variam as criações do pensamento impresso, de acordo com os moldes tipográficos nas esferas da cultura.

          Os elementos germinativos são minuciosamente analisados e testados nas plantas, até que sofram transformações essenciais na química das algas_verdes, de cuja compleição caminham no rumo de mais amplos desdobramentos.

André Luiz  (Uberaba, 2 de 1958)

( Ver: BiogenéticaFecundação  e  Bióforos )

GENEALOGIA DO ESPÍRITO

          Os naturalistas situados no chão do mundo, desde os sacerdotes egípcios, que estudavam a origem da vida planetária em conchas fósseis, até os mais eminentes biólogos modernos, atreitos à unilateralidade de observação, compreensivelmente não conseguirão suprir as lacunas existentes no quadro da evolução, não obstante Cuvier, com a Anatomia Comparada, tenha traçado forma básica à sistemática da Paleontologia.

          Em verdade, porém, para não cairmos nas recapitulações incessantes, em torno de apreciações e conclusões que a ciência do mundo tem repetido à saciedade, acrescentaremos simplesmente que as leis_da_reprodução animal, orientadas pelos lnstrutores Divinos, desde o casulo ferruginoso do leptótrix, através da retração e expansão da energia nas ocorrências do nascimento e morte da forma, recapitulam ainda hoje, na organização de qualquer veículo humano, na fase embriogênica, a evolução filogenética de todo o reino animal, demonstrando que além da ciência que estuda a gênese das formas, há também uma genealogia do espírito. Com a Supervisão Celeste, o princípio_inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas doprotoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões depensamento contínuo para os Espaços Cósmicos.

André Luiz  (Uberaba, 2 de 1958)

(Ver: Gênese do espírito )

Quinze milhões de séculos = 1.500.000.000 (um bilhão e quinhentos milhões de anos).

Após o surgimento das galáxias, conforme estudos científicos atuais.

 

FILTROS DE TRANSFORMISMO

          O princípio_inteligente é experimentado de modos múltiplos no laboratório da Natureza, constituindo-se-lhe, pouco a pouco, a organização físico-espiritual, e traçando-se-lhe entre a Terra e o Céu a destinação finalista.

          Com o amparo dos Trabalhadores Divinos fixa em si mesmo os selos vivos da reprodutividade, que se definem e aperfeiçoam no regaço dos milênios, deixando na retaguarda, corno filtros de transformismo, não Somente os reinos mineral e vegetal, institutos de recepção e expansão da onda criadora da vida, em seu fluxo incessante, como também certas classes de organismos outros que passariam a coexistir com os elementos em ascensão, qual acontece ainda hoje, quando observamos ao lado da inteligência_humana, relativamente aprimorada, plantas e vermes que já existiam no pré-câmbrico inferior.

          Os tecidos germinais sofrem, por milhares de anos, provas continuadas para que se lhes possa aferir o valor e se lhes apure o adestramento.

          Formas monstruosas aparecem e desaparecem, desde os anelídeos aos animais de grande porte, por séculos e séculos, até que as espécies conseguissem acomodação nos próprios tipos.

          Entre as que chegam à luz e as que se fundem nas sombras, traçam-se parentescos profundos.

          Os cromossomas permanecem imorredouros, através dos centros_genésicos de todos os seres, encarnados e desencarnados, plasmando alicerces preciosos aos estudos filogenéticos do futuro.

André Luiz  (Uberaba, 2 de 1958)

DESCENDÊNCIA E SELEÇÃO

          É justo lembrar, no entanto, que os trabalhos gradativos da descendência e da seleção, que encontrariam em Lamarck e Darwin expositores dos mais valiosos, operavam-se em dois planos.

          As crisálidas de consciência dos reinos inferiores, mergulhadas em campo vibratório diferente pelo fenômeno da morte, justapunham-se às células renascentes que continuavam a servi-las, colhendo elementos de transmutação para a volta à esfera física, pela reencarnação compulsória, sob a orientação das Inteligências Sublimes que nos sustentam a romagem, circunstância que nos compele a considerar que o transformismo das espécies, como também a constituição de espécies novas, em se ajustando a funções fisiológicas, expansão e herança, baseiam-se no mecanismo e na química do núcleo e do citoplasma, em que as energias fisiopsicossomáticas se reúnem.

André Luiz  (Uberaba, 2 de 1958)

(Ver: Evolucionismo )

        Convictos desta realidade universal, não podemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto_sexual na Terra, qualquer que seja a sua forma de expressão, será destruída, senão transmudada no estado de sublimação. As manifestações dos próprios irracionais participam do mesmo impulso ascensional. Nos povos primitivos, a eclosão sexual primava pela posse absoluta. A personalidade integralmente ativa do homem dominava a personalidade totalmente passiva da mulher.

        O trabalho paciente dos milênios transformou, todavia, essas relações. A mulher-mãe e o homem-pai deram acesso a novos sopros de renovação do espírito. Com bases nas experiências sexuais,

  • a tribo converteu-se na família,

  • a taba metamorfoseou-se no lar,

  • a defesa armada cedeu ao direito,

  • a floresta selvagem transformou-se na lavoura pacifica,

  • a heterogeneidade dos impulsos nas imensas extensões de território abriu campo à comunhão dos ideais na pátria progressista,

  • a barbárie ergueu-se em civilização,

  • os processos rudes da atração transubstanciaram-se nos anseios artísticos que dignificam o ser,

  • o grito elevou-se ao cântico

  • e, estimulada pela força criadora do sexo, a coletividade humana avança, vagarosamente embora, para o supremo alvo do divino amor.

        Da espontânea manifestação brutal dos sentidos menos elevados a alma transita para gloriosa iniciação.

André Luiz

        Por vezes, a criatura demora-se anos, séculos, existências diversas de uma estação a outra.

  • Raras individualidades conseguem manter-se no posto da simpatia, com o equilíbrio indispensável.

  • Muito poucas atravessam a província da posse sem duelos cruéis com os monstros do egoísmo e do ciúme, aos quais se entregam desvairadamente.

  • Reduzido número percorre os departamentos do carinho sem se algemarem, por largo trecho, aos gnomos do exclusivismo.

  • E, às vezes, só após milênios de provas cruciantes e purificadoras, consegue a alma alcançar o zênite luminoso do sacrifício para a suprema libertação, no rumo de novos ciclos de unificação com a Divindade

André Luiz

        0 êxtase do santo foi, um dia, mero impulso, como o diamante lapidado — gota celeste eleita para refletir a claridade divina — viveu na aluvião, ignorado entre seixos brutos.  Claro está que, assim como se submete o diamante ao disco do lapidário, para atingir o pedestal da beleza, assim também o instinto_sexual, para coroar-se com as glórias do êxtase, há que dobrar-se:

  • aos imperativos da responsabilidade,

  • às exigências da disciplina,

  • aos ditames da renúncia.

André Luiz

  1. Estas conclusões, contudo, não nos devem induzir a programas de santificação compulsória no mundo carnal.

  2. Nenhum homem conseguiria negar a fase da evolução em que se encontra.

  3. Não podemos exigir que o hotentote inculto envergue a beca de um catedrático e se ponha, de um dia para outro, a ensinar o Direito Romano.

  4. Irrisório seria, pois, reclamar do homem de evolução mediana a conduta do santo.

        A Natureza, representação da Inesgotável Bondade, é mãe benigna que oferece trabalho e socorro a todos os filhos da Criação.  Sua determinação de amparar-nos é sempre tanto mais forte, quanto mais decidido é o nosso propósito de progredir na direção do Bem Supremo.

André Luiz

Grande parte de criaturas, contudo, havendo conquistado a razão, acima do instinto, permanecem nos desatinos da prepotência, seduzidas pelo capricho autoritário, famintas de evidência e realce, ainda que atidas a trabalho proveitoso e a paixões lies, muitas vezes... Pequeno grupo de homens e de mulheres, por fim, após atingir o equilíbrio sexual na zona instintiva do ser e depois de obter os títulos que lhes confere seu trabalho e com os quais dominam na vida, regendo as energias próprias, em pleno regime de responsabilidade individual, passam a fixar-se naregião sublime, na superconsciência, não mais encontrando a alegria integral no contentamento do corpo_físico ou na evidência pessoal; procuram alcançar os círculos mais altos da vida. absorvidos em idealismo superior; sentem-se no limiar de esferas divinas, já desde a estrada nevoenta da carne, à maneira do viajor que, após vencer caminhos ásperos na treva noturna, estaca, desajustado, entre as derradeiras sombras da noite e as promessas indefiníveis da aurora... Para esses,

  • o sexo,

  • a importância individual

  • e as vantagens do imediatismo terrestre são sagrados pelas oportunidades que oferecem aos propósitos de bem fazer; entretanto, no santuário de suas almas resplandece nova luz...

        A razão particularista converteu-se em entendimento universal. Cresceramlhes os sentimentos sublimados na direção do campo superior. Pressentem a Divindade e anseiam pela identificação com ela. São os homens e as mulheres que, havendo realizado os mais altos padrões humanos, se candidatam à angelitude...

André Luiz

        O sexo tem sido tão aviltado pela maioria dos homens reencarnados na Crosta que é muito difícil para as entidades espirituais, por enquanto, elucidar o raciocínio humano, com referência ao assunto. Basta dizer que a união sexual entre a maioria dos homens e mulheres terrestres se aproxima demasiadamente das manifestações dessa natureza entre os irracionais. No capítulo de relações dessa espécie, há muita inconsciência criminosa e indiferença sistemática às Leis_Divinas. Trata-se de um domínio de semibrutos, onde muitas inteligências admiráveis preferem demorar em baixas correntes evolutivas. É inegável que também na Terra funcionam as tarefas de abnegados construtores espirituais, que colaboram na formação básica dos corpos, destinados a servirem às entidades que reencarnam nesses círculos mais grosseiros. Entretanto, é preciso considerar que o serviço, em semelhante esfera, é levado a efeito em massa, com características de mecanismo primitivo. O amor, nesses planos mais baixos, é tal qual o ouro perdido em vasta quantidade de ganga, exigindo largo esforço e laboriosas experiências para revelar-se aos entendidos.

        Entre as criaturas, porém, que se encaminham, de fato, aos montes de elevação, a união sexual é muito diferente. Traduz a permuta sublime das energias perispirituais, simbolizando alimento divino para a inteligência e para o coração e força criadora não somente de filhos carnais, mas também de obras e realizações generosas da alma para a vida eterna.

André Luiz

segunda-feira, 29 de março de 2010

Comunicação com os mortos na Bíblia

Paulo da Silva Neto Sobrinho

A maior ignorância é a que não sabe e crê saber, pois dá origem a todos os erros que cometemos com nossa inteligência.
(SÓCRATES).

Tão surpreendente quanto a naturalidade das pessoas em emitirem juízo sobre algo que pouco sabem, é seu desinteresse em melhor informarem-se.
(LOEFFLER).

Se não se convencem pelos fatos, menos o fariam pelo raciocínio.
(KARDEC).

Introdução

Dentre vários outros, a comunicação com os chamados mortos é um dos princípios básicos do Espiritismo, inclusive podemos dizer que é um dos fundamentais, pois foi de onde surgiu todo o seu arcabouço doutrinário.

Na conclusão de O Livro dos Espíritos, Kardec argumenta que:

“Esses fenômenos ... não são mais sobrenaturais que todos os fenômenos aos quais a Ciência hoje dá a solução, e que pareceram maravilhosos numa outra época. Todos os fenômenos espíritas, sem exceção, são a conseqüência de leis gerais e nos revelam um dos poderes da Natureza, poder desconhecido, ou dizendo melhor, incompreendido até aqui, mas que a observação demonstra estar na ordem das coisas”. (p. 401).

Essa abordagem de Kardec é necessária, pois apesar de muitos considerarem tais fenômenos como sobrenaturais, enquanto que inúmeros outros os quererem como fenômenos de ordem religiosa, as duas teses são incorretas. A origem deles é espontânea e natural e ocorrem conforme as leis Naturais que regem não só o contato entre o mundo material e o espiritual, mas toda a complexa interação que mantém o equilíbrio universal. Por isso não precisaríamos relacioná-los, nem mesmo buscar comprovação de sua realidade, entre as narrativas bíblicas.

A Bíblia, apesar de merecer de todos nós o devido respeito, por ser um livro considerado sagrado por várias correntes religiosas, não é, nunca foi e jamais será um livro que contém todas as leis que regem o Universo, nem tão pouco o que acontece em função das leis naturais, portanto, divinas, já desvendadas pelo homem.

A Ciência vem, ao longo dos tempos, demonstrando a impossibilidade de serem verdadeiros certos fatos narrados pelos autores da Bíblia, como também, trazendo outros que nem supunham existir. A Terra como o centro do Universo, Adão e Eva como o primeiro casal humano, entre inúmeros outros pontos da Bíblia, que não poderão ser mais considerados como verdades, uma vez que a Ciência provou o contrário. A fertilização in vitro, a ida do homem ao espaço, a clonagem, o transplante de órgãos, esse computador com o qual estamos escrevendo, como milhares de outras maravilhas descobertas pela Ciência não se encontram profetizadas, em uma linha sequer, nas Escrituras Sagradas.

Apesar disso tudo, estaremos desenvolvendo esse estudo com a finalidade de constatar que a comunicação dos mortos está na Bíblia, não por nós, mas por aqueles que insistem em relacionar esses fenômenos como de cunho religioso e que, para serem verdadeiros, teriam que constar na Bíblia.

Passagens bíblicas para comprovação

A primeira coisa que teremos que buscar para apoio é algo que venha nos dar uma certeza da sobrevivência do espírito, pois ela é a peça fundamental nas comunicações. Leiamos:

  • Quanto a você [Abraão], irá reunir-se em paz com seus antepassados e será sepultado após uma velhice feliz. (Gn 15,15).
  • Quando Jacó acabou de dar instruções aos filhos, recolheu os pés na cama, expirou e se reuniu com seus antepassados. (Gn 49,33).
  • Eu digo a vocês: muitos virão do Oriente e do Ocidente, e se sentarão à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó. (Mt 8,11).
  • E, quanto à ressurreição, será que não leram o que Deus disse a vocês: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. (Mt 22,31-32).

Podemos concluir dessas passagens que há no homem algo que sobrevive à morte física. Não haveria sentido algum dizer que uma pessoa, após a morte, irá se reunir com seus antepassados, se não se acreditasse na sobrevivência do espírito. Além disso, para que ocorra a possibilidade de alguém poder “sentar à mesa no Reino do Céu junto com Abraão, Isaac e Jacó” teria que ser porque esses patriarcas estão tão vivos quanto nós. A não ser que Jesus tenha nos enganado quando disse, em se referindo a esses três personagens, que Deus é Deus de vivos.

