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terça-feira, 30 de março de 2010

Aborto e Obsessão

TEXTO EXTRAÍDO DA COLEÇÃO DE LIVROS PSICOGRAFADOS POR CHICO XAVIER E WALDO VIEIRA – AUTORIA ESPIRITUAL DE ANDRÉ LUIZ.

Caso relatado por André Luiz, onde uma doente, uma jovem grávida, apesar dos apelos da sua genitora desencarnada, pratica o aborto:

... A genitora da enferma adiantou-se e informou-nos: A situação é muito grave! ajudem-na, por piedade! Minha presença aqui se limita a impedir o acesso de elementos perturbadores que prosseguem, implacáveis, em ronda sinistra.

        O Assistente inclinou-se para a doente, calmo e atencioso, e recomendou-me cooperar no exame particular do quadro fisiológico.

        A paisagem orgânica era das mais comoventes. A compaixão fraterna dispensar-nos-á da triste narrativa referente ao embrião prestes a ser expulso.

        Circunscrito à tese de medicação a mentes alucinadas, cabe-nos apenas dizer que a situação da jovem era impressionante e deplorável.

  • Todos os centros endócrinos estavam em desordem, e os órgãos autônomos trabalhavam aceleradamente.

  • O coração acusava estranha arritmia, e debalde as glândulas sudoríparas se esforçavam por expulsar as toxinas em verdadeira torrente invasora.

  • Nos lobos frontais, a sombra era completa;

  • no córtex encefálico, a perturbação era manifesta;

  • somente nos gânglios basais havia suprema concentração de energias mentais, fazendo-me perceber que a infeliz criatura se recolhera no campo mais baixo do ser, dominada pelos impulsos desintegradores dos próprios sentimentos, transviados e incultos.

  • Dos gânglios basais, onde se aglomeravam as mais fortes irradiações da mente alucinada, desciam estiletes escuros, que assaltavam as trompas e os ovários, penetrando a câmara vital quais tenuíssimos venábulos de treva e incidindo sobre a organização embrionária de quatro meses.

        O quadro era horrível de ver-se.

        Buscando sintonizar-me com a enferma, ouvia-lhe as afirmativas cruéis, no campo do pensamento:

— Odeio!.., odeio este filho intruso que não pedi à vida!... Expulsá-lo-ei!.., expulsá-lo-ei!...

        A mente do filhinho, em processo de reencarnação, como se fora violentada num sono brando, suplicava, chorosa: Poupa-me! poupa-me! quero acordar no trabalho! quero viver e reajustar o destino.., ajuda-me! resgatarei minha dívida!.., pagar-te-ei com amor..., não me expulses! tem caridade!...

        — Nunca! nunca! amaldiçoado sejas! — dizia a desventurada, mentalmente —; prefiro morrer a receber-te nos braços! Envenenas-me a vida, perturbas-me a estrada! detesto-te! morrerás!...

        E os raios trevosos continuavam descendo, a jacto contínuo...

        ...Nunca supus que a mente desequilibrada pudesse infligir tamanho mal ao próprio patrimônio.

        A desordem do cosmo fisiológico acentuou-se, instante a instante.

        Penosamente surpreendido, prossegui no exame da situação, verificando com espanto que o embrião reagia ao ser violentado, como que aderindo, desesperadamente, às paredes placentárias.

        A mente do filhinho imaturo começou a despertar à medida que aumentava o esforço de extração. Os raios escuros não partiam agora só do encéfalo materno; eram igualmente emitidos pela organização embrionária, estabelecendo maior desarmonia.

        Depois de longo e laborioso trabalho, o entezinho foi retirado afinal...

        Assombrado, reparei, todavia, que a ginecologista improvisada subtraia ao vaso feminino somente pequena porção de carne inânime, porque a entidade reencarnante, como se a mantivessem atraída ao corpo materno forças vigorosas e indefiníveis, oferecia condições especialíssimas, adesa ao campo celular que a expulsava. Semidesperta, num pesadelo de sofrimento, refletia extremo desespero; lamentava-se com gritos aflitivos; expedia vibrações mortíferas; balbuciava frases desconexas.

        Não estaríamos, ali, perante duas feras terrivelmente algemadas uma à outra? O filhinho que não chegara a nascer transformara-se em perigoso verdugo do psiquismo materno. Premindo com impulsos involuntários o ninho de vasos do útero, precisamente na região onde se efetua a permuta dos sangues materno e fetal, provocou ele o processo hemorrágico, violento e abundante.

Observei mais.

        Deslocado indebitamente e mantido ali por forças incoercíveis, o organismo perispirítico da entidade, que não chegara a renascer, alcançou em movimentos espontâneos a zona do coração. Envolvendo os nódulos da aurícula direita, perturbou as vias do estimulo, determinando choques tremendos no sistema nervoso central.

