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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

MEDIUNIDADE NA BÍBLIA I

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MEDIUNIDADE NA BÍBLIA

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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Introdução Histórica

O povo hebreu - A denominação Hebreus pode vir de heber (que é do outro lado), por terem vindo

do outro lado do Eufrates. Ou pode significar que eram descendentes de Eber, um ancestral de vários

povos da região.

1ª visão de Abrão (1750 a.C.) - Abrão era um homem rico, nascido em Ur, na Mesopotâmia (entre

os rios Eufrates e Tigre). Já idoso agora, tinha se estabelecido em Harã com sua esposa Sarai. Ora o

Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra e da tua parentela, e da casa de teu pai, e vem para a terra que eu

te mostrar. E eu farei de ti um grande povo, e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome, e serás bendito.

Partiu, pois, Abrão, como o Senhor lhe tinha ordenado. Abrão levou consigo Sarai, sua mulher, e Lot, filho

de seu irmão, e todos os bens que possuíam, e as pessoas que tinha adquirido em Haran; e partiram a fim

de irem para a terra de Canaã.

2ª visão de Abrão – Falou o Senhor a Abrão numa visão, dizendo: Não temas, Abrão, eu sou o teu

protetor, e a tua recompensa será excessivamente grande. E Abrão disse: Senhor, que me darás tu? Eu irei

sem filhos. E acrescentou Abrão: a mim não me destes filhos; eis que meu escravo será meu herdeiro.

Imediatamente o Senhor lhe dirigiu a palavra dizendo: Este não será o teu herdeiro, mas terá por herdeiro

aquele que nascer de ti. Depois conduziu-o fora, e disse-lhe: Olha para o céu, e conta, se podes, as

estrelas. Depois acrescentou: Assim será a tua descendência. Creu Abrão em Deus, e este ato de fé lhe foi

imputado à justiça.

3ª visão – E ao pôr do sol, veio um profundo sono a Abrão, e um horror grande e tenebroso o

acometeu. E foi-lhe dito: Sabe, desde agora, que a tua descendência será peregrina numa terra não sua,

será reduzida à escravidão, e afligida durante quatrocentos anos. Mas eu exercerei os meus juízos sobre o

povo ao qual estiverem sujeitos; e sairão depois (deste país) com grandes riquezas.

Naquele dia, fez o Senhor aliança com Abrão, dizendo: Eu darei à tua descendência esta terra,

desde o rio do Egito, até ao grande rio Eufrates.

Abrão toma Agar como esposa - Ora, Sarai, mulher de Abrão, não tinha gerado filhos; mas, tendo

uma escrava egípcia, chamada Agar, disse a seu marido: Eis que o Senhor me fez estéril, para que não dê

à luz; toma, pois, a minha escrava, a ver se ao menos por ela posso ter filhos. E Agar deu à luz um filho a

Abrão o qual lhe pôs o nome de Ismael. Tinha Abrão oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu à luz Ismael.

Mudança do nome de Abrão – Mas, quando Abrão chegou à idade de noventa e nove anos, o

Senhor apareceu-lhe, e disse-lhe: Eu sou o Deus onipotente; anda em minha presença, e sê perfeito. E eu

farei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei extraordinariamente. Abrão prostrou-se com o rosto

por terra. E Deus disse-lhe: Eu sou, e a minha aliança será contigo, e tu serás pai de muitas gentes. E não

mais serás chamado de Abrão, mas chamar-te-ás Abraão, porque te destinei para pai de muitas gentes.

Disse também Deus a Abraão: A Sarai, tua mulher não chamarás mais Sarai, mas Sara. Eu a abençoarei, e

dela te darei um filho o qual abençoarei, e será chefe de nações, e dele sairão reis dos povos. Abraão

prostrou-se com o rosto por terra, e riu-se, dizendo no seu coração: É possível que a um homem de cem

anos nasça um filho? E que Sara dê à luz aos noventa? E Deus respondeu a Abraão: Sara, tua mulher, te

dará à luz um filho, e lhe porás o nome de ISAAC, farei o meu pacto com ele e com a sua descendência

depois dele, por uma aliança eterna. E todo os homens entre vós serão circuncidados. E este meu pacto

será marcado na vossa carne para sinal de aliança eterna.

Nascimento de Isaac – Ora, o Senhor visitou Sara, como tinha prometido, e cumpriu o que tinha

dito. E ela concebeu, e deu à luz um filho na sua velhice, no tempo que Deus lhe predissera. E Abraão pôs

o nome de ISAAC ao filho que lhe nascera de Sara. E circuncidou-o ao oitavo dia, como Deus lhe tinha

ordenado. Sara pede que Abraão expulse Agar e seu filho Ismael para que o mesmo não se torne herdeiro

junto com Isaac. Abraão, pois, levantou-se de manhã, tomou pão e um odre de água, e pô-lo às costas de

Agar, e entregou-lhe o menino, e despediu-a. (O povo Árabe vem da descendência de Ismael).

Nota: O Deus de Abraão nenhuma semelhança tem com os modelos politeístas contemporâneos.

Não foi criado, não nasceu nem morreu, não tem colegas nem rivais, ascendência ou descendência, não

tem corpo, sexo ou origem. E abomina o rito pagão do sacrifício de vidas humanas, o qual é abolido a partir

da não-consumada imolação ou sacrifício de Isaac.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Casamento de Isaac com Rebeca – Esta é a descendência de Isaac, filho de Abraão: Abraão

gerou Isaac, o qual, tendo quarenta anos, se casou com Rebeca.

Quando chegou o tempo de dar à luz, eis que foram achados dois gêmeos no seu ventre. O que

saiu primeiro era vermelho, todo peludo, como uma peliça; e lhe foi posto o nome de Esaú. Imediatamente

saiu o outro, e sustinha com a mão o pé do seu irmão; por isso ela o chamou Jacó.

Esaú vende o direito de primogenitura – Jacó disse-lhe: Vende-me o teu direito de primogenitura.

Ele respondeu: Eis que vou morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura? Jacó disse: Jura-mo

pois. Esaú jurou-lhe e vendeu o direito de primogenitura. Ao que tudo indica, Isaac parece não saber dessa

cessão feita por Esaú. Ora, Isaac envelheceu, e a vista escureceu-se-lhe, e não podia ver; por esta razão

manda chamar Esaú para dar-lhe a benção. Rebeca ouviu isto, e, tendo Esaú ido para o campo, disse ela

a seu filho Jacó que lhe tomasse o lugar. Agindo dessa maneira Jacó obtém a benção de Isaac. Portando,

Esaú passou a odiar Jacó.

Isaac manda Jacó à Mesopotâmia para que tomasse uma das filhas de Labão para esposa. Jacó,

pois, tendo partido de Bersabéia, ia para Haran.

Casamento de Jacó com Lia e com Raquel – Ora, Labão tinha duas filhas: A mais velha

Chamava-se LIA e a mais nova RAQUEL. Lia porém, tinha os olhos remelosos, enquanto que Raquel era

formosa de rosto, e de gentil presença. Jacó, tendo-lhe amor, disse (a Labão): Eu te servirei sete anos por

Raquel, tua filha mais nova. Labão respondeu: Melhor é que eu a dê a ti, do que a outro homem; fica

comigo. Jacó, pois serviu sete anos por Raquel. Ele fez as bodas, tendo convidado para o banquete uma

grande turba de amigos. A noite introduziu sua filha Lia (no lugar de Raquel) na câmara de Jacó. Jacó,

tendo ficado com ela segundo o costume, viu pela manhã que era Lia; e disse ao seu sogro: Que é isto que

me quiseste fazer? Porventura não te servi eu por Raquel? Por que razão me enganaste? Labão

respondeu: No nosso país não é costume casarem-se as mais novas primeiro. Acaba a semana destas

núpcias e dar-te-ei também a outra pelo trabalho que me prestarás durante outros sete anos, passada a

semana, casou-se com Raquel. Jacó, tendo enfim alcançado as núpcias desejadas, preferiu no seu amor a

segunda à primeira, e continuou servindo Labão outros sete anos.

Mas o Senhor, vendo que ele desprezava Lia, tornou-a fecunda, permanecendo estéril a irmã. Ela

concebeu e deu à luz um filho, e pôs-lhe o nome de RUBEN, dizendo: O Senhor viu a minha humilhação;

agora o meu marido me amará. Concebeu novamente e deu à luz um filho, e disse: Porque o Senhor ouviu

que eu era tratada com desprezo, me deu também este: e pôs-lhe o nome de SIMEÃO.

Concebeu pela terceira vez e deu à luz outro filho, e disse: Agora se unirá (ainda mais) a mim o meu

marido, porque lhe dei à luz três filhos; por isso chamou a este LEVI. Concebeu pela Quarta vez e deu à luz

um filho, e disse: Agora louvarei o Senhor; por isso pôs-lhe o nome de JUDÁ (Jesus é descendente da tribo

de Judá); e cessou de dar à luz.

Ora, Raquel vendo-se infecunda, teve inveja de sua irmã, e disse a seu marido: Dá-me filhos, se

não morrerei. Jacó, enfadado, respondeu-lhe: Acaso estou eu em lugar de Deus, que te privou do fruto do

teu ventre? Ela disse: Eu tenho a serva Bala: toma-a para que ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu

tenha filhos dela. E deu-lhe Bala por mulher, a qual, depois que Jacó a tomou, concebeu e deu à luz um

filho. Raquel disse: O Senhor julgou a meu favor, e ouviu a minha voz, dando-me um filho: por isso o

chamou DAN .

Concebendo Bala pela Segunda vez, deu à luz outro filho, do qual Raquel disse: O Senhor me fez

entrar em competência com minha irmã e venci; e chamou-o NEFTALI.

Lia, vendo que tinha cessado de ter filhos, deu a seu marido sua escrava Zelfa. E, tendo ela

concebido e dado à luz um filho, Lia disse: Em boa hora; por isso pôs o nome GAD. Zelfa deu à luz ainda

outro filho. Lia disse: Isto é por minha dita, porque as mulheres me chamarão ditosa, por isso o chamou

ASER. Lia concebeu, e deu à luz o quinto filho. E disse: Deus me deu a paga, porque dei a minha escrava

ao meu marido; e pôs-lhe o nome de ISSACAR. Concebendo novamente, Lia deu à luz o sexto filho. E

disse: Deus me dotou com um bom dote; meu marido estará comigo ainda esta vez, porque eu lhe dei seis

filhos; por isso lhe pôs o nome de ZABULÃO. Depois disto deu à luz uma filha, (sete filhos) chamada DINA.

O Senhor lembrou-se também de Raquel, ouviu-a e tornou-a fecunda. Ela concebeu, e deu à luz

um filho, dizendo: Deus tirou o meu opróbrio; e pôs-lhe o nome de JOSÉ, dizendo: O Senhor me deu ainda

outro filho.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Nascido, porém, José, disse Jacó a seu sogro: Deixa que eu volte para a minha pátria, e para a

minha terra. Dá-me as mulheres e os meus filhos, pelos quais te tenho servido, para que me vá; sabes que

serviços te tenho prestado.

Deus apareceu novamente a Jacó, dizendo: Não te chamarás mais Jacó, mas teu nome será

ISRAEL. E chamou-o Israel.

Raquel concebendo novamente, deu à luz ao segundo filho. Seu pai lhe deu o nome de

BENJAMIN, isto é, filho da mão direita. Morreu, pois Raquel, e foi sepultada na estrada que conduz a

Éfrata, a qual é Belém.

Os filhos de Jacó eram doze . Filhos de Lia: Rúben (primogênito), Simeão, Levi, Judá, Issacar e

Zabulão (seis filhos). Filhos de Raquel: José e Benjamin. Filhos de Bala , escrava de Raquel: Dan e Neftali.

Filhos de Zelfa, escrava de Lia: Gad e Aser; estes são os filhos de Jacó, que lhe nasceram na Mesopotâmia

da Síria.

Ciúme dos irmãos de José – Habitou, pois, Jacó na terra de Canaã, na qual seu pai tinha vivido

como peregrino. E esta é a sua posteridade: José, ainda jovem, tendo dezesseis anos, apascentava o

rebanho com seus irmãos; acompanhava-os com os filhos de Bala e de Zelfa, mulheres de seu pai; e

acusou seus irmãos perante seu pai de um crime detestável. Ora Israel (Jacó) amava José mais que todos

os seus outros filhos, porque o gerara na velhice; fez-lhe uma túnica de várias cores. Vendo, pois, seus

irmãos que era amado pelo pai mais que todos os outros filhos, odiavam-no, e não lhe podiam falar com

bom modo. Sucedeu também que ele referiu a seus irmãos um sonho que tivera, o que foi causa de maior

ódio. Disse-lhes: Ouvi o sonho que eu tive: Parecia-me que atávamos no campo os feixes, e que o meu

feixe como que se erguia, estava direito, e que os vossos feixes, estando em roda, se prostravam diante do

meu feixe. Responderam seus irmãos: Porventura serás nosso rei? Ou seremos sujeitos ao teu domínio?

Estes sonhos, pois, e estas conversas acenderam mais a inveja e o ódio. Teve ainda outro sonho, o qual

referiu a seus irmãos, dizendo: Vi em sonhos que o sol, a lua e onze estrelas como que me adoravam. Ora,

tendo ele contado isto a seu pai e aos irmãos, seu pai repreendeu-o, e disse: Que quer dizer este sonho

que tiveste? Porventura eu, tua mãe e teus irmãos te adoraremos, prostrados por terra? Seus irmãos,

portanto, tinham-lhe inveja; porém o pai meditava coisa em silêncio.

E, como seus irmãos estivessem em Siquém apascentando os rebanhos do pai, Israel (Jacó) disse-

lhe: Teus irmãos apascentam as ovelhas em Siquém; vem, enviar-te-ei a eles. Respondendo ele, estou

pronto, Jacó disse-lhe: Vai e vê se tudo corre bem a teus irmãos e aos rebanhos; traze-me notícias do que

se passa. Mandado do vale de Hebron, (José) chegou a Dotain. Eles, porém, tendo-o visto ao longe, antes

que se aproximasse, resolveram matá-lo. Diziam entre si: Eis aí vem o sonhador, vinde, matemo-lo e

lancemo-lo em uma cisterna velha; e diremos: Uma fera cruel o devorou; então se verá de que lhe

aproveitam os seus sonhos. Rúben (primogênito), porém, ouvindo isto, esforça-se por livrá-lo das suas

mãos, e dizia: Não lhe tireis a vida, nem lhe derrameis o sangue, mas lançai-o nesta cisterna, que está no

deserto, e conservai puras as vossas mãos. Dizia isto porque queria livrá-lo das suas mãos e restituí-los a

seu pai. Logo depois, que José chegou junto de seus irmãos, despiram-no da túnica talar de várias cores, e

lançaram-no na cisterna velha que não tinha água.

Sentando-se para comer pão, viram uns viajantes ismaelitas, que vinha de Galaad, e os seus

camelos carregados de aromas, resinas e mirra, para o Egito.

Judá, então, disse aos seus irmãos: De que nos aproveita matar o nosso irmão e ocultar a sua

morte? É melhor que se venda aos ismaelitas, e que se não manchem as nossas mãos: porque é nosso

irmão e nossa carne. Concordaram os irmãos com o que dizia.

Quando passaram os negociantes madianitas, tiraram-no da cisterna, e venderam-no por vinte

dinheiros de prata aos ismaelitas; estes levaram-no para o Egito. Tomaram então a sua túnica, tingiram-na

no sangue de um cabrito, que mataram, mandaram-na levar ao pai e dizer-lhe: Encontramos esta túnica; vê

se é a túnica de teu filho, ou não. O pai, tendo-a reconhecido, disse: A túnica é de meu filho, uma cruel fera

o comeu, uma besta devorou José. E, rasgados os vestidos, cobriu-se de cilício, chorando seu filho por

muito tempo. E, enquanto ele perseverava no pranto, os madianitas venderam José no Egito a PUTIFAR,

eunuco do faraó, e general dos exércitos.

E o Senhor era com ele, e tudo o que fazia lhe sucedia prosperamente; e habitava em casa do seu

senhor, o qual conhecia muito bem que o Senhor era com ele, e prosperava em suas mãos tudo o que

fazia. José achou graça diante do seu senhor, e servia-o; e tendo recebido dele a superintendência de todas


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Tema: Mediunidade na Bíblia

as coisas, governava a casa que lhe tinha sido confiada, e tudo o que lhe fora entregue. E o Senhor

abençoou a casa do egípcio, por causa de José e multiplicou todos os seus bens, tanto em casa como no

campo. E (Putifar) não tinha outro cuidado, que pôr-se à mesa a comer. Ora José era de rosto formoso e

aspecto gentil. Pelo que, passados muitos dias, lançou sua senhora (esposa de Putifar) os olhos sobre

José, e disse: Dorme comigo. Mas ele, não consentindo de modo algum na execrável ação, disse-lhe: Eis

que o meu Senhor, tendo entregue tudo nas minas mãos, ignora o que tem em sua casa; não há coisa

alguma que não esteja em meu poder, ou que me não tenha confiado, exceto tu, que és sua mulher. Como,

pois, posso eu cometer esta maldade, e pecar contra o meu Deus? Com semelhantes palavras todos os

dias era a mulher molesta ao jovem; ele recusava pecar. Mas aconteceu que, um dia, entrou José em casa,

e fazia certa obra, sem que ninguém o visse; e ela segurando-o pela orla do seu vestido, disse-lhe: Dorme

comigo. Mas ele, deixando a capa na sua mão fugiu e saiu para fora. A mulher, vendo a capa nas suas

mãos, e vendo que era desprezada, chamou a si a gente da casa e disse-lhes: Vede, trouxe-nos este

homem hebreu para zombar de nós. Veio ter comigo para me seduzir, e, tendo eu gritado, ele, ao ouvir a

minha voz, deixou a capa em que eu pegava, e fugiu para fora. Em prova da sua fidelidade mostrou ao

marido, quando ele voltou para casa, a capa com que tinha ficado, e disse: Aquele servo hebreu, que

trouxeste, veio ter comigo para fazer zombaria de mim; e, ouvindo que eu gritava, deixou a capa em que

eu pegava, e fugiu para fora. Ao ouvir isto, o senhor, demasiado crédulo nas palavras da mulher, irou-se em

extremo; e lançou José no cárcere, onde estavam detidos os presos do rei, e ele foi aí encarcerado. O

Senhor, porém, foi com José e, compadecido dele, fê-lo encontrar graça diante do governador da prisão, o

qual confiou à sua vigilância todos os presos que estavam no cárcere; e tudo o que se fazia, era feito por

sua ordem. Nem o governador tomava conhecimento de coisa alguma, depois que lhe confiou tudo; porque

o Senhor era com ele, e fazia prosperar todas as suas obras.

Depois disto, aconteceu que dois eunucos, o copeiro do rei do Egito e o padeiro, pecaram contra o

seu senhor. O faraó, irado contra eles (porque um presidia aos copeiros, outro aos padeiros), mandou-os

lançar no cárcere do general do exército no qual estava também preso José.

O guarda do cárcere entregou-os a José que também os servia. Tinha decorrido algum tempo,

desde que eles estavam encarcerados na prisão. Ambos, numa mesma noite, tiveram um sonho, que por

sua interpretação se referia a eles. Tendo ido José junto deles pela manhã, e vendo-os tristes, interrogou-

os, dizendo: Por que razão está hoje o vosso semblante mais triste que o costumado? Eles responderam:

Tivemos um sonho, e não há quem no-lo interprete. José disse-lhes: Porventura não pertence a Deus a

interpretação? Contai-me o que vistes. O copeiro-mor foi o primeiro que contou o seu sonho: Eu via diante

de mim uma cepa, na qual havia três varas, crescer pouco a pouco em gomos, e, depois, dar flores,

amadurecerem as uvas; e eu tinha a taça do faraó na minha mão; tomei as uvas, espremi-as na taça, que

tinha na mão, e apresentei de beber ao faraó. José respondeu: A interpretação do sonho é esta: As três

varas são três dias ainda, depois dos quais se lembrará o faraó dos teus serviços, e te restituirá ao antigo

cargo; tu lhe apresentarás a taça conforme o teu ofício, como costumavas fazer antes. Somente lembra-te

de mim, e usa para comigo de compaixão, quando fores feliz, e solicita ao faraó que me tire deste cárcere,

porque, por fraude, fui tirado da terra dos hebreus, e, estando inocente, fui lançado nesta fossa.

Vendo o padeiro-mor que tinha interpretado sabiamente o sonho, disse: Também eu tive um sonho:

Parecia-me ter três cestos de farinha sobre a minha cabeça, e que, no cesto que estava mais alto, levava

todos os manjares, que a arte de padeiro pode preparar, e que as aves comiam dele.

José respondeu: A interpretação do sonho é esta: Os três cestos são três dias ainda, depois dos

quais o faraó mandará tirar-te a cabeça, e te suspenderá em uma forca e as aves devorarão as tuas carnes.

Com efeito, três dias depois, era o dia do nascimento do faraó, o qual dando um grande banquete

aos seus criados, se lembrou à mesa do copeiro-mor e do padeiro-mor. Restituiu um ao seu lugar, para lhe

ministrar a taça; e mandou suspender o outro num patíbulo, pelo que foi comprovada a verdade do

intérprete. E, não obstante sucederem-lhe prosperamente as coisas, o copeiro-mor esqueceu-se do seu

intérprete.

Dois anos depois, o faraó teve um sonho. Parecia-lhe que estava na margem do rio, do qual saíam

sete vacas, muito formosas e gordas, as quais pastavam nos lugares palustres. Saíam também outras sete

do rio, desfiguradas e consumidas de magreza, as quais pastavam na mesma margem do rio, em lugares

cheios de erva; e estas devoraram aquelas que eram belas de aspecto e gordas de corpo. Tendo o faraó

despertado, adormeceu novamente, e teve outro sonho: sete espigas saíam do mesmo caule, cheias de

grãos e formosas; nasciam também outras tantas espigas delgadas e queimadas do suão, as quais


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Tema: Mediunidade na Bíblia

devoravam todas as primeiras que eram tão belas. Despertando o faraó do sono, e tendo amanhecido,

cheio de pavor, mandou chamar todos os adivinhos do Egito, e todos os sábios; e estando reunidos, contou-

lhes o sonho e não havia quem lho explicasse.

Então, finalmente, lembrou-se o copeiro-mor de José. Imediatamente José foi tirado do cárcere por

mandado do rei; barbearam-no, mudaram-lhe os vestidos, e apresentaram-no. E este disse-lhe: Tive uns

sonhos, e não há quem os interprete; ouvi dizer que tu sabes explicá-los sapientissimamente. José

respondeu: Não eu, mas Deus responderá favoravelmente ao faraó. O faraó pois, contou o que tinha visto

em sonhos. José respondeu: O sonho do rei reduz-se a um só: Deus mostrou ao faraó o que está para

fazer. As sete vacas formosas e as sete espigas cheias são sete anos de abundância; e no sonho têm a

mesma significação. As sete vacas magras e macilentas, que subiram do rio após as primeiras, e as sete

espigas delgadas e queimadas do suão são sete anos de fome que estão para vir. Isto cumprir-se-á por

esta ordem. Eis que virão sete anos de grande fertilidade por toda a terra do Egito; depois dos quais

seguirão outros sete anos de tanta esterilidade que será esquecida toda a abundância passada; porque a

fome há de consumir toda a terra, e a grandeza da penúria há de absorver a grandeza da abundância.

Agora, pois, escolha o rei um homem sábio e ativo, a quem dê autoridade sobre a terra do Egito; este

homem estabeleça superintendentes por todas as províncias; e a Quinta parte dos frutos nos sete anos de

fertilidade, que já estão para começar, seja recolhida nos celeiros, e guarde-se todo o trigo debaixo do

poder do faraó, e conserve-se nas cidades. E tenha-se preparado para a futura fome dos sete anos, que há

de oprimir o Egito; assim o país não será consumido pela fome.

José nomeado superintendente do Egito – Agradou o conselho ao faraó e a todos os seus

ministros; e disse-lhes: Podemos nós encontrar um homem como este, que esteja cheio do espírito de

Deus? Disse, pois a José: Visto que Deus te manifestou tudo o que disseste, poderei eu encontrar alguém

mais sábio e semelhante a ti? Tu governarás a minha casa, e ao mando de tua voz obedecerá todo o povo;

eu não terei sobre ti outra precedência além do trono. O faraó disse mais a José: Eis que te dou autoridade

sobre toda a terra do Egito. Tirou o anel da sua mão, e colocou-a na mão dele; vestiu-lhe um vestido de

linho fino e pôs-lhe ao pescoço um colar de ouro. E fê-lo subir para o seu segundo coche, clamando o

pregoeiro que todos ajoelhassem diante dele, e soubessem que era o superintendente de toda a terra do

Egito.

Deu-lhe por mulher a Asenet, filha de Putifar, sacerdote de On. Saiu, portanto, José a correr a terra

do Egito, tinha trinta anos quando se apresentou diante do faraó, percorreu todas as províncias do Egito.

Veio, pois , a fertilidade dos sete anos e, atado o trigo aos molhos, foi recolhido aos celeiros do

Egito. Recolhe-se também em cada uma das cidades toda a abundância de frutos. Foi tanta a abundância

do trigo, que igualava a areia do mar, e a quantidade excedia toda a medida. Nasceram a José dois filhos

antes de chegar a fome. Ao primogênito pôs o nome de Manassés, ao segundo pôs o nome de Efraim.

Passado, pois, os sete anos da abundância, que houve no Egito, começaram a vir os sete anos de carestia,

que José prognosticara; e, em todo o mundo, se fez sentir a fome; porém em toda a terra do Egito havia

pão. E, quando também o Egito sentiu a fome, o povo clamou ao faraó, pedindo sustendo. E ele respondeu-

lhes: Ide a José, e fazei tudo o que ele vos disser. Ora a fome crescia todos os dias em toda a terra; e José

abriu todos os celeiros, e vendia aos egípcios; porque também a eles oprimia a fome. E todas as províncias

vinha ao Egito, para comprar de comer, e procurar alívio ao mal da carestia.

Jacó manda os filhos ao Egito – Ora Israel (Jacó), tendo ouvido dizer que no Egito se vendia de

comer, disse a seus filhos: Por que estais a olhar uns para os outros? Ouvi dizer que no Egito se vende

trigo; ide, e comprai-nos o necessário; para que possamos viver, e não sejamos consumidos pela fome. Os

dez irmãos de José foram, pois, ao Egito para comprar trigo. Benjamim ficou retido em casa com Jacó. Eles

entraram na terra do Egito com outros que iam comprar trigo. Porque existia a fome na terra de Canaã.