Os relatos bíblicos nos dão conta que o intercâmbio com os mortos eram fatos corriqueiros na vida dos hebreus. Por outro lado, quase todos os povos, com quem mantiveram contato, tinham práticas relacionadas à evocação dos espíritos para fins de adivinhação, denominada necromancia. O Dicionário Bíblico Universal nos dá a seguinte explicação sobre ela:

Meio de adivinhação interrogando um morto. Babilônios, egípcios, gregos a praticavam. Heliodoro, autor grego do III ou do século IV d.C., relata uma cena semelhante àquela descrita em 1Sm (Etíope 6,14). O Deuteronômio atribui aos habitantes da Palestina “a interrogação dos espíritos ou a evocação dos mortos” (18,11). Os israelitas também se entregaram a essas práticas, mas logo são condenadas, particularmente por Saul (1Sm 28,3B). Mas, forçado pela necessidade, o rei manda evocar a sombra de Samuel (28, 7-25): patético, o relato constitui uma das mais impressionantes páginas da Bíblia. Mais tarde, Isaías atesta uma prática bastante difundida (Is 8,19): parece que ele ouviu “uma voz como a de um fantasma que vem da terra” (29,4). Manasses favoreceu a prática da necromancia (2Rs 21,6), mas Josias a eliminou quando fez sua reforma (2Rs 23,24). Então o Deuteronômio considera a necromancia e as outras práticas divinatórias como “abominação” diante de Deus, e como o motivo da destruição das nações, efetuada pelo Senhor em favor de Israel (18,12). O Levítico considera a necromancia como ocasião de impureza e condena os necromantes à morte por apedrejamento (19,31; 20,27). (Pág. 556).

Iremos ver, no decorrer desse estudo, algumas dessas passagens, mas, por hora, apenas destacaremos:

  • Não se dirijam aos necromantes, nem consultem adivinhos, porque eles tornariam vocês impuros. Eu sou Javé, o Deus de vocês.(Lv 19,31).
  • Quem recorrer aos necromantes e adivinhos, para se prostituir com eles, eu me voltarei contra esse homem e o eliminarei do seu povo. (Lv 20,6).
  • Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não apreenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao Senhor; e por tais abominações o Senhor teu Deus os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o Senhor teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal cousa. (Dt 18,9-14).

As três passagens acima dizem respeito à adivinhação e à necromancia – que é um tipo de adivinhação, conforme explicação, já citada, do dicionário –, devemos observar que elas se encontram entre as proibições. A preocupação central era proibir qualquer tipo de coisa relacionada à adivinhação, não importando por qual meio fosse realizada, como fica claro pela última passagem onde se diz“... estas nações, .... ouvem os prognosticadores e os adivinhadores...”, reunindo assim todas as práticas a essas duas.

Por outro lado, a grande questão a ser levantada é: os mortos atendiam às evocações ou não? Se não, por que da proibição? Seria ilógico proibir algo que não acontece. Teremos que tentar encontrar as razões de tal proibição. Duas podemos destacar. A primeira é que consideravam deuses os espíritos dos mortos, mais à frente iremos ver sobre isso, quando falarmos de 1Sm 28. Levando-se em conta que era necessário manter, a todo custo, a idéia de um Deus único, Moisés, sabiamente, institui a proibição de qualquer evento que viesse a prejudicar essa unicidade divina. As consultas deveriam ser dirigidas somente a Deus, daí, por forças das circunstâncias, precisou proibir todas as outras. A segunda estaria relacionada ao motivo pelo qual iam consultar-se aos mortos. Normalmente, eram para coisas relacionadas ao futuro, como no caso de Saul que iremos ver logo à frente, ou para situações até ridículas, quando, por exemplo, do desaparecimento das jumentas de Cis, em que Saul, seu filho, procura um vidente, para que ele dissesse onde poderiam encontrá-las.

A figura do profeta aparece como sendo a pessoa que tinha poderes para fazer consultas a Deus, ou receber da divindade as revelações que deveriam ser transmitidas ao povo. Em razão de querer a exclusividade das consultas a Deus, por meio dos profetas, é que Moisés disse que: “Javé seu Deus fará surgir, dentre seus irmãos, um profeta como eu em seu meio, e vocês ouvirão”. (Dt 18,15). Elucidamos essa questão com o seguinte passo: “Em Israel, antigamente, quando alguém ia consultar a Deus, costumava dizer: 'Vamos ao vidente'. Porque, em lugar de 'profeta', como se diz hoje, dizia-se 'vidente'”. (1Sm 9,9). O que é vidente senão quem tem a faculdade de ver os espíritos? Poderá, em alguns casos, ver inclusive o futuro, daí a idéia de que poderia prever alguma coisa, uma profecia, derivando-se daí, então, o nome profeta. Podemos confirmar o que estamos dizendo aqui nesse parágrafo, pela explicação dada à passagem Dt 18,9-22:

“Contrapõem-se nitidamente duas formas de profetismo ou de mediação entre os homens e Deus. O profetismo de tipo cananeu, com suas práticas para conhecer o futuro, ou vontade dos deuses (v.9-14), visava controlar a divindade, tornado-a favorável ao homem. Contra isso o Dt estabelece a mediação do ‘profeta como Moisés’ (v.15-22; cf. Ex 20,18-21), a cuja palavra, pronunciada em nome de Deus, o israelita deve obedecer”. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 217).

É interessante que, neste momento, venhamos a dizer alguma coisa sobre profeta. Buscaremos as informações com Dr. Severino Celestino, que nos diz:

A palavra profeta, em hebraico, significa “Navi”, no plural, “Neviim”. Apresenta ainda outros significados como “roê”(videntes). Veja I Samuel 9:9: “antigamente em Israel, todos os que iam consultar IAHVÉH assim diziam: vinde vamos ter com o vidente (roê); porque aquele que hoje se chama profeta (navi), se chamava outrora vidente (roê)”.

A palavra vidente, em hebraico, também significa (chozê), pois, consultando o texto original, encontramos citações que usam o termo (roê) sendo que outras citam (chozê), como veremos adiante. O vidente era, portanto, o homem a ser interrogado quando se queria consultar a Deus ou a um espírito e sua resposta era considerada resposta de Deus.

O termo profeta chegou ao português, derivado do grego (???) “prophétes” que significa “alguém que fala diante dos outros”. No hebraico, o significado é bem mais amplo, possui uma raiz acádica que significa “chamar”, “falar em voz alta”, e interpretam-no como “orador, anunciador”. (Analisando as Traduções Bíblicas, pp. 259-260). (Grifos do original).

Dito isso, podemos agora concluir que Moisés não era totalmente contra o profetismo (mediunismo), apenas era contrário ao uso indevido que davam a essa faculdade. Podemos, inclusive, vê-lo aprovando a forma com que dois homens a faziam, conforme a seguinte narrativa em Nm 11, 24-30:

Moisés saiu e disse ao povo as palavras de Iahweh. Em seguida reuniu setenta anciãos dentre o povo e os colocou ao redor da Tenda. Iahweh desceu na Nuvem. Falou-lhe e tomou do Espírito que repousava sobre ele e o colocou nos setenta anciãos. Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; porém, nunca mais o fizeram.

Dois homens haviam permanecido no acampamento: um deles se chamava Eldad e o outro Medad. O Espírito repousou sobre eles; ainda que não tivessem vindo à Tenda, estavam entre os inscritos. Puseram-se a profetizar no acampamento. Um jovem correu e foi anunciar a Moisés: “Eis que Eldad e Medad”, disse ele, “estão profetizando no acampamento”. Josué, filho de Nun, que desde a sua infância servia a Moisés, tomou a palavra e disse: “Moisés, meu senhor, proíbe-os!” Respondeu-lhe Moisés: “Estás ciumento por minha causa? Oxalá todo o povo de Iahweh fosse profeta, dando-lhe Iahweh o seu Espírito!” A seguir Moisés voltou ao acampamento e com ele os anciãos de Israel.

Fica claro, então, que pelo menos duas pessoas faziam dignamente o uso da faculdade mediúnica (profeta), daí Moisés até desejar que todos fizessem como eles.

Outro ponto importante que convém ressaltar é a respeito da palavra Espírito, que aparece inúmeras vezes na Bíblia. Mas afinal o que é Espírito? Hoje sabemos que os espíritos são as almas dos homens que foram desligadas do corpo físico, pelo fenômeno da morte. Assim, podemos perfeitamente aceitar que fora às vezes que atribuem essa palavra ao próprio Deus, todas as outras estão incluídas nessa categoria.

Tudo, na verdade, não passava de manifestações dos espíritos, que muitas vezes eram tomados à conta de deuses, devido a ignorância da época, coisa absurda nos dias de hoje.

Isso fica tão claro que podemos até mesmo encontrar recomendações de como nos comportar diante deles, para sabermos suas verdadeiras intenções. Citamos: “Amados, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus,...”(1 Jo 4, 1).

Disso pode-se concluir que era comum, àquela época, o contato com os espíritos. De fato, já que podemos confirmar isso com o Apóstolo dos gentios, que recomendou sobre o uso dos “dons” (mediunidade), conforme podemos ver em sua primeira carta aos Coríntios (cap. 14). Nela ele procura demonstrar que o dom da profecia é superior ao dom de falar em línguas (xenoglossia), pois não via nisso nenhuma utilidade senão quando, juntamente, houvesse alguém com o dom de interpretá-las.

Ao lado dos espíritos, também vemos inúmeras manifestações do demônio. Sobre ele, encontramos a seguinte informação, citada pela Dra. Edith Fiore, sobre o pensamento do historiador hebreu Flávio Josefo: “Os demônios são os espíritos dos homens perversos” (Possessão Espiritual, p. 29). Com isso as manifestações espirituais se ampliam, pois agora se nos apresentam os demônios como espíritos de seres humanos desencarnados, ficando, portanto, provado que a Bíblia está repleta de fenômenos mediúnicos. Onde há mediunidade haverá, conseqüentemente, manifestação espiritual, pouco importa a denominação que venha se dar aos que se apresentam aos encarnados,por essa via.

Vejamos, então, um caso específico relatado sobre uma consulta aos mortos. Chamamos a sua atenção para o motivo da consulta, que não poderá passar despercebido, visto o termos citado como uma das causas da proibição de Moisés. Leiamos:

Samuel tinha morrido. Todo o Israel participara dos funerais, e o enterraram em Ramá, sua cidade. De outro lado, Saul tinha expulsado do país os necromantes e adivinhos. Os filisteus se concentraram e acamparam em Sunam. Saul reuniu todo o Israel e acamparam em Gelboé. Quando viu o acampamento dos filisteus, Saul teve medo e começou a tremer. Consultou a Javé, porém Javé não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pela sorte, nem pelos profetas. Então Saul disse a seus servos: "Procurem uma necromante, para que eu faça uma consulta". Os servos responderam: "Há uma necromante em Endor". Saul se disfarçou, vestiu roupa de outro, e à noite, acompanhado de dois homens, foi encontrar-se com a mulher. Saul disse a ela: "Quero que você me adivinhe o futuro, evocando os mortos. Faça aparecer a pessoa que eu lhe disser". A mulher, porém, respondeu: "Você sabe o que fez Saul, expulsando do país os necromantes e adivinhos. Por que está armando uma cilada, para eu ser morta?" Então Saul jurou por Javé: "Pela vida de Javé, nenhum mal vai lhe acontecer por causa disso". A mulher perguntou: "Quem você quer que eu chame?" Saul respondeu: "Chame Samuel". Quando a mulher viu Samuel aparecer, deu um grito e falou para Saul: "Por que você me enganou? Você é Saul!" O rei a tranqüilizou: "Não tenha medo. O que você está vendo?" A mulher respondeu: "Vejo um espírito subindo da terra". Saul perguntou: "Qual é a aparência dele?" A mulher respondeu: "É a de um ancião que sobe, vestido com um manto". Então Saul compreendeu que era Samuel, e se prostrou com o rosto por terra. Samuel perguntou a Saul: "Por que você me chamou, perturbando o meu descanso?" Saul respondeu: "É que estou em situação desesperadora: os filisteus estão guerreando contra mim. Deus se afastou de mim e não me responde mais, nem pelos profetas, nem por sonhos. Por isso, eu vim chamar você, para que me diga o que devo fazer". Samuel respondeu: "Por que você veio me consultar, se Javé se afastou de você e se tornou seu inimigo?Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim: tirou de você a realeza e a entregou para Davi. Porque você não obedeceu a Javé e não executou o ardor da ira dele contra Amalec. É por isso que Javé hoje trata você desse modo. E Javé vai entregar aos filisteus tanto você, como seu povo Israel. Amanhã mesmo, você e seus filhos estarão comigo, e o acampamento de Israel também: Javé o entregará nas mãos dos filisteus". (1Sm 28,3-19)

Inicialmente, se diz que Saul consultou a Javé, como não obteve resposta, resolveu então procurar uma necromante para que, pessoalmente , pudesse consultar-se com um espírito. Isso foi o que dissemos sobre uma das razões da proibição de Moisés. Saul diante da necromante foi taxativo: quero que adivinhe o futuro evocando um morto. Aqui é o próprio rei que vai consultar-se com um morto, pelo motivo de querer saber o futuro. Se os mortos nunca tivessem revelado o futuro, estaria o rei numa situação ridícula dessa?

Mas Saul não desejava consultar-se com qualquer um espírito, queria especificamente a presença de Samuel. Após a evocação da mulher, o relato confirma que a necromante viu Samuel-espírito aparecer. Sem margem a nenhuma dúvida. Quando descreve o que vê o próprio Saul reconhece ser o profeta Samuel que estava ali. Fato confirmado, pela indubitável afirmativa de que foi o próprio Samuel quem fez uma pergunta a Saul. Após a resposta de Saul, novamente, Samuel responde ao que veio o rei saber.

Algumas Bíblias ao invés de “vejo um espírito subindo da terra” traduzem por “vejo um deus subindo da Terra”. A frase dessa maneira nos é explicada:

“A palavra hebraica para significar Deus, também designa os seres supra-humanos e, como neste caso, o espírito dos mortos. Havia a convicção de que os espíritos dos mortos estavam encerrados no sheol, e este se situaria algures por baixo da terra” (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 392).

Com isso, fica fácil entender por que Saul, após certificar-se de que Samuel-espírito estava ali, se prostra diante dele (v. 14). Atitude própria de quem endeusava os espíritos e, conforme já o dissemos anteriormente, esse foi um dos motivos pelo qual Moisés proibiu a comunicação com os mortos.

A frase “Javé fez com você o que já lhe foi anunciado por mim” tem a seguinte tradução em outras Bíblias: “O Senhor fez como tinha anunciado pela minha boca”, do que podemos concluir que naquele momento não estava falando pela sua boca, usava a boca da mulher, pela qual confirmou o que tinha falado a Saul quando vivo, não deixando então nenhuma dúvida que era mesmo Samuel-espírito quem estava ali. Estamos dizendo isso, porque com algumas interpretações distorcidas, bem à moda da casa, querem insinuar que quem se manifestou foi o demônio. A isso, poderemos, além do que já dissemos, colocar para corroborar nosso pensamento uma explicação dada a 28,15-19:

O narrador, embora não aprove o proceder de Saul e da mulher (v. 15), acredita que Samuel de fato apareceu e falou com Saul: isso Deus podia permitir. Logo, não é preciso pensar em manobra fraudulenta da mulher ou em intervenção diabólica.... (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 330).