        Tal situação agravou o fluxo hemorrágico, que assumiu intensidade imprevista, compelindo a enfermeira a pedir socorros imediatos, depois de delir, como pôde, os vestígios de sua falta.

        Odeio-o! odeio-o! — clamava a mente materna em delírio, sentindo ainda a presença do filho na intimidade orgânica. — Nunca embalarei um intruso que me lançaria à vergonha!

        Ambos, mãe e filho, pareciam agora, por dizer mais exatamente, sintonizados na onda de ódio, porque a mente dele, exibindo estranha forma de apresentação aos meus olhos, respondia, no auge da ira:

        — Vingar-me-ei! Pagarás ceitil por ceitil! não te perdoarei!... Não me deixaste retomar a luta terrena, onde a dor, que nos seria comum, me ensinaria a desculpar-te pelo passado delituoso e a esquecer minhas cruciantes mágoas... Renegaste a prova que nos conduziria ao altar da reconciliação. Cerraste-me as portas da oportunidade redentora; entretanto, o maléfico poder, que impera em ti, habita igualmente minhalma... Trouxeste à tona de minha razão o Iodo da perversidade que dormia dentro em mim. Negas-me o recurso da purificação, mas estamos agora novamente unidos e arrastar-te-ei para o abismo... Condenaste-me à morte, e, por isso, minha sentença é igual. Não me deste o descanso, impediste meu retorno à paz da consciência, mas não ficarás por mais tempo na Terra... Não me quiseste para o serviço do amor.... Portanto, serás novamente minha para a satisfação do ódio. Vingar-me-ei! Seguirás comigo!

        Os raios mentais destruidores cruzavam-se, em horrendo quadro, de espírito a espírito.

        Enquanto observava a intensificação das toxinas, ao longo de toda a trama celular, Calderaro orava, em silêncio, invocando o auxilio exterior, ao que me pareceu.  Efetivamente, daí a instantes, pequena turma de trabalhadores espirituais penetrou o recinto. O orientador ministrou instruções. Deveriam ajudar a desventurada mãe, que permaneceria junto da filha infeliz, até à consumação da experiência...

        ... Consumou-se para ambos doloroso processo de obsessão recíproca, de amargas conseqüências no espaço e no tempo, e cuja extensão nenhum de nós pode prever.

André Luiz

...Ama pobre criatura, por duas vezes sucessivas, provocou o aborto inconsciente pelo excesso de leviandades e, atualmente, será vitima das próprias irreflexões pela terceira vez, segundo parece. Debalde temos oferecido o socorro de que podemos dispor. A infeliz deixou-se empolgar pela idéia de gozar a vida e irmanou-se a entidades desencarnadas da pior espécie, que, para acentuar seus planos sombrios, separaram-na do próprio companheiro, ansiosas por lhe precipitarem o coração na esfera das emoções baixas.

        ... No sétimo mês de gestação da nova forma física, Espíritos colaboradores ficaram nas imediações, em serviço ativo, no sentido de evitar certas extravagâncias da futura mãe, projetadas para o dia; entretanto, não creio sejamos por ela obedecidos. A organização fetal não se encontra em condições de suportar novos desequilíbrios, e, se a pobrezinha não despertar para o dever, abrirá, ainda hoje, uma terceira falência.

     ...— Não sei — comentou um daqueles perversos inimigos do bem — por que arte infernal vem resistindo o intruso. Despejá-lo-emos na primeira oportunidade.

        — Quando isto ocorre — disse outro — é que há “mãos de anjos” trabalhando por trás.

        — Pois que vão para o inferno! — exclamou o que parecia mais cruel. — Veremos quem pode mais. Cesarina já nos pertence noventa por cento. Atende perfeitamente aos nossos propósitos. Por que um filho intrujão em nossos planos? É preciso combater até ao fim.

        — No entanto — considerou o terceiro, que, até então, se mantinha em silêncio —, há mais de seis meses estamos trabalhando em vão por alijá-lo!

André Luiz

TEXTO EXTRAÍDO DA COLEÇÃO DE LIVROS PSICOGRAFADOS POR CHICO XAVIER E WALDO VIEIRA – AUTORIA ESPIRITUAL DE ANDRÉ LUIZ.

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II OS MENSAGEIROS

III MISSIONÁRIOS DA LUZ

IV OBREIROS DA VIDA ETERNA

V NO MUNDO MAIOR

VI AGENDA CRISTÃ

VII LIBERTAÇÃO

VIII ENTRE A TERRA E O CÉU

IX NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE

X AÇÃO E REAÇÃO

XI EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS

XII NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE

XIII CONDUTA ESPÍRITA

XIV SEXO E DESTINO

XV DESOBSESSÃO

XVI E A VIDA CONTINUA