Encontro de José com seus irmãos – José era governador na terra do Egito, e, conforme a sua

vontade, se vendia o trigo aos povos. Tendo-se prostrado diante dele os seus irmãos, ele os reconheceu, e

falava-lhes com aspereza, como a estrangeiros, perguntando-lhe: Donde vindes? E eles responderam: Da

terra de Canaã, a fim de comprar o necessário para o sustento. Embora ele reconhecesse os irmãos,

todavia não foi reconhecido por eles.

Reconciliação – Aproximai-vos de mim. Tendo-se eles aproximado, disse: Eu sou José, vosso

irmão, a quem vós vendestes para o Egito. Não temais, nem vos pareça ser coisa dura o terdes-me

vendido para este país, porque para vossa salvação me mandou Deus diante de vós para o Egito.

Apressai-vos, ide a meu pai, e lhe direis: Isto te manda dizer teu filho José: Deus fez-me senhor de toda a


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Tema: Mediunidade na Bíblia

terra do Egito; vem para minha companhia, não te demores, habitarás na terra de Gessém; estarás perto de

mim, tu e teus filhos e os filhos de teus filhos, as tuas ovelhas, os teus rebanhos, e tudo o que possuis. Aí te

sustentarei porque ainda restam cinco anos de fome, para que não pereças tu e a tua casa, e tudo o que

possuis.

Ouviu-se e divulgou-se de boca em boca no palácio do rei: Chegaram os irmãos de José; o faraó e

toda a sua família se alegrou. Disse a José que ordenasse e dissesse a seus irmãos: Carregai os vossos

jumentos, ide para a terra de Canaã, tirai de lá vosso pai e família e vinde para junto de mim; eu vos darei

todos os bens do Egito. Os filhos de Israel fizeram como lhes fora mandado. José deu-lhes carros segundo

a ordem do faraó, e mantimentos para o caminho.

Partida de Jacó para o Egito – Partiu, pois, Israel com tudo o que possuía, e foi ao poço do

juramento; e, tendo imolado aí vítima ao Deus de seu pai Isaac, ouviu-o numa visão de noite, que o

clamava e lhe dizia: Jacó! Jacó! Ao qual ele respondeu: Eis-me aqui. Deus disse-lhe: Eu sou o Deus

fortíssimo de teu pai; não temas, vai para o Egito, porque eu te farei ser uma grande nação. Eu irei para lá

contigo, e te reconduzirei de lá quando voltares.

Todas as almas que entraram com Jacó (Israel) no Egito, e que descendiam dele, não contando as

mulheres de seus filhos, eram sessenta e seis.

E os filhos de José, que lhe tinham nascido no Egito, eram dois. Todas as almas da casa de Jacó,

que entraram no Egito, foram setenta.

1. Moisés

Introdução ao Êxodo – O segundo livro do Pentateuco toma o nome de Êxodo; da saída dos

hebreus do Egito, onde, depois dos bons tempos de José, passaram a sofrer a mais dura escravidão. Esse

acontecimento, porém, nada mais foi do que o prelúdio de fatos muito mais importantes na vida dos filhos

de Israel (Jacó), os quais, de um conglomerado de família que eram, recuperando a liberdade, conquistaram

verdadeira unidade de nação independente e receberam uma legislação especial, uma forma de vida moral

e religiosa, pelas quais se distinguiram de todos os outros povos da terra.

A cronologia do Êxodo, ou seja, o ano em que os hebreus saíram do Egito está naturalmente ligada

à história desse país. Mas, já que a Bíblia não fornece os nomes dos dois faraós, o da opressão (1,8;2,23) e

o da saída (14,5), duas opiniões diversas se equilibram entre os doutos, com autoridade e número de

defensores quase iguais.

Para uns, o opressor seria Totmés III (1500 – 1450) e o da libertação Amênofis II (1447 – 1420) da

XVIII dinastia; para outros, no entanto, o opressor seria Ramsés II (1292 – 1225) e o da libertação Menefta

(1225 – 1215).

Multiplicação dos israelitas no Egito – Estes são os nomes dos filhos de Israel (Jacó), que

entraram no Egito; cada um deles entrou com sua família: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zabulão,

Benjamim, Dan, Neftali, Gad e Aser (filhos de escravas). Portanto, eram setenta as almas que tinham saído

de Jacó; e José estava lá no Egito. Depois da sua morte e da de todos os seus irmãos, e de toda aquela

geração, os filhos de Israel (Jacó) cresceram, e multiplicaram-se como se tivessem germinado; e, tendo-se

tornado extremamente fortes, encheram a terra.

Entretanto levantou-se no Egito um novo rei (faraó), que não conhecia José (a expressão não

conhecia equivale a não levava em consideração os serviços relevantes que José tinha prestado ao Egito).

E disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel (Jacó) é numeroso e mais forte que nós. Vinde,

oprimamo-lo com astúcia, para que ele não se multiplique, e, se sobrevier contra nós alguma guerra, se una

com os nossos inimigos, e, depois de nos vencer, saia deste país. Portanto estabeleceu sobre eles

inspetores de obras, para os oprimirem com trabalhos penosos; eles edificaram ao faraó as cidades das

tendas, Fiton e Ramesses. Mas, quanto mais os oprimiam, tanto mais se multiplicavam e cresciam. Os

egípcios odiavam os filhos de Israel, e os afligiam com insultos; faziam-lhes passar vida amarga com

penosos trabalhos de barro e de tijolos, e com toda a espécie de serviço com que os oprimiam nos

trabalhos do campo. O rei do Egito (faraó) falou às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Séfora e outra Fua, ordenando-lhes: Quando assistirdes as mulheres hebréias e chegar o tempo do parto,

se for menino, matai-os, se for menina, conservai-a.

Mas as parteiras temeram a Deus, e não obedeceram à ordem do rei do Egito, mas conservavam os

meninos.

Então, tendo-as chamado, o rei disse-lhes: O que é que quisestes fazer, conservando os meninos?

Elas responderam: As mulheres hebréias não são como as egípcias; pois sabem assistir-se no seu parto, e

antes de nós chegarmos, dão à luz. Deus, portanto, fez bem às parteiras; o povo cresceu, e se fortificou

extraordinariamente.

E, porque as parteiras temeram a Deus, ele edificou-lhes casas. Então ordenou o faraó a todo o seu

povo, dizendo: Tudo o que nascer do sexo masculino lançai-o ao rio; e tudo o que nascer do sexo feminino

conservai-o.

Moisés salvo das águas – Depois disto um homem da família de Levi (descendência de Levi; filho

de Jacó) partiu e tomou para esposa uma mulher da sua estirpe, a qual concebeu, e deu à luz um filho; e,

vendo-o belo, escondeu-o por espaço de três meses. Mas não podendo mais tê-lo escondido, tomou um

cesto de junco, e barrou-o com betume e pez; colocou dentro o menino, e expô-lo num canavial junto a

margem do rio, estando ao longe a sua irmã a observar o que sucederia. E eis que a filha do faraó vinha

lavar-se no rio; e as suas criadas caminhavam ao longo da margem do rio. Tendo ela visto o cesto no

canavial, mandou uma das suas criadas trazer-lho; e abrindo-o, e vendo nele o menino, que vagia

(Chorava) compadecida dele, disse: Este é um dos meninos dos hebreus.

E a irmã do mesmo disse-lhe: Queres que vá e que te chame uma mulher hebréia, que possa aleitar

o menino? Ela respondeu: Vai. A donzela partiu e chamou sua mãe. A filha do faraó disse-lhe: Toma este

menino, e aleita-mo; eu te darei a tua paga. A mulher tomou e aleitou o menino (seu próprio filho); e quando

estava crescido, entregou-o à filha do faraó, que o adotou por filho, e pôs-lhe o nome de Moisés, dizendo:

Porque eu o tirei da água.

Moisés foge para o país de Madian - Naqueles dias, sendo Moisés já grande, saiu a visitar seus

irmãos; e viu a sua aflição, e um homem egípcio que maltratava um dos hebreus seus irmãos. Tendo olhado

para uma e outra parte, e vendo que não estava ali ninguém, matando o egípcio, escondeu-o na areia.

Tendo saído no dia seguinte, viu dois hebreus rixando, e disse ao que fazia injúria: Por que feres o teu

próximo? Ele respondeu: Quem te constituiu príncipe e juiz sobre nós? Acaso queres tu matar-me, como

mataste o egípcio? Moisés temeu e disse: Como é que tal coisa se descobriu? O faraó foi informado do

acontecimento e procurava matar Moisés; ele, porém, fugindo da sua vista, parou na terra de Madian, e

assentou-se junto de um poço.

Ora o sacerdote de Madian tinha sete filhas as quais foram tirar água; tendo enchido as pias,

queriam dar de beber aos rebanhos de seu pai.

Sobrevieram os pastores, e lançaram-nas fora dali; e Moisés levantou-se e, tomando a defesa das

moças, deu de beber às suas ovelhas. Quando elas voltaram para casa de Raguel (Jetro), seu pai, este

disse-lhes: Por que vieste mais cedo do que de costume? Responderam-lhes: Um homem egípcio livrou-nos

das mãos dos pastores; e, além disso, tirou água conosco, e deu de beber às ovelhas. Ele disse: Onde

está? Por que deixaste partir esse homem? Chamai-o para comer pão.

Jurou, pois, Moisés que ficaria com ele. Tomou por mulher a Séfora, sua filha. Ela deu à luz um filho

a quem pôs o nome de Gersão, dizendo: Fui peregrino numa terra estrangeira. Deu à luz ainda outro filho e

chamou-o Eliezer, dizendo: O Deus de meu pai, meu auxílio, livrou-me das mãos do faraó. Muito tempo

depois, porém, morreu o rei do Egito; e os filhos de Israel (Jacó), gemendo debaixo do peso dos trabalhos,

clamaram; e o seu clamor por causa dos trabalhos subiu até Deus, o qual ouviu os seus gemidos e se

lembrou da aliança que tinha feito com Abraão, Isaac e Jacó. E o Senhor olhou para os filhos de Israel, e

reconheceu-os por seus filhos.

Aparição divina – Ora, Moisés apascentava as ovelhas de Jetro (Raguel), seu sogro, sacerdote de

Madian; e, tendo conduzido o rebanho para o interior do deserto, chegou ao monte de Deus, ao Horeb (é o

nome do Sinai, grupo de elevados picos). O Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo que saía do meio de

uma sarça (Silva: designação de várias plantas medicinais. Silvado: Moita de silva. Matagal: Bosque grande

e espesso), e Moisés via que a sarça ardia, sem se consumir. Disse, pois, Moisés: Irei, e verei esta grande

visão, e verei por que causa se não consome a sarça. Mas o Senhor vendo que ele se movia para ir ver,


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Tema: Mediunidade na Bíblia

chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Ele respondeu: Aqui estou. E o Senhor disse: Não te

aproximes daqui: tira as sandálias de teus pés porque o lugar, em que estás, é uma terra santa. E

acrescentou: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó. Cobriu

Moisés o rosto, porque não ousava olhar para Deus. E o Senhor disse-lhe: Eu vi a aflição do meu povo no

Egito, e ouvi o seu clamor causado pela crueza daqueles que tem a superintendência das obras.

Conhecendo a sua dor, desci para o livrar das mãos dos egípcios, e para o conduzir daquela terra para uma

terra boa e espaçosa, para uma terra, onde corre o leite e o mel, nas regiões do cananeu, do heteu, do

amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu. O clamor, pois, dos filhos de Israel chegou até mim; e eu vi a

sua aflição, com que são oprimidos pelos egípcios.

Mas vem, e eu te enviarei ao faraó, a fim de que tires do Egito o meu povo, os filhos de Israel

(Jacó). Moisés disse a Deus: Quem sou eu, para ir ter com o faraó, e tirar os filhos de Israel do Egito? Deus

disse-lhe: Eu serei contigo; e terás isto por sinal de que eu te mandei: Quando tiveres tirado o meu povo do

Egito, oferecerás sacrifícios a Deus sobre este monte.

Moisés disse a Deus: Eis que eu irei aos filhos de Israel (Jacó), e lhes direi: O Deus de vossos pais

enviou-me a vós. Se eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes hei de responder? Deus disse a

Moisés: Eu sou aquele que sou. E disse: Assim dirás aos filhos de Israel: Aquele que é enviou-me a vós.

E Deus disse novamente a Moisés: Dirás isto aos filhos de Israel: O Senhor Deus de vossos pais; o

Deus de Abraão, Isaac, e o Deus de Jacó, enviou-me a vós; este é o meu nome por toda a eternidade, e

com ele serei recordado de geração em geração.

Deus promete a Moisés o bom êxito da missão que lhe confia – Vai, e reúne os anciãos de

Israel e lhe dirás: O Senhor Deus de vossos pais apareceu-me, e disse: Eu vos visitei atentamente, e vi tudo

o que vos tem sucedido no Egito. Resolvi tirar-vos da opressão dos egípcios e conduzir-vos à terra

prometida.

Eles ouvirão a tua voz, e tu com os anciãos de Israel irás ao rei do Egito, e lhe dirás: O Senhor Deus

dos hebreus chamou-nos; nós faremos viagem de três dias ao deserto, para sacrificarmos ao Senhor nosso

Deus.

Mas eu sei que o rei do Egito não vos deixará ir, se não for obrigado por mão forte. Por isso eu

estenderei a minha mão, e ferirei o Egito com toda a sorte de prodígios, que farei no meio deles; depois

disto vos deixará partir. Eu farei que este povo encontre graça junto dos egípcios; e, quando partirdes, não

saireis com as mãos vazias. Mas cada mulher pedirá à sua vizinha e àquela que mora na sua casa, vasos

de prata e de ouro e vestidos; e pô-los-eis sobre vossos filhos e vossas filhas, e despojareis o Egito.

Comentários: “E via que a sarça ardia sem se consumir”.

1) Espiritismo – Na verdade, Moisés não vira uma sarça a arder sem se consumir. O que ele vira

fora um Espírito cuja alta hierarquia se revelava pela sua Luz. (Mediunidade na Bíblia, Henrique Gimenez).

2) Ciência – O fenômeno da sarça ardente existe, pois, na natureza, literalmente, em plantas com

um grande conteúdo de óleo voláteis. (E a Bíblia tinha razão – Werner Keller)

Milagres para confirmar a missão de Moisés – Respondendo Moisés, disse: Não me darão

crédito, nem ouvirão a minha voz, mas dirão: O Senhor não te apareceu. Disse-lhe, pois, o Senhor: Que é o

que tens na mão? Ele respondeu: Uma vara. E o Senhor disse: Deita-a ao chão. Deitou-a, e ela converteu-

se numa serpente, de sorte que Moisés fugiu. O Senhor disse: Estende a tua mão, e pega-lhe pela cauda.

Estendeu a mão, e pegou-lhe, e transformou-se numa vara. Assim farei, disse o Senhor, para que creiam

que te apareceu o Senhor Deus de teus pais. E outra vez disse o Senhor: Põe a tua mão no teu seio. E,

pondo-a no seio, tirou-a leprosa (branca) como a neve. Torna a pôr, disse o Senhor, a tua mão no teu seio.

Tornou a pô-la, e tirou-a de novo, e era semelhante à outra carne. Se te não acreditarem, prosseguiu o

Senhor, nem ouvirem a voz do primeiro prodígio, acreditarão na palavra do segundo prodígio. Se nem

ainda acreditarem nestes dois prodígios, e não ouvirem a tua voz, toma água do rio, e derrama-a por terra, e

toda a que tirares do rio se converterá em sangue.

Arão intérprete de Moisés – Moisés disse: Perdoa, Senhor, eu não sou de palavra fácil desde

ontem e desde anteontem; e, desde que falaste ao teu servo, a minha língua está mais embaraçada e mais

tarda. O Senhor disse-lhe: Quem fez a boca do homem? Ou quem formou o mudo e o surdo, o que vê e o

que é cego? Não sou eu?


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Vai, pois, e eu estarei na tua boca, e te ensinarei o que deverás dizer. Moisés porém disse: Rogo-te,

Senhor, que envies aquele que deves enviar. O Senhor irou-se contra Moisés, e disse: Eu sei que Arão, teu

irmão levita, é eloqüente; eis que ele sai ao teu encontro, e, vendo-te, se alegrará no seu coração. Fala-lhe,

e põe as minhas palavras na sua boca; e eu serei na tua boca e na dele, e vos mostrarei o que deveis fazer.

Ele falará por ti ao povo e será a tua boca; e tu dirigi-lo-ás no que diz respeito a Deus.

Toma também na tua mão esta vara, com a qual operarás os prodígios.

Partida de Moisés para o Egito – Moisés partiu, e voltou para Jetro (Raguel) seu sogro, e disse-

lhe: Eu irei, e voltarei aos meus irmãos no Egito a ver se ainda estão vivos. Jetro disse-lhe: Vai em paz. Ora

o Senhor disse a Moisés, em Madian: Vai, e volta ao Egito porque morreram todos aqueles que procuravam

a tua alma. Tomou, pois, Moisés sua mulher e os seus filhos e pô-los sobre um jumento, e voltou para o

Egito, levando na mão a vara de Deus. E o Senhor disse-lhe enquanto voltava para o Egito: Cuida de fazer

diante do faraó todos os prodígios que eu pus na tua mão. Eu endurecerei o seu coração, e ele não deixará

partir o povo. E tu lhe dirás: O Senhor diz estas coisas: Israel é o meu filho primogênito. Eu disse-te: Deixa

partir meu filho, para que ele me sirva; e tu não quiseste deixá-lo partir; eis que matarei o teu filho

primogênito.

Moisés e Arão diante do faraó – Foram juntos para o Egito, e lá congregaram todos os anciãos

dos filhos de Israel (Jacó). Arão anunciou todas as palavras que o Senhor tinha dito a Moisés: e este fez os

prodígios diante do povo, o qual acreditaram. E compreenderam que o Senhor visitava os filhos de Israel e

que tinha visto a sua aflição; e, prostrados, o adoram.

Primeiro encontro de Moisés com o faraó – Moisés e Arão foram ter com o faraó e disseram-lhe:

estas coisas diz o Senhor Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me ofereça sacrifícios no deserto.

Ele, porém, respondeu: Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz, e deixe ir Israel? Não conheço o

Senhor, e não deixarei ir Israel (são todos os descendentes de Jacó). E eles disseram: O Deus dos hebreus

chamou-nos para que andemos três dias de caminhada pelo deserto, e sacrifiquemos ao Senhor nosso

Deus; não suceda que venha sobre nós a peste ou a espada. O rei do Egito respondeu-lhes: Moisés e Arão,

por que distraís o povo dos seus trabalhos? Ide para as vossas tarefas.

Naquele mesmo dia ordenou aos prefeitos das obras e aos exatores (coletores de impostos) do

povo dizendo: Não mais dareis palha, como antes, ao povo, a fim de fazer tijolos, mas eles mesmos

juntarão a palha. E os obrigareis à mesma quantidade de tijolos que antes, sem lhes diminuir nada; porque

estão ociosos, por isso gritam, dizendo: Vamos e sacrificaremos ao nosso Deus.

Queixas do povo contra Moisés. Resposta de Deus – O povo ao encontrarem Moisés e Arão,

disseram-lhes: O Senhor veja e julgue porque vós nos pusestes em má luz diante do faraó e de seus

servos, e lhe pusestes a espada na mão para nos matar. Moisés voltou-se para o Senhor, e disse: por que

afligiste este povo? Por que me enviaste? Pois, desde que eu me apresentei ao faraó para lhe falar em teu

nome, ele atormentou o teu povo, e tu não os livrastes. E o Senhor disse a Moisés: Agora verás o que eu

farei ao faraó; porque obrigado por mão poderosa os deixará sair. O Senhor falou a Moisés, dizendo: Eu

sou o Senhor, que apareci a Abraão, a Isaac e a Jacó, como o Deus onipotente; mas não lhes revelei o meu

nome Adonai. Fiz, porém, aliança com eles para lhes dar a terra de Canaã, a terra da sua peregrinação, na

qual foram forasteiros. Ouvi o gemido dos filhos de Israel (Jacó), que os egípcios têm oprimido; e lembrei-

me da minha aliança. Por isso dize aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, que vos tirarei de sob o jugo dos

egípcios, e vos livrarei da escravidão, e vos resgatarei com o braço estendido e com grandes juízos, e vos

tomarei por um povo, e serei o vosso Deus. Moisés contou tudo isso aos filhos de Israel; eles, porém, não o

ouviram por causa da angústia do espírito, e do trabalho duríssimo. O Senhor falou a Moisés, dizendo: Vai

dizer ao faraó, rei do Egito, que deixe partir da sua terra os filhos de Israel. Moisés respondeu na presença

do Senhor: Eis que os filhos de Israel não me ouviram; e como me ouvirá o faraó, principalmente sendo eu

incircunciso dos lábios? E o Senhor falou a Moisés: Eis que te constituí deus do faraó, e Arão, teu irmão,

será teu profeta. Tu lhes dirás tudo o que eu te mando; e ele falará ao faraó, para que deixe partir do seu

país os filhos de Israel.

Segundo encontro de Moisés com o faraó – E o Senhor disse a Moisés e a Arão: Quando o faraó

vos disser: Fazei alguns prodígios, tu dirás a Arão: Pega na tua vara, e lança-a por terra diante do faraó, e

ela se converterá em serpente. Tendo pois, Moisés e Arão ido à presença do faraó, fizeram conforme o

Senhor tinha ordenado; e Arão lançou por terra a vara diante do faraó e dos seus servos, e ela converteu-se

em serpente.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Mas o faraó chamou os sábios e os magos, e eles fizeram também coisas semelhantes por meio de

encantamentos egípcios. Lançaram por terra cada um deles as suas varas, as quais se converteram em

dragões, mas a vara de Arão devorou as varas deles.

Primeira praga: A transformação da água em sangue – E endureceu-se o coração do faraó, e

não os ouviu. E o Senhor disse a Moisés: Obstinou-se o coração do faraó; não quer deixar partir o meu

povo. Vai ter com ele pela manhã; eis que ele sairá para ir ao rio; e estarás em frente dele sobre a margem

do rio, e tomarás na tua mão a vara, que se converteu em serpente. E lhe dirás: O Senhor Deus dos

hebreus enviou-me a ti para te dizer: Deixa sair o meu povo para que me ofereça sacrifícios no deserto; e

até ao presente não quiseste ouvir. Eis, pois, o que diz o Senhor: Nisto reconhecerás que eu sou o Senhor.

Eis que ferirei com a vara, que tenho na minha mão, a água do rio e ela se converterá em sangue. Os

peixes também que há no rio, morrerão, e as águas se corromperão e os egípcios, que beberem a água do

rio, terão que sofrer.

O Senhor disse também a Moisés: Dize a Arão: Toma a tua vara e estende a tua mão sobre as

águas do Egito, e sobre os seus rios e ribeiros, e lagoas, e todos os lagos de águas, para que se

convertam em sangue; e haja sangue em toda a terra do Egito. Moisés e Arão fizeram como o Senhor lhes

mandara, levantando a vara, feriu a água do rio na presença do faraó e dos seus servos; e ela converteu-se

em sangue. Os peixes, que havia no rio, morreram; o rio corrompeu-se, e os egípcios não podiam beber da

água do rio, e houve sangue por toda a terra do Egito. Os magos do Egito fizeram coisa semelhante com os

seus encantamentos; e o coração do faraó endureceu-se, e não os ouviu como o Senhor tinha mandado. E

o faraó voltou-lhes as costas, entrou em sua casa, e não aplicou o seu coração a estas coisas ainda desta

vez. Todos os egípcios cavaram nos arredores do rio para encontrar água potável; porque não podiam

beber da água do rio. Passaram-se sete dias depois que o Senhor feriu o rio.

Comentário:

1) Espiritismo – Nesta passagem o único fenômeno mediúnico descrito é a audiência de Moisés.

2) Ciência – A primeira praga caracteriza condições típicas conseqüentes de uma superenchente

do Nilo, saturada de terra vermelha trazida das bacias do Nilo azul e do Atbara, dois afluentes do Nilo

oriundos de terras vermelhas (A Mediunidade na Bíblia – Henrique Gimenez).

Segunda praga: As rãs – O Senhor disse novamente a Moisés: Vai ter com o faraó, e lhe dirás:

Estas coisas diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me ofereça sacrifícios. Se, porém, o não quiseres

deixar ir, eis que flagelarei com rãs todo o teu país. O rio ferverá em rãs, elas subirão, e entrarão na tua

casa, na câmara onde dormes, sobre o teu leito, nas casas dos teus servos, no meio do teu povo, nos teus

fornos, e nos sobejos dos teus alimentos; e as rãs irão sobre ti, sobre o teu povo e sobre todos os teus

servos. E o Senhor disse a Moisés: Dize a Arão: Estende a tua mão sobre os rios e sobre os ribeiros e

lagoas, e faze sair rãs sobre a terra do Egito. Arão estendeu a sua mão sobre as águas do Egito, e as rãs

saíram e cobriram a terra do Egito. Os magos, porém, fizeram coisa semelhante por meio dos seus

encantamentos, e fizeram sair rãs sobre a terra do Egito.

O faraó chamou Moisés e Arão e disse-lhes: Rogai ao Senhor que afaste as rãs de mim e do meu

povo, e eu deixarei ir o povo para que ofereça sacrifícios ao Senhor. Moisés disse ao faraó: Determina-me

quando deverei rogar por ti, pelos teus servos e pelo teu povo, a fim de que as rãs sejam afastadas de ti, da

tua casa, dos teus servos, do teu povo; e somente fiquem no rio. Ele respondeu: Amanhã. Moisés disse:

Farei segundo a tua palavra, para que saibas que não há quem seja como o Senhor nosso Deus. As rãs

afastar-se-ão de ti, da tua casa, dos teus servos e do teu povo; e somente ficarão no rio. E o Senhor fez

conforme a palavra de Moisés; e morreram as rãs das casas, das granjas e dos campos. E juntaram-nas

em imensos montões, e a terra ficou infeccionada. Mas o faraó, vendo que lhe era dado alívio, endureceu o

seu coração, e não os ouviu, como o Senhor tinha mandado.

Comentário:

1) Espiritismo – Não há nesta passagem nenhum fenômeno mediúnico, a não ser o fato de que

Moisés, ouviu (audiência) o Senhor.