Por outro lado, ninguém conseguirá provar que em algum lugar da Bíblia está dizendo que os demônios aparecem no lugar dos espíritos evocados. Assim, de modo claro e inequívoco, temos essa questão de que não são os demônios como definitivamente resolvida. Não bastasse isso, a própria Bíblia confirma o ocorrido quando falando a respeito de Samuel está dito: Mesmo depois de sua morte, ele profetizou, predizendo ao rei o seu fim. Mesmo do sepulcro, ele levantou a voz, numa profecia, para apagar a injustiça do povo”. (Eclo 46,20). Sabemos que os protestantes não possuem esse livro, mas como os católicos também afirmam que sua Bíblia não contém erros, pegamos a deles para a confirmação dessa ocorrência.

Ao que parece, a consulta aos mortos era fato tão corriqueiro, que, às vezes, era esperada, conforme podemos ver em Isaías:

Quando disserem a vocês: ‘Consultem os espíritos e adivinhos, que sussurram e murmuram fórmulas; por acaso, um povo não deve consultar seus deuses e consultar os mortos em favor dos vivos?’, comparem com a instrução e o atestado: se o que disserem não estiver de acordo com o que aí está, então não haverá aurora para eles”. (Is 8,19-20).

Isaías até sabia o que iriam dizer, realidade da época, com certeza. Quanto à expressão seus deuses, explicam-nos que equivale aos espíritos dos antepassados (Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria, pág. 950). O que vem reforçar a justificativa para a proibição de Moisés, que buscava fazer o povo hebreu aceitar o Deus único. Interessante que essa passagem irá nos remeter a uma outra, que fala exatamente dos antepassados, como uma explicação que nos ajudará a entendê-la. Vejamo-la:

Consulte as gerações passadas e observe a experiência de nossos antepassados. Nós nascemos ontem e não sabemos nada. Nossos dias são como sombra no chão. Os nossos antepassados, no entanto, vão instruí-lo e falar a você com palavras tiradas da experiência deles”. (Jó 8,8-10).

Considerando que à época não se tinha muita coisa escrita, e se tivesse talvez pouco adiantaria, pois poucos sabiam ler, só poderemos entender essa passagem como sendo uma consulta direta às gerações passadas. O que em bom Português significa que isso ocorria através da consulta aos seus deuses, em outras palavras, aos espíritos dos antepassados, que pessoalmente viam transmitir suas experiências. É notável que exatamente isso que está ocorrendo nos dias de hoje com os Espíritos, que, mesmo sem que tenham sido evocados para serem consultados, vêm livremente, com a permissão de Deus, é claro, nos passar as suas experiências pessoais, para que possamos aprender com elas, de modo que podemos evitar erros já cometidos por ignorância das leis divinas.

Uma coisa nós podemos considerar. Se ocorriam manifestações naquela época, por que não as aconteceria nos dias de hoje? Veremos agora a mais notável de todas as manifestações de espíritos que podemos encontrar na Bíblia, pois ela acontece, nada mais nada mesmos do que, com o próprio Cristo. Leiamos:

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz.Nisso lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra, e disse a Jesus: "Senhor, é bom ficarmos aqui. Se quiseres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias." Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra, e da nuvem saiu uma voz que dizia: "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz." Quando ouviram isso, os discípulos ficaram muito assustados, e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: "Levantem-se, e não tenham medo." Os discípulos ergueram os olhos, e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou-lhes: "Não contem a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos".(Mt 17,1-9).

Ocorrência inequívoca de comunicação com os mortos, no caso, os espíritos Moisés e Elias conversam pessoalmente com Jesus. E aí afirmamos que se fosse mesmo proibida por Deus, Moisés-espírito não viria se apresentar a Jesus e seus discípulos, já que foi ele mesmo, quando vivo, quem informou dessa proibição, e nem Jesus iria infringir uma lei divina. Portanto, a proibição de Moisés era apenas uma proibição particular sua ou de sua legislação de época. Os partidários do demônio ficam sem saída nessa passagem, pois não podem afirmar que foi o demônio quem apareceu para eles, já que teriam que admitir que Jesus foi enganado pelo “pai da mentira”.

Podemos ainda ressaltar que, depois desse episódio, Jesus não proibiu a comunicação com os mortos, só disse aos discípulos para não contassem a ninguém sobre aquela “sessão espírita”, até que acontecesse a sua ressurreição. E se ele mesmo disse: “tudo que eu fiz vós podeis fazer e até mais” (Jo 14,12) os que se comunicam com os mortos estão seguindo o exemplo de Jesus. Os cegos até poderão ficar contra, mas os de mente aberta não verão nenhum mal nisso.

Já encontramos pessoas que, querendo fugir do inevitável, afirmaram que Moisés e Elias não morreram, foram arrebatados. A coisa é tão séria, que, no afã de se justificarem, desvirtuam a realidade mudando até mesmo narrativas bíblicas, pois, até onde sabemos, existe a passagem falando da morte e sepultura de Moisés, o que poderá ser comprovado em Dt 34,5-8. Quanto a Elias é que se diz ter sido arrebatado. Acredite quem quiser. Mas o que faremos com o corpo físico na dimensão espiritual? “O espírito é que dá vida a carne de nada serve” (Jo 6,63), “a carne e o sangue não podem herdar o reino do céu” (1Cor 15,50). São passagens que contradizem peremptoriamente um suposto arrebatamento de Elias de corpo e alma.

Por várias vezes, Jesus apresentou a seus discípulos ensinamentos por meio de parábolas. Há uma que poderemos citar, pois nela encontramos algo que irá nos auxiliar no entendimento daquilo que propomos. Vejamos:

Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino, e dava banquete todos os dias. E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E ainda vinham os cachorros lamber-lhe as feridas. Aconteceu que o pobre morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico, e foi enterrado. No inferno, em meio aos tormentos, o rico levantou os olhos, e viu de longe Abraão, com Lázaro a seu lado. Então o rico gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque este fogo me atormenta'. Mas Abraão respondeu: 'Lembre-se, filho: você recebeu seus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males. Agora, porém, ele encontra consolo aqui, e você é atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, nunca poderia passar daqui para junto de vocês, nem os daí poderiam atravessar até nós'. O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não acabem também eles vindo para este lugar de tormento'. Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os profetas: que os escutem!' O rico insistiu: 'Não, pai Abraão! Se um dos mortos for até eles, eles vão se converter'. Mas Abraão lhe disse: 'Se eles não escutam a Moisés e aos profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos'. (Lc 16,19-31).

Poderemos tirar várias reflexões dessa parábola, mas nos restringiremos ao assunto deste estudo. Uma pergunta nos vem à mente: se não acreditassem na comunicação entre os dois planos, por que então o rico pede a Abraão para enviar Lázaro para alertar a seus irmãos? Da análise da resposta de Abraão podemos dizer que há a possibilidade da comunicação, entretanto, ela é completamente inútil, pois se nem aos vivos as pessoas deram ouvidos, que dirá aos mortos. Fato incontestável, que vem acontecendo até nos dias de hoje, já que a grande maioria prefere ignorar a comunicação dos mortos, que vêm nos alertar para que transformemos as nossas ações, de modo que beneficiem ao nosso próximo, a fim de evitar que, depois da morte física, tenhamos que ir para um lugar de tormentos.

A expressão “mesmo que um dos mortos ressuscite” significa que mesmo que algum dos mortos ressuscite na sua condição espiritual, para se comunicar, que eles não se convenceriam. Mas alguém pode objetar dizendo que esse texto implica na necessidade de uma ressurreição corpórea para que ocorra esta comunicação. Isto é um subterfúgio, já que na própria Bíblia encontramos indícios de que o termo ressurreição também era usado para indicar a influência dos mortos sobre os vivos, conforme podemos confirmar no seguinte passo: “Alguns diziam: ‘João Batista ressuscitou dos mortos. É por isso que os poderes agem nesse homem’”. (Mt 14,2; Mc 6,14).

Quem já teve a oportunidade de ler a Bíblia, pelo menos uma vez, percebe que ela está recheada de narrativas com aparições de anjos. Na ocasião da ressurreição de Jesus algumas delas nos dão conta do aparecimento, junto ao sepulcro, de anjos vestidos de branco” (Jo 20,12; Mt 28,2), enquanto que outras nos dizem ser homens vestidos de branco” (Lc 24,4; Mc 16,5). Demonstrando que anjos, na verdade, são espíritos humanos de pessoas desencarnadas. Até mesmo os nomes dos anjos são nomes dados a seres humanos: Gabriel, Rafael, Miguel, etc. Vejamos se isso é coerente.

Nesse tempo, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja, e mandou matar à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isso agradava aos judeus, decidiu prender também Pedro. Eram os dias da festa dos pães sem fermento. Depois de o prender, colocou-o na prisão e o confiou à guarda de quatro grupos de quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentar Pedro ao povo logo depois da festa da Páscoa. Pedro estava vigiado na prisão, mas a oração fervorosa da Igreja subia continuamente até Deus, intercedendo em favor dele. Herodes estava para apresentar Pedro. Nessa mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados. Estava preso com duas correntes, e os guardas vigiavam a porta da prisão. De repente, apareceu o anjo do Senhor, e a cela ficou toda iluminada. O anjo tocou o ombro de Pedro, o acordou, e lhe disse: "Levante-se depressa." As correntes caíram das mãos de Pedro. E o anjo continuou: "Aperte o cinto e calce as sandálias." Pedro obedeceu, e o anjo lhe disse: "Ponha a capa e venha comigo." Pedro acompanhou o anjo, sem saber se era mesmo realidade o que o anjo estava fazendo, pois achava que tudo isso era uma visão. Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão se abriu sozinho. Eles saíram, entraram numa rua, e logo depois o anjo o deixou. Então Pedro caiu em si e disse: "Agora sei que o Senhor de fato enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu queria me fazer." Pedro então refletiu e foi para a casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitos se haviam reunido para rezar. Bateu à porta, e uma empregada, chamada Rosa, foi abrir. A empregada reconheceu a voz de Pedro, mas sua alegria foi tanta que, em vez de abrir a porta, entrou correndo para contar que Pedro estava ali, junto à porta. Os presentes disseram: "Você está ficando louca!" Mas ela insistia. Eles disseram: "Então deve ser o seu anjo!" Pedro, entretanto, continuava a bater. Por fim, eles abriram a porta: era Pedro mesmo. E eles ficaram sem palavras. (At 12,1-16).

Com a prisão de Pedro, por Herodes, todos já esperavam que aconteceria com ele o mesmo destino de Tiago, seria morto. Mas um anjo o solta. Ele se dirige à casa onde os outros estavam reunidos, bate à porta. Rosa, que atende a porta, reconhece a voz de Pedro, espavorida corre para dentro a fim de contar aos outros. Entretanto, como supunham que Pedro havia morrido disseram a ela: “Então deve ser o seu anjo”. Isso vem dizer exatamente o que estamos querendo concluir, que anjo, na verdade, é um espírito de um ser humano que morreu, o que não contradiz a narrativa, antes ao contrário, lhe é extremamente coerente.

Conclusão

Ao que podemos concluir, sem sombra de dúvidas, é que realmente a comunicação com os mortos está comprovada pela Bíblia, por mais que se esforcem em querer tirar dela esse fato.

Apenas para reforçar tudo o quanto já dissemos do que encontramos na Bíblia, poderemos ainda enumerar as pesquisas que estão sendo realizadas sobre a comunicação dos espíritos por aparelhos eletrônicos: a Transcomunicação Instrumental – TCI. Buscamos comprovar com isso que, conforme o dissemos no início, tais ocorrências, são de ordem natural, dentro, portanto, das leis da natureza, que acontecem até os dias de hoje e que elas vêm despertando grande interesse por parte de inúmeros pesquisadores descompromissados com dogmas religiosos.

A pesquisadora Sonia Rinaldi, em seu livro Espírito – O desafio da Comprovação, traz gravações de vozes paranormais. Muitas possuem a particularidade de terem sido gravadas também, e simultaneamente, no lado reverso da gravação normal. Isso vem colocar as coisas num nível bem próximo da prova científica, pois ainda não existe tecnologia humana para produzir gravações desse tipo. Resta-nos esperar que cientistas, menos compromissados com dogmas religiosos, se disponham a realizar essas pesquisas com o rigor científico, com todo o controle e instrumentação técnica necessária para se chegar a uma conclusão final e definitiva.

Agosto/2004.

Referências bibliográficas:
  • Bíblia de Jerusalém, 1ª ed. São Paulo: Paulus, 2002.
  • Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, s/e. São Paulo: Paulus, 1990.
  • Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.
  • Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.
  • Bíblia Sagrada, 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989
  • FIORE, E., Possessão Espiritual, São Paulo: Pensamento, 1995.
  • MONLOUGOU L.; DU BUIT, F.M. Dicionário Bíblico Universal, Aparecida-SP: Santuário; Petrópolis-RJ: Vozes, 1996.
  • RINALDI, S. Espírito – O desafio da Comprovação. São Paulo: Elevação, 2000.

sábado, 27 de março de 2010

EQM – EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE - FILMES

EQM - Experiências de quase-morte

http://www.guia.heu.nom.br

            O termo experiência de Quase-Morte (EQM) refere-se a um conjunto de sensações freqüentemente associadas a situações de morte iminente que podem ocorrer em:

    • doentes terminais,
    • pacientes morituros
    • e sobreviventes da morte clínica.

            A EQM, juntamente com os relatos de:

            Creio que a EQM não seja simplesmente um vislumbre do que ocorre após_a_morte_física, mas uma oportunidade divina, um chamamento de DEUS para uma correção de rota, ou seja, uma chance oferecida para alguns de reflexão sobre as suas vidas, sobre o que realizaram ou deixaram de fazer, o que estava programado na sua caminhada terrena.

    • A recapitulação da vida;

    • o encontro com o Ser de luz;

    • os ensinamentos;

    • as modificações fisiológicas e psicológicas experimentadas pelas pessoas reforçam esta hipótese.

    • Além do conhecimento que adquiriram, num período curto do tempo terreno, as pessoas que passam por uma EQM voltam com as suas energias recarregadas, com um novo sentido da vida, para aplicar melhor as potencialidades divinas de que são possuidoras.

            A maneira como enfrentam as mudanças, no exercício do livre arbítrio, norteará todo o progresso de readaptação à nova vida.

    http://www.amebrasil.org.br/portugues/artigosj.htm

            Graças ao fantástico progresso do conhecimento médico e das técnicas de ressuscitação, cada vez mais um número maior de pessoas vem sobrevivendo a situações clínicas graves, muitas vezes diagnosticadas como morte clínica. Os relatos que uma grande parte dessas pessoas fazem daquilo que viram, ouviram e sentiram durante aqueles instantes em que eram consideradas “quase mortas” e recebiam atendimento médico, apresenta uma nova visâo da morte e da própria vida. Elas falam da certeza de terem vívenciado uma realidade em outro plano da existência, sendo que a maioria descreve...

    • experiências extraordinárias de paz e plenitude,
    • recapitulações de suas vidas,
    • encontros com seres de luz carregados de compaixào, amor e compreensao.

