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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Céu e o Inferno sob a visão Espírita

Por Benedito da Gama Monteiro

A definição sintética de "Céu e Inferno" sob os parâmetros da Doutrina Espírita explica: "Céu e Inferno são estados de consciência". Esta tese foi desenvolvida pelos Espíritos Reveladores do Espiritismo, respondendo a Allan Kardec - O Codificador da Doutrina -, na questão 1.012 de "O Livro dos Espíritos".

Haverá no Universo lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos, segundo seus merecimentos?

"Já respondemos a esta pergunta. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça. E como eles estão pôr toda a parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa. Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme é mais ou menos adiantado o mundo em que habitam."

De acordo, então, com o que vindes de dizer, o inferno e o paraíso não existem, tais como o homem os imagina?

"São simples alegorias: pôr toda parte há Espíritos ditosos e inditosos. Entretanto, conforme também já dissemos, os Espíritos de uma mesma ordem se reúnem pôr simpatia; mas podem reunir-se onde queiram, quando são perfeitos".

Allan Kardec, a seguir, complementa este assunto dizendo que a localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.

Contrapomos, agora, a tese das penas eternas, com trechos extraídos da Bíblia (Antigo e Novo Testamento) Salmo (22:27) :

"Toda a terra se converterá ao senhor e todas as nações adorarão a sua face";

Jeremias (31:34) : "Porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior, perdoarei a maldade de todos e não me lembrarei mais dos seus pecados";

Ezequiel (33:11) : "Juro pela minha vida, diz o senhor, que não quero a morte do ímpio, mas que ele se converta e viva.";

Joel (2:32) : "Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo";

Mateus (18:24) : "Não é da vontade do vosso Pai que nenhum destes pequeninos se perca";

Lucas (15:7 e 10) : "Digo-vos que haverá mais alegria no céu pôr um pecador que se arrepende, do que pôr noventa e nove justos que não necessitavam de arrependimento";

1o Timóteo (2:4) : "Deus quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. O que Deus quer se cumpre. Sua vontade é soberana!";

Tito (2:11): "Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo a salvação a todos os homens";

2o Pedro (3:9) : "Ele (o Senhor) é longânimo para convosco, não querendo que nenhum se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento".

Continuando, deixamos à meditação dos leitores interessados na busca da verdade, que segundo Jesus, liberta, algumas indagações que servirão para fixar os aspectos que o confrade Jayme Andrade, em o livro "O Espiritismo e as Igrejas reformadas" apresenta, argumentando e refutando a teoria das penas eterna .
1-Se Deus é infinito em todas as suas perfeições, é também infinitamente justo. Então, porque predestina Ele algumas almas à eterna bem-aventurança e outras à eterna condenação? Onde a infinita justiça? Se Ele é infinito em todas as suas perfeições, como onisciente tem conhecimento prévio do destino das almas que vai criando, e como presciente sabe que a maior parte delas será condenada à perdição eterna. Pôr que mesmo assim, Ele continua criando? Onde a infinita bondade?

2-Se ele é infinito em todas as suas perfeições, é também onipresente. Logo, tanto está no céu, contemplando a felicidade dos eleitos, como no inferno, contemplando o sofrimento dos condenados.

E como pode ficar insensível a esse sofrimento pôr toda a eternidade? Onde fica a infinita misericórdia?

3-Se um pecador pode se arrepender dos seus erros durante a vida terrena, pôr que não poderá faze-lo após a morte? Não vemos nenhuma razão lógica para que não o possa. Então, pôr que Deus, que mandou que perdoemos indefinidamente aos que nos ofendem, e que é tão compassivo para com os que ainda se encontram no plano físico, é tão inflexível com os que já deixaram a Terra? Será a justiça humana mais equânime do que a justiça divina?

4-Como explicar a condenação da humanidade inteira pelo erro de um só homem, se Deus disse pôr Ezequiel, (18:20) : "O filho não pagará pela maldade do pai, nem o pai pela maldade do filho; a alma que pecar, essa morrerá"? E como pode o sangue de um justo apagar os pecados de todo o gênero humano?

5-Que adianta ter fé, se a fé independe da vontade do homem, e não resulta das obras, pôr ser "um dom de Deus", e se nem sequer é necessária, uma vez que a salvação é privilégio exclusivo da alguns "eleitos"?

6-Se as almas salvas na beatitude do céu conservam a lembrança dos que foram seus parentes e amigos na existência terrena, como poderão ter felicidade plena sabendo que entes queridos estão sofrendo tormentos sem fim no inferno? Como pode uma mãe carinhosa, que se sacrificou pôr um filho rebelde, desfrutar a bem-aventurança eterna, sabendo que um filho estremecido se consome em sofrimentos pôr toda a eternidade???

O Espírito André Luiz, no livro "Libertação" contribui com esta colocação:

"A rigor, não temos círculos infernais, de acordo com os figurinos da antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios satânicos de todas as épocas e, sim, esferas obscuras em que se agregam consciências embotadas na ignorância, cristalizados no ócio reprovável ou confundidas no eclipse temporário da razão. Desesperadas e insubmissas, criam zonas de tormentos reparadores. Semelhantes criaturas, no entanto, não se regeneram à força de palavras. Necessitam de amparo eficiente que lhes modifique o tom vibratório, elevando-lhes o modo de sentir e pensar.".

Com Emmanuel (Espírito) do livro "Renúncia" concluímos, definindo as regiões de sofrimento no mundo espiritual:

"Inferno ou purgatório são estados de espírito em tribulação pôr faltas graves, ou em vias de penitência regeneradora".

Bibliografia:

Kardec, Allan - "O Livro dos Espíritos", 74a edição da FEB, 1994, Rio de Janeiro - RJ;

Andrade, Jayme - "O Espiritismo e as Igrejas Reformadas", 1a edição, 1993, Ed. Gráf. "ABC do Interior", Conchas - SP;

Xavier, Francisco Cândido/André Luiz, livro "Libertação", edição FEB;

Xavier, Francisco Cândido/Emmanuel, livro "Renúncia", edição FEB.

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/benedito/o-ceu.html