2) Ciência – Sete dias depois surgiram as rãs que na sua fuga das enchentes invadiram áreas

circunvizinhas. (A Mediunidade na Bíblia – Henrique Gimenez).

Terceira praga: Os mosquitos – E o Senhor disse a Moisés: Dize a Arão: estende a tua vara, e

fere o pó da terra, e haja mosquitos em toda a terra do Egito. E eles fizeram assim. E os mosquitos caíram


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

sobre os homens e sobre os animais; todo o pó da terra se converteu em mosquitos por toda a terra do

Egito. Os magos fizeram dum modo semelhante com os seus encantamentos para produzir mosquitos, e

não puderam; e os mosquitos existiam também sobre os homens como sobre os animais. Então os magos

disseram ao faraó. O dedo de Deus está aqui; porém o coração do faraó endureceu-se, não os ouviu, como

o Senhor tinha mandado.

Comentário:

1) Espiritismo – Mais uma vez, fenômeno apenas de audiência.

2) Ciência – O Nilo excessivamente cheio facultou a formação de poças e pequenos lagos de água

estagnada, adequadas para a reprodução de mosquitos, então chamados piolhos. (A Mediunidade na Bíblia

- Henrique Gimenez)

Quarta praga: As moscas – E o Senhor disse outra vez a Moisés: Levanta-te de madrugada, e

apresenta-te ao faraó; porque ele sairá para ir junto da água; e lhe dirás: Isto diz o Senhor: Deixa ir o meu

povo, a fim de que me ofereça sacrifícios. Porque, se não o deixares ir, eis que eu mandarei contra ti, contra

os teus servos, contra o teu povo e contra as tuas casas todo o gênero de moscas; e as casas dos egípcios,

e toda a terra onde eles se acharem, serão cheias de moscas. Mas eu, nesse dia, tornarei maravilhosa a

terra de Gessém, em que habita meu povo, de modo que não haja aí moscas; para que saibas que eu sou o

Senhor no meio da terra. Estabelecerei assim uma distinção entre o meu povo e o teu povo; amanhã se

realizará este sinal. E o Senhor assim fez. Vieram as moscas molestíssimas sobre as casas do faraó e dos

seus servos, e sobre a terra do Egito; e a terra foi devastada por tais moscas. E o faraó chamou Moisés e

Arão, e disse-lhes: Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra. Moisés disse: Não se pode fazer assim,

porque sacrificaremos ao Senhor nosso Deus animais que para os egípcios é sacrilégio matar; e se nós

diante dos egípcios matarmos o que eles adoram nos apedrejarão (vaca , pomba, touro e etc). Andaremos

três dias de viagem no deserto; e sacrificaremos ao Senhor nosso Deus, como ele nos ordenou. O faraó

disse: Eu vos deixarei ir para que sacrifiqueis ao Senhor vosso Deus no deserto; mas não vos afasteis

muito; rogai por mim. Moisés disse: Logo que eu tiver saído da tua presença, rogarei ao Senhor; e amanhã

as moscas se afastarão do faraó, dos seus servos e do seu povo; mas não queiras mais enganar-me, não

deixando sair o povo a fazer sacrifícios ao Senhor. E, tendo Moisés saído da presença do faraó, orou ao

Senhor. E ele fez o que Moisés lhe tinha pedido, e tirou as moscas do faraó, e dos seus servos, e do seu

povo; não ficou uma só. Mas, o coração do faraó endureceu-se de tal sorte, que nem ainda desta vez

deixou ir o povo.

Comentário:

1) Espiritismo – Mais uma vez Mediunidade audiente.

2) Ciência – As moscas tiveram a mesma origem (dos mosquitos), porém trata-se da “Stomoxis

Calcitrans” cuja reprodução exige um período mais prolongado. (A Mediunidade na Bíblia – Henrique

Gimenez).

À categoria de moscas pertencem sem dúvida os moscados. Freqüentemente, eles invadem regiões

inteiras, penetram nos olhos, nariz, nos ouvidos, causando dores lancinantes. (E a Bíblia tinha razão –

Werner Keller)

Nota: Na Torah judaica (Pentateuco: os cincos livros de Moisés) a 4ª Praga fala de animais

daninhos - que é interpretada como cobras e escorpiões.

Quinta praga: A peste dos animais – E o Senhor disse a Moisés: Vai ter com o faraó, e dize-lhe:

Isto diz o Senhor Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo para que me ofereça sacrifícios. Porque, se ainda

recusas, e os reténs, eis que a minha mão será sobre os teus campos; e virá uma pestilência gravíssima

sobre os cavalos, os jumentos, os camelos, os bois, e sobre as ovelhas. E o Senhor fará a maravilha de

separar o que pertence aos filhos de Israel do que pertence aos egípcios, de sorte que não pereça

absolutamente nada do que pertence aos filhos de Israel. E o Senhor determinou o tempo, dizendo:

Amanhã cumprirá o Senhor esta palavra no país. Ao outro dia, pois, fez o Senhor o que tinha dito; e todos

os animais dos egípcios morreram; mas dos animais dos filhos de Israel (Jacó) não morreu nenhum. E o

faraó mandou ver; e nada estava morto do que possuía Israel. O coração do faraó, porém, endureceu-se, e

não deixou ir o povo.

Comentário:


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

1) Espiritismo – Mediunidade de audiência.

2) Ciência – À quinta praga surgiu uma endemia (acometendo número maior ou menor de

indivíduo) conseqüente destas moscas, as quais atingiram aos animais dos egípcios, que eram criados nos

campos. (A Mediunidade na Bíblia – Henrique Gimenez)

Sexta praga: As úlceras – E o Senhor disse a Moisés e a Arão: Tomai mãos cheias de cinza da

chaminé, e Moisés a lance ao ar diante do faraó. E haja pó sobre toda a terra do Egito, donde resultarão

nos homens e nos animais úlceras e grandes tumores por toda a terra do Egito. E tomaram cinza da

chaminé, e apresentaram-se ao faraó, e Moisés lançou-a ao ar; e formaram-se úlceras e grandes tumores

nos homens e nos animais. E os magos não podiam ter-se de pé diante de Moisés, por causa das úlceras,

que estavam sobre eles, como sobre toda a terra do Egito. E o Senhor endureceu o coração do faraó, e não

os ouviu como o Senhor tinha dito a Moisés.

Comentário:

1) Espiritismo – Mediunidade de audiência.

2) Ciência – A sexta praga, nada mais natural do que a pestilência da quinta praga, transformar-se

em sarna, tumores e úlceras. (A Mediunidade na Bíblia – Henrique Gimenez).

Pelo que se refere a úlceras, ocorrem tanto nos homens como nos animais. Poderá tratar-se da

chamada fogagem ou sarna do Nilo. Consiste numa erupção que arde e comicha, degenerando

freqüentemente em úlceras terríveis.(E a Bíblia tinha razão – Werner Keller)

Sétima praga: O granizo – O Senhor disse a Moisés: Levanta-te de manhã cedo, e apresenta-te ao

faraó e lhe dirás: Isto diz o Senhor Deus dos hebreus: Deixa ir o meu povo, para que me ofereça sacrifícios.

Porque desta vez mandarei todas as minhas pragas sobre o teu coração, e sobre os teus servos e sobre o

teu povo; para que saibas que não há quem seja semelhante a mim em toda a terra. Eis que amanhã, a

esta mesma hora, farei chover granizo abundantíssimo, qual não se viu nunca no Egito. Manda, portanto,

imediatamente juntar os teus animais, e tudo o que tens no campo, porque os homens e os animais e todo o

que se achar fora, e não estiver recolhido dos campos e cair sobre eles o granizo, morrerão.

Aqueles dos servos do faraó, que temeram a palavra do Senhor, fizeram retirar os seus servos e os

seus animais para as casas. Aqueles, porém, que desprezaram a palavra do Senhor, deixaram ficar os

seus servos e os seus animais nos campos. E o Senhor disse a Moisés: Estende a tua mão para o céu, a

fim de que chova granizo em toda a terra do Egito, sobre os homens, sobre os animais e sobre toda a erva

do campo, na terra do Egito. E Moisés estendeu a vara para o céu; e o Senhor despediu trovões, granizo e

raios que se precipitavam sobre a terra; e o Senhor fez chover granizo sobre a terra do Egito. O granizo e o

fogo caíam ao mesmo tempo misturados; e o granizo foi de tal grandeza, que nunca antes se viu igual em

toda a terra do Egito desde que aquela nação foi fundada. Só na terra de Gessém, onde estavam os filhos

de Israel, não caiu granizo.

O faraó mandou chamar Moisés e Arão, e disse-lhes: Eu pequei ainda desta vez; o Senhor é justo;

eu e o meu povo somos ímpios. Rogai ao Senhor para que cessem os trovões de Deus, e o granizo, a fim

que eu vos deixe ir, e não permaneçais mais aqui.

Moisés disse: Depois que eu tiver saído da cidade, estenderei as minhas mãos para o Senhor,

cessarão os trovões e não choverá mais granizo, a fim de que saibas que toda a terra é do Senhor. Mas eu

sei que nem tu nem os teus servos temeis ainda o Senhor Deus. E Moisés, tendo deixado o faraó e saindo

da cidade, ergueu as mãos para o Senhor, e cessaram os trovões e o granizo, e não caiu mais chuva sobre

a terra. O faraó, porém, vendo que tinha cessado a chuva, o granizo e os trovões, aumentou o seu pecado;

e o seu coração, e o de seus servos se obstinou e endureceu extraordinariamente; e não deixou partir os

filhos de Israel, como o Senhor tinha mandado por meio de Moisés.

Comentário:

1) Espiritismo – Mediunidade audiente.

2) Ciência – A sétima foi apenas uma chuva de granizo, típicas de verão (A Mediunidade na Bíblia –

Henrique Gimenez).

O granizo é com efeito raríssimo no Egito, mas não desconhecido (E a Bíblia tinha razão – Werner

Keller).


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Oitava praga: Os gafanhotos – O Senhor disse a Moisés: Vai ter com o faraó; porque eu endureci

o seu coração e o de seus servos, a fim de operar nele os meus prodígios, e para que tu contes a teus filhos

e a teus netos quantas vezes feri os egípcios, e operei os meus prodígios no meio deles; e para que vós

saibais que eu sou o Senhor.

Moisés e Arão apresentaram-se, pois ao faraó, e disseram-lhe: O Senhor Deus dos hebreus diz

estas coisas: Até quando recusarás sujeitar-te a mim? Deixa ir o meu povo. Se ainda resistes, e não o

queres deixar ir, eis que amanhã mandarei gafanhotos sobre as tuas terras, os quais cubram a superfície da

terra, de sorte que dela não apareça nada, mas seja devorado o que escapou do granizo; porque eles

roerão todas as plantas que germinam nos campos.Com isto voltou-se, e saiu da presença do faraó. Mas os

servos do faraó disseram-lhe: Até quando sofreremos nós este escândalo? Deixa ir estes homens, a fim de

que ofereçam sacrifícios ao Senhor seu Deus; não vês que o Egito está perdido? E tornaram a chamar

Moisés e Arão à presença do faraó, o qual lhes disse: Ide, oferecei sacrifícios ao Senhor vosso Deus; quem

são os que hão de ir? Moisés respondeu: Havemos de ir com os nossos meninos, com os nossos velhos,

com filhos e filhas, com ovelhas e gados; porque é uma solenidade do Senhor nosso Deus. E o faraó

respondeu: Assim seja o Senhor convosco, como eu deixarei ir a vós e aos vossos filhos: quem duvida que

vós não tendes péssimas intenções? Não há de ser assim, mas ide somente vós os homens, e oferecei

sacrifícios ao Senhor; porque isto é o que vós mesmo pedistes. E, imediatamente, foram expulsos da

presença do faraó.

O Senhor disse a Moisés: Estende a tua mão sobre a terra do Egito para os gafanhotos, a fim de

que eles saltem sobre a terra, e devorem toda a erva, que tenha ficado do granizo.

E Moisés estendeu a vara sobre a terra do Egito. O Senhor mandou um vento abrasador durante

todo aquele dia e noite. Quando foi manhã, o vento abrasador levantou os gafanhotos, que avançaram

sobre toda a terra do Egito, e pousaram em todos os limites dos egípcios, tão inumeráveis, quais antes

daquele tempo não tinha havido, nem depois haverá. Cobriram toda a superfície da terra, devastando tudo.

Foi, portanto, devorada a erva da terra, e tudo o que havia de frutos nas árvores, que o granizo tinha

deixado, e não ficou nada de verde nas árvores e nas ervas da terra em todo o Egito. Pelo que o faraó

chamou a toda a pressa Moisés e Arão, e disse-lhes: Eu pequei contra o Senhor vosso Deus, e contra vós.

Mas agora perdoai-me ainda esta vez o meu pecado, e rogai ao Senhor vosso Deus que tire de mim esta

morte. Moisés tendo saído da presença do faraó, orou ao Senhor, o qual fez soprar do poente um vento

fortíssimo, que arrebatou os gafanhotos, e lançou-os no mar vermelho; não ficou um só em todos os limites

do Egito. O Senhor endureceu o coração do faraó, e ele não deixou sair os filhos de Israel.

Comentário:

1) Espiritismo – Mediunidade audiente.

2) Ciência – A pesada enchente do Nilo criou condições propicias para a reprodução anormal de

gafanhotos, cuja rota usual era o norte do Egito, graças ao clássico vento oriental, que existe até hoje (A

Mediunidade na Bíblia – Henrique Gimenez).

As nuvens de gafanhotos são, entretanto, um flagelo típico das regiões do Oriente. (E a Bíblia tinha

razão – Werner Keller).

Nona praga: As trevas – O Senhor disse a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e haja sobre a

terra do Egito trevas tão espessas, que se possam apalpar. Moisés estendeu a sua mão para o céu, e

houve trevas horríveis em toda a terra do Egito, durante três dias. Um não via o outro, nem se movia do

lugar em que estava; porém em toda a parte onde habitavam os filhos de Israel havia luz. O faraó chamou

Moisés e Arão, e disse-lhes: Ide, oferecei sacrifícios ao Senhor; fiquem somente as vossas ovelhas e o

vosso gado, os vossos meninos vão convosco. Moisés disse: Também nos darás as hóstias e os

holocaustos (sacrifício expiatório; imolação), que ofereçamos ao Senhor nosso Deus.

Irão conosco todos os nossos rebanhos; não ficará deles nem uma unha, porque são necessários

para o culto do Senhor, nosso Deus; principalmente ignorando nós o que se deve imolar (oferecer em

sacrifício), enquanto não chegarmos àquele lugar.

Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e não os quis deixar ir. O Faraó disse a Moisés:

Aparta-te de mim, e livra-te de me tornares a ver a face; no dia em que me apareceres, morrerás. Moisés

respondeu: Assim se fará como disseste; não verei mais a tua face.

Comentário:


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

1) Espiritismo – O fenômeno apresentado é de audiência.

2) Ciência – As trevas densas, é o “Khamsin” ou tempestade de areia, fenômeno comum que

ocorre até hoje, tão densa que impede a visão mesmo a curta distância. (A Mediunidade na Bíblia –

Henrique Gimenez).

O mesmo se dá com as trevas súbitas. O “Camsin”, também chamado Simun, é um vento ardente

que arrasta consigo grandes massas de areia. Estas escurecem o sol, dando-lhe uma cor baça e

amarelada, chegando a ficar escuro em pleno dia. (E a Bíblia tinha razão – Werner Keller)

Predição da décima e última praga. O Senhor disse a Moisés: Flagelarei ainda com uma praga ao

faraó e ao Egito, e, depois disso, vos deixará partir, e até vos constrangerá a sair. Dirás, pois, a todo o povo

que cada homem peça ao seu amigo, e cada mulher à sua vizinha, vasos de prata e ouro. O Senhor fará

que o seu povo ache graça diante dos egípcios. Ora Moisés foi um homem muito grande na terra do Egito,

aos olhos dos servos do faraó e de todo o povo. E disse: Estas coisas diz o Senhor: A meia-noite passarei

pelo Egito, e todo o primogênito morrerá na terra do Egito, desde o primogênito do faraó, que se assenta

sobre o seu trono, até o primogênito da escrava, que está à mó, e até aos primogênitos dos animais. Haverá

em toda a terra do Egito um grande clamor qual nunca antes houve, nem haverá jamais. Mas entre todos os

filhos de Israel (Jacó), desde os homens até aos animais, não se ouvirá ganir um cão; para que saibas com

que grande milagre o Senhor separa os egípcios de Israel. Todos estes teus servos virão a mim, e se

prostrarão diante de mim, dizendo: Sai tu e todo o teu povo, que te está sujeito; depois disto sairemos.

Moisés saiu da presença do faraó muito irado. E o Senhor disse a Moisés: O faraó não vos ouvirá, para que

se façam muitos prodígios na terra do Egito. Moisés e Arão fizeram diante do faraó todos os prodígios que

estão escritos. Mas o Senhor endureceu o coração do faraó, e ele não deixou partir os filhos de Israel da

sua terra.

Moisés transmite ao povo a ordem divina – Moisés, pois, convocou todos os anciãos de Israel, e

disse-lhes: Ide, tomai um animal para cada uma das vossas famílias e imolai a Páscoa (que significa

precisamente passagem, a passagem do Deus vingador pelo Egito, causa da passagem jubilosa e feliz dos

hebreus através do mar vermelho). Banhai um molhinho de hissopo no sangue, que estará no limiar da

porta, e aspergi com ele a verga e as duas ombreiras da porta; nenhum de vós saia da porta da sua casa

até pela manhã. Porque o Senhor passará, ferindo os egípcios; e, quando vir o sangue sobre a verga e

sobre as duas ombreiras da porta, passará a porta da casa, e não permitirá que o exterminador entre em

vossas casas e faça dano. Guarda este preceito como uma lei para ti e teus filhos perpetuamente.

Décima praga: A morte dos primogênitos egípcios – Aconteceu, pois, que, à meia-noite, o

Senhor feriu todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito do faraó, que se assentava sobre

o seu trono, até ao primogênito da escrava, que estava no cárcere, e todo o primogênito dos animais. O

faraó levantou-se de noite, e todos os seus servos, e todo o Egito; e houve um grande clamor no Egito;

porque não havia casa onde não houve um morto.

Comentário:

1) Espiritismo – O fenômeno em questão é apenas de audiência.

2) Ciência – A décima praga, talvez tenha sido o produto de uma psicose coletiva (A Mediunidade

na Bíblia – Henrique Gimenez).

Só para a morte dos primogênitos não há uma explicação (E a Bíblia tinha razão – Werner Keller).

O faraó apressa os hebreus a partir – O faraó, chamou Moisés e Arão naquela mesma noite,

disse: Levantai-vos e saí do meio do meu povo, vós e os filhos de Israel (Jacó); ide, oferecei sacrifícios ao

Senhor como dizeis. Tomai as vossas ovelhas e os vossos rebanhos, como pedistes, e ao partir abençoai-

me. Os egípcios também apertavam com o povo para que saíssem depressa do país, dizendo: Morreremos

todos. O povo tomou, pois, a farinha amassada, antes que se levedasse; e, envolvendo-a nas capas, a pôs

aos ombros. Os filhos de Israel fizeram como Moisés tinha ordenado: pediram aos egípcios vasos de prata e

de ouro, e grande quantidade de vestidos. O Senhor fez com que o seu povo encontrasse graça diante dos

egípcios, para que estes lhes emprestassem; e despojaram os egípcios.

Partida de Ramessés – Os filhos de Israel partiram de Ramessés por Socot, sendo perto de

seiscentos mil homens de pé, afora as crianças. Partiu também com eles uma inumerável multidão de toda

a sorte de gente, ovelhas, gados e animais de diversos gêneros em muito grande quantidade.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Cozeram a farinha que tinham levado do Egito já amassada; fizeram dela pães ázimos, cozidos no

borralho; porque não puderam fazê-la levedar, apressando-os os egípcios a partir, e não lhes permitindo

nenhuma demora; nem tinham podido preparar nada de comer.

Ora o tempo que os filhos de Israel (Jacó) tinham morado no Egito, foi de quatrocentos e trinta anos.

Completos os quais, todo o exército do Senhor saiu no mesmo dia da terra do Egito.

Esta noite, em que os tirou da terra do Egito, deve ser consagrada ao Senhor; e todos os filhos de

Israel a devem celebrar nas suas gerações.

Aqui começa propriamente o Êxodo, ou seja, a marcha do Povo de Deus para a Terra

Prometida, o período de vida do povo de Israel que os profetas consideraram como o melhor, como o

tempo de noivado do povo com seu Deus (cf. Jer 2,2; Os 2,16; Az 16,4-14). Em todo o curso da história

Deus será considerado (lembrado) como “Aquele que tirou o povo do Egito”.

Deus ordena ao povo que siga o caminho mais longo, o que bordeja a península sinaítica, em lugar

do que corta pelas praias mediterrâneas, a fim de que os israelitas tivessem tempo para construir um povo

livre, formar uma consciência nacional e religiosa e temperarem-se para as fadigas que os aguardavam ao

entrar na palestina. Tempo total de peregrinação: quarenta anos pelo deserto.

A coluna de fogo – Tendo saído de Socot, acamparam em Etam, na extremidade do deserto. O

Senhor ia adiante deles para lhes mostrar o caminho, de dia numa coluna de nuvem e de noite numa coluna

de fogo, para lhes servir de guia num e noutro tempo. Nunca se retirou de diante do povo a coluna de

nuvem ou a de fogo.

O faraó persegue os hebreus – O Senhor falou a Moisés, dizendo: Dize aos filhos de Israel que

retrocedam e vão acampar diante de Piairot, que fica entre Magdalum e o mar, defronte de Beelsefon;

assentareis o acampamento defronte deste sítio junto ao mar. Porque o faraó há de dizer acerca dos filhos

de Israel (Jacó): Eles estão cercados no país, estão encerrados no deserto. Eu endurecerei o seu coração

e ele virá em vosso alcance; eu serei glorificado no faraó e em todo o seu exército; os egípcios saberão que

eu sou o Senhor. Eles assim fizeram.

Entretanto foi anunciado ao rei (faraó) dos egípcios, que o povo tinha fugido; e mudou-se o coração

do faraó e de seus servos a respeito do povo, e disseram: Que quisemos nós fazer, deixando partir Israel,

para que ele nos não servisse? O faraó, pois, mandou pôr os cavalos ao seu carro, e tomou consigo todo o

seu povo. Tomou seiscentos carros escolhidos, todos os carros do Egito e os capitães de todo o exército, e

foram ao alcance dos filhos de Israel; alcançaram-nos quando estavam acampados junto do mar. Toda a

cavalaria e os carros do faraó, e todo o exército estavam em Piairot defronte de Beelsefon.

Como o faraó se aproximasse, levantando os filhos de Israel os olhos, viram os egípcios nas suas

costas. Tiveram grande medo, clamaram ao Senhor, e disseram a Moisés: Não havia talvez sepulturas no

Egito, e por isso nos tirastes de lá para morrermos no deserto. Por que quiseste fazer isto, tirar-nos do

Egito? Não é isto que te dizíamos no Egito: Retira-te de nós a fim de que sirvamos aos egípcios? Porque

era muito melhor servi-los do que morrer no deserto. Moisés disse ao povo: Não temais; estai firmes, e

considerai as maravilhas que o Senhor fará hoje; porque os egípcios que agora vedes, nunca jamais os

tornareis a ver.

O Senhor combaterá por vós, e vós estareis em silêncio.

Os hebreus atravessam o mar Vermelho – O Senhor disse a Moisés: Por que clamas a mim?

Dize aos filhos de Israel que marchem. Tu levanta a tua vara, estende a tua mão sobre o mar e divide-o,

para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar. Eu endurecerei o coração dos egípcios,

para que eles vos sigam. E o Anjo de Deus que caminhava na frente do acampamento de Israel, levantou-

se e foi para detrás deles; e com ele ao mesmo tempo a coluna de nuvem, deixando a frente, parou detrás

deles entre o acampamento dos Egípcios e o acampamento de Israel, e esta nuvem era tenebrosa do lado

dos egípcios e tornava clara a noite do lado dos israelitas, de sorte que uns e outros não puderam

aproximar-se durante a noite. Tendo Moisés estendido a mão sobre o mar, o Senhor, soprando toda a noite

um vento forte e ardente, o retirou e secou; e a água dividiu-se. Os filhos de Israel entraram pelo meio do

mar enxuto; porque a água estava como um muro à direita e à esquerda deles.

Os egípcios, que os perseguiam, entraram atrás deles pelo meio do mar, e toda a cavalaria do

faraó, os seus carros e cavaleiros. Já tinha chegado a vigília da manhã e eis que, olhando o Senhor para o

acampamento dos egípcios por entre a coluna de fogo e de nuvem, destruiu o seu exército, transtornou as


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Tema: Mediunidade na Bíblia

rodas dos carros, e eles eram levados para o fundo do mar. Disseram, pois, os egípcios: Fujamos de Israel,

porque o Senhor combate por eles contra nós.

O Senhor disse a Moisés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as águas se voltem para os

egípcios, sobre os seus carros e os seus cavaleiros. As águas voltaram e cobriram os carros e os cavaleiros

de todo o exército do faraó, os quais em seguimento dos israelitas, tinham entrado no mar. Não escapou um

só deles. Mas os filhos de Israel passaram pelo meio do mar enxuto; e as águas eram para eles como um

muro à direita e à esquerda.

O Senhor, naquele dia, livrou Israel da mão dos egípcios. Os israelitas viram os egípcios mortos

sobre a praia do mar, e o grande poder que o Senhor tinha mostrado contra eles. O povo temeu o Senhor e

creram no Senhor e em Moisés, seu servo.

Comentário:

1) Espiritismo – Nas imediações de Migdol o golfo de Suez é muito estreito, baixo e sujeito não só

a inundações que começam em junho e vão até outubro, como também a fortes ventos que sopram do

oriente para o ocidente, ventos estes que afastam naturalmente as águas em vários pontos, permitindo a

passagem a seco. Não houve nenhum fenômeno extraordinário. Nenhuma das leis naturais foi contrariada.

(Mediunidade na Bíblia) Fenômeno em questão é apenas de audiência.

2) Ciência – O braço de água que se comunicava com os lagos amargos era vadeável (passar ou

atravessar) em diversos lugares. A verdade é que foram encontrados alguns vestígios em diversos lugares.