    José Roberto Pereira Santos

            A dificuldade com informações anteriores sobre experiências de quase-morte foi que, embora tenham sido descritas por muitas pessoas que de fato estiveram próximas da morte, o potencial completo da experiências de quase-morte não foi compreendido pelos cientistas, os quais a enxergaram como apenas mais um outro estado mental, que poderia ser facilmente explicado por nossa corrente compreensão científica do funcionamento do cérebro.
            Foram precisos o conhecimento, a compreensão e a sensibilidade do Dr. Sam Parnia para ver o potencial completo da experiência de quase-morte (EQM) e a contribuição que ela poderia dar ao nosso entendimento da morte e de seu processo. Ele também percebeu o problema crucial enfrentado atualmente pela neurociência: a_natureza_da_consciência. Sua profunda contribuição foi a de que nossa melhor compreensão sobre a morte pode ser alcançada ao estudar apenas experiências de quase-morte que ocorreram durante uma parada cardíaca, quando o coração pára e após 11 segundos a consciência e a atividade elétrica cerebral cessam, então nenhuma área de função cerebral permanece para manter a consciência. Até os sistemas mais básicos de manutenção da vida são destruídos; reflexos de respiração, freqüência cardíaca e cerebrais estão completamente ausentes — um estado equivalente à morte clínica. O Dr. Parnia percebeu que esse estado, que permanece reversível por cerca de 30 minutos, é o modelo mais próximo de que a ciência dispõe do processo da morte, e fornece um brecha excepcional de compreensão para aquilo que experimentamos como o fim da vida.
    Uma das características mais interessantes da experiência de quase-morte, durante uma parada cardíaca, é que, na recuperação, os pacientes algumas vezes relatam terdeixado_seus_corpos e assistirem ao processo de ressuscitação. Embora muitos pesquisadores tenham contestado a veracidade disso, alguns trabalhos sugeriram que muitas dessas narrativas descrevem com precisão o que de fato ocorreu. Essa evidência anedótica sugere que enquanto o funcionamento do cérebro estava ausente, o paciente não apenas teve experiências como também foi capaz de se lembrar delas, mesmo na ausência dos processos cerebrais. Essa é uma possibilidade surpreendente.
            Para a ciência, a pergunta mais importante é: será que a experiência de quase-morte ocorre e a consciência se mantêm quando todas as funções cerebrais estão ausentes — algo que a neurociência atual considera impossível —, ou será que a experiência de quase-morte acontece tanto antes quanto depois da parada cardíaca, embora seja interpretada por quem a expermenta como acontecendo durante a inconsciência?
            As recentes descobertas são tão alarmantes quanto intrigantes, e podem conter a chave para a descoberta do que acontece não apenas quando morremos, mas também para a questão mais ampla da natureza do ser.

    Dr. Peter Fenwick, bacharel em Medicina e Cirurgia, membro do Royal College ofPsychiatrists, consultor neuropsiquiátrico e neurofisiológico do Instituto de Psiquiatria de Londres.
    Neuropsiquiatra e neurofisiologista do King"s College Hospital em Londres, amplamente conhecido como autoridade in ternacional sobre a mente e o cérebro.
    Autor do livro The Trutb in the Light, um exame crítico de mais de 300 casos de experiência de quase-morte, selecionados entre aproximadamente três mil.

    Gostaria de ressaltar que este não é um livro apenas a respeito das experiências de quase-morte. Na verdade, minha área de interesse é o estudo objetivo da mente humana, do cérebro e da consciência durante a morte clínica e “real”. Uma vez que as origens desse estudo se baseiam na descoberta dessas experiências, há invariavelmente muitas referências a tais experiências no livro. No entanto, ele objetiva ir além desse assunto e estudar as “experiências reais de morte”, que é um termo mais correto para designar o que estamos pesquisando atualmente.

    Sam Parnia
    8 de novembro de 2007


    Dr. Sam Parnia é um dos maiores especialista do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e dasexperiências de quase-morte. Divide seu tempo entre os hospitais do Reino Unido e a Cornell University, em Nova York, onde é membro da Unidade de Cuidado Pulmonar. É fundador do Grupo de Investigação da Consciência, na Universidade de Southampton, e presidente da Horizon Research Foundation. Também conduz um estudo científico inovador, em parceria com inúmeros centros médicos do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Canadá, que objetiva descobrir, através da ciência, o que acontece quando morremos.

            O Dr. Peter Fenwick e eu recebemos o auxílio em 2004 de Ken Searpoint, um brilhante especialista em ressuscitação do Hospital Hammersmith em Londres. Um ano antes, enquanto ainda na Universidade de Southampton, nós havíamos formado o Grupo de Pesquisa em Consciência com os especialistas Setephen Holgate e Robert Peveler (Psiquiatria). Hoje em dia, nossa rede de relações inclui nomes como:

    • Bruce Greyson (Psiquiatria) da Universidade de Virginia, nos EUA,
    • Dr. Mano Beauregard (Neurociência), da Universidade de Montreal, no Canadá,
    • Roland Beisteiner (Neurociência, Universidade de Viena),
    • Douglas Chamberlain (Cardiologia e Medicina de Ressuscitação),
    • Jan Holden (Conselheiro), da Universidade do Texas, EUA,
    • o Dr. Penny Sartori (Enfermagem de Cuidados), no Morriston Hospital, Reino Unido,
    • e Saiu Lovett (Enfermagem de Cuidados), do Stevenage Hospital, no Reino Unido, bem como as seguintes pessoas que trabalham no campo de ressuscitação no Reino Unido:
      • Niki Fallowfield, do Southampton General Hospital,
      • Susan Jones, do Addenbrookes Hospital/ Universidade de Cambridge,
      • Celia Warlow, do Northampton General Hospital,
      • Leanne Smythe e Paula McLean, do St. George’s Hospital, Universidade de Londres,
      • Paul Wills e Laura Wilkins, St. Peter’s Hospital,
      • Russell Metcalfe Smith, Mayday Hospital, Londres,
      • Hayley Killingback, Royal Bournemouth Hospital,
      • e Sue Collins, do Bedford Hospital. 

    Tenho de enfatizar que, embora as coisas pareçam bastante promissoras, tanto em termos de colaboração quanto de estudo, que continuam a se expandir, nós estamos bem no começo do processo e não no final.

    Dr. Sam Parnia Em seu livro o Dr. Sam Parnia analisa as teorias propostas para explicar as causa das EQMs:

    • Teoria do cérebro: Alucinações
      • O papel do oxigênio
      • O papel do dióxido de carbono
      • O papel das drogas
      • O papel dos receptores e químicos do cérebro
    • Teorias psicológicas
      • Despersonalização
      • Dissociação
    • Teorias transcendentais

            E conclui que nenhuma das teorias tinha sido testada cientificamente, e uma abordagem totalmente nova era necessária.


    Raymond A. Moody Jr., M.D.

    O QUE ACONTECE
    QUANDO UMA PESSOA MORRE?
    Uma pesquisa séria e impressionante do fenômeno da sobrevivência à morte física.
    Dramáticas experiências reais de pessoas declaradas clinicamente "mortas"!
    Relatos tão semelhantes, tão reais, tão esmagadoramente positivos, que poderão mudar a visão da humanidade sobre a vida, a morte e a sobrevivência eterna do espírito.
    O Dr. Raymond Moody conduziu um estudo envolvendo mais de uma centena de indivíduos que experimentaram a morte clínica e reviveram. Os relatos de suas experiências são espantosamente semelhantes em seus detalhes e fornecem uma prova incontestável da sobrevivência do espírito humano depois da morte. Este livro vem confirmar o que nós temos pensado durante dois mil anos: que existe vida depois da morte!

            A pesquisa, como a que o Dr. Moody nos apresenta no seu livro, é que nos esclarecerá muitas questões e confirmará o que nos tem sido ensinado há dois mil anos: quehá_vida_depois_da_morte. Embora o Dr. Moody não pretenda ter estudado a própria morte, fica evidente, pelas suas descobertas, que o paciente moribundo continua a ter informação consciente do seu ambiente depois de ter sido declarado clinicamente morto. Isso coincide em muito com a minha própria pesquisa, que utilizou relatos de pacientes que morreram e vieram de volta, totalmente contra nossas expectativas e muitas vezes para surpresa de alguns médicos bem conhecidos, altamente especializados e certamente competentes.
            Todos esses pacientes experimentaram o ato de flutuar para fora de seus corpos físicos, associado com uma grande sensação de paz e totalidade. Muitos estavam cônscios de outra pessoa que os ajudava em sua transição para outro plano de existência. A maioria foi saudada por pessoas amadas que tinham morrido antes, ou por alguma figura religiosa que tinha sido significativa durante suas vidas e que coincidia, naturalmente, com suas próprias crenças religiosas. Foi esclarecedor ler o livro do Dr. Moody no momento em que me preparo para pôr no papel os resultados de minha própria pesquisa.
            O Dr. Moody deve estar preparado para um bocado de críticas, vindas principalmente de duas áreas.

    • Haverá membros do clero que ficarão perturbados por quem quer que ouse pesquisar uma área supostamente tabu. Alguns representantes de uma seita religiosa já expressaram seu descontentamento diante de estudos como este. Um sacerdote referiu-se a “vender barato a graça". Outros sentem simplesmente que a questão da vida depois da morte deve permanecer uma questão de fé cega, não posta em dúvida por ninguém.
    • O segundo grupo de pessoas do qual o Dr. Moody pode esperar que reajam ao seu livro com preocupação são os cientistas e os médicos que encaram estudos deste tipo como algo “não-científico”.

            Penso que alcançamos uma era de transição em nossa sociedade. É preciso ter a coragem de abrir novas portas e admitir que nossos instrumentos científicos atuais são inadequados para muitas dessas novas investigações. Penso que este livro abrirá essas novas portas para pessoas capazes de manter a mente aberta, e que lhes dará esperanças e coragem de avaliar novas áreas de pesquisa. Elas saberão que este relato do Dr. Moody é verdadeiro, e que foi escrito por um investigador autêntico e honesto. É também corroborado pela minha própria pesquisa e pelos resultados de outros que pensam com seriedade: cientistas, eruditos e membros do clero que têm tido a coragem de investigar este novo campo de pesquisa na esperança de ajudar aqueles que precisam saber mais do que acreditar. (Ver: Fé raciocinada)

    Recomendo este livro a qualquer um que tenha a mente aberta, e congratulo o Dr. Moody pela coragem de publicar seus resultados.
    Elisabeth Kubler-Ross, doutora em medicina.
    Flossmoor, Illinois.

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            Autoridade mundialmente reconhecida no estudo de experiências de quase-morte – autor de A vida além da vida e A Luz que vem do Além, publicadas no Brasil pela Butterfly Editora – é psicólogo e leciona na Universidade de Nevada, Las Vegas, onde ocupa a Bigelow Chair of Consciousness Studies.
    Raymond A. Moody Jr. é também o autor de Light beyond e Reflections on life after life. Nessas obras, prossegue seus estudos e experiências pioneiras sobre avida_depois_da_morte do corpo físico.
            Em A vida depois da vida – livro lançado nos Estados Unidos no ano de 1975, que já superou a casa dos treze milhões de exemplares – as pesquisas de Moody se complementam em considerações que se aprofundam, num fascinante estudo que amplia os horizontes da humanidade. Seu trabalho pioneiro foi marcante: hoje, inúmeras faculdades de medicina norte-americanas promovem cursos sobre os aspectos espirituais da morte.
            No prefácio de A vida depois da vida, Melvin Morse, M.D., declara: “Quando o livro do doutor Moody foi publicado pela primeira vez, os cientistas médicos riram e descartaram asexperiências de quase-morte, rotulando-as como alucinações. Vinte e nove anos depois, a ciência está agora do lado do doutor Moody. Eu não conheço um único pesquisador científico importante que não tenha chegado a conclusões similares. Foram feitas três principais revisões das experiências de quase-morte na literatura científica dos últimos onze anos, e todas concordam com as descobertas iniciais do doutor Moody”.

    http://www.petit.com.br/site/biografia.asp?codautor=39

    Os primeiros estudos científicos

            O estudo científico das EQM, ou Síndrome de Lázaro como alguns nomeiam, tem seu primeiro relato científico em 1892 por Hein na Suiça, mas só começou a vincular na esfera científica a partir de 1975 pelos estudos de Raymond Moody quando também foi cunhado o termo EQM (Reflections on Life After Life. St. Simon's Island, GA: Mockingbird Books, 1977), mas relatos deste fatos existem em praticamente todas as culturas e desde de remotas épocas.
            E como é criada toda essa vivência? Várias hipóteses trata sobre o assunto: produtos de imaginação construído com fatos já vividos pelas pessoas, reflexos de crenças e características culturais, ressurgimento de memória do próprio nascimento, resultado de hipoxia (baixos níveis de oxigênio) ou hipercapnia (altos níveis de gás carbônico) ou intoxicação por drogas (remédios, anestésicos, metabólitos) ou ainda neurotrasmissores (opióides, glutamato, quetamina) agindo em receptores NMDA; todas alterando ou por alteração do sistema límbico (sistema envolvido com emoções e memória) ou estruturas do lobo temporal específicas (como amigdala ou hipocampo, por exemplo), lobo frontal (envolvido com comportamento) ou tálamo (circuito neural de conecção de informações).
            Vários destes estudos tentando associar anatomicamente ou retrospectivamente fatos passados (traumas psíquicos, traumas físicos, tipo de nascimento, sensações vivenciadas por pilotos de caça), condições patológicas (epilepsia de lobo temporal, doenças psiquiátricas) ou mesmo experiências controladas (como a estimulação de áreas cerebrais) sempre acabaram reproduzindo apenas algumas sensações, produzindo sensações que não são compatíveis com a EQM ou descartando completamente algumas hipóteses.
            Mas questões como o relato de fatos que ocorreram, detalhados física e temporalmente, bem como relato de fatos futuros que se confirmam, ou mais enfaticamente o relato de Sabom (1998) de uma EQM em uma mulher com diagnóstico de morte cerebral que descreveu com detalhes toda a cirurgia, levam a questão a possibilidade de uma consciência exterior ao corpo, um modelo mente/cérebro que foge do questionamento neurocientífico por preconceitos entre religião e ciência, mas que se mostra plausível para justificar certos fenômenos e como tantos outros, que foram confirmados ou descartados, devem ser levados em consideração em nome de uma ciência que busca a explicação mais verossímil da realidade. Bruce Greyson, renomado pesquisador do assunto, coloca que apenas as investigações de experiências extraordinárias que trouxeram a mudança da física newtoniana para a física moderna que vemos hoje

    www.amebrasil.org.br/html/PERSEVERAI_DEZ_2007.doc

           Foi somente em meados dos anos 1970 que os estudos sobre a mente humana, durante o processo da morte, começaram a entrar nos círculos científicos. Antes disso, era considerado apenas um assunto religioso e filosófico, O interesse da comunidade científica havia começado quando Ray Moody, um médico americano e palestrante universitário aposentado em filosofia, publicou seu livro Life After Life, em 1975. Neste trabalho, Moody tinha coletado cerca de 150 depoimentos de sobreviventes às experiências de quase-morte. Notavelmente, ele descobriu que todos eles descreviam experiências semelhantes. Essas incluíam:

            Nessa hora, as pessoas estavam inconscientes. As experiências tinham provocado um efeito positivo em suas vidas, deixando-as mais respeitosas, religiosas e com menos medo da morte.Moody cunhou isto de “experiências de quase-morte”.
            No início do livro, Moody tinha fornecido uma experiência “ideal” ou “completa” da morte, “modelo teorético”, baseado nas características das EQM. Ele enfatizou que isso não era a experiência particular de uma pessoa, mas sim um modelo ou composição de características comumente encontradas nas EQMs:
            “Um homem está morrendo e, enquanto alcança o grande ponto de aflição fisica,...

