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sábado, 22 de novembro de 2008

CONHECE-SE A ÁRVORE PELOS FRUTOS

CONHECE-SE A ÁRVORE PELOS FRUTOS


1. Porque não é boa árvore a que dá maus frutos, nem má árvore a que dá bons frutos. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu fruto. Porque nem os homens colhem figos dos espinheiros, nem dos abrolhos vindimam uvas. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do mau tesouro tira o mal. Porque, do que está cheio o coração, disso é que fala a boca. (Lucas VI: 43-45.)


2. Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestidos de ovelhas, e por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Por ventura os homens colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos. Não pode uma árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não dá bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. (Mateus, VII: 15-20.)


3. E respondendo Jesus, lhes disse: Vede, não vos engane alguém; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. — E levantar-se-ão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E porquanto multiplicar-se-á a iniquidade, se resfriará a caridade de muitos. Mas o que perseverar até o fim, esse será salvo. — Então, se alguém vos disser: Olhai, aqui está o Cristo; ou, ei-lo acolá, não lhe deis crédito. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão grandes prodígios, e maravilhas
tais, que, se fora possível, até os escolhidos se enganariam. (Mateus, XXI V:j 4-5, 11-13, 23-24, e semelhante em Marcos, XIII: 5-6, 21-22.)


MISSÃO DOS PROFETAS


4. Atribui-se geralmente aos profetas o dom de revelar o futuro, maneira que as palavras profecia e predição se tornaram sinónimas. No sentido evangélico, a palavra profeta tem uma significação mais ampla, aplicando-se a todo enviado de Deus, com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas, os mistérios da vida espiritual. Um homem pode, portanto, ser profeta, sem fazer predições. Essa era a idéia dos judeus, no tempo de Jesus. Eis porque, ao ser levado perante o sumo sacerdote Caifás, os Escribas e os Anciãos, que estavam ali reunidos, lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos e bofetadas, dizendo: "Cristo,' profetiza, e dize quem foi que te bateu." Houve profetas, entretanto, tiveram a preciência do futuro, seja por intuição ou por revelação providencial, a fim de transmitirem advertências aos homens. Como essas, predições se realizaram, o dom de predizer o futuro foi considerado como um dos atributos da qualidade de profeta.


PRODÍGIOS DOS FALSOS PROFETAS

5. "Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão prodígios e sinais espantosos, para enganarem até mesmo os escolhidos."' Essas palavras dão o verdadeiro sentido da palavra prodígio. Na acepção teológica, os prodígios e os milagres são fenómenos excepcionais, que escapam às leis da natureza. Estas leis, tendo sido. estabelecidas exclusivamente por Deus, não há dúvida que podem ser derrogadas por Ele, quando lhe aprouver. O simples bom senso nos diz, porém, que Ele não pode haver conferido a seres inferiores e perversos um poder igual ao seu, e menos ainda o direito de desfazerem o que Ele fez..

Jesus não podia consagrar esse princípio. Se acreditarmos, portanto, segundo o sentido que se atribui àquelas palavras, que o Espírito do Mal tem o poder de fazer tais prodígios, que até mesmo os escolhidos seriam enganados, disso resultaria que, podendo ele fazer o mesmo que Deus faz, os prodígios e os milagres não são privilégio exclusivo dos enviados, de Deus, e por isso nada provam, desde que nada distingue os milagres dos santos dos milagres dos demónios. Ë, pois, necessário buscarmos um sentido mais racional para aquelas palavras.


Aos olhos do povo, todo fenômeno, cuja causa é desconhecida, passa por sobrenatural, maravilhoso e miraculoso. Conhecida a causa, reconhece-se que o fenômeno, por mais extraordinário que pareça, não é mais do que a aplicação de uma determinada lei da natureza. É assim que a área dos fatos sobrenaturais se restringe, à medida que se amplia a das leis científicas. Desde todos os tempos, certos homens exploram, em proveito de sua ambição, de seus interesses e de seu desejo de dominação, certos conhecimentos que possuíam, para conseguirem o prestígio de um poder supostamente sobre humano ou de uma pretensa missão divina.


São esses os falsos cristos e os falsos profetas. A difusão dos conhecimentos vem desacreditá-los, de maneira que o seu número diminui, à medida que os homens se esclarecem. O fato de operarem aquilo que, aos olhos de algumas pessoas, parece prodígio não é, portanto, nenhum sinal de missão divina. Esses prodígios podem resultar de conhecimentos que qualquer um pode adquirir, ou de faculdades orgânicas especiais, que tanto o mais indigno como o mais digno podem possuir. O verdadeiro profeta se reconhece por características mais sérias exclusivamente de ordem moral.


NÃO ACREDITEIS EM TODOS OS ESPÍRITOS

6. Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantaram no mundo. (João, Epístola I, cap. IV: 1.)


7. Os fenómenos espíritas, longe de confirmarem os falsos cristos e os falsos profetas, como algumas pessoas gostam de dizer, vem, pelo contrário, dar-lhes o último golpe. Não soliciteis milagres nem prodígios ao Espiritismo, porque ele declara formalmente que não os produz. Da mesma maneira que a Física, a Química, a Astronomia, a Geologia, revelaram as leis do mundo material, ele vem revelar outras leis desconhecidas, que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual. Essas leis, tanto quanto as científicas, pertencem à natureza. Dando, assim, a explicação de uma
ordem de fenómenos até agora incompreendidos, o Espiritismo destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso.


Como se vê, os que fossem tentados a explorar esses fenómenos em proveito próprio, fazendo-se passar por enviados de Deus, não poderiam abusar por muito tempo da credulidade alheia, e bem logo seriam desmascarados. Aliás, como já ficou dito, esses fenómenos nada provam por si mesmos: a missão se prova por efeitos morais, que nem todos podem produzir. Esse é um dos resultados do desen­volvimento da ciência espírita, que, pesquisando a causa de certos fenómenos, levanta o véu de muitos mistérios. Os que preferem a obscuridade à luz, são os únicos interessados em combatê-la. Mas a verdade é como o sol: dissipa os mais densos nevoeiros.


O Espiritismo vem revelar outra categoria de falsos cristos e de falsos profetas, bem mais perigosa, e que não se encontra entre os homens, mas entre os desencarnados. É a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da terra para a erraticidade, e se disfarçam com nomes veneráveis, para procurar, através da máscara que usam, tornar aceitáveis as suas idéias, frequentemente as mais bizarras e absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam a sua ação de maneira mais ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, auditiva ou de incorporação.

O número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nos últimos tempos, se apresentaram como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até mesmo como Deus, é considerável. São João nos põe em guarda contra eles, quando adverte: "Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus; porque muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." O Espiritismo nos oferece os meios de experimentá-los, ao indicar as características pelas quais se reconhecem os Bons Espíritos, características sempre morais e jamais materiais. É, sobretudo, ao discernimento dos Bons e dos Maus Espíritos, que podemos aplicar as palavras de Jesus: "Reconhece-se a árvore pelos seus frutos; uma boa árvore não pode dar maus frutos, e uma árvore má não pode dar bons frutos." Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como a árvore pela qualidade de seus frutos.

ESE, cap. XXI

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