A fuga do Egito pelo mar dos Juncos é, pois, perfeitamente possível. A região hoje é cortada pelo canal de

Suez, onde ventos fortes de nordestes, que impelem a água com grande força a ponto de fazê-la recuar,

permitindo a passagem a pé nesse lugar. (E a Bíblia tinha Razão, Werner Keller).

Nota:

- O canal de Suez liga o mar Vermelho ao mar Mediterrâneo.

- Os romanos já usavam a região para a passagem de pequenas embarcações e a chamavam de

"Canal dos Faraós".

- O canal de Suez é o mais longo canal do mundo, com 163 Km de extensão, e sua travessia dura

cerca de 15 horas a uma velocidade de 14 Km/h.

- O Canal tem três lagos (Manzala, Timsah e Amargos) em seu percurso e não possui eclusas.

- A sua largura mínima é de 55 metros

No deserto de Sin; queixas dos israelitas – No décimo quinto dia do segundo mês, depois que

tinham saído da terra do Egito. Toda a multidão dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no

deserto. Os filhos de Israel disseram-lhes: Antes fôssemos mortos na terra do Egito pela mão do Senhor,

quando estávamos sentados junto à panelas das carnes, e comíamos pão com fartura; por que nos

trouxeste a este deserto para matar à fome toda esta multidão?

Deus manda codornizes e maná – O Senhor falou a Moisés, dizendo: Eu ouvi as murmurações

dos filhos de Israel; dize-lhes pois: à tarde comereis carnes e pela manhã sereis saciados de pães; e

sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus. Aconteceu, pois, de tarde virem codornizes, que cobriram os

acampamentos; e pela manhã havia uma camada de orvalho em roda dos acampamentos. Tendo coberto a

superfície da terra, apareceu no deserto uma coisa miúda, e como pisada num almofariz, à semelhança de

geada sobre a terra. Tendo visto isto os filhos de Israel, disseram entre si: Manhu? Que significa: Que é

isto? Porque não sabiam o que era. E Moisés disse-lhes: Este é o pão que o Senhor vos deu para comer.

Comentário:

1) Espiritismo – Não há nesta passagem nenhum fenômeno mediúnico, a não ser o fato de que

Moisés, ouviu (Mediunidade audiente) do Senhor a promessa de que faria chover pão do alto do céu.

(Mediunidade na Bíblia, Henrique Gimenez).

2) Ciência – A saída de Israel do Egito começou na primavera, a época das grandes migrações

das aves, que partindo da África, que no verão se torna insuportavelmente quente e seca, as aves seguem

desde tempos imemoriais, duas rotas para a Europa: uma pela extremidade ocidental da África, para a

Espanha, e a outra pela região oriental do Mediterrâneo, para os Bálcãs. Ao atravessar o Mar Vermelho, em


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

um vôo só, chegam cansadas do outro lado e se deixam nas planícies da costa a fim de recobrarem forças

para prosseguirem viagem.

Algo de semelhante ao maná é produzido na península sinaítica por uma árvore chamada

tamarisco, cujos ramos, exsudam uma espécie de resina doce, em forma de pequenas gotas gomosas,

que, em contato com o frio da noite, solidificam-se em grânulos.

Em todos os vales em volta do monte Sinai encontra-se hoje o pão do céu, que os monges e os

árabes apanham, conservam e vendem aos peregrinos e aos estrangeiros que por aqui aparecem, escreve

no ano de 1483 o decano de Mogúncia, Breitenbach, sobre sua peregrinação ao Sinai. O dito pão do céu

cai pela manhã, ao amanhecer, exatamente como o orvalho ou a geada, e pende como gotas na erva, nas

pedras e nos ramos das árvores. É doce como o mel e gruda aos dentes quando se come, e nós

compramos algumas partes. (E a bíblia tinha razão – Werner Keller)

Água do rochedo – Tendo, pois, partido toda a multidão dos filhos de Israel do deserto de Sin, e

feito as suas paragens segundo a ordem do Senhor, acamparam em Rafidim, onde não havia água de

beber para o povo, o qual, murmurando contra Moisés, disse: Dá-nos água para bebermos. Moisés

respondeu-lhes: Por que murmurais contra mim? Por que tentais ao Senhor? Portanto aí mesmo, por causa

da falta de água, o povo teve sede, e murmurou contra Moisés, dizendo: Por que nos fizeste sair do Egito

para nos fazer morrer à sede a nós, aos nossos filhos e aos nossos animais? Moisés clamou ao Senhor,

dizendo: Que farei eu a este povo? Pouco falta que ele me não apedreje. O Senhor disse a Moisés:

Caminha adiante do povo, toma contigo alguns dos anciãos de Israel, toma na tua mão a vara com que

feriste o rio, e vai. Eis que eu estarei lá diante de ti sobre a pedra do Horeb. Ferirás a pedra e dela sairá

água, para que o povo beba. Moisés assim fez na presença dos anciãos de Israel. E pôs àquele lugar o

nome de Tentação, por causa da murmuração dos filhos de Israel, e porque eles tentaram ao Senhor,

dizendo: O Senhor está no meio de nós, ou não?

Comentário:

1) Espiritismo – Moisés graças à sua vidência e audiência após ouvir o Senhor que estaria sobre o

rochedo Horeb e que bastaria atingi-lo com sua vara, para que a água jorrasse, assim procedeu.

2) Ciência – O Major C.S. Jarvcis, governador britânico do território do Sinai, na década de 30,

comprovou pessoalmente o seguinte fato: Moisés ferindo o rochedo de Horeb e fazendo brotar água parece

um verdadeiro milagre, mas este cronista viu com os próprios olhos um fato semelhante. Alguns membros

do corpo de camelos do Sinai, haviam feito uma parada num vale seco e dispunham-se a cavar a areia

grossa que se amontoara ao fundo da parede rochosa. Queriam atingir a água que se filtrava lentamente

através da rocha calcária. Os homens trabalham lentamente, e então o sargento de cor Bar Shawissh disse:

Vamos logo com isso! Tomou a pá das mãos de um dos homens e começou a cavar com grande ímpeto.

Um de seus golpes atingiu a rocha. A superfície lisa e dura que se forma sobre a pedra calcária exposta ao

tempo rompeu-se e caiu. Com isso ficou exposta a rocha mole embaixo, e de seus poros brotou um grande

jorro de água. (E a Bíblia tinha razão – Werner Keller).

Vitória de Israel sobre os amalecitas – Os amalecitas habitavam o norte da península do Sinai e

tinham o controle das caravanas árabes que demandavam o Egito. Ora Amalec veio e pelejava contra Israel

em Rafidim. E Moisés disse a Josué: Escolhe homens e vai combater contra Amalec; amanhã estarei no

cimo da colina, tendo na mão a vara de Deus.

Josué pôs em fuga Amalec e a sua gente, e os passou ao fio da espada.

Moisés recebe a visita de seu sogro Jetro e elege juizes – No dia seguinte. Moisés assentou-se

para julgar o povo, que estava a sua volta, desde manhã até à tarde. Seu sogro, tendo visto tudo o que ele

fazia com o povo, disse: Que é isto que fazes com o povo? Por que te sentas só tu (no tribunal), e todo o

povo está esperando desde manhã até à tarde? Moisés respondeu-lhe: O povo vem a mim para ouvir a

sentença de Deus. Quando entre eles nasce alguma contenda, vêm ter comigo, para que eu julgue entre

eles, e lhes mostre os preceitos de Deus e as suas leis.

Mas Jetro disse: Não fazes bem. Consomes-te com um trabalho vão, a ti e a este povo que está

contigo. Mas ouve minha palavras e conselhos, e Deus será contigo. Sê mediador do povo naquelas coisas

que dizem respeito a Deus, para lhes expores os pedidos que lhe são dirigidos, e para ensinares ao povo as

cerimônias e o modo de honrar a Deus, o caminho por onde devem andar e as obras que devem fazer.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Mas escolhe entre todo o povo homens capazes e tementes a Deus, nos quais haja verdade; e que

aborreçam a avareza; faze deles tribunos, centuriões e chefes de cinqüenta, e de dez homens, os quais

julguem o povo em todo o tempo, e te dêem conta das coisas mais graves. Moisés, tendo ouvido isto, fez

tudo o que seu sogro lhe sugerira. Tendo escolhido entre todo o povo de Israel homens de valor, constituiu

príncipes do povo, tribunos, centuriões e chefes de cinqüenta e de dez homens. Eles faziam justiça ao povo

em todo o tempo; e davam conta a Moisés de todas as coisas mais graves, julgando eles somente as coisas

mais fáceis.

Moisés despediu-se de seu sogro, o qual partiu e voltou para o seu país.

Os israelitas prometem fidelidade à aliança que Deus lhes propôs – No terceiro mês depois da

saída dos israelitas da terra do Egito, neste dia chegaram ao deserto do Sinai. Porque, tendo partido de

Rafidim e chegado ao deserto do Sinai, acamparam naquele mesmo lugar, e Israel levantou aí as suas

tendas defronte do monte.

Moisés subiu (para ir falar) a Deus, e o Senhor o chamou do monte, e disse: Dirás estas coisas à

casa de Jacó (Israel), e anunciarás aos filhos de Israel: Vós mesmos vistes o que eu fiz aos egípcios, de

que modo vos trouxe e vos tomei para mim. Se, portanto, ouvirdes a minha voz, e observardes a minha

aliança, sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. Estas são

as palavras que dirás aos filhos de Israel.

Moisés foi, e convocados os anciãos do povo, expôs tudo o que o Senhor tinha mandado. Todo o

povo respondeu a uma voz: Faremos tudo o que o Senhor disse. Moisés, tendo referido ao Senhor as

palavras do povo, o Senhor disse-lhe: Brevemente virei a ti na escuridão duma nuvem, para que o povo me

ouça quando te falo, e te creia para sempre. O Senhor disse: Vai ter com o povo, santifica-o hoje e amanhã,

lavem suas vestes, e estejam preparados para o terceiro dia; porque, no terceiro dia, o Senhor descerá à

vista de todo o povo sobre o monte Sinai. Fixarás em roda limites ao povo e lhes dirás: Guardai-vos de subir

ao monte, nem toqueis nos seus limites; todo o que tocar o monte, será punido de morte.

Já tinha chegado o terceiro dia, e raiava a manhã, e eis que começaram a ouvir trovões, a fuzilar

relâmpagos e uma nuvem muito espessa cobriu o monte, e o som duma trombeta atroava (fazia estremecer

com o estrondo) muito forte; o povo que estava no acampamento atemorizou-se. Quando Moisés os

conduziu fora do acampamento para irem ao encontro de Deus, pararam no sopé do monte. Todo o monte

Sinai fumegava, porque o Senhor tinha descido sobre ele no meio do fogo, e dele, como duma fornalha, se

elevava fumo, e todo o monte causava terror. Moisés falava, e Deus respondia-lhe.

O Senhor, pois, desceu sobre o monte Sinai, no cimo mesmo do monte, disse também (Deus) a

Moisés: Sobe ao Senhor tu e Arão, Nadab e Abiú, e os setenta anciãos de Israel, e adorarei de longe. Só

Moisés subirá ao Senhor; os outros não se aproximarão; nem o povo subirá com ele.

O Senhor disse a Moisés: Sobe para mim ao monte; eu te darei as tábuas de pedra, a lei e os

mandamentos, que escrevi, para lhos ensinares. Moisés e Josué, seu ministro, levantaram-se e, subindo ao

monte de Deus, Moisés disse aos anciões: Esperai aqui, até que voltemos a vós. Tendes convosco Arão e

Hur; se sobrevier alguma questão, recorrei a eles.

O decálogo – Senhor pronunciou todas estas palavras:

I - Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não farás para ti

imagem de escultura, nem figura alguma do que há em cima no céu, e do que há em baixo na terra, nem

do que há nas águas debaixo da terra. Não adorarás tais coisas, nem lhes prestarás culto.

II – Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente

aquele que tomar em vão o nome do Senhor, seu Deus.

III – Lembra-te de santificar o dia de Sábado.

IV – Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas uma vida dilatada sobre a terra que o Senhor teu

Deus te dará.

V – Não matarás.

VI – Não cometerás adultério.

VII – Não furtarás.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

VIII – Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

IX – Não desejareis a mulher do vosso próximo.

X – Não cobiçarás a casa do teu próximo; nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o

seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.

E, entrando Moisés pelo meio da nuvem, subiu ao monte; e lá esteve quarenta dias e quarenta

noites. Mas o povo vendo que Moisés tardava em descer do monte, juntou-se contra Arão e disse: Levanta-

te, faze-nos deuses que vão adiante de nós, porque não sabemos o que aconteceu a Moisés, a esse

homem que nos tirou da terra do Egito. Arão disse-lhes: Tomais as arrecadas de ouro das orelhas de

vossas mulheres, de vossos filhos e de vossas filhas e trazei-mas. O povo fez o que lhes mandara, trazendo

as arrecadas a Arão. Ele, tendo-as tomado, mandou-as fundir e formou delas um bezerro fundido; e

disseram: Estes são, ó Israel, os teus deuses que te tiraram da terra do Egito. Arão, vendo isto, erigiu um

altar diante do bezerro.

O Senhor falou a Moisés, dizendo: Vai, desce; o teu povo que tiraste da terra do Egito, pecou.

Depressa se apartaram do caminho que lhes mostrastes. E o Senhor disse mais a Moisés: Vejo que este é

de cerviz dura (curvar-se; aceitar); deixa-me, a fim de que o meu furor se acenda contra eles, e que eu os

extermine. Moisés, porém, suplicava ao Senhor seu Deus, dizendo: Aplaque-se a tua ira e perdoa a

iniqüidade do teu povo. O Senhor se aplacou, e não fez ao seu povo o mal que tinha dito.

Moisés voltou do monte, trazendo na mão as duas tábuas do testemunho. Tendo-se aproximado

dos acampamentos, viu o bezerro e as danças; e muito irado atirou das suas mãos as tábuas, e quebrou-as

ao pé do monte.

E, pegando no bezerro que tinha feito, queimou-o e triturou-o até o reduzir a pó, que espalhou na

água, e deu a beber dele aos filhos de Israel. E disse a Arão: Que te fez esse povo, para atraíres sobre ele

um tão grande pecado? Ele respondeu-lhe: Não se agaste o meu senhor, porque tu sabes quanto este

povo é inclinado para o mal.

Ha outro dia Moisés disse ao povo: Vós cometestes o maior pecado; subirei ao Senhor para ver se

de algum modo poderei obter perdão para o vosso delito. Voltando para o Senhor, disse: Rogo-te, este povo

cometeu um grandíssimo pecado e fizeram para si deuses de ouro; ou perdoa-lhe esta culpa, ou, se o não

fazes, risca-me do teu livro que escreveste. O Senhor respondeu: Eu riscarei do meu livro aquele que pecar

contra mim. Vai, sai deste lugar, tu e o teu povo, que tiraste da terra do Egito, para a terra que eu jurei dar a

Abraão, a Isaac e a Jacó.

Novas tábuas da Lei – Em seguida o Senhor disse: Corta duas tábuas de pedra, como as

primeiras, e eu escreverei nelas as palavras que continham as tábuas que tu quebrastes. Está pronto pela

manhã, para subires logo ao monte Sinai. E estarás comigo no cume do monte. Ninguém suba contigo, nem

apareça alguém por todo o monte. Moisés pois esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, e

escreveu nas tábuas as dez palavras da aliança.

O quarto livro do Pentateuco recebeu o nome de Números (em grego Arithmoi, que aqui tem o

sentido de “recenseamento”) por causa do recenseamento (1,1-4,26), que são próprios deste livro e que lhe

dão a sua feição particular.

Recenseamento dos filhos de Israel – O Senhor falou a Moisés no deserto do Sinai, no

tabernáculo da aliança, no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano depois da saída dos filhos de

Israel (Jacó) do Egito, dizendo: Fazei o recenseamento de toda a congregação dos filhos de Israel pelas

suas famílias, casas e nomes de cada um dos varões, dos vinte anos para cima, e de todos os homens

fortes de Israel. Contá-los-eis pelas suas turmas, tu e Arão. E estarão convosco os chefes das 12 tribos e

das casas nas suas gerações.

Assim se fez segundo a descendência de Jacó: De Rúben, primogênito de Israel até Benjamim o

caçula. Exceção: Os levitas (descendência de Levi), porém, não foram contados com eles, na tribo das suas

famílias. Porque o Senhor falou a Moisés, dizendo: Não contes a tribo de Levi, nem porás a soma deles com

os filhos de Israel. Mas incumbe-os de cuidarem do tabernáculo do testemunho (Templo portátil, onde os

hebreus praticavam as imolações ou faziam sacrifícios; parte do tempo onde estava a arca-da-aliança), de

todos os seus vasos e de tudo o que pertence às cerimônias.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Ordem do acampamento das tribos – O Senhor falou a Moisés e a Arão, dizendo: Os filhos de

Israel acamparão em volta do tabernáculo da aliança, cada um segundo as suas turmas, as suas insígnias,

os seus estandartes e as casas da sua parentela. Houve posteriormente um novo recenseamento. Esta é a

soma dos filhos de Israel acima dos vinte anos que foram recenseados: Seiscentos e um mil, setecentos e

trinta.

Normas para a divisão da terra prometida – O Senhor falou a Moisés, dizendo: A terra será

dividida entre estes, segundo o número dos seus nomes para eles a possuírem. Aos que forem mais em

número darás maior parte e aos que forem menos, menor; a cada um será dada a sua possessão, conforme

agora foram alistados; mas de maneira que a terra seja repartida por sorte, entre as tribos e famílias.

Josué sucessor de Moisés – O Senhor disse também a Moisés: sobe a este monte Abarim, isto é,

das passagens, ao monte Nebo, que está na terra de Moab, defronte de Jericó; contempla a terra de

Canaã, cuja posse darei aos filhos de Israel, mas não entrarás nela, e morrerás sobre o monte.

O Senhor disse-lhe: Toma Josué, filho de Nun, homem no qual reside o meu espírito e põe a tua

mão sobre ele. E, tendo tomado Josué, apresentou-o diante do sacerdote Eleazar e de todo o ajuntamento

do povo. E, impostas as mãos sobre a sua cabeça, declarou-lhe tudo o que o Senhor tinha mandado.

O quinto e último livro do Pentateuco foi chamado Deuteronômio, isto é, “Segunda Lei”. E está

dividido em quatro partes; veremos apenas a parte final da quarta parte que trata da morte de Moisés.

Morte de Moisés – Subiu, pois, Moisés das planícies de Moab ao monte Nebo, ao alto de Fasga,

defronte de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra de Galaad até Dan, todo o Neftali, a terra de Efraim,

de Manassés, toda a terra de Judá até ao mar extremo, a parte meridional, a espaçosa campina de Jericó,

até Segor. E o Senhor disse-lhes: Esta é a terra pela qual jurei a Abraão, Isaac e Jacó, dizendo: Eu a darei

à tua posteridade. Tu a viste com os teus olhos mas não entrarás nela.

Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de Moab, segundo a ordem do Senhor; e o sepultou no

vale da terra de Moab, defronte de Fegor; nenhum homem soube até hoje o lugar do seu sepulcro. Moisés

tinha cento e vinte anos, quando morreu; nunca a vista se lhe diminuiu, nem os dentes se lhe abalaram. Os

filhos de Israel o choraram na planície de Moab durante trinta dias.

Josué, filho de Nun, foi cheio do Espírito de sabedoria, porque Moisés lhe tinha imposto as suas

mãos. Os filhos de Israel obedeceram-lhe e fizeram como o Senhor tinha mandado a Moisés. Não se

levantou mais em Israel profeta como Moisés, que o Senhor conhece face a face.

Introdução para Elias

Josué – O livro de Josué toma o nome do protagonista dos fatos nele contidos, Moisés, libertando

o povo da escravidão dos egípcios, organizou-o na península do Sinai e o conduziu até ás margens do

Jordão. Para continuar a mesma missão de Moisés, sucedeu-lhe Josué. Tinha na sua frente duas tarefas:

Ocupar a terra de Canaã ou Terra Prometida (situava-se: no Oriente Antigo - hoje Oriente Médio),

expulsando os antigos habitantes, e dividir o país entre as várias tribos de Israel.

Nota: Terra de Israel passaram os hebreus a chamar não só essa região mas todo o território que

foram conquistando de outros povos que lá habitavam (amorreus, filisteus, idumeus etc.).

Palestina foi o nome que (logo após a era cristã) os escritores gregos e latinos deram ao território

israelita.

Estado religioso de Israel depois da morte de Josué – Toda aquela geração se foi unir a seus

pais (morreram), e sucederam outros que não conheciam o Senhor (não respeitavam a sua lei), nem as

obras que tinha feito em favor de Israel. Naquele tempo não havia rei em Israel e cada um fazia o que lhe

parecia justo. Israel foi feliz enquanto se manteve fiel ao Senhor, e infeliz quando se apartou dele.

Os filhos de Israel fizeram o mal diante do Senhor. Abandonaram o Senhor Deus de seus pais

(Abraão, Isaac e Jacó), que os tinha tirado da terra do Egito; seguiram deuses estranhos, os deuses dos

povos que habitavam em torno deles e adoraram-nos (práticas idolátricas); provocaram o Senhor à ira.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Acendeu-se pois contra Israel o furor do Senhor, o qual disse: Visto que este povo violou o meu

pacto, que eu tinha feito com os seus pais (Abraão, Isaac e Jacó) e recusou ouvir a minha voz, também eu

não destruirei as nações inimigas, que Josué deixou quando morreu, a fim de, por meio delas, pôr à prova

Israel, para ver se observam ou não o caminho do Senhor, e se andam por ele como seus pais observaram.

O Senhor, irado contra Israel, entregou-os nas mãos dos saqueadores, que o tomaram e venderam

aos inimigos, que habitavam ao redor (Cananeu, Filisteus, Moabitas, Madianitas); mas, para qualquer parte

que quisessem ir, a mão do Senhor estava sobre eles, como lhes tinha dito e jurado; e foram em extremo

afligidos.

Irado, pois, o Senhor contra Israel, entregou-os nas mãos de Cusan Rasataim, rei da Mesopotâmia,

e estiveram-lhes sujeito oito anos.

Clamaram ao Senhor, que lhes suscitasse um salvador.

Juizes – O Senhor suscitou-lhes juizes, que os livrassem das mãos dos opressores. Juizes foram

chamadas certas personagens insignes (Notável; Eminente; Extraordinário) que, depois da morte de Josué

até à constituição do reino, isto é desde o século XII A XI a.C. - Libertaram, em várias circunstâncias, o povo

de Israel dos inimigos.

Juiz significa libertador ou chefe militar que, após a morte de Josué e antes da monarquia, punha-se

à frente de uma ou mais tribos para livrá-las da opressão. Era um chefe militar com caráter local e

temporário.

Começando por Otoniel que os libertou da opressão do rei da Mesopotâmia; foram ao todo doze

juizes.

O último destes Juizes foi Samuel.

Israel pede um rei – Samuel julgou Israel durante todos os dias da sua vida. Ora aconteceu que

tendo Samuel envelhecido constituiu os seus filhos juizes de Israel. Porém seus filhos não seguiram as suas

pisadas, mas deixaram-se arrastar pela avareza, receberam presentes e perverteram a justiça.

Tendo-se, pois, juntado todos os anciãos de Israel, foram ter com Samuel, e disseram-lhe: Bem vês

que estás velhos e que teus filhos não seguem as tuas pisadas; constitui-nos pois um rei que nos julgue,

como o tem todas as nações. Esta linguagem desagradou a Samuel (ele via neste pedido uma renúncia à

realeza divina) porque lhe diziam: Dá-nos um rei para que nos julgue. Samuel fez oração ao Senhor. E o

Senhor disse a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo o que te dizem, porque não é a ti que eles rejeitaram,

mas a mim para eu não reinar sobre eles. É assim que eles sempre tem feito desde o dia que os tirei do

Egito até hoje; assim como me abandonaram a mim, e serviram a deuses estranhos (Ex.: Baal – divindade

Cananéia / Deus da chuva), assim também fazem a ti.

Saul é honrado por Samuel e ungido rei – Para cumprir seus desígnios, Deus é condescende

com o desejo do povo, mas exigi em Israel uma realeza teocrática, um rei que em tudo observe a lei

mosaica e execute a vontade de Deus que o elegeu, vontade comunicadas pelos profetas que ele não

cessará de suscitar, para que sejam seus porta-vozes, dependentes imediatos dele.

Ora havia um homem de Benjamim (tribo) chamado Cis. Ele tinha um filho chamado Saul, escolhido

e bom; não havia entre os filhos de Israel outro melhor do que ele. Ora o Senhor tinha revelado a Samuel a

vinda de Saul, um dia ante que ele chegasse, dizendo: Amanhã, a esta mesma hora, que agora é, te

enviarei eu um homem da terra de Benjamim e tu o ungirás para chefe do meu povo de Israel. No dia

seguinte quando Samuel viu Saul, o Senhor disse-lhe: Eis o homem de quem te falei, este reinará sobre o

meu povo. E Saul aproximou-se de Samuel no meio da porta, e disse: Peço-te que me digas onde é a casa

do vidente. E Samuel respondeu. Sou eu o vidente, sobe diante de mim ao lugar alto, para que comais hoje

comigo, e pela manhã te despedirei; e descobrir-te-ei tudo o que tens no teu coração. Sobre as jumentas

que perdestes há três dias (motivo da sua vinda), não te dê isso cuidado porque já foram encontradas.

No dia seguinte, Samuel tomou um pequeno vaso de óleo, derramou-o sobre a cabeça de Saul,

beijou-o e disse: Eis que o Senhor te ungiu por príncipe sobre a sua herança, e tu livrarás o seu povo das

mãos dos seus inimigos, que o cercam. Este será para ti o sinal de que Deus de ungiu príncipe (a unção

passa a ser condição essencial da realeza, tornando o rei sagrado e inviolável, e evidenciava que o rei era

de instituição divina e Deus queria conservar seus direitos).


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Sete dias depois, Samuel convocou o povo diante do Senhor em Masfa. E Saul é eleito

publicamente.

E todo o povo o aclamou, dizendo: Viva o rei!

Saul voltou para sua casa em Gabaa; e foi com ele uma parte do exército a quem Deus tinha tocado

o coração. Mas chegando lá, foi desprezado por alguns. Aconteceu que, quase um mês depois, Naás

amonita pôs-se em campanha, e começou a combater contra Jabes de Galaad.

E eis que Saul vinha do campo, atrás dos seus bois e disse: Que tem o povo que chora? E

referiram-lhe as palavras dos habitantes de Jabes. E o espírito do Senhor apoderou-se de Saul e acendeu-

se sobremaneira o seu furor.