    • ele ouve de seu médico que está morto.
    • Ele começa a ouvir um barulho desconfortável, um zumbido bem alto, e ao mesmo tempo sente-se movimentar-se rapidamente através de um longo corredor escuro.

    • Depois disso, ele se encontra fisicamente liberto de seu próprio corpo, mas ainda no ambiente flsico, e vê seu corpo à distância, como se fosse um espectador.
    • Ele assiste à tentativa de ressuscitação a partir de seu ponto de vista completamente incomum, e num estado de sublevação emocional.
    • Depois de um tempo, ele se centra em si mesmo e se torna mais confortável nesta condição estranha.
    • Nota que ainda possui um corpo, mas de natureza muito diferente, e com muitos poderes diferentes de seu corpo flsico deixado para trás.
    • Logo, outras coisas começam a acontecer.
    • Outros se aproximam para encontrá lo e ajudá-lo.
    • Ele vê os espíritos dos parentes e amigos que já morreram, e um espírito muito caloroso e amável que ele nunca havia encontrado antes — um ser de luz — aparece diante dele. O ser lhe pergunta alguma coisa, não verbalmente, para fazê-lo avaliar sua vida e o auxilia mostrando-lhe uma visão panorâmica, sumarizada, dos grandes eventos dela.

    • Em algum momento, ele se vê cada vez mais próximo de uma espécie de barreira, ou fronteira, aparentemente representando o limite entre a vida terrestre e a próxima vida.

    • Ainda assim, percebe que deve voltar à Terra, que a hora de sua morte ainda não chegou.
    • Neste ponto, ele resiste, porque está tomado pelas experiências do pós-vida e não deseja voltar.
    • Está extasiado pelos sentimentos de alegria, de amor e de paz.
    • A despeito de sua atitude, no entanto, de alguma forma ele se reúne a seu corpo flsico e revive.

            Mais tarde, ele tenta contar aos outros, mas tem problemas ao fazê-lo. Em primeiro lugar, não consegue encontrar palavras terrestres para expressar aquilo que viu e que sentiu. Ele também acha que os outros ao redor zombam dele, então pára de contar. Ainda assim, a experiência afeta profundamente sua vida, especialmente suas visões da morte e seu relacionamento com a vida.”
    Moody também observou que muitas pessoas que tiveram uma EQM não passaram por todos os eventos descritos acima. Elas podem ter se lembrado de apenas um deles, de alguns talvez. Também o lugar onde os eventos acontecem variou — alguém pode ter tido uma experiência fora de seu corpo fisico no começo de sua EQM, por exemplo, enquanto outras pessoas podem ter visto a luz brilhante no início e ter uma experiência fora do corpo no fim.

            Alguns fatos devem ser estabelecidos com a finalidade de colocar o restante da minha exposição sobre a experiência de morrer em uma perspectiva correta:

    • Apesar da notável semelhança entre os vários relatos, não há dois deles exatamente iguais (embora alguns cheguem a ser praticamente idênticos).

    • Não encontrei nenhuma pessoa que relatasse cada um dos componentes individuais da experiência “completa” - descritos acima. Muitos relatam a maioria deles (isto é, oito ou mais em cerca de quinze), e alguns chegam a incluir até doze elementos.

    • Não há nenhum dos elementos da experiência composta que tenha sido narrado por todas as pessoas, que tenha aparecido em todos os relatos. Não obstante, alguns desses elementos chegam bem perto de serem universais.

    • Não há em meu modelo abstrato nenhum componente que tenha aparecido apenas em um único relato. Cada um dos elementos apareceu em várias e diferentes histórias.

    • A ordem na qual uma pessoa que está morrendo passa por esses vários estágios delineados rapidamente acima pode variar da ordem dada no meu “modelo teorético”. Para dar um exemplo, várias pessoas relataram ter visto o “ser de luz” antes de deixar seus corpos físicos, ou ao mesmo tempo, e não, como no modelo, algum tempo depois. Contudo, a ordem em que os estágios ocorrem no modelo é uma ordem bastante típica, e grandes variações não são comuns.

    • O quão longe a pessoa que está morrendo chega na experiência hipotética completa depende de se a pessoa realmente passou pela morte clínica aparente ou não, e, se sim, por quanto tempo ficou neste estado. No geral, pessoas que estiveram “mortas” parecem relatar experiências mais completas e detalhadas do que as que apenas estiveram próximas da morte, e as que estiveram “mortas” por mais tempo vão mais fundo do que as que estiveram “mortas” por um tempo menor.

    • Conversei com algumas pessoas que foram declaradas mortas, ressuscitadas, e que ao voltar não relataram nenhum desses elementos comuns. De fato, disseram que não se lembravam de absolutamente nada a respeito de suas “mortes”. Bastante curioso também, conversei com várias pessoas que foram consideradas clinicamente mortas em ocasiões diversas com intervalo de anos, e que relataram não experimentar nada em uma dessas ocasiões, mas que tinham tido experiências bem complexas em outras.

    • Deve-se destacar que estou escrevendo principalmente sobre relatos, narrativas ou lembranças de outras pessoas que me foram transmitidos verbalmente durante entrevistas. Assim, quando observo que um dado elemento da experiência “completa”, abstrata, não ocorreu em dado relato, isso não significa que necessariamente não tenha ocorrido com a pessoa em questão. Significa apenas que a pessoa não me disse que ocorreu, ou que não se pode depreender do relato que a pessoa o tivesse indubitavelmente experimentado.

    Dr. Raymond A. Moody Jr.

    Estatísticas

    • Pesquisa da Gallup feita nos Estados Unidos em 1982 mostrou que as experiências de quase-morte ocorreram em aproximadamente oito milhões de pessoas, ou 4% da população.
    • A religião e a cultura não afetam as EQMs.
    • A personalidade não afeta as EQMs.
    • As EQMs também ocorrem com crianças (Alguns pesquisadores e comentaristas tinham discutido que os adultos podem ter imaginado as EQMs baseando-se em visões pessoais culturais e religiosas, mas as crianças nos estudos eram com freqüência jovens demais para formarem uma opinião em relação ao pós-vida, ou mesmo da morte propriamente dita).

    • A fteqüência de EQM, em determinada pesquisa, era em torno de 6% (4 de 63) de sobreviventes de parada cardíaca, se não incluirmos as duas pessoas que tiveram características de uma EQM, mas que obti veram pontuação muito baixa na escala Greyson, e cerca de 10% (6 de 63), se as incluíssemos.

    • Curiosamente, os níveis de oxigênio eram maiores em pacientes com EQM do que naqueles sem, mas tínhamos de ser bastante cuidadosos ao interpretar isso, já que tínhamos uma amostra de pessoas com EQM muito menor do que sem. Realmente precisávamos de números mais significativos, mas embora pequenos, nossa amostra não parecia confirmar a hipótese de que EQMs estavam sendo causadas por uma falta de oxigênio no cérebro.

    • Dr. Pim Van Lommel, um cardiologista da Holanda fez um estudo sobre as EQMs durante paradas cardíacas. Acompanhou 344 sobreviventes de paradas de dez hosptais durante o período de dois anos e 41, ou 12%, haviam relatado uma EQM. Descobriu que a ocorrência de EQMs não era associada com a duração da parada cardíaca, com a inconsciência, medicação ou medo da morte.

    • O pesquisador americano Bruce Greyson acompanhou 1.595 pessoas admitidas no hospital com problemas no coração, durante 30 meses. Dessas, 7%, ou aproximadamente 110 pessoas, sofreram uma parada cardíaca, e 10%, uma EQM.

    • Um outro estudo completado por Janet Schwaninger, uma enfermeira cardíaca que tinha trabalhado nos EUA. Nele, 23% de sobreviventes cardíacos tiveram uma EQM.

    Dr. Sam Parnia

    • Enfermeira do País de Gales, Penny Sartori, publicou um livro em que descreve situações em comum pelas quais pessoas que quase morreram disseram ter passado. Nos últimos dez anos, Penny Sartori entrevistou 300 pacientes internados em unidades de terapia intensiva e conseguiu 15 depoimentos completos. Os relatos estão no livro Experiências de Quase-Morte em Pacientes Internados em Terapia Intensiva - Um Estudo Clínico de Cinco Anos (em tradução livre).http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/06/20/livro_descreve_experiencias_de_quase_morte_1378843.html

    Dr. Melvin Morse: "As crianças dizem ver familiares mortos"

            Melvin Morse é médico pela Universidade George Washington, em Washington, DC (EUA), com especialização em Pediatria. Atualmente mora na região metropolitana de Washington, mas até o final de 2006 morou em Seattle, onde mantinha sua clínica particular e lecionava na Universidade de Washington. Suas áreas de pesquisa incluem leucemia e tumores cerebrais, tendo fundado o Centro de Cuidados Pediátricos Transitórios, uma clínica para crianças expostas à cocaína na fase pré-natal. Em 2005 fundou uma clínica para diagnóstico e tratamento de autismo. Vinte anos atrás foi o primeiro pesquisador a estudar casos de Experiência de Quase-Morte (EQM) em crianças. É autor de vários livros, dentre eles os best-sellers:

    • Mais Próximo da Luz (traduzido para 19 línguas em 38 países),
    • Transformados pela Luz,
    • Visões de Despedida
    • e Onde Mora Deus,
    • e artigos científicos que têm dado origem a muitos documentários e entrevistas na mídia.

            No Medinesp, onde se apresentou com as palestras Onde Deus mora: áreas do cérebro com interface biológica com um universo interconectado e Experiência de Quase-Morte, ele concedeu a seguinte entrevista à Folha Espírita:

    • ...
    • FE : Há diferenças entre EQMs vivenciadas por crianças e adultos?
      Morse: As crianças apresentam um ponto de vista mais puro e bem simples sobre o que acontece com elas quando passam pela Experiência de Quase-Morte. Elas dizem coisas engraçadas como eu vi o sol e ele tinha uma cara feliz. Elas contam coisas simples e puras, exatamente como vivenciaram, sem a necessidade de fantasiar ou adicionar componentes religiosos ou culturais e vêem figuras como Jesus, relatando que Ele é muito bom. Podemos dizer também que as experiências têm uma mesma base, como o relato da saída do corpo, a entrada no túnel e a visão da luz. Na essência, as experiências são basicamente as mesmas.

    • ...
    • FE : O cérebro poderia armazenar essas memórias? Como?
      Morse: O maior problema para entender as EQMs é o fato de um cérebro de uma pessoa em coma, perto da morte, poder ter alguma memória ou até mesmo vivenciar uma experiência como essa. Talvez, durante a EQM, a memória possa ser armazenada em algum_lugar_fora_do_cérebro. Parece ser um conceito chocante e ainda toda evidência científica relacionada àEQM nos aponta que essas memórias são processadas pelo cérebro, recuperadas e usadas para o entendimento. O cérebro usa o lobo temporal direito para processar a memória. Se você ler qualquer texto de Biologia, verá que essa é a finalidade dessa área do cérebro. É fascinante, pois o lobo temporal direito também é o responsável por processar experiências espirituais como as EQMs. Então memória e experiências espirituais estão interconectadas e isso faz sentido porque torna todo o processo único e individual, do ponto de vista espiritual e da memória, considerando quem nós somos, o que lembramos de nossas vidas e também nossa personalidade, nossos sonhos, esperanças e aspirações. Posso assegurar que a memória e a espiritualidade estão relacionadas, e as evidências nos mostram que talvez essa específica área do cérebro possa transcender a matéria para algo maior.

    • ...
    • FE : Quais estudos estão sendo conduzidos por sua equipe em relação aos assuntos espirituais?
      Morse: No momento, uma pesquisa está sendo realizada concomitantemente na Universidade de Virgínia e na Universidade do Arizona por minha equipe para comprovar se realmente conseguimos nos comunicar com os mortos, se há comprovações científicas ou se simplesmente são hipóteses.

    • ...

            O cérebro usa o lobo_temporal_direito para processar a memória.

    • Se você ler qualquer texto de Biologia, verá que essa é a finalidade dessa área do cérebro.
    • É fascinante, pois o lobo temporal direito também é o responsável por processar experiências espirituais como as EQMs. Então memória e experiências espirituais estão interconectadas e isso faz sentido porque torna todo o processo único e individual. (Melvin Morse)

    http://www.folhaespirita.com.br/show.php?not=581
    Giovana Campos

    Emmanuel_Swedenborg, considerado um dos precursores do Espiritismo, relatou sua experiência fora do corpo, explicando como passou pelos primeiros eventos da morte. "Fui levado a um estado de insensibilidade quanto aos sentidos corporais, quase a um estado de morte. Porém, a vida interior, com o pensamento, permaneceu íntegra e, com isso, percebi e retive na memória as coisas que ocorreram aos que são ressuscitados dos mortos”. Ele se encontra com anjos que desejam saber dele se está preparado para morrer. Os anjos ou espíritos conversam uns com os outros, diz o pensador sueco. A fala desses anjos é escutada naturalmente por ele, mas não é ouvida pelos que estão à sua volta. A razão é que a fala do anjo flui diretamente para o pensamento. Swedenborg descreve também a “luz do Senhor” que permeia o além, uma luz de brancura inefável que ele próprio viu de relance. É uma luz de verdade e compreensão.

    http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=3631
    Wilson Francisco

    ESCALAS DE PESQUISA USADAS PARA CLASSIFICAR EQMs

            Em 1980 Kenneth Ring, um psicólogo americano, elaborou uma escala de entrevista de dez pontos que permitiu que experiências fossem medidas e padronizadas. Ele nomeou sua escala de pesquisa de “O Índice de Peso da Experiência de Núcleo”.
            Tendo examinado vários casos de experiências de quase-morte, Ring concluiu que havia uma “experiência de núcleo”, que se desdobrava de uma maneira característica. Os estágios que ele descreveu eram:

    • uma experiência de paz, bem-estar e ausência de dor;
    • uma sensação de desligamento do corpo fisico, progredindo para uma experiência fora dele;
    • entrar numa escuridão, um túnel com uma memória panorâmica e um efeito predominantemente positivo;
    • uma luz branca, calorosa e atraente;
    • entrar na luz, encontrando pessoas ou figuras.