Saul vence os amonitas e é confirmado rei.

Samuel abdica o ofício de juiz – Samuel renuncia à função de juiz na parte que toca ao rei, mas

no que toca à religião e à moral permanecerá juiz da nação do rei até a sua morte.

O reino de Saul – Saul, firmando o seu reino sobre Israel, combatia contra todos os seus inimigos,

que viviam no contorno, contra Moab, Amon, Edom, Filisteus e os Amalecitas. Para onde quer que se

voltava, vencia.

Decreto divino de reprovação de Saul – O Senhor dirigiu a palavra a Samuel, dizendo:

Arrependo-me de ter feito rei a Saul, porque me abandonou e não cumpriu as minhas ordens.

Davi na corte de Saul – O espírito, porém, do Senhor retirou-se de Saul, o qual atormentava-o um

espírito maligno, por permissão do Senhor. (Abandonado pelo profeta Samuel, Saul acentuou suas

tendências absolutistas, alienando de si o ânimo do povo. Dentro deste quadro de inveja e depressão

nervosa, Saul provavelmente abriu brecha a um processo obsessivo).

Os servos de Saul disseram-lhe: Eis que um espírito maligno, te vexa. Se tu, nosso senhor, o

mandas, os teus servos, que estão em tua presença, buscarão um homem que saiba tocar harpa, para que,

quando o maligno espírito, te atormentar, ele toque com sua mão e experimentes assim algum alívio. E,

respondendo um dos seus criados, disse: Eis que vi um dos filhos de Isaí de Belém que sabe tocar e é

dotado de grande força, homem guerreiro, prudente nas palavras e de gentil presença; e o Senhor é com

ele. Saul disse-lhe: Trazei-o à minha presença. Mandou pois Saul mensageiro a Isaí, dizendo: Manda-me o

teu filho Davi, que anda com os rebanhos.

Davi foi ter com Saul e apresentou-se diante dele, o qual o amou em extremo e o fez seu escudeiro.

Todas as vezes portanto que o espírito maligno se apoderava de Saul, Davi tomava a harpa, tocava-a, e

Saul sentia alívio e achava-se melhor, porque o espírito maligno retirava-se dele.

Posteriormente, Davi deixou Saul, e voltou a apascentar as ovelhas do rebanho de seu pai em

Belém.

O gigante Golias – Ora os filisteus, juntaram as suas tropas para combater Israel. Saul, porém, e

os filhos de Israel reuniram, formaram o exército para batalha contra os filisteus. Os filisteus estavam dum

lado; sobre um monte e Israel estava do outro lado, sobre o monte; havia um vale entre eles.

Saiu do campo dos filisteus um homem bastardo, chamado Golias, que tinha seis côvados (antiga

medida de comprimento, que tinha 3 palmos e correspondia a 66 centímetros) e um palmo de altura. Trazia

na cabeça um capacete de bronze e estava vestido duma couraça escameada (revestido de escamas);

trazia nas penas escarcelas de bronze e um escudo de bronze cobria os seus ombros. A haste de sua lança

era como o órgão dum tear. E, posto em pé clamava para os esquadrões de Israel, e dizia-lhe: Por que

viestes dispostos para a batalha? Porventura não sou eu filisteu e vós servos de Saul? Escolhei entre vós

um homem, e venha bater-se só por só. Se ele puder combater comigo, e me tirar a vida, nós seremos

vossos escravos; mas se eu prevalecer e o matar, vós sereis nossos escravos e servir-nos-eis. Saul, pois, e

todos os israelitas, ouvindo estas palavras do filisteu, estavam atônitos e temiam em extremo.

O filisteu apresentava-se de manhã e de tarde, e continuou assim durante quarenta dias.

Ora Isaí disse a seu filho Davi: Toma para teus irmãos um efá de grão torrado e estes dez pães e

corre a levá-los a teus irmãos ao acampamento.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Davi, pois, levantou-se de manhã, confiou o rebanho a um guarda, e carregado, pôs-se a caminho,

como Isaí lhe tinha mandado.

Davi correu ao lugar da batalha e informava-se se tudo corria bem aos seus irmãos. Quando ele

lhes estava ainda falando, apareceu aquele homem, chamado Golias, Davi ouviu. Todos os israelitas, tendo

visto este homem, fugiram de sua presença, porque o temiam muito.

Um dos de Israel disse: Não viste esse homem, que avançou? Ao homem, pois, que o matar, o rei

encherá de grandes riquezas, dar-lhe-ás por mulher sua filha e isentará a casa de seu pai de tributos em

Israel. Davi falou aos que estavam junto dele, dizendo: Quem é, pois, este filisteu incircuncidado, que

insultou o exército de Deus vivo?

Foram, pois, ouvidas as palavras que Davi disse e foram referidas na presença de Saul. Tendo sido

conduzido Davi perante ele, disse-lhe: Não desfaleça o coração de ninguém por causa deste filisteu; eu, teu

servo, irei e combaterei contra ele. Saul disse a Davi: Tu não poderás resistir a este filisteu, nem combater

contra ele, porque és um rapaz e ele é um homem guerreiro desde a sua mocidade.

Finalmente, porém, Saul se convenceu, e disse a Davi: Vai, e o Senhor seja contigo. Ora no

momento em que Saul viu partir Davi contra o filisteu, disse para Abner, general do exército: Pergunta tu, de

quem é filho este jovem (Saul talvez não tenha reconhecido Davi, por se achar num dos seus acessos

obsessivos).

Recusando tanto as armas quanto a armadura, Davi foi até um riacho próximo e apanhou cinco

pedras lisas que colocou em sua sacola de pastor. Então, com sua funda (estilingue; bodoque; atiradeira)

numa das mãos, seu cajado na outra, caminhou na direção de Golias.

“Sai do meu caminho, rapaz!”, gritou o campeão com a voz cheia de desdém. “Eu não luto com

crianças!”.

“Tu vens a mim com um punhal e uma lança, mas eu venho a ti com Deus do meu lado”, disse Davi.

Deixou cair o cajado e pôs uma pedra na funda. Fazendo-a girar uma vez, disparou-a. A pedra atingiu

Golias no meio da testa, e o gigante caiu com o rosto por terra. Davi, não tendo à mão nenhuma espada,

correu, lançou-se sobre o filisteu, pegou da sua espada, matou-o e cortou-lhe a cabeça.

Ora os filisteus, vendo que o mais valente deles estava morto, fugiram e foram perseguidos pelos

israelitas e muitos caíram feridos.

Davi, tomando a cabeça do filisteu, levou-a a Jerusalém e pôs as armas dele na sua tenda.

Inveja e atentados de Saul contra Davi – Com a magnífica vitória de Davi, Saul lhe deu um alto

comando no exército, e o rapaz veio viver na sua própria casa. Ali, Davi foi bem recebido por Jônatas (filho

de Saul), a quem logo passou a amar como um irmão. Depois de algum tempo Saul deu sua filha, Micol, a

Davi como esposa.

Para o povo de Israel, Davi era um herói. Quando andava pelas ruas, as pessoas saudavam-no e

aplaudiam-no. Canções e histórias celebravam a derrota de Golias. Mulheres com tamborins dançavam

diante dele, cantando: ”Saul matou mil e Davi dez mil”. Saul ouvia suas palavras, e começou a ficar

enciumado. “Se o povo considera-o mais do que a mim”, dizia-se ele, “logo ele se apoderará do meu reino”.

A partir de então, ficou cismado e passou a vigiar Davi.

Certo dia, Davi tocava sua harpa, como costumava fazer todos os dias. Saul (em estado obsessivo)

tinha uma lança na mão e arrojou-a, julgando que poderia cravar Davi na parede; porém Davi desviou-se

dele por duas vezes.

Saul tornou-se hostil a Davi todos os dias. E Saul falou a Jônatas, seu filho, e a todos os seus

servos, para que matassem Davi. Mas Jônatas, filho de Saul, amava extremosamente Davi. Jônatas avisou

Davi, dizendo: Saul, meu pai procura matar-te, por isso rogo-te que te retires a um lugar oculto e te

escondas até que eu possa falar em teu favor.

Algum tempo depois, Jônatas introduziu Davi à presença de Saul, e ele ficou vivendo junto deles

como antes.

Davi sofre novo atentado. Primeiro, foi até Micol (sua esposa) que o convenceu de que era perigoso

ficar ali. Ela o fez baixar por uma corda pela janela, e dali ele sumiu pela escuridão e escapou.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

Naquela mesma noite, apareceram soldados enviados por Saul na casa de Davi para tentar contra

sua vida.

Jônatas foi em segredo ver Davi em seu esconderijo. “O que fiz para que Saul me odeie? Ele

realmente quer me matar?” Perguntou Davi ao amigo, angustiado. Não te preocupes, descobrirei os

verdadeiros sentimentos do meu pai, disse Jônatas. Enquanto isso, deves ficar escondido até eu te dar um

sinal: então saberás se estás a salvo ou a um passo da morte.

Voltando para casa, Jônatas encontrou o pai no jantar e sentou-se à sua frente. Onde está Davi?

Perguntou o rei.

Ele foi visitar a família em Belém. Acredita em mim, pai, ele não te fez mal algum, disse Jônatas.

Com o rosto crispado de ódio, Saul levantou-se, cambaleante, agarrou uma lança e arremessou-a

contra o filho. Como ousas tomar partido contra mim? Traz já Davi até mim, pois ele tem de morrer! Gritou.

Na manhã seguinte, como haviam combinado, Jônatas foi ao prado onde Davi estava oculto.

Lançou uma flecha que caiu para além de onde o amigo estava escondido. Era o aviso de que a vida de

Davi corria perigo. Os dois rapazes se abraçaram com tristeza. Em seguida partiram, Jônatas de volta para

a cidade, Davi deserto adentro, aonde foi acompanhado por um grupo de companheiros leais.

Saul partiu com seus homens para buscar Davi na terra deserta junto de Engadi. O dia estava

quente, e eles se abrigaram numa caverna; na mesma caverna onde Davi e seus homens estavam ocultos.

Discretamente, Davi passou por trás de Saul e cortou um pedaço de sua roupa. Assim que Saul deixou a

caverna, Davi gritou: “Meu rei e senhor, aqui estou eu, Davi. Vê como estive perto de te matar e mesmo

assim te poupei a vida! Eu não magoaria alguém que foi ungido por Deus”.

Aquelas palavras, Saul encheu-se de culpa. Davi, tratei-te injustamente, mas tu és um homem muito

maior do que eu. Deus esteja contigo, e que logo seja teu reinado como futuro rei de Israel.

Morte de Samuel – Entretanto morreu Samuel (último dos juizes), e todo o Israel se juntou a chorá-

lo, e sepultaram-no na sua casa em Ramata.

Morte de Saul – O exército filisteu caiu aos milhares sobre os israelitas, que foram massacrados.

Também foram mortos Jônatas e seus irmãos.

Davi reina sobre todo o Israel – Na cidade de Hebron, todas as tribos de Israel se reuniram para

proclamar Davi o novo rei dos israelitas. Davi levou seu povo para Jerusalém, uma cidade que pertencia

aos jebuseu, pois Jerusalém seria sua capital. Mas os jebuseu recusaram-se a abrir os portões, deixando os

recém-chegados acampados fora dos muros da cidade.

No entanto, alguns dos homens de Davi escalaram um aqueduto que os levou para dentro da

cidade, e dali puderam destrancar os portões. Uma vez lá dentro, os israelitas derrotaram os jebuseu e

capturaram a cidade.

A Arca da Aliança foi trazida para Jerusalém, escoltada por uma multidão de milhares de pessoas

que cantavam e tocavam flautas e tamborins.

Ao entrarem pelos portões, soaram trombetas, e Davi tirou suas vestes reais para dançar de alegria

diante da Arca da Aliança. Quando a Arca chegou à tenda cerimonial, ou Tabernáculo, que fora construído

para abrigá-la, Davi ofereceu um sacrifício ao Senhor. Depois, abençoou seu povo e deu a cada um bolo e

vinho.

Micol, mulher de Davi, observava-o de uma janela enquanto ele se misturava livremente com a

multidão e desprezou-o em seu coração.

“Que vergonha é ver o rei de Israel misturando-se com a plebe!”, disse ela com desprezo a Davi.

Mas Davi replicou: “Nada que eu fizer para honrar a Deus será vergonhoso; a vergonha está naqueles que

me desprezam por isso!”.

Por esta razão Micol, filha de Saul, não teve filhos até o dia da sua morte.

Os exércitos do rei Davi estavam sempre lutando no campo, mas o rei ficava em Jerusalém. Numa

tarde em que estava sentado no terraço do palácio, ele viu uma linda mulher que se banhava e penteava os

cabelos. Mandou um mensageiro descobrir quem era ela. Logo veio a resposta: era Betsabé, mulher de

Urias, o heteu.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Davi ficou tão admirado com sua beleza e graça que deu ordens para que Betsabé fosse trazida à

sua presença. Ele falou com ela, cortejou-a, e dormiu com ela. Pouco depois, ela lhe disse que trazia no

ventre um filho seu (a adúltera era condenada à morte. É a razão porque Betsabéia faz saber a Davi a

necessidade de ocultar o delito, para salvar-lhe a honra e a própria vida).

Imediatamente, Davi chamou de volta o marido, Urias, que era um de seus melhores generais.

Pediu um relatório da guerra e depois disse-lhe que voltasse para casa. No dia seguinte, porém, Davi foi

informado de que Urias tinha passado a noite a dormir nas portas do palácio.

Por que não foste para casa ver tua esposa? Perguntou-lhe Davi. “Como posso comer e beber com

minha mulher e dormir a salvo sob meu teto quando sei que todo o teu exército está acampado, pronto para

lutar pela nação?”, disse Urias.

Davi mandou Urias de volta para o campo com uma carta para Joab, o comandante do exército:

“Deves colocar Urias na linha de frente e deixá-lo onde a batalha for mais perigosa”. Joab fez como fora

ordenado, na batalha seguinte Urias foi morto.

Betsabé lamentou a morte do marido, mas assim que o período de luto acabou, ela concordou em

casar-se com Davi. Depois de algum tempo, deu à luz um menino.

Deus estava aborrecido e mandou Natã, o profeta, mostrar a Davi a crueldade do tratamento dado a

Urias, que tinha sido um servo tão leal e bravo.

Natã começou contando uma história a Davi. “Era uma vez dois homens, disse ele. Um era rico,

com muitos rebanhos, e o outro era pobre: tudo o que possuía era uma ovelhinha que ele amava como uma

filha e alimentava com a comida de seu próprio prato. Um viajante chegou à casa do homem rico pedindo

comida. O homem rico, sem querer perder uma de suas próprias ovelhas, matou a ovelhinha do homem

pobre, assou-a e deu-a ao seu hóspede.”

Davi ficou chocado com a história de Natã. “O homem rico tem de ser punido!”, exclamou o rei, com

raiva.

Mas tu és como o homem rico, disse Natã. E és tu quem deve ser punido. Pecaste contra Deus e

por isso teu filho morrerá.

Como Natã havia predito, o filho de Betsabé morreu, mas mais tarde ela deu à luz outro menino,

chamado Salomão. Deus amava Salomão, mas o rei Davi tinha muitos outros filhos de várias mulheres

diferentes, e muitos se desentendiam entre si. Um deles, chamado Absalão, brigou com um meio-irmão e o

matou. Foi então forçado a fugir e a esconder-se. Finalmente, porém, Davi acalmou-se e permitiu que

Absalão voltasse para Jerusalém.

Absalão era um jovem de excepcional beleza, particularmente orgulhoso de sua longa e espessa

cabeleira. Era também ambicioso, secretamente determinado a tornar-se o próximo rei de Israel. Comprou

um carro e cavalos e tinha cinqüenta homens a seu serviço. Toda manhã, ele ficava ás portas da cidade e

falava com todos os que vinham ver o rei.

Tendo-se tornado muito popular, Absalão foi para Hebron e ali reuniu um poderoso exército, com o

qual desafiou seu pai para uma batalha.

Mas Davi saiu de Jerusalém à frente de vários milhares de homens. Ao dar suas instruções aos

capitães, disse: Tratai Absalão com brandura, por amor ao rei.

Depois de longa batalha, os rebeldes debandaram. O próprio Absalão escapou montado numa mula

que, assustada com os sons da luta, correu a abrigar-se num bosque. Enquanto galopava entre as árvores,

os longos cabelos de Absalão ficaram presos nos galhos de um carvalho, e ali ficou pendurado e indefeso.

Foi encontrado por um dos homens de Davi, que foi contar a Joab, o comandante do exército do rei.

Viste Absalão! Exclamou Joab. Por que não o mataste na hora? Eu pessoalmente te daria uma ótima

recompensa!

Eu não a teria aceitado, disse o soldado. Não levantarei um dedo contra ele, pois o rei Davi pediu-

nos que tratássemos com brandura o seu filho.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Enraivecido, Joab agarrou três dardos pesados. Junto com seus escudeiros, foi até onde pendia

Absalão, prisioneiro nos galhos da árvore, e atirou os dardos contra seu peito. Depois, ordenou que o corpo

de Absalão fosse lançado num fosso nos fundos da mata e coberto com pedras.

Ao ouvir a notícia da morte de Absalão, Davi sentiu uma dor profunda. Meu filho, ó meu filho!

Chorava ele. Por que não morri eu no teu lugar.

Últimos conselhos e morte de Davi – Quando estava para morrer, Davi chamou seu filho

Salomão. Logo não estarei mais aqui para te aconselhar, disse ele. Sê sempre forte e verdadeiro, e

obedece sempre à palavra de Deus. Se o fizeres, o Senhor estará sempre contigo.

A longa e complicada luta dinástica, marcada pela revolta de Absalão (morto) e pelas intrigas de

Adonias (secundogênito: filho segundo), não chega a romper a linha de sucessão dinástica em Israel, e a

ascensão de Salomão ao trono denota o cumprimento das promessas feitas por Natã (Natan) a Davi. A lei

nada determinava no tocante à sucessão ao trono, mas Deus estabeleceu o trono por herança na casa de

Davi, e no caso elegera Salomão.

Depois que Davi morreu, Salomão tornou-se rei de Israel e casou-se com a filha do Faraó, rei do

Egito.

Uma noite, Deus apareceu-lhe em sonho e disse-lhe: Pede o que mais deseja e eu te darei.

Salomão disse: Tu me fizeste rei de um grande povo. Mas para governar, ainda não passo de uma criança.

Senhor, dá-me sabedoria.

Feliz com esta resposta, Deus disse: Por não teres pedido nada para ti mesmo, nem vida longa,

nem riqueza, nem vitória sobre teus inimigos, concederei o teu desejo. Se agires corretamente e

obedeceres minhas leis, eu te darei um coração sábio e compreensivo, e ficarás conhecido como um bom

rei.

Sabedoria do rei Salomão – Pouco depois, duas mulheres compareceram diante de Salomão. Elas

dividiam uma casa e cada uma tinha recentemente dado à luz um filho, mas uma das crianças morrera e

agora as duas mães reivindicavam para si o bebê sobrevivente.

Foi o filho dela que morreu, insistia a primeira mulher. Achas que eu não reconheceria meu próprio

filho?

Não, não! Gritou a outra. Foi o filho dela que morreu: de noite, enquanto eu dormia, ela roubou o

meu filho que estava ao meu lado.

Trazei minha espada, disse Salomão. A espada foi trazida. Cortai a criança ao meio e dái metade

dela a cada uma das mulheres aqui presente.

Sim, ó sábio rei, que nenhuma de nós fique com ele, disse uma delas. Cortai-o ao meio.

Mas a outra mulher caiu em pranto e apertava as mãos em desespero. Não matai o meu filho,

chorava, prefiro entregá-lo à outra a vê-lo ferido! Assim, Salomão soube que esta era a mãe verdadeira e

deu a criança a ela.

Quando ouviu contar do julgamento de Salomão, o povo passou a considerar seu rei com maior

respeito, pois sabia que uma sabedoria assim só podia vir de Deus.

Salomão era famoso pela sua sabedoria. O rei escreveu diversas máximas de sabedoria: boa parte

do Livro dos Provérbios é atribuída a ele. Sob o reinado de Salomão, os israelitas viveram um período

glorioso de paz e prosperidade, cujo coroamento foi a construção do Templo em Jerusalém, que tomou o

seu nome.

Agora que havia paz finalmente, o mais caro desejo de Salomão era levar a cabo o plano de seu

pai, Davi, de construir um templo para o culto de Deus. Enviou mensagem a Hiram (amigo de Davi), rei de

Tiro, pedindo-lhe madeira dos grandes cedros do Líbano. As árvores enormes foram derrubadas, amarradas

em balsas e trazidas por mar ao longo da costa. Ao mesmo tempo, milhares de pedreiros talhavam e

cortavam as pedras para as fundações e paredes externas do Templo.

Foram quatro anos para cavar as fundações e outros três para erguer o Templo sobre elas. Dentro

do Templo, as paredes eram de cedro, esculpidas com flores e árvores e pintadas de ouro. O altar também

era coberto de ouro.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Quando ficou pronto (sete anos), Salomão, acompanhado dos sacerdotes e dos chefes das tribos,

trouxe a Arca da Aliança (Os dez mandamentos foram escritos em dois pedaços de rocha, que eram

guardadas numa caixa dourada) para o Templo, onde foi colocada cuidadosamente no santuário interior.

Subitamente, uma nuvem encheu o Templo e os sacerdotes não puderam mais cumprir suas tarefas. Era a

glória de Deus enchendo a casa do Senhor.

Visita da rainha de Sabá – Tendo ouvido falar da sabedoria de Salomão ela quis ver com seus

próprios olhos se tudo o que lhe contavam era verdade. Assim, viajou da distante terra de Sabá (ficava

provavelmente no sudoeste da Arábia. A rainha viajou cerca de 1600 km para visitar Salomão) com uma

grande caravana carregada de especiarias, ouro e pedras preciosas, até chegar a Jerusalém.

O rei recebeu-a com cortesia e ela lhe fez várias perguntas difíceis. Mas nenhuma era difícil demais

para Salomão: respondeu a todas. Disse ela: “Israel tem no rei sua grande riqueza.”

Mulheres estrangeiras e idolatria de Salomão – Ora o rei Salomão, além da filha do faraó, amou

apaixonadamente muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, iduméias, sidônias, cetéias, das

nações, das quais o Senhor tinha dito aos filhos de Israel: Não tomeis as suas mulheres nem eles as

vossas; porque elas certissimamente vos perverterão os vossos corações, para seguirdes os seus ídolos.

Sendo já velho, o seu coração foi pervertido pelas mulheres, para seguir os deuses alheios, e o seu

coração não era perfeito diante do Senhor, seu Deus, como fora o coração de Davi, seu pai.

Salomão prestava culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a moloc, ídolo dos amanitas. E fez o

mesmo para agradar a todas as suas mulheres estrangeiras.

Deus ameaça Salomão – O Senhor, pois, irou-se contra Salomão, por se ter o seu espírito

apartado do Senhor, Deus de Israel. Disse, pois, o Senhor a Salomão: Visto que te portaste assim, e não

guardaste o meu pacto nem os mandamentos que te ordenei, eu rasgarei e dividirei o teu reino, e o darei a

um dos teus servos. Contudo não o farei em teus dias por atenção a Davi, teu pai; dividi-lo-ei quando estiver

entre as mãos do teu filho. Não tirarei o reino todo, mas darei a teu filho uma tribo, em atenção a meu servo

Davi e a Jerusalém, que eu escolhi.

O profeta Aías preanuncia o cisma e o reinado de Jeroboão – Aconteceu, pois, naquele tempo,

que Jeroboão (intendente dos tributos - rebelou-se contra Salomão por causa dos impostos cobrados para a

construção do aterro chamado Melo), saiu de Jerusalém, e que Aías silonita, profeta, coberto com uma capa

nova, encontrou Jeroboão no caminho. Estavam sós os dois no campo. Aías, tomando a sua capa nova,

rasgou-a em doze partes. E disse a Jeroboão: Toma para ti dez retalhos; porque isto é o que diz o Senhor

Deus de Israel: Eis que eu rasgarei o reino das mãos de Salomão e dar-te-ei dez tribos. A ele, porém, ficará

uma tribo, em atenção a meu servo Davi e à cidade de Jerusalém, que eu escolhi entre todas as tribos de

Israel. Eu não lhe tirarei todo o reino das suas mãos, mas deixá-lo-ei governar todos os dias da sua vida.

Tirarei, porém, o reino das mãos de seu filho (Roboão) e te darei dez tribos; ao seu filho darei uma tribo.

Quis, pois, Salomão matar Jeroboão; mas ele retirou-se e fugiu para o Egito.

Morte de Salomão – O tempo que Salomão reinou em Jerusalém sobre todo o Israel foi de

quarenta anos. Salomão adormeceu com seus pais e foi enterrado na cidade de seu pai Davi. Roboão, seu

filho reinou em seu lugar.

O cisma político – Os acontecimentos seguiram o curso já traçado pelo Senhor. Mais tarde, o reino

foi divido em dois: Israel e Judá.

Reino de Israel 928 a 722 a. C. – Com capital em Samaria, no norte, composto por 10 das 12

tribos, governado por uma série de reis que começou com Jeroboão.

Teve 19 reis e durou 205 anos.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Vejamos o quadro de sucessão até o reinado de Acab (7º Rei de Israel):

Todos os reis que descenderam de Jeroboão, foram infiéis ao Senhor, porém, de todos o que mais

ofendeu ao Senhor foi Acab.

Este quadro sucessivo estendeu-se até a tomada do Reino de Israel pelos Assírios, no ano

aproximado de 722 a.C.

Reino de Judá – 928 a 585 a.C. (de onde vem o nome “judeu”), com capital em Jerusalém, no sul,

composto por 02 Tribos (Judá e Benjamim) e governado pelos descendentes de Salomão, iniciou com seu

filho Roboão. Teve 20 reis e durou 344 anos.

2. Mediunidade e reencarnação

ELIAS

Acab, rei de Israel – Acab, pois, da descendência de Jeroboão, filho de Amri, reinou sobre Israel

em Samaria, vinte e dois anos.

Acab, fez o mal diante do Senhor, mais que todos os que tinha havido antes dele. Nem se contentou

com andar nos pecados de Jeroboão; mas, além disso, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos

sidônios. Foi, serviu a Baal (Deus da Chuva) e adorou-o. Erigiu um altar a Baal no templo de Baal, que tinha

edificado em Samaria, e plantou um bosque sagrado. Acab prosseguiu no seu mau proceder, irritando o

Senhor Deus de Israel mais do que todos os reis de Israel, que o tinha precedido.