            Em 1983, Bruce Greyson, um psiquiatra que atualmente é catedrático da Universidade da Virgínia, criticou a escala de Ring por ser baseada em dez pontos arbitrários e desenvolveu outras medidas, a partir de entrevistas com 74 pessoas que haviam tido EQM. Ele então coletou as 16 características mais freqüentes e desenvolveu um questionário de 16 pontos, “A Escala Greyson”:

    • Experiência de um estado alterado de tempo
    • Experiência de processos de pensamento acelerados
    • Restrospectiva de vida
    • Sensação de compreensão instantânea (Muitos também descreveram como a comunicação se fez através de formas não-verbais, quase como por telepatia.)
    • Sentimento de paz
    • Sentimento de alegria
    • Sentimento de ser único no cosmos
    • Ver/sentir-se cercado por uma luz (Para muitas pessoas, a luz no final do túnel começou bem fraca depois foi crescendo em intensidade. Geralmente era braca mas não machucava os olhos. Era descrita como "agradável" e “acolhedora”, e conduzia o indivíduo para dentro dela. Com freqüência os deixava com uma sensação calorosa de serem amados. Aqueles que encontraram essa luz freqüentemente descreveram passar por uma forte transformação e experienciar uma a mudança de mente. Geralmente, as pessoas sentiram que ficaram menos materialistas, mais gentis com os outros, mais dispostas a servir, prontas a ajudar, com menos medo da morte e mais religiosas. Em alguns casos, os familiares também notaram a diferença. Alguns, que eram ateus, desenvolveram uma fé extremamente forte em Deus. O efeito na maioria dos casos se prolongou por décadas)

    • Ter sensações vívidas

    • Percepção extra-sensorial

    • Experienciar visões

    • Experiência de estar fora do corpo (Passível ao teste objetivo. Todos os outros, como ver parentes mortos ou um túnel, ou uma luz brilhante, e entrar num outro mundo, são muito pessoais, mas o componente de fora do corpo é a parte onde as pessoas descrevem o que os outros falam e fazem, portanto pode ser testado e verificado cientificamente)

    • Experiência de estar num ambiente "de outro mundo"

    • Experiência de ver um ser mítico (Alguns também encontraram um “ser de luz”, tanto ao final do túnel como quando andavam por ele. O ser emanava amor compaixão e calor, e fazia com que as pessoas se sentissem amadas e acolhidas. Com freqüência fazia o papel de um educado gentilmente levando a pessoa através de uma retrospectiva da sua vida, na qual se podia tanto ver o que ela tinha feito, e entendido quais erros cometeu. O objetivo parecia ser educá-la guiá-la, embora aquilo tudo talvez causasse um certo desconforto por causa do que fez aos outros, como uma maneira de compreender por que suas ações tinham sido errôneas)

    • Experiência de ver figuras/pessoas já falecidas (Assim como ver um ser de luz, as pessoas descreveram a visão de parentes já falecidos durante suas EQMs, geralmente os pais, embora em alguns casos fosse um outro familiar. Algumas descreveram ver amigos, ou até mesmo gente que nunca conheceram. Algumas vezes o parente ou conhecido as acolhia, dava-lhes as boas-vindas, e, em muitos casos, parecia os estar esperando, e, em outras vezes, pedia-lhes para voltar, já que não era sua hora de morrer)

    • Experiência de estar numa fronteira, num limite, e de um ponto sem volta

    Dr. Sam Parnia

            Embora não conseguisse comentar a validade das informações, obviamente as EQMs foram muito reais para aqueles que passaram por elas. Nenhuma experiência foi igual à outra, masno último instante o processo de morte realmente pareceu ser uma experiência agradável para a grande maioria, e pareceu se desenrolar de forma bastante característica.

    • Muito embora em diversos casos os acontecimentos críticos ou as doenças sérias levaram a experiências desagradáveis, ou mesmo dolorosas, durante as EQMs parecia haver um ponto em que cada dor ou trauma foi substituído por sensações prazerosas e de paz.
    • Para muitos, isso então levou à visão de um túnel, geralmente muito rápida, até uma luz bem brilhante no fim. Algumas pessoas experienciaram ver a luz no início de todo o processo, enquanto outras não viram luz alguma. Em muitos casos as pessoas acharam dificil encontrar palavras para descrever adequadamente a beleza da luz e as sensações que ela proporcionava. Aqueles que a descreveram geralmente a chamaram de muito “calorosa”, “agradável”, e uma luz “gloriosa”, que não chegava a machucar seus olhos, mas, em vez disso, os atraía para dentro dela.
    • Muitos também descreveram a sensação de separação de seus corpos e serem capazes de "ver” eventos de cima enquanto “flutuavam” dentro e fora deles. Isso foi muitas vezes descrito como se estivessem mudando de pele, ou trocando de roupa, e então deixando-as para trás. Outro dado muito interessante é que as pessoas descreveram o “ser" como a parte que estava em cima, em vez do corpo que ficou lá embaixo. (Ver: Perispírito)
    • Ao longo das experiências, as pessoas descreveram consistentemente serem capazes de pensar clara e lucidamente, com processos de pensamento bem-estruturados com clara formação de memória e razão. Essencialmente, durante as EQMs, as pessoas apresentavam a mesma consciência e personalidade que possuíam antes da experiência, embora esta as tenha feito mudar consideravelmente.
    • Algumas pessoas experienciaram ver principalmente parentes já falecidos, amigos ou até mesmo completos estranhos. Era quase como se estas pessoas viessem cumprimentá-las e ajudá-las durante o processo. Algumas vezes, viram outras esferas de luz, algumas mais brilhantes e maiores do que outras. Muitas também sentiram que eram todas iguais.
    • Algumas viram um "ser de luz”, cheio de amor, compaixão e bondade e que seus olhos eram “perfeitos”. Esse ser algumas vezes fez o papel de um educador, que, com gentileza e compaixão, cuidou da pessoa e a guiou através da experiência e em alguns casos numa rápida_avaliação_de_sua_vida. A característica principal durante todo o processo foi uma sensação de amor e benevolência. O amor emanante do "ser de luz" era muito mais intenso e profundo do que o proveniente de todas as outras pessoas que eles encontravam durante a experiência. Algumas pessoas identificaram o "ser de luz" como “Deus”, enquanto outras o descreveram como uma figura religiosa como Jesus, e outras simplesmente se referiam a ele apenas como um “ser de luz.”
    • Durante a experiência, a comunicação se fazia através da “mente" e não da forma verbal. Durante suas interações com o ser de luz, algumas pessoas descreveram ver uma avaliação de suas vidas. Elas muitas vezes se encontravam experienciando e passando outra vez pelos mesmos eventos, e se sentiam completamente “transparentes” a respeito de suas ações, palavras e intenções. Tudo o que haviam pensado, sentido ou experienciado estava completa e claramente visível a elas, como também ao ser de luz. Algumas descreveram ser capazes de sentir dor ou amargura pelo que tinham causado aos outros. Dessa forma, decidiam não mais machucar os outros, tanto por palavras quanto por ações. Começavam a enxergar a vida como uma oportunidade para serem uma fonte de bondade aos outros.
    • Após a EQM, elas descreviam uma grande transformação da personalidade. Isso foi particularmente o caso daquelas que encontraram o ser de luz. Elas descreveram que haviam perdido o medo de morrer tornarando-se menos materialistas e mais altruístas. Muitas pessoas se engajaram em atividades nas quais poderiam ajudar os outros.
    • Finalmente, embora possuindo uma temática religiosa, as EQMs não pareciam relacionadas diretamente com as tradicionais visões religiosas do pós-vida. Uma luz brilhante e acolhedora, um túnel e um ser de luz não são descrições comuns do pós-vida em muitas religiões. No entanto, parecia haver um ponto interessante a respeito do papel da experiência individual de uma pessoa em interpretar uma EQM: as pessoas geralmente pareciam interpretar suas EQMs com base em seus próprios processos de pensamento. Então, por exemplo, um cristão que viu um ser de luz o identificaria com Jesus, enquanto outra pessoa, com uma fé diferente, o descreveria como uma figura religiosa de acordo com sua crença pessoal. Enquanto outros ainda o interpretavam como o próprio Deus e alguns o chamavam apenas de “ser iluminado.” A despeito das diferentes terminologias, entretanto, as pessoas pareciam descrever o mesmo conceito.

    Como as pessoas conseguiam se lembrar de detalhes de forma tão clara quando estavam sob morte clínica durante 30 a 45 minutos? Como os processos de pensamento, a formação da memória e da razão podiam estar ocorrendo na hora em que não havia, ou houvesse muito pouca, função cerebral?

    Dr. Sam Parnia

    Estudos das EQMs em pessoas congenitamente cegas

    Houve relatos informais de indivíduos congenitamente cegos que nunca viram nada, mas quando passaram por algum tipo de doença séria, admitiram terem se visto saindo de seus corpos e capazes de ver algo pela primeira vez na vida. Eles disseram ser capazes de reconhecer cores e imagens de que outrora apenas ouviram falar.

    Dr. Sam Parnia

            A Dra. Elizabeth Kübler-Roos, citada pela Dra. Marlene Nobre (1), observou que no curso de uma EQM ...

    • as pessoas deficientes sentiam-se completas,
    • as mutiladas apresentavam seus membros intactos,
    • as que estavam em cadeira de rodas podiam dançar e mover-se de um lado para outro sem esforço algum
    • e as pessoas cegas podiam ver.

    José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)

    (1) - NOBRE, Marlene Rossi Severino Nobre. Nossa Vida no Além. 2ª edição. Editora FE, 1998.

          Muitas das pessoas que me escreveram também aceitaram meu pedido de conceder uma entrevista no hospital, para que eu pudesse estudar seus casos em detalhes. Durante esse tempo, fiquei ainda mais fascinado e atordoado com os mistérios das experiências de quase-morte, e com o profundo efeito que tiveram para as pessoas que as viveram. Muitas das que conheci, ou que me enviaram informações, haviam sido transformadas para melhor, e realizaram feitos extraordinariamente humanos depois da experiência. (Ver: Iluminação_do_íntimo)
    Ficou bastante claro que havia uma ligação em comum entre as experiências. Estas informações pareciam confirmar a descrição original do Dr. Moody de que estar perto da morte era uma experiência bastante “agradável” para a maioria. Certamente as pessoas que me haviam escrito descreveram sensações prazerosas de paz, luzes brancas e brilhantes, a visão de um túnel, a visão de parentes falecidos, a entrada em um universo paralelo, em um ponto sem volta e o ftashback_rápido_de_suas_vidas, bem como a separaçao de seus corpos e acontecimentos vistos de cima. E muito importante para vários deles, que agora haviam perdido o medo da morte, e tinham sido positivamente transformados, tirando inspiração de suas experiências para continuarem a viver e realizar trabalhos humanitários. Aprendi muito com essas pessoas que foram capazes de compartilhar suas experiências comigo.

    Dr. Sam Parnia

    Experiências negativas de quase-morte

            Curiosamente, nos relatórios dos anos 1980, começaram a aparecer informações de outras pessoas que haviam tido experiências negativas de quase-morte. Essas pessoas freqüentemente descreviam:

    • vácuos assustadores,
    • demônios,
    • criaturas-zumbi,
    • torturas
    • e outras experiências desagradáveis.

            Não era muito claro, no entanto, se essas eram experiências que haviam ocorrido devido à proximidade com a morte, ou se eram devido ao fato de a pessoa estar passando por alguma doença séria, como o excesso de dióxido de carbono no sangue, que eu sabia que poderia dar vazão a esse tipo de acontecimento negativo.
    Dr. Sam Parnia

    EXPERIÊNCIA DE SUICIDAS

            No posfácio de sua obra ínicial(1) Moody Jr. revelou que as EQM associadas à tentativa de suicídio foram uniformemente desagradáveis.
            As pessoas relatam que os conflitos dos quais quiseram escapar tentando o suicídio ainda estavam presentes depois que elas “morriam" mas com complicações adicionais. No seu estado fora do corpo não eram capazes de fazer nada, com relação aos seus problemas, e ainda tinham que ver as conseqüências infelizes que resultaram de seus atos.
            Segundo Atwater(2), contrariando o senso comum, a maioria dos enredos de EQM de suicidas são positivos ou, no mínimo, ilustrativos da importância da vida e do viver, Os sobreviventes de quase morte das tentativas de suicídio, freqüentemente retornam com o mesmo sentido de missão relatado por qualquer outro experiente do fenômeno. Em geral, essa missão é a de dizer aos outros suicidas em potencial que o suicídio não resolve nada.
            Os experientes sempre retornam com um sentimento de que o suicídio não é solução para nada, um sentimento que os deixa bastante renovados, e utilizam seus episódios como fonte de coragem, força e inspiração.
            Alguns enredos de suicidas são tão negativos que são transformadores, se utilizados como catalisadores para ajudar a pessoa a fazer a mudança. Tais mudanças podem vir de um despertar interior ou do medo de que o que foi vivenciado possa ser, de fato, precursor do seu destino final se algo não for feito logo.
            Há relatos de experientes que tentaram novamente o suicídio para reviver os fenômenos celestiais que sabiam existir após a morte.

    José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)

    (1) - MOODY Jr., Raymond. Vida depois da Vida. 16ª edição. Editora Nórdica, 1991.
    (2) - ATWATER, P.M.H. Muito Além da Luz. Editora Nova Era, 1998

    • Após um trauma significativo para o cérebro, tal como ocorre com um machucado na cabeça, um ataque ou uma mudança no oxigênio sangüíneo, no dióxido de carbono e na glicose, há normalmente um período de perda de memória antes e depois do trauma. Isso dura um tempo variável, indo de alguns minutos a dias ou até semanas, e ocorre devido a um desequilíbrio na biologia normal requerida para o funcionamento do cérebro. A extensão da perda de memória depende da seriedade do trauma.
    • Nos casos de experiência de quase-morte houve perda de memória dos eventos ocorridos depois do trauma (um machucado na cabeça), bem como dos eventos ocorridos durante a doença. Entretanto, a despeito disso, houve lembrança “total” da EQM.

    Dr. Sam Parnia

    O que acontece ao cérebro durante a parada cardíaca?

    • Para o cérebro, o efeito da parada cardíaca, e por conseguinte do fluxo de sangue para o resto do corpo, é completamente catastrófico. Tendo estudado os processos que ocorrem no cérebro e estando familiarizado com o modo como as células respondem, pude ver que para as células cerebrais, a perda de fluxo sangüíneo seria comparada a um desastre em massa que se abateria sobre uma grande cidade com milhões de habitantes que, momentos antes, trabalhavam em perfeita harmonia. Pensei no pânico que dominaria as pessoas que lá viviam. A partir daí, tudo seria uma questão de sobrevivência. Talvez as células cerebrais tentem também sobreviver, preservar a vida do cérebro.

    • As células cerebrais são completamente dependentes, para sua sobrevivência, do fluxo de oxigênio e nutrientes pela via sangüínea. Quando isso pára, elas começam a sofrer danos imediatamente. Os estoques de oxigênio do cérebro e da consciência são perdidos em questão de 20 segundos, tempo em que a glicose e os altos índices de energia armazernados também se vão. Portanto, em alguns segundos de parada cardíaca, as células cerebrais se viram para outras fontes especiais de energia, chamadas ATP, para se manterem vivas. Entretanto, devido a um alto grau de necessidade de energia, essa armazenagem é usada muito rápida e intensamente, geralmente em cinco minutos, e então as células são deixadas sem nenhuma fonte de energia e começam a morrer. Diferente dos humanos, que em um acidente podem viver dias sem água ou comida, as células cerebrais precisam de alimento quase imediatamente.

    • O choque da falta de oxigênio para o cérebro, que geralmente leva apenas entre 10 e 20 segundos, faz com que as células liberem um transmissor químico chamado glutamina, o qual normalmente possui a função de estimular outras células. Há, portanto, uma grande liberação desse composto químico por todo o cérebro, que conseqüentemente se torna “extremamente excitado”. Isso torna-se danoso às células e é primeiramente chamado de “excitotoxicidade”. Ocorre por causa do volume excessivo de glutamina, que faz com que as células inchem excessivamente, danificando a membrana que envolve a estrutura, acarretando o vazamento dos conteúdos da célula. Ao mesmo tempo, a membrana que envolve as células também fica danificada devido a outro mecanismo, já que a falta de oxigênio faz com que ela se parta em minúsculas partículas de gordura.

    • No entanto, a despeito de todo esse trabalho, as células cerebrais gradualmente são danificadas de forma irreversível e finalmente morrem. Pesquisas feitas por médicos mostraram que as células do cérebro começam a sofrer danos em questão de minutos da perda de fluxo sangüíneo, e, se ela não é restaurada em cerca de 15 a 20 minutos, a perda de células se torna extremamente extensa. Durante todo esse período, as células “gritam” ao liberarem certos compostos químicos e tentarem ativar alguns genes, antes de perderem suas funções completamente.

    • Inúmeros estudos demonstraram que imediatamente após uma parada cardíaca, a pressão sangüínea cai a níveis imensuráveis — na maioria dos estudos a menos de 15mmHg, um nível não-compatível com a vida*. O corpo possui receptores internos especiais de pressão sangüínea, e tão logo eles reconhecem a ausência de fluxo sangüíneo ou de pressão, procuram aumentar a pressão do sangue e seu fluxo para o cérebro, ao liberarem diversos hormônios, como a epinefrina, na corrente sangüínea. Estes são os mesmos hormônios liberados durante uma doença grave, mas, uma vez que a parada cardíaca é a mais séria das doenças, os níveis desses hormônios são correspondentemente muito maiores naquela hora. Uma parada cardíaca é de fato associada com os níveis mais altos de epinefrina jamais vistos — mil vezes mais alta do que a quantidade normal encontrada na corrente sangüínea. Assim como a epinefrina, os hormônios liberados incluem norepinefrina e vasopressina. Todos esses são incrivelmente poderosos no aumento da pressão sangüínea, tão potentes que, na verdade, foram desenvolvidos para propósitos médicos, e são agora dados a pacientes com níveis de pressão sangüínea muito baixos, ou que tiveram parada cardíaca. Esses hormônios causam às veias ao corpo um “apertamento”, e por isso levam o sangue até o cérebro. Eles também atuam no coração e procuram estimulá-lo a bater, mas, a menos que o coração já pulse, eles não têm quase efeito nenhum. Além desses hormônios, muitos outros são liberados, como a prolactina, endorfina —, a substância própria do corpo semelhante à morfina —, e lipotropina, todas com a função de melhorar os efeitos adversos da falta de pressão sangüínea.

    • A despeito de todos esses esforços pelo próprio corpo, no entanto, uma vez que o coração pára, a respiração é suspensa e em alguns segundos as células cerebrais sofrem danos, param de funcionar e finalmente morrem, a menos que haja intervenção médica neste processo de reiniciar o coração.

    Como as pessoas com parada cardíaca poderiam ter pensamentos lúcidos, bem-estruturados com razão e lembranças? Isso parecia ser um verdadeiro paradoxo científico. Percebi que precisava estudar o que acontecia ao cérebro durante a parada cardíaca com mais detalhes.

    Dr. Sam Parnia

    Alguns pesquisadores acreditam que o lobo temporal direito é uma área do cérebro que nos permite perceber outras realidades e, talvez, até mesmo entrar nelas. Morse (*) denomina a área do lobo temporal direito como circuito do misticismo. Para ele, ali se dá a ocorrência da EQM, ou seja, é aonde interagem a mente, o corpo e o espírito.
    Wílder Penfield, neurocirurgião canadense, usou agulhas elétricas para tocar o lobo temporal direito, durante cirurgias e, com isto, produziu situações “fora do corpo” em seus pacientes(*).
            A maioria dos elementos das EQM pode, fisiologícamente, ser localizada no lobo temporal direito, com exceção da visâo da luz branca. Supõe-se que é ali que se originam as experiências fora do corpo, a recapitulaçào da vida, a visão de pessoas queridas já falecidas e a viagem por um túnel. A estimulaçào elétrica do lobo temporal direito do cérebro, acima do ouvido direito, mais especificamente no sulco de Sílvius, pode produzir visões místicas de música sublime, imagens de anjos e de parentes falecidos, e mesmo a vivência de retrospectivas panorâmicas da vida. A experiência da luz nâo tem origem conhecida no cérebro. Ela não pode ser ativada artificialmente, ela só é ativada no momento da morte ou durante algumas visões espirituais muito especiais.
    Para os cientistas, é um mistério o fato de o lobo temporal direito funcionar no momento da morte. Contudo, pesquisas sugerem que, na medida em que o cérebro está morrendo, partes do lobo temporal direito começam a funcionar adequadamente pela primeira vez. O fato de que isto processa memórias, dentro dos nossos bancos de memórias de longo prazo, demonstra que está funcionado muito bem.

    José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)

    (*) - MORSE, Melvin e Paul Perry. Transformados pela Luz. Editora Nova Era, 1997.

    O paradoxo

            Comecei a pensar nas implicações disso. Há alguma coisa que não se encaixa aqui, pensei. Temos um grupo de pessoas tão gravemente doente que chegou a atingir o ponto clínico de morte, mas ainda assim eles relatam ter processos de pensamento lúcidos e bem-estruturados, com argumentação e formação da memória daquela hora. Há também histórias confiáveis de pacientes que se lembram de acontecimentos detalhados, ocorridos durante a ressuscitação.

    • Como isso pode acontecer?
    • Como pode haver processos de pensamentos tão lúcidos quando o cérebro está, na melhor das hipóteses, desligado e, tanto quanto pudemos medir, não funcionando?

            Aquilo era particularmente intrigante. Normalmente pessoas que estão muito doentes desenvolvem um estado agudo de confusão, caracterizado por processos de pensamento desordenados com perda de memória. Isso é compreensível porque quando o delicado equilíbrio entre nutrientes, hormônios e outras substâncias ao redor do cérebro fica comprometido, então, é claro, não existe um trabalho adequado. A grande maioria das pessoas de nosso estudo possuía perda completa de memória durante o período da parada cardíaca, que é o que eu esperava, mas de 6 a 10% paradoxalmente pareciam ter processos de pensamento e consciência, em outras palavras, uma EQM. Muito embora eles também tivessem perdido as lembranças dos acontecimentos a respeito da doença, eles se lembraram da EQM muito claramente.
            ...Uma possibilidade era que talvez a consciência e os processos de pensamento não fossem medidos pela atividade elétrica das células cerebrais afinal. Talvez um mecanismo diferente estivesse envolvido. Embora isso, na época, parecesse completamente intuitivo, mais tarde descobri que alguns cientistas haviam começado a explorar a possibilidade de processos quânticos subatômicos medindo a consciência.

    Dr. Sam Parnia

    Experiências de Quase-Morte/ Experiências Fora do Corpo

            As experiências de quase morte (EQM) são relevantes para a presente discussão pois envolvem a experiência de alguma independência da mente_em_relação_ao_corpo_físico. Nas últimas décadas, as EQMs têm sido foco de um razoável número de investigações e debates.
            As EQMs surgem em situações de uma ameaça à vida, real ou imaginada, e envolvem, entre outras características, a percepção de estar fora do corpo físico, sentimentos de paz, vivenciar uma grande lucidez e clareza mental, encontro com pessoas já falecidas e/ou seres de luz, visão retrospectiva de toda ou partes da vida e o retorno ao corpo físico (Greyson, 2007). Muitos buscam explicar a EQM como sendo fruto exclusivamente de alucinações por alterações cerebrais num moribundo (hipóxia, uso de várias medicações...) ou como criações mentais baseadas nas crenças e mecanismos de defesa psicológicos dos pacientes. Entretanto, os proponentes destas teorias habitualmente não realizam pesquisas com EQM e não testaram as implicações empíricas de suas hipóteses. Embora a vivência das EQMs varie de pessoa para pessoa e entre as diversas culturas, parece haver um núcleo da experiência que se mantém relativamente inalterado entre as diversas culturas e pacientes (Athappilly et al., 2006; Greyson, 2007; Kelly et al., 2007). Do mesmo modo, a ocorrência e as características da EQM não se mostraram relacionadas com os níveis de oxigenação sangüínea ou com o número de medicações usadas pelos pacientes (Greyson, 2007; van Lommel et al., 2001; Parnia et al., 2001). Assim, não parece que a EQM possa ser explicada como sendo devida à expectativa dos pacientes, hipóxia ou polimedicação.
            Uma das características que mais chama a atenção na EQM é o funcionamento mental lúcido durante a EQM. Num paciente agonizante ou numa parada cardíaca, o cérebro, a princípio, deveria estar não funcionante ou com funcionamento bastante precário, como no estado confusional agudo (delirium). Pesquisas indicam que o EEG se torna isoelétrico (indicando ausência de atividade elétrica cerebral cortical) após 10 a 20 segundos de parada cardíaca. No entanto, muitos pacientes que tiveram EQMs durante paradas cardíacas referem que conseguiam pensar e ainda com maior clareza e lucidez do que em estado de vigília normal. Ou seja, estes dados sugerem que a consciência pode não ser necessariamente totalmente dependente do funcionamento cerebral (Parnia & Fenwick, 2002).
            Uma outra característica das EQMs que parece ser relevante como evidência de independência da consciência em relação ao cérebro e da possibilidade de sobrevivência postmortem são os relatos de descrições feitas pelo paciente, posteriormente confirmadas, de situações que ocorreram durante uma EQM e que o paciente não poderia ter percebido com seus sentidos normais, mesmo se estivesse desperto (Sabom, 1998; Stevenson & Greyson, 1979).

    http://www.hoje.org.br/site/arq/artigos/20071122-EstudarCientificamenteASobrevivencia.pdf

    IMPORTANTE!

    O QUE PODE SER OBJETIVAMENTE TESTADO, VALIDADO E ESTUDADO CIENTIFICAMENTE

            O único aspecto da experiência de quase-morte que pode ser objetivamente testado, validado e estudado no contexto de ser ou não real, é na verdade um componente fora do corpo.Isto é, porque as pessoas que afirmaram ter uma dessas experiências com freqüência disseram ter visto o que nós, médicos, estávamos fazendo durante o tempo quando em muitos casos eles não deveriam ter nenhuma função cerebral presente. O restante da experiência de quase-morte é algo bastante pessoal, e não temos maneiras de determinar se há uma realidade externa correspondente. Na verdade, determinar a realidade dela (e não do componente do fora do corpo) possui muitas das mesmas limitações enfrentadas pelos cientistas que estudam experiências religiosas.

    Dr. Sam Parnia

    (Este componente - elemento, estágio - da experiência de quase-morte pode ser o caminho mais curto para a ciência comprovar a sobrevivência da alma )

            Até agora, não temos prova definitiva e concreta para nenhuma das teorias. Entretanto, como muitas milhares de pessoas, inclusive crianças pequenas, relataram uma mente e uma consciência plenamente em funcionamento, e foram capazes de testemunhar acontecimentos ocorrendo nos recintos, há a hipótese de que mente e consciência existam separadamente do cérebro e também durante e, ao menos, por algum tempo após_a_morte. Existem também várias histórias de médicos que ressuscitaram pacientes que lhes contaram os detalhes do que aconteceu durante suas paradas cardíacas.

    Dr. Sam ParniaSERÁ QUE A MENTE E A CONSCIÊNCIA PODERIAM ESTAR SEPARADAS DO CÉREBRO?

            Agora, a pergunta que eu sempre me fiz é: o que nós faríamos se fosse descoberto que a mente e a consciência são separadas do cérebro? Isso obviamente teria grandes implicações para todos nós. Como poderíamos afirmar isso, e que efeito teria em nossas vidas?

            À medida que a ciência progride, novos modos de “ver" e medir o mundo ao nosso redor são desenvolvidos. Na virada do século XX, o uso de raios-X começou a revolucionar a prática da medicina. Pela primeira vez os médicos conseguiam ver dentro do corpo. Então, enquanto a ciência avançava, outros métodos foram criados, como o ultra-som, onde ondas de som passavam pelo corpo. Esse recurso ainda é comumente usado para escaneamento, particularmente do abdômen, e qualquer mãe pode ver seu bebê utilizando esta tecnologia. Mais recentemente, a ressonância magnética nos permitiu ver dentro do corpo com mais precisão. Infelizmente, no momento, não existem aparelhos disponíveis que nos permitirão ver e medir pensamentos e consciências. Entretanto, em vista do enorme progresso que aconteceu na medicina, e particularmente na medicina fisica, tenho certeza de que em breve tal equipamento será criado. Então talvez possamos facilmente descobrir a natureza_da_consciência e sua relação com o cérebro, mas agora precisamos utilizar meios indiretos para fazê-lo. Entretanto, sabemos com certeza que a mente e a consciência existem, e por isso deve ser receptivo o meio científico de se medi-las e estudá-las. É apenas uma questão de “quando” e nao "se".

    Dr. Sam Parnia

    INEFABILIDADE

            A compreensão geral que temos da linguagem depende da existência de uma grande comunidade de experiências comuns da qual quase todos participamos. Esse fato cria uma grande dificuldade, que complica todas as discussões que se seguem. Os eventos vívencíados por aqueles que estiveram próximos da morte estão fora da nossa comunidade de experiências, por isso bem se poderia esperar que eles tivessem certas dificuldades lingüísticas ao expressar o que lhes sucedeu. Com efeito, é isso precisamente o que acontece. As pessoas em questão unanímemente caracterizam suas experiências como inefáveis, isto é, “ínexprimíveis".
            Muitas pessoas fizeram observações no sentido de que “não existem palavras para expressar o que estou tentando dizer” ou “não existem adjetivos e superlativos que descrevam isto”. Uma mulher colocou a questão em termos sucintos quando disse:
            “Bem, para mim é um verdadeiro problema tentar lhe contar isso, porque todas as palavras que conheço são tridimensíonais. Enquanto passava por isso, ficava pensando: ‘Ora, quando eu estudava geometria, eles sempre me diziam que só havia três dimensões, e eu sempre acatei isso. Mas eles estavam errados. Há mais'. E, naturalmente, o nosso mundo — aquele em que estamos vivendo agora — é tridimensional, mas o próximo certamente não. E é por esse motivo que é tão difícil lhe contar isso. Só posso lhe descrever com palavras que são tridimensionais. E o melhor que posso fazer, mas não é na verdade o bastante. Não posso mesmo lhe dar um quadro completo”.

    Dr. Raymond A. Moody Jr.