Elias prediz a fome e retira-se – Elias disse a Acab: Viva o Senhor de Israel, em cuja presença

estou, que nestes anos não cairá nem orvalho nem chuva, senão conforme as palavras da minha boca.

Dirigiu o Senhor a sua palavra a Elias, dizendo: Retira-te daqui e vai para o lado do oriente, e

esconde-te junto da torrente de Carit, que está defronte do Jordão.

Elias, o mais célebre dos profetas, foi enviado por Deus para se opor à idolatria que grassava. A

missão do profeta começa vaticinando (predizer; prenunciar; adivinhar) a seca, como castigo de idolatria.

Interessante notar a particularidade do castigo: os israelitas haviam abandonado o seu Deus para adorar

Baal, considerado precisamente o deus da Chuva; ora, a seca devia fazer constatar a incapacidade daquela

divindade em dar a chuva.

Elias em casa da viúva de Sarepta – Mas, passados dias, secou-se a torrente; porque não tinha

chovido sobre a terra. Falou-lhe, pois, o Senhor, dizendo: Levanta-te e vai para Sarepta dos sidônios, e fixa

REI

REINADO

SUCESSÃO

Jeroboão

22 anos

Nadab – Seu filho

Nadab

02 anos

Baasa – Assassinou e exterminou a sucessão de Nadab

Baasa

02 anos

Elah – Seu filho

Elah

02 anos

Zambi – Assassinou e exterminou a sucessão de Elah

Zambi

07 dias

Amri – Zambi suicidou-se (pq seria deposto)

Amri

12 anos

Acab – Seu filho

Acab

22 anos

Acazias – Seu filho


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

lá tua morada, porque eu ordenei a uma mulher viúva que te sustente. Levantou-se e foi para Sarepta. E,

tendo ele chegado à porta da cidade, apareceu-lhe uma mulher viúva, apanhando lenha. Ele chamou-a e

disse-lhe: Dá-me num vaso um pouco de água para beber. E, quando ela lha ia buscar, Elias gritou atrás

dela dizendo: Traze-me também, te peço, um bocado de pão na tua mão.

Ela respondeu: Nada tenho senão uma jarra de farinha e um pouco de óleo. E com isto tenho de

alimentar a mim e a meu filho, senão morreremos de fome.

Elias disse-lhe: Não temas, vai para tua casa e lá encontrarás farinha e óleo bastantes até que

cheguem as chuvas. E aconteceu exatamente como o profeta disse. Havia comida todo dia para a mulher, o

filho e Elias.

Aconteceu depois adoecer o filho desta mãe de família, e a doença era tão grave, que já não

respirava. Ela portanto disse a Elias: Que te fiz eu, ó homem de Deus? Porventura vieste à minha casa para

excitares em mim a memória dos meus pecados e matares o meu filho? Elias disse-lhe: Dá-me o teu filho.

Tomou-o do seu regaço, levou-o à câmara onde ele estava alojado e o pôs em cima do seu leito.

Clamou ao Senhor e disse: Senhor meu Deus, até a uma viúva que me sustenta como pode,

afligiste, matando-lhe seu filho? Estendeu-se depois, inclinou-se três vezes sobre o menino, gritou ao

Senhor e disse: Senhor, meu Deus, faze, te rogo, que a alma deste menino volte às suas entranhas.

O Senhor ouviu a voz de Elias. A alma do menino voltou a ele e ele recuperou a vida (lembrando

que Jesus vivenciou por três vezes situação igual: o filho da viúva de Naim; a filha de Jairo e por último

Lázaro). Elias tomou o menino, desceu-o da sua câmara à casa de baixo, entregou-o a sua mãe e disse-

lhe: Aqui tens vivo o teu filho. A mulher respondeu a Elias: Agora reconheço por isto que és um homem de

Deus e que a palavra do Senhor na tua boca é verdadeira.

Elias é enviado a Acab – Muito tempo depois dirigiu o Senhor a sua palavra a Elias, no terceiro

ano dizendo: Vai e apresenta-te diante de Acab, para eu fazer cair chuva sobre a terra. Partiu, pois Elias,

para se mostrar a Acab. A fome era extrema em Samaria.

Avisado por seu mordomo que Elias estava a sua procura, Acab saiu a encontrar-se com ele. E,

vendo-o disse: Porventura és tu aquele que trazes perturbado Israel? Elias respondeu: Não sou eu que

perturbei Israel, mas és tu e a casa de teu pai, por terdes deixado os mandamentos do Senhor, e por terdes

seguido Baal. Mas, não obstante, manda agora, e faze juntar todo o povo de Israel no monte Carmelo (no

Líbano), como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal, os quatrocentos profetas dos

bosques, que comem da mesa de Jezabel. Mandou, pois, Acab chamar todos os filhos de Israel e juntou os

profetas no monte Carmelo.

Elias vence os profetas de Baal – Elias, aproximando-se de todo o povo disse: Até quando

claudicareis (erro; engano; manquejamento) vós para dois lados? Se o Senhor é Deus, segui-o; se, porém,

o é Baal, segui-o. O povo não respondeu palavra. Elias tornou a dizer ao povo: Eu sou o único que fiquei

dos profetas do Senhor; mas os profetas de Baal chegam a quatrocentos e cinqüenta homens. Dêem-nos

dois bois; escolham eles para si um boi, e, fazendo-o em pedaços, ponham-no sobre a lenha, mas não lhe

ponham fogo por baixo; eu tomarei o outro boi, pô-lo-ei sobre a lenha e também não lhe porei fogo por

baixo. Invocareis vós os nomes dos vossos deuses, e eu invocarei o nome do meu Senhor. O Deus que

ouvir, mandando fogo, esse seja considerado o verdadeiro Deus. Todo o povo, respondendo, disse: Ótima

proposta. Disse, pois, Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós um boi e começai vós primeiro, porque

sois em maior número; invocai os nomes dos vossos deuses e não ponhais fogo por baixo.

Eles, pois, tomando o boi que lhes foi dado, sacrificaram-no, e invocaram o nome de Baal, desde

manhã até ao meio-dia dizendo: Baal, ouve-nos. Mas não se percebia voz, nem havia quem respondesse. E

saltavam diante do altar que tinha feito. Sendo já meio-dia, Elias escarnecia-os, dizendo: Gritai mais alto,

porque ele é um deus, e talvez esteja falando em alguma estalagem, ou em viagem, ou dorme e necessita

que o acordem. Eles, pois gritavam em alta voz, e retalhavam-se segundo o seu costume, com canivetes e

lancetas, até se cobrirem de sangue.

Mas, passado o meio-dia, e enquanto eles profetizavam, chegou o tempo em que era costume

oferecer-se o sacrifício, e não se ouvia voz, nem havia quem respondesse, nem ouvisse os seus rogos.

Disse Elias a todo o povo: Aproximai-vos de mim. Aproximando-se o povo dele, Elias reparou o altar do

Senhor, que tinha sido destruído. Tomou doze pedras, segundo o número das tribos dos filhos de Jacó

(Israel), a quem o Senhor dirigira a sua palavra, dizendo: Israel será o teu nome. Com estas pedras edificou


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Tema: Mediunidade na Bíblia

um altar em nome do Senhor. Fez um regueiro como dois pequenos sulcos, em volta do altar, acomodou a

lenha, dividiu o boi em quartos, pô-lo sobre a lenha, e disse: Enchei de água quatro talhas, entornai-as

sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse outra vez: Fazei isto ainda segunda vez. E, tendo-o eles feito

pela segunda vez, disse: Fazei ainda pela terceira vez, isto mesmo. Eles o fizeram pela terceira vez. As

águas corriam pelo regueiro em volta do altar e o regueiro encheu-se.

Sendo já o tempo de se oferecer o holocausto, chegando-se o profeta Elias, disse: Senhor Deus de

Abraão, de Isaac, e de Israel (Jacó), mostra hoje que és o Deus que por tua ordem fiz todas estas coisas.

Ouve-me, Senhor, ouve-me para que este povo aprenda que tu és o Senhor Deus e que converteste

novamente o seu coração.

O fogo do Senhor baixou do céu, devorou o holocausto, a lenha e as pedras, consumindo o mesmo

pó e a água que estava no regueiro. Todo o povo vendo isto, prostrou-se com o rosto em terra e disse: O

Senhor é o Deus! O Senhor é o Deus! Elias disse-lhes: Apanhais os profetas de Baal, não escape deles

nem um só. Tendo-os o povo agarrado. Elias levou-os à torrente de Cison, onde os matou.

A chuva – Elias disse a Acab: Vai, come e bebe, porque já se ouve o ruído duma grande chuva.

Eis que se cobriu o céu de trevas, vieram nuvens e vento e caiu uma grande chuva.

Nota: A partir daí, os vestígios de idolatria somem do país e ficam restritos exclusivamente ao

interior do palácio real. O próximo conflito entre profeta e rei é de natureza ética.

Ira de Jezabel contra Elias – Ora Acab referiu a Jezabel tudo o que Elias tinha feito e como ele

tinha matado à espada todos os profetas. Jezabel enviou um mensageiro a Elias, dizendo: Os deuses me

tratem com toda sua severidade, se amanhã, a esta mesma hora, não te fizer perder a vida, como tu fizeste

perder a cada um deles (profetas de Baal).

Elias, pois, teve medo (sabendo que Acab era dominado pela mulher, fugiu, para evitar morte certa,

que poderia ser tomada como vitória dos falsos deuses), e, levantando-se, foi para onde o seu desejo o

levava; chegou a Bersabéia de Judá, e ali despediu o seu criado. Andou pelo deserto um dia de caminho. E,

tendo ido sentar-se debaixo dum junípero, desejou para si a morte e disse: Basta-me de vida, Senhor, tira a

minha alma, porque eu não sou melhor do que meus pais. Lançou-se por terra e adormeceu à sombra do

junípero (planta da família das Pináceas - Pinheiros, de frutos aromáticos e medicinais). E eis que um anjo

do Senhor o tocou e lhe disse: Levante-te e come. Olhou e viu junto à sua cabeça um pão cozido debaixo

da cinza e um vaso de água, comeu, pois, bebeu e tornou a adormecer. Voltou pela segunda vez o anjo do

Senhor, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque te resta um longo caminho. Levantou-se, comeu e

bebeu, e com vigor daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao monte de

Deus, Horeb.

Acab deseja a vinha de Nabot – Ora, depois destas coisas, naquele tempo, Nabot possuía uma

vinha que estava junto ao palácio de Acab, rei de Israel, na cidade de Samaria. Acab falou a Nabot,

dizendo: Dá-me a tua vinha, a fim de eu fazer uma horta para mim, porque está vizinha e junto de minha

casa; dar-te-ei por ela uma vinha melhor; ou, se te faz mais conta, o seu justo preço em dinheiro.

Nabot respondeu-lhe: Deus me guarde que eu te dê a herança de meus pais.

Foi, pois, Acab para sua casa indignado, encolerizado, por causa da resposta que Nabot lhe dera.

Deitando-se sobre a sua cama, voltou o rosto para a parede, e não quis comer nada.

Jezabel, sua mulher, foi ter com ele e disse-lhe: Que é isto? Donde te vem esta tristeza? Por que

não comes? Ele então conta-lhe tudo que havia ocorrido na vinha de Nabot.

Disse-lhe então Jezabel: Tens uma grande autoridade e governa bem o reino de Israel. Levanta-te

come e sossega o teu espírito; eu te darei a vinha de Nabot.

Escreveu ela, pois, uma carta em nome de Acab, selou-a com o selo do rei e enviou-a aos anciões

e aos principais, que havia na cidade, e habitavam com ele. O assunto da carta era este: Promulgai um

jejum, fazei sentar Nabot entre os primeiros do povo e subornai contra ele dois homens, que profiram contra

ele este falso testemunho: Nabot louvou a Deus e ao rei; depois, levai-o fora da cidade e apedrejai-o, e

assim morra. E assim foi feito.

Profecia de Elias contra Acab e Jezabel – Sucedeu, pois, que, tendo Jezabel ouvido dizer que

Nabot fora apedrejado e morrera, foi dizer a Acab: Vai e torna-te senhor da vinha de Nabot. Acab, tendo

ouvido dizer que Nabot tinha morrido, levantou-se e ia para a vinha, a fim de se apossar dela.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Mas o Senhor dirigiu a sua palavra a Elias, dizendo: Levanta-te e sai ao encontro de Acab, rei de

Israel, que está em Samaria; eis que ele vai à vinha de Nabot, para tomar posse dela. Tu lhe falarás,

dizendo: Eis o que diz o Senhor: Mataste e, além disso, tomaste posse de seus bens. Depois acrescentarás:

Isto diz o Senhor: Neste lugar, em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o teu

sangue.

Acab disse a Elias: Porventura tens-me por teu inimigo? Elias respondeu-lhe: Sim, tenho-te por tal,

porque te vendeste, para fazeres o mal aos olhos do Senhor. Eis, farei cair o mal sobre ti, arrancarei a tua

posteridade e matarei todos os indivíduos do sexo masculino da casa de Acab. O Senhor também falou

sobre Jezabel, dizendo: Os cães comerão Jezabel no campo de Jezrael. Se Acab morrer na cidade, comê-

lo-ão os cães, mas, se morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu.

Não houve, pois, outro semelhante a Acab, que se vendeu para fazer o mal aos olhos do Senhor,

porque Jezabel, sua mulher, o incitou. Ele tornou-se tão abominável, que seguia os ídolos dos amorreus,

que o Senhor tinha exterminado da face dos filhos de Israel.

Mas, tendo Acab ouvido estas palavras, rasgou os seus vestidos, cobriu a sua carne de um cilício,

jejuou, dormiu envolto no saco e andou de cabeça baixa.

O Senhor dirigiu a sua palavra a Elias, dizendo: Não viste Acab humilhado diante de mim? Porque

ele, pois, se humilhou, em atenção a mim, não farei vir aquele mal enquanto ele viver, mas nos dias de seu

filho o farei vir sobre a sua casa.

O profeta Elias e o rei Acazias – Depois da morte de Acab, seu filho Acazias caiu da janela do

quarto alto do palácio, que tinha em Samaria, e adoeceu. Enviou mensageiros, dizendo-lhes: Ide, consultai

Belzebub (significa senhor das moscas), deus de Acaron (uma das grandes cidades dos filisteus, a mais

próxima de Samaria), se poderei convalescer desta minha doença.

O anjo, porém, do Senhor falou a Elias, dizendo: Levanta-te, e vai ao encontro dos mensageiros do

rei de Israel aos quais dirás: Porventura não há um Deus em Israel, para vós virdes consultar Belzebub,

deus de Acaron? Por isso eis o que diz o Senhor: Não te levantarás da cama em que jazes, mas

certissimamente morrerás. E dito isto Elias partiu.

Os mensageiros voltaram para Acazias, e contaram-lhe todo o ocorrido. Acazias perguntou-lhes:

Que figura e que traje é o desse homem, que se encontrou convosco e vos disse estas palavras? Eles

responderam: É um homem peludo e que anda cingido sobre os rins com uma cinta de couro. Ele disse: É

Elias.

Acazias manda seus capitães a procura de Elias. Na terceira tentativa de prendê-lo o anjo do

Senhor falou a Elias, dizendo: Desce com ele, não temas. Levantou-se, pois, e desceu com este capitão

para ir ter com o rei, e disse-lhe: Eis o que diz o Senhor: Porque enviaste mensageiro a consultar Belzebub,

deus de Acaron, como se não houvesse um Deus em Israel, que tu pudesses consultar, por isso não te

levantarás da cama em que jazes, mas certissimamente morrerás.

Morreu, pois Acazias, conforme a palavra do Senhor, que Elias pronunciou, e em seu lugar reinou

Jorão, seu Irmão, pois Acazias não tinha outros filhos.

Nota: Jorão é o sucessor, mas quem de fato governa é a agora rainha-mãe Jezabel, empenhada

em promover os deuses fenícios e pouco se preocupando com a crítica situação social do país. A situação

explosiva encontra seu detonador no sucessor de Elias. Eliseu é todo prático, quer uma solução política

contra a miséria e o paganismo. Uma conspiração entre Eliseu e os miltares resulta num golpe e na brutal

execução de toda a família real, Jezebel sendo atirada pela janela e no pátio "os cães devoraram seu

cadáver". Os profetas pagãos são passados pela espada, as imagens queimadas e seu templo

transformado em latrina.

JOÃO BATISTA

Nas profundezas do deserto da judéia, João Batista vagava de um lugar a outro, pregando. Usava

apenas um manto grosseiro feito de pele de camelo e um cinto de couro, e alimentava-se de gafanhotos e

mel silvestre. “Arrependei-vos! Arrependei-vos!”, gritava ele a todos os que pudessem ouvir. “Deixai o

caminho da iniqüidade. O dia do Reino de Deus está para chegar!”.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

As pessoas se juntavam para ouvi-lo, formando grandes multidões que vinham de Jerusalém, do

vale do Jordão e de todas as vilas da Judéia. “Que devemos fazer para levar uma vida correta?”,

perguntavam. “Dividi tudo o que tendes com os outros, não firais ninguém e nunca acuseis falsamente”,

dizia-lhes João.

Um grupo após o outro vinha confessar seus pecados, e em seguida João batizava-os no rio

Jordão. “Eu vos batizo com água”, dizia-lhes ele. “Mas virá um depois de mim que vos batizará com o fogo

do Espírito Santo! É um homem tão bom e puro que não sou digno sequer de desamarrar suas sandálias.”

“Tú és o Cristo?”, perguntavam-lhe.

“Não, mas preparo o caminho para ele. Sou a voz que clama no deserto.”

Jesus veio da Galiléia para ouvir o profeta e ser batizado no Jordão. Mas João disse: “Não é certo

que eu te batize. És tu quem deve batizar-me”.

“Façamos o que Deus nos pede”, respondeu Jesus, e descendo as margens do rio entrou na água.

Assim que João batizou Jesus, o céu se abriu, e o Espírito Santo apareceu na forma de uma pomba, e a

voz de Deus se ouviu, dizendo: “Este é o meu filho amado, no qual pus as minhas complacências”. (Mateus

Cap. 3, 17)

Vejamos o que relata João Evangelista no Cap. 01, 28:34:

No dia seguinte João viu Jesus, que vinha ter com ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, eis o que

tira o pecado do mundo. Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um homem que me foi

preferido, porque era antes de mim. Eu não o conhecia, mas vim batizar em água, para ele ser reconhecido

em Israel. João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu em forma de pomba e repousou sobre

ele. Eu não o conhecia, mas o que me mandou batizar em águas, disse-me: Aquele, sobre quem vires

descer e repousar o Espírito, esse é o que batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dei testemunho de que ele é o

Filho de Deus.

A morte de João Batista – O rei Herodes Antipas tinha lançado João Batista na prisão, porque o

profeta ousara condená-lo por ter-se casado com Herodíades, mulher do seu próprio irmão. João era ao

mesmo tempo temido e respeitado por Herodes, mas sua mulher odiava-o. Ela queria vê-lo morto. O

marido, porém, sabia que João era um homem bom, e muitas vezes ia ouvir as palavras sábias do Batista.

Não o queria morto, por isso mantinha-o bem guardado na cadeia.

No dia de seu aniversário, Herodes deu um banquete ao qual convidou os nobres e os oficiais e

todos os grandes proprietários de terra da Galiléia. A filha de Herodíades, Salomé, uma jovem de grande

beleza, dançou diante do rei e dos convidados. Herodes ficou tão encantado com a graciosidade de Salomé

que disse a ela: “Pede-me tudo o que quiseres”.

A menina foi consultar a mãe: “Que devo pedir?”, cochichou.

Ora, Herodíades nunca perdoara João por ter condenado seu casamento, e percebeu que agora

podia ter sua vingança. “Pede que a cabeça de Batista te seja trazida numa bandeja”, disse ela a Salomé.

Ao ouvir o pedido da jovem, Herodes ficou apavorado, mas tinha feito a promessa na frente de

todos, e não tinha escolha senão manter sua palavra.

A ordem logo foi dada e João Batista foi executado na prisão.

Pouco depois, a cabeça ensangüentada do profeta era trazida à sala do banquete numa bandeja de

prata e colocada aos pés de Salomé.

Silenciosamente, ela pegou e levou para a mãe.

Os seguidores de João, enquanto isso, recolheram seu corpo decapitado e o enterraram. Depois

foram contar a Jesus o que tinha acontecido. Jesus ficou profundamente triste com a notícia da morte do

Batista. Em sinal de luto pelo amigo, deixou a multidão por algum tempo, indo de barco para um lugar onde

pudesse refletir e orar. (Mateus Cap.14; Marcos Cap.06)


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Tema: Mediunidade na Bíblia

A VOLTA DE ELIAS

Malaquias profetizara por volta do ano 450 a.C., que Elias (que vivera no período aproximado de

850 a.C.), um dos maiores e mais respeitados profetas de Israel, voltaria à Terra no tempo devido, na

condição de precursor de alguém de hierarquia infinitamente mais elevado do que ele.

“Eis que envio o meu mensageiro para preparar o meu caminho. E de repente virá ao seu templo

(tem o sentido ao seu corpo), o Senhor que vós buscais, o anjo da aliança que desejais.” (Mal. 3:1)

“Eis que vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia grande e horrível do Senhor. Ele

converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para não suceder que eu

venha e fira a terra com anátema.” (Mal.4:5)

Citaremos trechos do Novo Testamento onde o Cristo reconheceu em João Batista o Elias que

deveria vir.

João Batista envia a Jesus dois dos seus discípulos – Tendo Jesus acabado de dar instruções

aos seus doze discípulos, partiu dali para ir ensinar e pregar nas cidades deles. Como João, estando no

cárcere (Batista está preso na fortaleza de Maqueronte, a leste do mar morto), tivesse ouvido falar das

obras de Cristo, enviou dois de seus discípulos, a dizer-lhe: És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar

outro? Respondendo Jesus, disse-lhes: Ide e contai a João o que ouviste e vistes: Os cegos vêem, os coxos

andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, “os pobres são evangelizados”; e

bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo.

Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João às turbas: Que fostes vós ver ao deserto? Uma

cana agitada pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupa delicadas? Mas os que vestem

roupas delicadas vivem nos palácios dos reis. Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda

mais do que profeta. Porque este é aquele de quem está escrito: “Eis que eu envio o meu mensageiro

adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti”.

Na verdade vos digo que entre os nascidos das mulheres não veio ao mundo outro maior que João

Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.

Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus adquire-se à força, e são os violentos

que o arrebatam. Todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se vós o quereis compreender, ele

mesmo é o Elias que há de vir. O que tem ouvidos para ouvir, ouça.(Mateus Cap.11,10)

O anjo do Senhor aparece a Zacarias – “Apareceu-lhe um anjo do Senhor, posto de pé ao seu

lado direito do altar do incenso. Zacarias (sacerdote), ao vê-lo, ficou perturbado e o temor o assaltou. Mas o

anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração; tua mulher Isabel te dará um filho ao

qual porás o nome de João; será para ti motivo de gozo e de alegria, e muitos se alegrarão no seu

nascimento; porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho nem bebida inebriante; será cheio

do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe; converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus;

irá adiante dele com o espírito e a fortaleza de Elias, “a fim de reconduzir os corações dos pais para os

filhos” e os rebeldes à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto.” (Lucas – Cap.

1, 11:17)

Transfiguração – Seis dias depois, tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João, conduziu-os sós à

parte a um alto monte, e transfigurou-se diante deles. As suas vestes tornaram-se resplandecentes e em

extremo brancas, tanto que nenhum lavandeiro sobre a terra as poderia tornar tão brancas.

E apareceu-lhes Elias com Moisés, que estavam falando com Jesus (João Batista já tinha tido sua

cabeça degolada por ordem de Herodes). Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, é bom que

estejamos aqui: façamos três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. Porque não sabia o

que dizia; pois estavam atônitos de medo. Formou-se uma nuvem que os cobriu com a sua sombra. Saiu

uma voz da nuvem, que dizia. Este é o meu filho caríssimo, ouvi-o. Olhando logo em roda, não viram mais

ninguém com eles senão Jesus. Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que

tinha visto, senão quando o Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos. E eles guardaram para si o

segredo, investigando entre si o que queria dizer: Quando tiver ressuscitado dos mortos. Interrogaram-no,

dizendo: Por que dizem pois os fariseus e os escribas que Elias deve vir primeiro? Ele respondeu-lhes: Elias

quando vier primeiro, reformará todas as coisas; e como está escrito acerca do Filho do homem, terá de


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Tema: Mediunidade na Bíblia

sofrer muito e será desprezado. Mas digo-vos que Elias já veio e fizeram dele quanto quiseram, como está

escrito dele. (Marcos Cap.09, 2:13)

Em Mateus Cap.17, 1:13 – Seis dias depois, tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão,

levou-os à parte a um alto monte e transfigurou-se diante deles. Seu rosto ficou refulgente como o sol e as

suas vestiduras tornaram-se luminosas de brancas que estavam. Eis que lhes apareceram Moisés e Elias

falando com ele. Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é nós estarmos aqui; se queres,

farei aqui três tendas, uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias. Estando ele ainda a falar, uma

nuvem resplandecente os envolveu; e eis que saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu filho dileto

em quem pus toda a minha complacência (benevolência; condescendência); ouvi-o. Ouvindo isto, os

discípulos caíram de bruços e tiveram grande medo. Porém Jesus aproximou-se deles, tocou-os e disse-

lhes: Levantai-vos e não temais. Eles então, levantando os olhos, não viram ninguém exceto só Jesus.

Quando desciam do monte, Jesus ordenou-lhes, dizendo: Não digais a ninguém o que vistes, até

que o Filho do homem ressuscite dos mortos.

Os discípulos o interrogaram, dizendo: Porque dizem pois os escribas que Elias deve vir primeiro?

Ele, respondendo, disse-lhes: Elias certamente há de vir e restabelecerá todas as coisas. Digo-vos, porém,

que Elias já veio e não o reconheceram, antes fizeram dele o que quiseram. Assim também o Filho do

homem há de padecer às suas mãos. Então os discípulos compreenderam que lhes tinha falado de João

Batista.

ALGUMAS CONCLUSÕES

Vamos, pois, alinhar aqui algumas conclusões que esses textos nos oferecem:

A confirmação da profecia de Malaquias, segundo a qual Elias voltaria à terra antes do Messias,

evidentemente em outro corpo, mesmo porque Elias vivera muitos séculos antes de João Batista, e claro

que seria com outro nome, em outra época, ou seja, em outra existência. Como poderia ele, a não ser

assim, exercer sua tarefa de precursor entre os homens e preparar os caminhos daquele que também

tomaria um corpo, isto é, viria para o seu templo?

A informação de que o Espírito de Elias era o mesmo que animara o corpo de João Batista,

recentemente executado por ordem de Herodes e não um novo espírito criado para o corpo deste. Esse

mesmo João, conforme Jesus declara em outra passagem, é espírito de elevadíssima condição, embora “no

Reino dos Céus” fosse ainda um dos menores. Isto porque, a despeito de sua grandeza espiritual, João

Batista ainda trazia certos compromissos cármicos em aberto. Como Elias, mandara degolar

implacavelmente os sacerdotes de Baal (450 ao todo) no dramático desafio narrado em 1º Reis, Cap. 18.

A aceitação tácita (silenciosa; subentendida; implícita) – pelo menos pelos três que acompanharam

Jesus à cena da transfiguração: Pedro, Tiago e João - da doutrina das vidas sucessivas, ou do

renascimento, pois os discípulos não questionaram o Mestre, nem se mostraram perplexos, como

Nicodemos, ante a informação de que Elias voltara como João Batista.

A reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição; só os Saduceus, que

pensavam que tudo acabava com a morte, não acreditavam nela. As idéias dos Judeus sobre esse ponto,

como sobre muitos outros, não estavam claramente definidas, porque não tinham senão noções vagas e

incompletas sobre a alma e sua ligação com o corpo. Eles acreditavam que um homem que viveu podia

reviver, sem se inteirarem com precisão da maneira pela qual o fato podia ocorrer; designavam pela palavra

ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição

supõe o retorno à vida do corpo que morreu, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível,

sobretudo quando os elementos desse corpo estão, desde há muito, dispersos e absorvidos. A

reencarnação é o retorno da alma, ou Espírito, à vida corporal, mas em outro corpo novamente formado

para ela, e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição poderia, assim, se aplicar a

Lázaro, mas não a Elias nem aos outros profetas. Se, pois, segundo sua crença, João Batista era Elias, o

corpo de João não podia ser o de Elias (morto aproximadamente a 850 a.C.) uma vez que se tinha visto

João Batista criança, e se conhecia seu pai e sua mãe. João podia, pois, ser Elias reencarnado, mas não

ressuscitado.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

3. O Livro de Tobias

Os assírios – Por vários anos os assírios tiveram um exército poderoso e muito eficiente. A partir

de 750 a.C., passaram a ser uma ameaça constante para o Reino de Israel e o Reino de Judá.

Aproximadamente no período que reinou Salmanasar V (727 a 722 a.C.) os assírios invadem o Reino de

Israel e posteriormente o Reino de Judá.

Os assírios adoravam um deus chamado Ashur, cujo principal templo ficava em Assur. O templo de

Nínive era dedicado ao culto de Ishtar, deusa da guerra e do amor. Outros deuses estavam ligados a

diferentes aspectos da vida: Nabu com sabedoria e Ninurta com a caça. Portanto um povo politeísta.

A história narrada em o Livro de Tobias acontece neste período.

Nota: O livro de Tobias foi escrito em hebraico ou aramaico. Encontraram-se fragmentos em ambas

as línguas (1952) nas grutas próximas do mar Morto. São Jerônimo verteu-o para o latim, servindo-se de

uma redação aramaica.

Judeus e protestantes não reconhecem o livro de Tobias como canônico, isto é, inspirado,

relegando-o entre os "Apócrifos".

Incluiremos o Livro de Tobias no Estudo da Mediunidade na Bíblia pois o mesmo é riquíssimo nesse

conteúdo. Vejamos: encontraremos em primeiro lugar a figura admirável de Tobias que foi um dos maiores

precursores do cristianismo, aproximadamente 750 anos antes do nascimento do Cristo. Tobias era

portanto, um grande Missionário superiormente assistido.

Depois encontraremos a utilização e poder da prece, dirigidas ao alto tanto por Tobias e por Sara.

(recomendamos a leitura do Cap.27 do Evangelho Segundo o Espiritismo).

Também veremos o belíssimo fenômeno de Materialização do Anjo Rafael, um espírito de alta

hierarquia, sendo o fenômeno de materialização duradoura, com toda a aparência de corpos de carne e

ossos.

Veremos ainda o atendimento desobsessivo de Sara feito pelo anjo Rafael.

Segue-se ainda a cura da cegueira de Tobias pelo uso do Magnetismo.

E na conclusão da obra encontraremos Tobias a profetizar acontecimentos futuros.

Cap. I – Origem e casamento de Tobias.

01.Tobias, da tribo e cidade de Neftali (que é na parte superior da Galiléia, acima de Naasom, por

detrás do caminho que guia para o ocidente, tendo à esquerda a cidade de Sefet).

02. Tendo sido levado cativo em tempo de Salmanasar, rei dos assírios, todavia no seu cativeiro

não abandonou o caminho da verdade.

03. De sorte que tudo quanto podia ter, distribuía todos os dias pelos seus irmãos que estavam

cativos com ele, e que eram de sua linhagem.

04. E sendo que ele era o mais moço de todos os da tribo de Neftali, não obrava contudo ação

alguma pueril.

05. Enfim, quando todos iam adorar os bezerros de ouro que Jeroboão, rei de Israel (lembrar divisão

do reino em dois: Israel e Judá), tinha feito, ele só fugia da companhia de todos (fiel ao Deus único de

Israel).

06. E ia a Jerusalém, ao templo do Senhor, e aí adorava ao Senhor Deus de Israel, oferecendo

fielmente todas as suas primícias e o dízimo dos seus bens.

07. De sorte que cada três anos distribuía aos prosélitos e aos estrangeiros toda a dizimação.

08. Estas coisas e outras semelhantes, conformemente com a lei de Deus, observava o menino.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

09. Porém, depois que chegou à idade varonil, casou-se com Ana, mulher de sua tribo, e teve dela

um filho a quem pôs o seu nome.

10. Ao qual ensinou desde a infância a temer a Deus e a abster-se de todo pecado.

11. Virtudes e provas de Tobias no cativeiro – Portanto, quando ele foi levado cativo com sua

mulher e filho, e toda a sua tribo, à cidade de Nínive (capital assíria).

12. Ainda que todos comessem das viandas dos gentios ele conservou a sua alma, e não se

manchou nunca com as suas comidas.

13. E porque ele de todo o coração se lembrou do Senhor, Deus lhe concedeu graças diante do rei

Salmanasar.

14. O qual lhe deu faculdade de ir aonde quisesse, tendo liberdade para fazer tudo o que queria.

15. Ia pois ter com todos os que estavam cativos e dava-lhes saudáveis conselhos.

16. Mas como tivesse ido a Rages, cidade dos Medos, e levasse dez talentos de prata daqueles

com que tinha sido presenteado pelo rei.

17. E vendo em necessidade, entre o grande número dos da sua nação, a Gabelo, que era da sua

tribo, lhe deu a sobredita quantia de prata debaixo de um escrito de sua própria mão.

18. Mas muito tempo depois, morto o rei Salmanasar, reinando Senaquerib, seu filho, em seu lugar,

e tendo em ódio aos filhos de Israel em sua presença.

19. Tobias todos os dias ia visitar a todos os da sua parentela, e consolava-os, e com cada um

distribuía dos seus bens, segundo as suas posses.

20. Alimentava os famintos e vestia os nus, e cuidadoso dava sepultura aos falecidos e aos que

tinham sido mortos.

Nota: 750 a.C., semelhança com os ensinamentos do Cristo.

21. Finalmente, quando se tinha retirado o rei Senaquerib, que, na fuga da Judéia à praga com que

Deus o castigara pelas suas blasfêmias, irado mandava matar a muitos dos filhos de Israel, Tobias

sepultava os seus cadáveres.

22. Mas quando isto se noticiou ao rei, mandou que o matassem, e tirou-lhe todos os seus bens.

23. Mas Tobias, despojado de tudo, fugindo com seu filho e sua mulher, se escondeu, porque

muitos lhe queriam bem.

24. Mas daí a quarenta e cinco dias assassinaram o rei seus próprios filhos.

25. E Tobias voltou para sua casa, e toda a sua fazenda lhe foi restituída.

Cap. II – Zelo de Tobias em sepultar os mortos.

01.Depois disto, porém, como fosse chegado um dia de festa do Senhor, e se fizesse um grande

banquete em casa de Tobias.

02. Disse a seu filho: Vai, e traze aqui alguns da nossa tribo que sejam temente a Deus, para

comerem conosco.

03. E tendo ido, na volta noticia ao pai que um dos filhos de Israel jazia degolado na rua. E logo

levantou-se de seu assento, deixando o jantar, em jejum chegou ao pé do cadáver.

04. E, tomando-o, o levou secretamente para sua casa, a fim de que ao pôr do sol o sepultasse a

bom recado.

05. E tendo escondido o cadáver, comeu o pão com lágrimas e tremor.

06. Recordando-se do que o Senhor dissera pelo profeta Amós: Os vossos dias de festa converter-

se-ão em lamentação e pranto.

07. Depois que foi o sol posto, saiu e sepultou-o.


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08. Mas todos os seus próximos o argüiam, dizendo: Já por este motivo te mandaram matar, e com

custo escapaste da sentença de morte; e novamente tu sepultas os mortos?

09. Mas Tobias, temendo mais a Deus do que ao rei (o novo rei), levava os corpos dos que tinha

sido mortos, e escondia-os em sua casa, e sepultava-os no meio da noite.

10. Cegueira e paciência de Tobias – Sucedeu um dia que, cansado de enterrar mortos, vindo

para sua casa, e deitando-se ao pé duma parede e adormecendo.

11. Quando ele dormia lhe caiu dum ninho de andorinhas um pouco de lixo quente sobre os seus

olhos, e ficou cego.

12. Permitiu pois Deus que lhe acontecesse esta prova, para que a sua paciência assim servisse de

exemplos aos vindouros, como a do santo Jô.

13. Porque, tendo sempre temido a Deus desde a sua infância, e guardado os seus mandamentos,

não se entristeceu contra Deus por lhe ter acontecido o trabalho da cegueira (exemplo de resignação).

14. Mas permaneceu imóvel no temor de Deus, dando graças a Deus todos os dias de sua vida.

15. Porquanto, bem como os reis insultavam ao bem-aventurado Jó, assim os parentes e cognatos

(da mesma origem) de Tobias escarneciam de seu modo de vida, dizendo:

16. Onde está tua esperança, pela qual tu fazias esmolas e sepultavas os mortos?

17. Mas Tobias os repreendia, dizendo: Não faleis assim.

18. Porque nós somos filhos dos santos, e esperamos aquela vida que Deus há de dar aos que dele

nunca mudam sua fé.

19. E Ana, sua mulher, ia todos os dias pôr-se ao tear, e do trabalho de suas mãos trazia o que

podia ganhar para viver.

20. Sucedeu pois que, tendo recebido um cabrito, o trouxe para casa.

21. E seu marido, tendo-o ouvido dar balidos, disse: Veja que não seja furtado; restitui-o a seus

donos, porque a nós não nos é lícito comer nem tocar coisa alguma furtada.

22. A isto lhe respondeu sua mulher com ira: Bem se vê como as tuas esperanças são vãs, e agora

se fizeram ver as tuas esmolas.

23. E com estas e outras semelhantes palavras o insultava.

Cap. III – Oração de Tobias.

01. Então Tobias deu um suspiro e começou a orar com lágrimas.

02. Dizendo: Tu és justo, Senhor, e todos os teus juízos são justos, e todos os teus caminhos são

misericórdia, e verdade, e justiça.

03. Agora, pois, Senhor, lembra-te de mim, e não tomes vingança dos meus pecados, nem te

lembres dos meus delitos nem dos de meus pais.

04. Porque não obedecemos aos teus preceitos, por isso fomos entregues à pirataria, e ao cativeiro,

e à morte (faz referência às quebras da Aliança com Deus), e para servirmos de fábula e de escárnio a

todas as nações por entre as quais nos espalhaste.

05. E agora, Senhor, os teus juízos são grandes, porque nós não obramos segundo os teus

preceitos, e nem andamos sinceramente na tua presença.

06. E agora, Senhor, trata-me segundo a tua vontade, e manda que a minha alma seja recebida em

paz, porque mais conveniente me é morrer do que viver.

07. Infortúnios e oração de Sara – Neste mesmo dia pois aconteceu que Sara, filha de Raguel,

estando em Rages, cidade dos Medos, ouvisse ela mesma ser ultrajada por uma das criadas de seu pai.


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08. Porque ela tinha sido casada com sete maridos, e um demônio chamado Asmodeu os matava

quando eles se chegavam para ela.

09. Como Sara pois repreendesse a moça por uma falta sua, ela lhe respondeu, dizendo: Não

vejamos nós jamais de ti filho nem filha sobre a terra, ó matadora de teus maridos (desejar a esterilidade da

uma mulher era a pior praga que se podia lançar entre os antigos).

10. Acaso queres tu também matar-me a mim, assim como matastes já a sete maridos? A esta

palavras subiu Sara ao quarto mais alto de sua casa, e três dias e três noites nem comeu nem bebeu.

11. Mas perseverando em oração, pedia a Deus com lágrimas que a livrasse deste opróbrio

(desonra).

12. Sucedeu pois ao terceiro dia, quando acabava sua oração, que, bendizendo ao Senhor.

13. Disse: Bendito seja o teu nome, o Deus de nossos pais, que depois de te irares, farás

misericórdia, e no tempo da aflição perdoas os pecados aos que te invocam.

14. Para ti, Senhor, volto a minha face, para ti dirijo os meus olhos.

15. Peço-te, Senhor, que me livres do laço deste impropério (injuria), ou que ao menos me tires de

cima da terra.

16. Tu sabes, Senhor, que eu nunca desejei marido, e que conservei a minha alma pura de toda

concupiscência (desejo exagerado de prazeres).

17. Nunca me comuniquei com os que folgavam, nem tive comércio com os que se conduziam com

leviandade.

18. Eu porém consenti a receber marido no teu temor, e não por prazer meu.

19. E, ou eu fui indigna deles, ou talvez eles não foram dignos de mim, porque tu acaso me tens

reservado para outro marido.

20. Porque não está no poder dos homens o teu conselho.

21. Mas todo que te rende cultos tem de certo que a sua vida, se for provada, será coroada, e , se

for atribulada, será livre, e , se for castigada, poderá obter a tua misericórdia.

22. Porque tu não te deleitas com os nossos males, porque depois da tormenta dás a bonança, e

depois das lágrimas e suspiros infundes a alegria.

23. Seja o teu nome, ó Deus de Israel, bendito pelos séculos.

24. Deus ouve a oração de Tobias e de Sara – Naquele tempo foram ouvidas as orações de

ambos diante da glória do sumo Deus.

25. E Rafael, santo anjo do Senhor (espírito de alta hierarquia), foi enviado para curar a eles ambos,

cujas orações tinham sido ao mesmo tempo exposta na presença do Senhor.

Cap. IV Conselhos de Tobias a seu filho.

01. Julgando pois Tobias que seria ouvida a oração que ele tinha feito de poder morrer, chamou a si

a seu filho Tobias.

02. E disse-lhe: Ouve, filho meu, as palavras da minha boca, e imprime-as no teu coração como

fundamento.

03. Depois que Deus tiver recebido a minha alma, sepulta o meu corpo, e honra a tua mãe por todos

os dias da sua vida (IV mandamento do Decálogo).

04. Porque te deves lembrar quantos e quão grandes perigos padeceu por amor a ti, trazendo-te no

seu ventre.

05. E quando ela também tiver acabado o tempo da sua vida, a sepultarás ao pé de mim.


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Tema: Mediunidade na Bíblia

06. Teme a Deus em teu espírito todos os dias da tua vida, e guarda-te de consentir jamais em o

pecado, e de violar os preceitos do Senhor nosso Deus.

07. Faze esmola dos teus bens e não voltes a tua cara a nenhum pobre, porque desta sorte

sucederá que também não se aparte de ti a face do Senhor.

08. Da maneira que puderes, sê caritativo.

09. Se tiveres muito, dá muito; se tiveres pouco, procura dar de boamente também esse pouco.

10. Porque assim entesouras uma grande recompensa para o dia da necessidade.

11. Porque a esmola livra de todo o pecado e da morte, e não deixará cair a alma nas trevas.

Nota: A caridade cobre uma multidão de nossos males! I Pedro, 4:8.

12. A esmola servirá duma grande confiança diante do sumo Deus para todos que a fazem.

13. Preserva-te, meu filho de toda a impureza, e fora de tua mulher nunca consintas em comércio

criminoso com outra. (VI e IX mandamentos do Decálogo).

14. Nunca permitas que a soberba domine nos teus pensamentos ou nas tuas palavras, porque nela

teve princípio toda a perdição.

15. A todo homem que te tiver feito algum trabalho, paga-lhe logo o salário, e nunca fique em teu

poder a paga do mercenário.

16. Acautela-te, não faças nunca a outro o que tu levarias a mal que outro te fizesse.

17. Come o teu pão com os pobres e com os que têm fome, e veste dos teus vestidos os que estão

nus.

Nota: Como se vê da doutrina exposta nos versículos 7 a 17, Tobias foi um dos maiores

precursores do Cristianismo. Sua moral é puramente cristã e por vezes se expressa nos mesmos termos

que Jesus viria empregar alguns séculos mais tarde e hoje o Espiritismo teria de confirmar. Tobias era,

portanto, um grande Missionário superiormente assistido.

18. Põe o teu pão e o teu vinho sobre a sepultura do justo, e não comas nem bebas com os

pecadores. (Era a doutrina dominante no tempo de Tobias e só foi revogada por Jesus, por palavras e

exemplos).

19. Pede sempre conselho ao sábio.

20. Bendize a Deus em todo o tempo, e pede-lhe que dirija os teus caminhos, e que todos os teus

intentos se firmem nele.

21. Também te advirto, filho meu, que, quando tu ainda eras crianças, dei dez talentos de prata a

Gabelo, estante em Rages, cidade dos Medos, e que eu tenho em meu poder o seu escrito.

22. E por isso busca o modo de o achar e cobrar dele a sobredita quantia de prata, e lhe entregares

o seu escrito.

23. Não temas, meu filho: em verdade nós vivemos pobres, mas nós teremos muitos bens se

temermos a Deus, e nos desviarmos de todo o pecado e obrarmos bem.

Cap. V – O arcanjo Rafael oferece-se por guia ao jovem Tobias.

01. Então respondeu Tobias a seu pai e disse: Meu pai, tudo que me mandaste farei.

02. Mas não sei de que modo poderei cobrar este dinheiro, porque nem ele me conhece a mim, nem

eu o conheço a ele: que sinal lhe darei eu? Eu nem ainda sei o caminho por onde se vai a tal terra.

03. Então seu pai lhe respondeu e disse: Eu tenho em meu poder a obrigação de seu punho, a qual,

quando tu lha mostrares, ele logo te pagará.

04. Mas agora vai, e busca algum homem que te seja fiel, que vá contigo, pagando-se-lhe o seu

trabalho, para que tu cobres o dinheiro enquanto ainda estou vivo.


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05. Então tendo Tobias saído, achou a um gentil mancebo, que estava cingido e como prestes a

caminhar.

06. E não sabendo que era um anjo de Deus, o saudou e disse: Donde és tu, galhardo mancebo?

07. E ele respondeu: Eu sou um dos filhos de Israel. E Tobias lhe disse: Tu sabes o caminho que

leva à terra dos Medos?

08. O anjo lhe respondeu: Sei, e tenho andado muitas vezes estes caminhos, e tenho estado em

casa de Gabelo, nosso irmão, que mora em Rages, cidade dos Medos, que está situada sobre o monte de

Ecbátana.

09. Tobias lhe disse: Suplico que esperes por mim até que eu avise a meu pai disto mesmo.

10. Então Tobias, tendo entrado, referiu a seu pai tudo isto; do que admirado o pai, lhe rogou que

entrasse em sua casa.

11. Tendo pois entrado, saudou a Tobias e disse: A alegria seja sempre contigo.

12. E disse Tobias: Que alegria poderei eu ter, eu que sempre estou em trevas e que não vejo a luz

do céu?

13. O mancebo lhe disse: Tem bom ânimo, perto está o tempo em que Deus te cure.

14. Disse-lhes pois Tobias: Acaso poderás tu levar meu filho à casa de Gabelo, em Rages, cidade

dos Medos? E quando tu voltares, eu te pagarei o teu trabalho.

15. E o anjo lhe disse: Eu o levarei e to reconduzirei.

16. Tobias lhe respondeu: Peço-te que me digas de que família ou de que tribo és tu?

17. O anjo Rafael lhe disse: Procuras saber da família do mercenário, ou que o mesmo mercenário

vá com teu filho?

18. Mas para que eu não te ponha em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias.

19. E Tobias lhe respondeu: Tu és duma ilustre prosápia. Mas peço-te não agastes por eu desejar

conhecer a tua geração.

20. E o anjo lhe disse: Eu levarei teu filho com saúde e to reconduzirei com saúde.

2l. E respondendo Tobias, disse: Fazei boa jornada, e Deus seja convosco no vosso caminho, e o

seu anjo vá em vossa companhia.

Nota: Anjo significa etimologicamente “mensageiro” por extensão “mensageiro de Deus”.

22. Então, preparado tudo o que se havia de levar na jornada, despediu-se Tobias de seu pai e de

sua mãe, e partiram ambos de companhia.

23. Tanto que partiram, começou sua mãe a chorar e a dizer: Tu nos tirastes o bordão da nossa

velhice e o apartaste de nós.

24. Oxalá nunca tivesse havido este dinheiro pelo qual tu o mandaste.

25. Bastava-nos a nossa pobreza, para contar-mos como riqueza o vermos o nosso filho.

26. E disse-lhe Tobias: Não chores; nosso filho chegará salvo e voltará para nossa companhia, e tu

o verás com os teus olhos.

27. Porque eu creio que o bom anjo de Deus o acompanha, e que ele regula tudo o que lhe diz

respeito, de modo que tornará cheio de alegria para nossa companhia.

28. A esta palavra cessou a mãe de chorar, e calou-se.

Cap. VI – O peixe do Tigre.

01. Partiu pois Tobias, e um cão o seguiu, e ficou na primeira posada ao pé do rio Tigre.

02. E saiu a lavar os pés, e eis que sai da água um peixe monstruoso para o tragar.


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03. Á sua vista espavorido, Tobias clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lança-se a mim.

04. Disse-lhe o anjo: Pega-lhe pelas guelras e puxa-o para ti. Tendo-o assim feito, puxou-o para a

terra, e o peixe começou a palpitar a seus pés.

05. Então disse-lhe o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e toma para ti o coração, e o fel e o

fígado; porque te serão necessárias estas coisas para remédios úteis.

06. O que feito, assou Tobias parte da sua carne, e a levaram consigo para o caminho; salgaram o

mais, que lhes bastasse até chegarem a Rages, cidade dos Medos.

07. Então perguntou Tobias ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-te que me digas de que

remédio servirão estas coisas que tu mandastes guardar do peixe?

08. E o anjo, respondendo, lhe disse: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre as brasas

acesas, o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não

tornam mais a chegar a eles; (já preparando-o emocionalmente para situação futura).

09. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão.

10. Rafael aconselha o jovem Tobias a casar-se com Sara – E disse Tobias: onde queres que

nós pousemos?

11. E respondendo o anjo disse: Aqui há um homem chamado Raguel, teu parente, da tua tribo, e

este tem uma filha por nome Sara, e afora ela não tem mais filho nem filha.

12. Todos os seus bens te pertencem, e importa que tu a recebas por mulher.

13. Pede-a pois a seu pai, e ele ta dará em casamento.

14. Então Tobias lhe respondeu e disse: Eu sei que ela fora já casada com sete maridos, e que

morreram; e também soube que um demônio os matara.

15. Temo pois que me suceda também o mesmo; e como sou filho único de meus pais, temo

conduzir a sua velhice com tristeza até à sepultura.

16. Então o anjo Rafael lhe disse: Ouve-me, e eu te direi quais são aqueles sobre quem o demônio

tem poder.

17. Estes são pois os que se casam de maneira que lançam a Deus fora de si e do seu espírito, e

se entregam tanto ao seu deleite como o cavalo e o mulo, que não tem entendimento: então tem o demônio

poder sobre eles. (O anjo Rafael fala das imperfeições morais que são o ponto de afinidade em qualquer

processo obsessivo).

18. Mas tu, quando a tiveres recebido, tendo entrado na câmara, viverás com ela em continência

por três dias, e não cuidarás noutra coisa que em fazeres orações com ela.

19. E nesta mesma noite, queimando o fígado do peixe, se afugentará o demônio.

20. E na Segunda noite serás associado aos santos patriarcas.

21. E na terceira noite conseguirás a bênção, para que de vós nasçam filhos robustos.

22. E passada a terceira noite, receberás esta donzela em temor do Senhor, levado mais do desejo

de teres filhos do que por sensualidade, a fim de conseguires nos filhos a bênção reservada à descendência

de Abraão.

Cap. VII – Em casa de Raguel.

01. Entraram pois em casa de Raguel, e Raguel os recebeu com alegria.

02. E pondo Raguel os olhos em Tobias, disse para Ana, sua mulher: Como este moço é parecido

com meu primo!

03. E proferindo isto, disse: De onde sois vós, nossos irmãos mancebos? E eles responderam:

Somos da tribo de Neftali, dos cativos de Nínive.


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04. E disse-lhes Raguel: Vós conheceis a meu Irmão Tobias? Responderam eles: Conhecemos.

05. E como dissesse muito bem dele, o anjo disse a Raguel: Tobias, por quem perguntas, é o pai

deste moço.

06. E Raguel se lançou a ele e o beijou com lágrimas, e, chorando sobre o seu pescoço.

07. Disse: Abençoado sejas, meu filho, porque és filho de um homem de bem e virtuosíssimo.

08. E Ana, sua mulher, e Sara, sua filha, derramaram lágrimas.

09. E depois que falaram, mandou Raguel matar um carneiro e preparar um banquete. E quanto ele

os rogava que se pusessem à mesa.

10. Disse Tobias: Eu não comerei nem beberei aqui hoje, a menos que tu atendas a minha petição,

e prometas dar-me Sara, tua filha.