    "O Corpo Espiritual"

            A grande maioria de meus informantes, entretanto, relata que se encontrou em outro corpo depois de liberta do físico. Aqui, contudo, entramos em uma área que é extremamente difícil de tratar. Esse “novo corpo” é um dos dois ou três aspectos das experiências de morte nos quais a inadequação da linguagem apresenta os maiores obstáculos. Quase todos os que me falaram desse “corpo” em dado momento ficavam frustrados e diziam: “Não dá para descrever”, ou qualquer outra observação com o mesmo efeito.
           Não obstante, relatos sobre esse corpo guardam uma forte semelhança um com o outro. Assim, embora diferentes pessoas usem diferentes palavras e façam diferentes analogias, esses vários modos de expressão parecem recair bastante sobre a mesma área. Os vários relatos estão também decididamente de acordo quanto às propriedades_e_características_gerais_do_novo_corpo. Assim, para adotar um termo que o designe e que reúna todas as propriedades razoavelmente bem, vou daqui por diante chamá-lo de “corpo espiritual”.
            As pessoas que estão morrendo tendem a se tornar conscientes de seus corpos espirituais em primeiro lugar através de suas limitações. Descobrem, quando estão fora de seus corpos físicos, que, embora possam tentar desesperadamente contar aos outros sua condição, ninguém parece ouvilas. Isso pode ser ilustrado bastante bem com o seguinte trecho da história de uma mulher que sofreu uma parada respiratória e foi levada para a sala de emergências, onde a tentativa de ressurreição foi feita.
            “Vi que eles estavam tentando me ressuscitar. Era mesmo muito estranho. Eu não estava muito alto, era quase como se estivesse em um pedestal, mas não muito acima deles, só talvez vendo-os de cima. Tentei falar mas ninguém me ouvia, ninguém queria me ouvir.”
            Para complicar o fato de que está aparentemente inaudível para as pessoas em volta, a pessoa em um corpo espiritual logo descobre também que é invisível para os outros. O pessoal médico e outros reunidos em volta de seu corpo físico podem olhar diretamente para onde ela está, em seu corpo espiritual, sem dar o menor sinal de que a estão vendo. Esse corpo espiritual também carece de solidez; os objetos físicos do ambiente parecem mover-se através dele com toda a facilidade, e é incapaz de tocar qualquer pessoa ou objeto que tente apanhar...
            Além disso, apesar de não poder ser percebido pelas pessoas em corpos físicos, todos os que o experimentaram estão de acordo que o corpo espiritual é, contudo, algo, por mais impossível de descrever que seja. Há um acordo em que o corpo espiritual tem uma forma ou contorno (algumas vezes globular ou de uma nuvem amorfa, mas também, algumas vezes, essencialmente a mesma forma do corpo físico) e mesmo partes (projeções ou superfícies análogas a braços, pernas, cabeças, etc.). Mesmo quando se descreve a forma como sendo em geral arredondada na configuração, se diz com freqüência que tem extremidades, em definitivo um alto e um baixo, e mesmo as “partes" já mencionadas.
            Ouvi esse novo corpo ser descrito de muitas maneiras diferentes, mas pode se ver que é mais ou menos a mesma idéia que está sendo formulada em cada caso. Palavras e frases que têm sido usadas por vários informantes incluem "nevoeiro", "nuvem", "‘fumaça’’, “vapor”, “neblina”, “transparência”, “nuvem de cores”, “padrão ou feixe de energia”’ e outras, para expressar significados semelhantes.

    Dr. Raymond A. Moody Jr.

    Atwater, uma das grande pesquisadoras da EQM, faz os seguintes questionamentos:

    • Já que sobreviventes das EQM sofrem mudanças tanto físicas quanto psicológicas, por causa de suas experiências, o que ensina sobre o poder verdadeiro das experiências subjetivas?

    • Será que temos de redefinir nossa própria subjetividade e seu valor, para dar continuidade a uma vida saudável?

    • E as mudanças estruturais que ocorrem no cérebro?

    • O que significa, e qual o seu alcance?

    • Se, parte de nós que passa por essa experiência “se separa” do corpo, seja em que nível for, não é uma indicação de que não somente temos uma alma, mas somos uma alma-residente numa forma manifesta de vida?

    • Se for verdade, o que mais é verdade?
    • Sobre a vida?
    • Sobre a morte?
    • Sobre a alma?
    • Sobre propósito e missão, sobre Origem e Criaçào?(1)

            A EQM, juntamente com os relatos de recordações_das_vidas_passadas_(TVP), os casos sugestivos de reencarnação, as comunicações mediúnicas através da psicofoniapsicografia e da transcomunicaçào instrumental, vem abrir um novo campo de investigação para a comprovação da existência do Espírito e da sua imortalidade.
            Creio que a EQM não seja simplesmente um vislumbre do que ocorre após a morte física, mas uma oportunidade divina, um chamamento de DEUS para uma correção de rota, ou seja, uma chance oferecida para alguns, de reflexão sobre as suas vidas, sobre o que realizaram ou deixaram de fazer do que estava programado na sua caminhada terrena.

    • A recapitulação da vida,
    • o encontro com o Ser de Luz,
    • os ensinamentos,
    • as modificações flsíológicas e psicológicas experimentadas pelas pessoas reforçam esta hipótese.

            Além do conhecimento que adquiriram, num período curto do tempo terreno, as pessoas que passam por uma EQM voltam com suas energias recarregadas, com um novo sentido da vida, para aplicar melhor as potencialidades divinas de que são possuidoras. A maneira como enfrentam as mudanças, no exercício do livre_arbítrio, norteará todo o processo de readaptação à nova vida.
    Melvim Morse, médico e pesquisador norte-americano, no prefácio do livro Envolvido pela Luz (2) faz a seguinte observação: Sempre me impressionam as pessoas que mergulham na luz de Deus ao final da vida e retornam com uma mensagem simples e bela: “O amor é o mais importante... O amor tem de prevalecer... Nós criamos tudo que nos cerca com nossos pensamentos... Somos mandados aqui para vivermos plenamente, com abundância, para encontrarmos o fracasso e o sucesso, para usarmos o livre arbítrio a fim de expandir e glorificar nossas vidas".

    José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)

    (1) - ATWATER, P.M.H. Muito Além da Luz. Editora Nova Era, 1998.
    (2) - EADI, Betty J. Envlvido pela Luz: A Experiência do Limiar da Morte. 5ª edição. Editora Nova Era, 1997.

    Eu acho que as EQMs possuem a chave para a solução deste mistério. Ao estudá-las mais profundamente, seremos capazes de descobrir a verdadeira natureza da relação entre a mente e o cérebro e responder às perguntas mais intrigantes a respeito da existência num pós-vida. Então poderemos viver nossas vidas com um conhecimento mais abrangente sobre o que o destino nos reserva.

    Dr. Sam Parnia

            Com base nos elementos descritos pelos pacientes que passaram por uma experiência de quase-morte (EQM):

    • Greyson, 2000, 2003;
    • Kübler-Ross, 1998, 2003;
    • Moody Jr., 1989, 1992;
    • Morse e Perry, 1997;
    • Parnia e Fenwick, 2002;
    • van Lommel, 2004;
    • van Lommel et al., 2001.

            Que sugerem transcendência, Elias (2001, 2002, 2003, 2006) desenvolveu uma intervenção terapêutica para pacientes graves e terminais denominada Relaxamento, Imagens Mentais eEspiritualidade (RIME) (Elias e Giglio, 2001a, 2001b, 2002a, 2002b) e, na continuidade do estudo, desenvolveu um programa de treinamento para profissionais de saúde sobre essa intervenção terapêutica (Elias, 2005; Elias et al., 2006a, 2006b, 2006c).
            Segundo van Lommel (2004), os eventos descritos e que constituem EQM são vivenciados e relatados não só por pessoas que foram dadas como clinicamente mortas por seus médicos, mas também por pacientes que estiveram em coma profundo, por pacientes em fase terminal e cujos relatos são chamados “visões no leito de morte” e por pessoas que passaram por situações de grande risco à vida, em que a morte parecia inevitável, e das quais saíram totalmente ilesas, como acidentes durante escaladas em montanhas ou acidentes de trânsito, os quais são comumente chamados de “medo da morte”.
            O desenvolvimento da intervenção RIME iniciou-se em 1998, quando Elias começou a trabalhar com crianças e adolescentes com câncer em fase terminal e observou sofrimento psicológico e espiritual importante nesses doentes; ao buscar um método para minimizar essa angústia, por sincronicidade, assistiu a um documentário sobre EQM (Moody Jr., 1992), observando que os indivíduos que haviam passado por essa experiência tinham minimizado o medo da morte. Assim, teve o insight de induzir a visualização dos elementos descritos por esses doentes que vivenciaram EQM a crianças e adolescentes que se encontravam na fase fora de possibilidades de cura, começando a delinear a intervenção RIME (Elias, 2003). Em 1999, foi aceita no programa de pós-graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e trabalhou durante o mestrado com mulheres adultas com câncer em fase terminal.
            Nessa dissertação de mestrado (Elias, 2001, 2002, 2006; Elias e Giglio, 2001a, 2001b, 2002a, 2002b), estudou, qualitativamente, a eficácia de intervenção RIME e observou que foi possível re-significar a dor espiritual durante o processo de morrer das pacientes com câncer, ou seja, a aplicação da intervenção RIME proporcionou melhor qualidade de vida neste processo de morrer e morte mais serena para as pacientes terminais atendidas, re-significando a dor espiritual que é representada pelo medo da morte e do pós-morte, idéias e concepções negativas em relação à espiritualidade e ao sentido da vida, assim como culpas perante Deus.
            Em resumo, a intervenção RIME consiste na integração das técnicas de relaxamento mental e visualização de imagens mentais com os elementos que representam a questão da espiritualidade, com base nos relatos de EQM. A espiritualidade é compreendida como a relação do indivíduo com uma área mais transcendental de sua psique e as mudanças que resultam dessa meditação (Jung, 1986) e a vivência do amor incondicional (Charuri, 2001). A escolha dessas bases teóricas, que definem a questão da espiritualidade, reflete as afinidades conceituais e filosóficas desses autores e o nosso estudo anterior no mestrado.
            Na revisão da literatura sobre estudos relacionados a espiritualidade e morte, destacamos dois artigos. Barham (2003) relatou um estudo de caso sobre o controle dos sintomas, nas últimas 48 horas de vida, de uma paciente que escolheu a técnica budista para vivenciar o processo de morrer; o autor observou que os aspectos relacionados à espiritualidade, à serenidade, à paz e ao amor foram muito importantes para que ela se sentisse segura de que faria uma boa passagem para o mundo espiritual, segundo sua crença. Papathanassoglou e Patiraki (2003), em uma perspectiva hermenêutica e fenomenológica, estudaram a experiência vivida por indivíduos após a hospitalização em uma unidade de cuidado intensivos, com foco em seus sonhos.
            A finalidade da pesquisa foi explorar o sentido de ter estado criticamente doente. Os sonhos expressam a linguagem do inconsciente e, por meio deles, pode-se simbolicamente encontrar os significados para as vivências. Oito participantes contaram suas experiências em relação à doença crítica e relataram seus sonhos por meio de entrevistas semi-estruturadas. A doença crítica foi conceituada como uma fase que conduz a transformações no self, ao despertar da espiritualidade e ao crescimento pessoal. Segundo os autores, os enfermeiros devem estar preparados para ajudar os pacientes que vivenciam o processo descrito em uma unidade de cuidados intensivos.
            Em relação a estudos sobre intervenções para pacientes terminais que se relacionam com as técnicas utilizadas na intervenção RIME, as quais, em geral, são chamadas de terapias complementares ou alternativas, além do nosso estudo de mestrado (Elias, 2003; Elias e Giglio, 2001a, 2002a, 2002b), encontramos estudos que referiram promover qualidade de vida no processo de morrer utilizando musicoterapia (Hilliard, 2005), aplicando uma intervenção chamada terapia da dignidade, que consiste cuidar do paciente tendo como foco o seu nível de independência cognitiva e funcional e o controle dos sintomas físicos e psicológicos (Chochinov et al., 2004), utilizando hipnose (Douglas, 1999) e a aplicação de intervenções religiosas: orar e falar com um clérigo ou espiritualistas; meditação e imaginação dirigida (Millison e Dudley, 1992). Em relação à meditação e à imaginação dirigida, também encontramos o trabalho de Birnbaum e Birnbaum (2004) que descreveram uma intervenção terapêutica inovadora desenvolvida em um trabalho de grupo com sobreviventes de tentativa de suicídio e profissionais de saúde mental. A técnica compreende o relaxamento e a meditação concentrada, acrescida da meditação dirigida, na busca da sabedoria interior. Muitos participantes relataram uma experiência positiva importante, incluindo acesso a conhecimento interno, altamente relevante para eles neste momento de suas vidas. Essas introspecções foram experimentadas como provenientes de uma parte mais profunda do próprio self do paciente (fonte interna) ou de um guia espiritual ou presença espiritual (fonte externa). Os resultados indicaram que a meditação dirigida pode ser um recurso poderoso para terapeutas e seus pacientes, suicidas e outros doentes. Os autores dos estudos anteriormente relatados indicaram a necessidade de novas pesquisas, visto que os resultados ainda não podem ser considerados conclusivos.
            Os métodos dessas terapias assemelham-se à intervenção RIME, e a inovação por nós proposta refere-se à indução da visualização por meio dos elementos descritos pelos pacientes que passaram por uma EQM. Apesar da importância crescente que os profissionais de saúde têm dado à questão da assistência espiritual, o nosso trabalho é pioneiro no Brasil no que se refere ao treinamento de profissionais para o uso de intervenções que minimizem o sofrimento espiritual e sobre os resultados dessas intervenções.
            No Brasil, Silva (2005) alerta que o profissional que elabora os currículos dos cursos da área médica não pode ignorar essas práticas, cabendo algumas reflexões. A primeira é selecionar o que de bom a medicina alternativa oferece. A segunda é pensar como colocar esse contexto no aprendizado para que o estudante o conheça e adquira espírito crítico para uma seleção positiva a favor do doente. A terceira é reconhecer, humildemente, que a alternativa está atendendo mais eficazmente à relação médico-paciente que a alopatia, cabendo ao profissional de saúde recuperar esse recurso no atendimento à população e integrando-o ao uso adequado da tecnologia. Concluiu que o currículo dos cursos da área de saúde não pode ignorar a medicina alternativa.
            O Programa de Treinamento sobre a Intervenção RIME disponibilizou um curso para aplicação de uma terapia para pacientes terminais que se encaixa na modalidade complementar e alternativa, obedecendo às normas acadêmicas para o seu desenvolvimento e contribuindo, assim, para a inserção dessa modalidade de atendimento nos guias curriculares de graduação e pós-graduação.

    “Existe um amor maior. Existe uma bondade maior. Existe um poder maior. A nossa mente está ligada com o Universo. Nós não somos uma parte isolada do Universo. Nós estamos juntos com todas as partes. Nós fazemos parte da mesma respiração – a grande respiração. A nossa pequena respiração pulmonar é apenas ilusória. O nosso movimento é apenas ilusório. O nosso real movimento é mental, espiritual. É até onde nós conseguimos ver do todo que nos cerca e do qual fazemos parte”
    (Charuri, 2001).

    • Ana Catarina Araújo Elias - Psicóloga e doutora em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Professora de Pós-graduação e da Faculdade de Ciências Biomédicas do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp/Itu) e das
      Faculdades Integradas do Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa (Ipep/ Campinas).

    • Joel Sales Giglio - Psiquiatra e professor-associado do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Analista junguiano e diretor de ensino da Associação Junguiana do Brasil (AJB).

    • Cibele Andrucioli de Mattos Pimenta - Enfermeira e professora titular da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

    • Linda Gentry El-Dash - Professora-associada do Departamento de Lingüística Aplicada do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

     

    Mais informações sobre RIME em:

    Casos de EQM

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