11. Ouvido isto, Raguel se assustou, sabendo o que tinha acontecido aos sete maridos que se

tinham chegado a ela, e começou a temer que sucedesse o mesmo a este; e como vacilasse e não desse

resposta alguma à petição que lhe fazia.

12. O anjo lhe disse: Não temas dar tua filha a este moço, porque a este, que é temente a Deus, lhe

é devida tua filha para esposa; e por isso nenhum outro a pôde ter.

13. E então Raguel respondeu: Não duvido que Deus aceitasse em sua presença as minhas

orações e as minhas lágrimas.

14. E creio que isso ele permitiu que vós viésseis a mim, para que esta filha se desposasse com um

da sua parentela, segundo a lei de Moisés; assim não duvides que eu ta não haja de dar.

15. E pegando na mão direita de sua filha, a pôs na mão direita de Tobias, dizendo: O Deus de

Abraão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob seja convosco, e ele mesmo vos ajunte, e cumpra a sua

benção em vós.

16. E tomando papel fizeram a escritura de casamento.

17. E depois fizeram um banquete, bendizendo a Deus.

18. E Raguel chamou a Ana, sua mulher, e ordenou-lhe que preparasse outro aposento.

19. E introduziu Ana no tal aposento a Sara, sua filha, e se pôs a chorar.

Nota: Provavelmente esse estado de angústia, fragilidade emocional e moral seriam os

facilitadores para a atuação do espírito obsessor, levando-a ao estado de subjugação.

20. E ela lhe disse: Tem bom ânimo, minha filha; o Senhor do céu te encha de alegria pelos

dissabores que tens padecido.

Cap. VIII – Sara, livre da obsessão.

01. E depois de terem ceado, introduziram o moço onde ela estava.

02. E Tobias, lembrando-se do que lhe tinha dito o anjo, tirou da sua bolsa um pedacinho do fígado

do peixe e o pôs sobre carvões acesos.

03. Então o anjo Rafael pegou no demônio e o ligou no deserto do Alto Egito.

Nota: Todo o tratamento de desobsessão foi realizado no plano espiritual contando com a

supervisão do Espírito Rafael.

O espírito André Luiz no livro Missionários da Luz Cap.17 - “Doutrinação”, psicografado por Chico

Xavier, relata sua surpresa ao ver esse tipo de atendimento sendo realizado no ambiente dos encarnados,

pois o mundo espiritual não necessita obrigatoriamente da atuação dos encarnados. Entretanto, para

proporcionar ensinamentos vivos aos companheiros envolvidos na carne e despertando-lhes o coração para

a espiritualidade, somos convidados a cooperar.


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04. Então exortou Tobias a donzela e lhe disse: Sara, levanta-te, e façamos oração a Deus hoje, e

amanhã, e ao outro dia; porque estas três noites nos unimos a Deus, e depois da terceira noite viveremos

no nosso matrimônio.

05. Porque nós somos filhos de santos, e não devemos juntar-nos como fazem os gentios (gentio é

todo aquele que não era israelita), que não conhecem a Deus.

06. E levantando-se juntamente, oravam juntos com fervor para que lhes fosse conservada a vida.

07. E Tobias disse: Senhor Deus de nossos, bendigam-vos o céu e a terra, e o mar e as fontes, e os

rios e todas as tuas criaturas que neles se encerram.

08. Tu fizeste a Adão do limo da terra, e lhe deste para socorro a Eva.

09. E agora, Senhor, tu sabes que não é para satisfazer o meu apetite que eu tomo a minha irmã

por mulher, mas só por amor dos filhos, pelos quais o teu nome seja bendito pelos séculos dos séculos.

10. E Sara disse: Compadece-te de nós, Senhor, compadece-te de nós, e faze que vivamos juntos

até à velhice em perfeita saúde.

11. E sucedeu que ao cantar do galo mandou Raguel que fossem chamados os seus criados, e se

foram com ele a abrir uma sepultura.

12. Porque dizia: Não suceda talvez a este o mesmo que aos outros sete homens que estiveram

com ela.

13.E depois que tiveram preparado a cova, voltando Raguel à sua mulher, disse-lhe:

14. Manda uma das tuas criadas a ver se ele morreu, para o sepultar antes que amanheça.

15. E ela mandou uma das suas criadas; e esta, tendo entrado na câmara, os achou sãos e salvos,

dormindo ambos juntamente.

16. E voltando, deu esta boa nova; então tanto Raguel como Ana, sua mulher, louvaram o Senhor.

17. E disseram: Nós te bendizemos, Senhor Deus de Israel, por não haver sucedido o que

cuidávamos.

18. Porque usaste conosco de tua misericórdia, e lançaste para longe de nós o inimigo que nos

perseguia.

19. E tiveste compaixão de dois filhos únicos. Faze, Senhor, que eles te bendigam mais, e te

ofereçam o sacrifício do louvor a ti devido pela sua saúde, a fim de que todas as nações conheçam que tu

és o Deus único em toda a terra.

20. E logo mandou Raguel aos seus criados que enchessem a cova que tinha feito, antes que fosse

dia.

21. E disse à sua mulher que dispusesse um banquete e preparasse todos os provimentos

necessários a quem havia de fazer jornada.

22. E fez matar duas vacas gordas e quatro carneiros, e que se aparelhasse o banquete para todos

os seus vizinhos e para todos os amigos.

23. E esconjurou Raguel a Tobias que ficasse com ele duas semanas.

24. E de tudo que possuía Raguel, deu a metade a Tobias, e declarou por um escrito que a outra

metade que restava passaria a Tobias depois da sua morte.

Cap. IX – Rafael vai ter com Gabelo.

01. Então Tobias chamou a si o anjo, que ele cria ser homem, e lhe disse: Irmão Azarias, peço-te

que escutes as minhas palavras:

02. Quando eu me entregasse a ti por teu escravo, não poderia corresponder dignamente aos teus

cuidados.


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03. Peço-te contudo que tome para ti bestas e servos, e que vás buscar a Gabelo em Rages, cidade

de Medos, e lhe entregues o seu escrito, e recebas dele o dinheiro, e o rogues que venha à minha boda.

04. Porque tu sabes que meu pai conta os dias, e que, se eu tardar um dia mais, se contristará a

sua alma.

05. Tu vês também de que modo Raguel me esconjurou, e eu não posso desprezar suas tão fortes

instâncias.

06. Então Rafael, tomando quatro criados de Raguel e dois camelos, foi-se à cidade de Rages, e

achando a Gabelo, lhe entregou o seu escrito e recebeu dele todo o dinheiro.

07. E contou-lhe tudo o que tinha sucedido a Tobias, filho de Tobias, e o fez vir consigo à boda.

08. E tendo Gabelo entrado em casa de Raguel, achou Tobias à mesa; e levantando-se, se

beijaram mutuamente; e Gabelo chorou e louvou a Deus.

09. E disse: O Deus de Israel te abençoe, porque és filho dum homem virtuosíssimo, e justo, e

temente a Deus, e esmoler.

10. Abranja também a benção a tua mulher e a vossos pais.

11. E vejais a vossos filhos e aos filhos de vossos filhos até à terceira e à Quarta gerações; e a tua

descendência seja bendita do Deus de Israel, que reina por séculos de séculos.

12. E tendo todos respondido Amém, puseram-se à mesa; e também com o temor do Senhor

celebravam o banquete da boda.

Cap. X – Inquietação dos pais de Tobias.

01. Mas, enquanto Tobias se demorava, por causa das núpcias, seu pai Tobias estava em

cuidados, dizendo: Quem sabe por que motivo tarda meu filho, e por que se tem lá detido?

02. Acaso morreria Gabelo e não haja ninguém que lhe restitua o dinheiro?

03. Começou ele pois a entristecer-se em extremo, e Ana, sua mulher, com ele; e ambos juntos se

puseram a chorar; porque seu filho não voltara para eles no dia assinalado.

04. Mas sua mãe derramava lágrimas inconsoláveis e dizia: Ai, ai de mim, meu filho, para que te

mandamos nós tão longe, a ti que eras a luz dos nossos olhos, o bordão da nossa velhice, a consolação da

nossa vida e a esperança da nossa posteridade?

05. Nós que em ti só tínhamos juntas todas as coisas, não devíamos alongar-te de nossa

companhia.

06. Tobias lhe dizia: Cala-te e não te turbes; nosso filho passa com saúde: aquele homem com o

qual nós o enviamos é muito fiel.

07. Mas ela não se podia consolar de modo algum; mas saindo todos os dias fora, andava olhando

para todas as partes, e corria por todos os caminhos por onde esperava que o filho poderia tornar, para o

ver vir ao longe, se lhe fosse possível.

08. Mas Raguel dizia a seu genro: Fica-te aqui, e eu mandarei a Tobias, teu pai, um mensageiro

com novas da tua saúde.

09. Tobias lhe respondeu: Eu sei que meu pai e minha mãe contam agora os dias, e que seu

espírito está num contínuo tormento.

10. E tendo Raguel feito ainda muitas instâncias a Tobias, e não querendo este de modo algum

condescender com ele, lhe entregou sua filha Sara, e a metade de tudo o que possuía em servos, em

servas, em rebanhos, em camelos e em vacas, e em grande quantidade de dinheiro, e o deixou ir de sua

companhia são e alegre,

11. Dizendo: O santo anjo do Senhor seja no vosso caminho e vos conduza sem perigo algum, e

que acheis tudo bem em casa de vossos pais, e que os meus olhos vejam a vossos filhos antes que eu

morra.


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12. E tomando os pais a sua filha, a beijaram e a deixaram ir.

13. Advertindo-a que honrasse a seus sogros, que amasse a seu marido, que regesse a sua família,

que governasse a sua casa, e que ela mesma se comportasse irrepreensível.

Cap. XI – O jovem Tobias volta para seus pais.

01. E voltando, chegaram no undécimo (décimo-primeiro) dia a Charam, que está no meio do

caminho indo para Nínive. (Total do percurso 22 dias)

02. E disse o anjo: Irmão Tobias, tu sabes o estado em que deixastes a teu pai.

03. Se assim pois te parece bem, vamos nós adiante, e os teus domésticos sigam-nos devagar com

tua mulher e com os gados.

04. E tendo pois concordado em que fossem, disse Rafael a Tobias: Traze contigo do fel do peixe,

porque será necessário. Tomou portanto Tobias do fel, e foram seu caminho.

05. Ana porém todos os dias se ia assentar ao pé da estrada, no alto dum monte, donde ela podia

descobrir ao longe.

06. E quando do mesmo lugar espreitava a sua vinda, viu ao longe e logo reconheceu seu filho que

vinha; e correu a dar a nova a seu marido, dizendo: Eis aí vem teu filho.

07. E ao mesmo tempo disse Rafael a Tobias: Tanto que tiveres entrado em tua casa, adora logo ao

Senhor teu Deus, e, dando-lhe graças, chega-te a teu pai e dá-lhe um beijo;

08. E imediatamente unta-lhe os seus olhos com este fel do peixe que trazes contigo, porque está

certo que logo os seus olhos se abrirão, e teu pai verá a luz do céu, e se alegrará com a tua vista.

09. Então o cão, que os tinha seguido pelo caminho, correu adiante; e como que trazendo a nova,

mostrava o seu contentamento festejando com a sua cauda.

10. E levantando-se assim cego o seu pai, começou tropeçando com os pés a correr, e dando a

mão a um criado, foi encontrar-se com seu filho.

12. E depois que adoraram a Deus e lhe deram graças, assentaram-se.

13. Então Tobias, tomando o fel do peixe, untou os olhos de seu pai,

14. E susteve-lhe o fel nos olhos quase meia hora; e começou a despregar de seus olhos uma

belida, como a película dum ovo.

15. Tobias, pegando nela, tirou-a dos seus olhos, e no mesmo ponto recobrou a vista.

Nota: Jesus em diversas passagens do Evangelho curava apenas com o toque das mãos,

magnetizando e curando inclusive apenas ao contato com suas vestes ou impregnando magneticamente o

barro com sua saliva.

16. E glorificaram a Deus, a saber, ele e sua mulher, e todos os que o conheciam.

17. E dizia Tobias: Eu te bendigo, Senhor Deus de Israel, por me teres castigado e por me teres

curado; e eis aqui estou eu agora vendo a Tobias, meu filho.

18. Passados sete dias, chegou também Sara, mulher de seu filho, e toda a sua família com saúde,

e os rebanhos e os camelos, e grande soma de dinheiro de sua mulher, e também aquele dinheiro que tinha

cobrado de Gabelo.

20. E vieram Aquior e Nabá, primos de Tobias, regozijar-se com Tobias, e a congratular-se com ele

por todos os bens que Deus tinha feito a seu favor.

21. E banqueteando-se por sete dias, todos se alegraram com grandes regozijos.

Cap. XII – O anjo dá-se a conhecer.


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01. Então chamou Tobias a seu filho e lhe disse: Que poderemos nós dar a este santo homem que

veio contigo?

02. Tobias, respondendo, disse a seu pai: Meu pai, que galardão lhe daremos nós? Ou que coisa

poderá haver proporcionada aos seus benefícios?

03. Ele me levou e me trouxe salvo, ele recebeu de Gabelo o dinheiro, ele me fez ter mulher e ele

expeliu dela o demônio, ele encheu de alegria a seus pais, ele me livrou a mim mesmo de ser tragado pelo

peixe, e a ti fez-te ver a luz do céu, e por ele nós fomos cheios de todos os bens. Que lhe poderemos nós

dar que iguale tais benefícios?

04. Mas rogo-te, meu pai, que lhe peças se digne ao menos de aceitar para si a metade de tudo o

que nós trouxemos.

05. E chamando-o, a saber, o pai e o filho, o trouxeram à parte, e começaram a rogar-lhe que

quisesse de boamente receber a metade de tudo o que tinham trazido.

06. Então lhes falou o anjo assim em segredo: Bendizei a Deus do céu, e dai-lhe glória diante de

todos os viventes por ter usado convosco da sua misericórdia.

07. Porque é bom conservar escondido o segredo do rei, mas é coisa de honra manifestar e publicar

as obras de Deus.

08. É boa a oração acompanhada do jejum e da esmola mais do que ajuntar tesouros de ouro.

09. Porque a esmola livra da morte, e ela é a que apaga os pecados e faz achar a misericórdia e a

vida eterna.

Nota: Pedro I Epístola Cap. 4:8 – Sobretudo tende uns para com os outros uma caridade ardente,

“porque a caridade cobre a multidão dos pecados”.

10. Mas os que cometem pecado e iniqüidade são inimigos de suas almas.

11. Eu pois vos descubro a verdade, e não vos ocultarei o que está em segredo.

12. Quando tu oravas com lágrimas, e enterrava os mortos, e deixavas o teu jantar, e ocultavas os

mortos em tua casa de dia, e os enterravas de noite, apresentei eu as tuas orações ao Senhor.

13. E porque tu eras aceito a Deus, por isso foi necessário que a tentação te provasse.

14. E agora me enviou o Senhor a curar-te, e a livrar do demônio a Sara, mulher de teu filho.

15. Porque eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos diante do Senhor.

16. E ao ouvir estas palavras, se turbaram, e espavoridos caíram com o rosto em terra.

17. E o anjo lhes disse: A paz seja convosco, não temais.

18. Porque quando eu estava convosco, eu o estava por vontade de Deus; bendizei-o e cantai-lhe

louvores.

19. A vós parecia-vos que eu comia e bebia convosco; mas eu sustento-me dum manjar invisível e

duma bebida que não pode ser vista dos homens.

20. É pois tempo que eu volte para aquele que me enviou; vós porém bendizei a Deus e contai

todas as suas maravilhas.

2l. E tendo dito estas palavras, desapareceu de diante deles, e eles o não puderam ver mais.

22. Então, tendo-se prostrado sobre o rosto, por três horas, bendisseram a Deus, e, erguendo-se,

contaram todas as suas maravilhas.

Cap. XIII – Canto de Tobias.

01. E o velho Tobias, abrindo a sua boca, abençoou ao Senhor e disse: Tu, Senhor, és grande na

eternidade, e o teu reino é por todos os séculos.


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02. Porque tu castigas e tu salvas, tu levas à sepultura e tu ressuscitas, e ninguém há que escape

da tua mão.

03. Dai graças ao Senhor, filhos de Israel, e louvai-o diante das nações.

04. Porque ele por isso vos espalhou por entre os povos que o não conhecem, para que vós

publiqueis as suas maravilhas, e para que lhe façais saber que não há outro Deus todo-poderoso senão ele.

05. Ele nos castigou por causa das nossas iniqüidades, e ele mesmo nos salvará por causa da sua

misericórdia.

06. Considerai pois o que ele obrou conosco, e bendizei-o em temor e tremor, e exaltai ao rei dos

séculos pelas vossas obras.

07. Eu porém o confessarei na terra do meu cativeiro, porque manifestou a sua majestade sobre

uma nação pecadora.

08. Convertei-vos pois, ó pecadores, e obrai justiça diante de Deus, crendo que ele obrará conosco

a sua misericórdia.

09. Eu também e a minha alma nos regozijaremos nele.

10. Bendizei ao Senhor, todos vós os seus escolhidos; festejai os dias de alegria e rendei-lhe

louvores.

11. Jerusalém, cidade de Deus, o Senhor te castigou por causa das obras das tuas mãos.

Nota: (10-11). O cântico torna-se profecia e usa o passado profético, mas fala de acontecimentos

futuros; com efeito, Jerusalém foi destruída após a invasão e conquista dos Babilônios contra o império

Assírio. Isso ocorreu em 586 a.C.

12. Dá graças ao Senhor pelos teus bens, e bendize ao Deus dos séculos, para que restabeleça em

ti o seu tabernáculo, e para que chame a ti todos os cativos, e para que te alegres por todos os séculos dos

séculos.

13. Tu brilharás como uma refulgente luz, e todas as extremidades da terra te adorarão.

14. As nações virão a ti desde os países mais remotos, e, trazendo-te dádivas, adorarão em ti o

Senhor, e terão a tua terra por santuário.

15. Porque invocarão o grande nome no meio de ti.

Nota: Predição clara de acontecimentos futuros: A glória de Babilônia só durou até 539 a.C.,

quando Ciro, o Grande, rei da Pérsia, invadiu o país e atacou a capital. Ciro controlou um império que se

estendia por uma área de mais de 5000 km e era dividido em 20 províncias. Mandou os exilados de volta às

suas pátrias. Assim, depois de 50 anos, o povo de Judá (os judeus) regressou a Jerusalém e a

reconstruíram.

Como também predição clara da conversão dos demais povos à religião do Deus de Israel e a

cidade de Jerusalém tornando-se a pátria espiritual de todos os povos. (Paulo tornou-se o apóstolo dos

Gentios, espalhando a boa nova aos demais povos)

16. Malditos serão os que te desprezarem, e serão condenados todos os que blasfemarem contra

ti, e serão benditos os que te edificarem.

17. Tu porém alegrar-te-ás nos teus filhos, porque serão abençoados todos, e se reunirão ao

Senhor.

18. Bem-aventurados todos os que te amam e os que se alegram na tua paz.

19. Ó minha alma, bendize ao Senhor, porque livrou a sua cidade de Jerusalém de todos os seus

males: ele é o Senhor nosso Deus.

20. Ditoso serei eu, se restar ainda algum da minha descendência para ver o esplendor de

Jerusalém.

21. As portas de Jerusalém se edificarão de safiras e de esmeralda, e de pedras preciosas todo o

circuito dos seus muros.


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

22. Todas as suas praças serão calçadas de pedras brancas e belas, e em todos os bairros se

cantará aleluia.

23. Bendito o Senhor que a exaltou, e o seu reino seja nela pelos séculos dos séculos. Amém.

Cap. XIV – Últimos anos e palavras de Tobias pai.

01. E acabaram-se as palavras de Tobias. E Tobias, depois que recobrou a sua vista, viveu

quarenta e dois anos, e viu os filhos de seus netos.

02. E tendo completado cento e dois anos, foi sepultado honorificamente em Nínive.

03. Porque tendo cinqüenta e seis anos perdeu a vista dos seus olhos, e a recobrou tendo sessenta

(quatro anos de cegueira).

04. E o restante da sua vida, o passou em alegria, e com grande aproveitamento no temor de Deus

foi-se em paz.

05. E à hora da sua morte chamou à sua presença a Tobias, seu filho, e a sete moços, filhos deste,

seus netos, e disse-lhes:

06. A ruína de Nínive está próxima, porque não falha a palavra do Senhor, e os nossos irmãos, que

foram dispersos fora da terra de Israel, tornarão para ela.

07. E todo o seu país deserto será povoado outra vez, e a casa de Deus, que nela foi queimada, se

reedificará de novo; e para ela tornarão todos os que temem a Deus.

Nota: Fala do Templo de Salomão, destruído pelos Babilônios, e reconstruído por Herodes, o

Grande 47- 04 a.C..

08. E os gentios deixarão os seus ídolos, e virão a Jerusalém e habitarão nela.

Nota: Fala da conversão dos povos, que teve início com o grande apóstolo dos Gentios: Paulo de

Tarso.

09. E nela se alegrarão todos os reis da terra, adorando o rei de Israel.

10. Ouvi pois, meus filhos, a vosso pai: Servi ao Senhor em verdade, e trabalhai por fazerdes o que

for do seu agrado.

11. E recomendai a vossos filhos que façam obras de justiça e esmolas, que se lembrem de Deus, e

que o bendigam em todo o tempo em verdade, e com todas as suas forças.

12. Ouvi-me pois agora, meus filhos, e não fiqueis aqui; mas tanto que vós tiverdes sepultados a

vossa mãe junto de mim em um mesmo sepulcro, desde logo dirigi passos para sairdes daqui.

13. Porque eu vejo que a sua iniqüidade há de dar cabo dela.

14. E sucedeu que Tobias, depois da morte de sua mãe, saiu de Nínive com sua mulher, filhos e

netos, e voltou para a casa de seus sogros.

15. E os achou ainda com saúde numa ditosa velhice, e tomou cuidado deles, e ele mesmo lhes

fechou os seus olhos, e ele se apossou de toda a herança da casa de Raguel, e viu até à Quinta geração

dos filhos de seus filhos.

16. E tendo vivido noventa e nove anos no temor do Senhor, o sepultaram em alegria.

17. E toda a sua parentela e toda a sua geração perseverou na boa vida e num santo procedimento,

de modo que foram aceitos tanto a Deus como aos homens e a todos os habitantes do país.

4. Materialização no Novo Testamento


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Estudando a Doutrina Espírita

Tema: Mediunidade na Bíblia

Materialização é o fenômeno pelo qual os Espíritos se Corporificam, tornando-se visíveis a quantos

estiverem no local das sessões.

Não é preciso ser médium “Vidente” para ver os espíritos materializados.

O Espírito, materializando-se e corporificando-se, pode ser visto, sentido e tocado. Podemos

abraçá-lo, sentir-lhe o calor da temperatura, ouvir-lhe as pulsações do coração e com ele conversar

naturalmente.

A força nervosa do médium (Ectoplasma) é matéria plástica e profundamente sensível às nossas

criações mentais. (Missionários da Luz – Cap.10 – André Luiz).

Assim sendo é justo entendamos que somente por motivos superiores os Espíritos se materializam,

tais como:

Atendimento aos sofredores encarnados, nos serviços de cura.

Facilitar investigações científicas respeitáveis, previamente planejadas no Plano Superior. Podemos

citar como exemplo: Nos fins de 1871, as célebres materializações de “Katie King”, com o auxílio da médium

Florence Cook, e controlada por Sir William Crookes.

Katie King, cujo verdadeiro nome é Annie Morgan, vivera durante a última parte do reinado de

Carlos I, o tempo da República e o começo do reinado de Carlos II. Desencarnara aos 23 anos de idade.

Suas características eram: Jovem, alta, esguia, elegante quanto possível, cabelos longos na cor castanho-

claro e seus olhos azuis eram muito grandes, em forma de amêndoa. Suas mãos eram um pouco grandes,

e tinha dedos longos. Sua tez era muito clara.

Apesar da sua forma usual descrita acima, o espírito Katie King, conforme o desejo dos

pesquisadores mudava seus cabelos, seus vestidos e também a cor da sua pele.

Nas primeiras sessões Katie materializava-se parcialmente. Seu corpo ficava formado até o busto,

sendo o resto como um nevoeiro vagamente iluminado. Posteriormente suas materializações eram

completas.

Katie circulava entre as pessoas presentes a reunião, conversava, escrevia-lhes bilhetes, ria,

gracejava com cada um dos assistentes, chamando-os pelo nome e deixava-se tocar por ele.

Durante três anos o espírito de Katie King foi estudado e fotografado quase que diariamente pelo

grande sábio William Crookes.

A médium Florence Eliza Cook era uma menina de quinze anos de idade que desde a sua infância

via os espíritos, ouvia vozes e também produzia fenômenos físicos.

Apesar de muito bela era menor que Katie e suas mãos eram minúsculas. Sua tez era morena, seus

cabelos eram curtos na cor castanho-médio a escuro. Tinha no pescoço, uma grande cicatriz. Suas orelhas

eram furadas, pois que usava ordinariamente, brincos.

Essas diferenças fisionômicas entre Katie e Florence, invalidam qualquer teoria de fraude, mesmo

porque a menina Cook seria incapaz de organizar uma tão gigantesca impostura sob a vigilância meticulosa

de jornalistas, escritores e sábios de primeira ordem. Todas as medidas foram tomadas para que fosse

impossível um engano. Procedeu-se como se ela fosse uma das mais hábeis simuladoras. Ora suas mãos

foram imobilizadas por laços cujas pontas eram costuradas e lacradas; uma correia passava-lhe pela

cintura, a fim de ligá-la com as mesmas precauções, e as extremidades eram fixadas numa presilha de ferro

no soalho. De outras vezes, seu corpo era percorrido por uma corrente elétrica que passava num

galvanômetro, e cujos desvios indicariam a menor deslocação da médium. Entretanto o espírito de Katie

King materializado, mostrou-se livre de qualquer prisão.

Durante as sessões era possível distinguir perfeitamente a figura da médium (Florence Cook) em

transe (sono magnético ou sonambúlico) e o espírito de Katie King materializado.

Professor William Crookes, célebre químico, Astrônomo e físico inglês. Nasceu em 1832, e foi

nomeado membro da Real Sociedade de Londres.

Anteriormente, o Sr. William Crookes estudou os fenômenos espíritas com Miss Kate Fox, uma das

célebres irmãs Fox, da América do Norte.



Continua

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